MENTA: a face obscura de cada um

8 Sua alma é mais suja do que a minha


Notas iniciais
Sim, mais um capítulo está pronto. Dessa vez é o ponto de vista do Patch. Não pretendo usar muito esse recurso, mas acho necessário usar de vez em quando para ajudar a esclarecer um pouco desse enigma. O que acharam? Opiniões, por favor.


I've got no soul to sel
(Eu não tenho alma para vender)
– Closer, Nine Inch Nails

(PATCH CIPRIANO)


Eu segui para fora da enfermaria, mas não antes de exigir aos soldados que eles tivessem a total atenção naquela recruta. Ela era bem mais esperta do que todos podem imaginar. O que eu mais queria ter certeza era a razão pela a qual a Nora veio me chamar. Minhas ordens são claras. Nada de se dirigir a mim, a menos que seja importante.


Chego até ao meu gabinete improvisado, passando o meu cartão de segurança e digitando a senha. Piso pelo o carpete mogno e deslizo até a ampla sala, me sentando na mesa que possui todos os itens nos minímos detalhes arrumados e do mesmo jeito que deixo. Não atolero erros. Nunca. Todos erros merece uma punição.


Chego até o telefone, apertando o botão, mando:


– Mande ela entrar.
Em menos de dez segundos, Nora entra em seus saltos, balançando os seus cabelos vermelhos. Muito atraente, posso dizer.
– Qual o motivo? Espero que seja suficientemente bom para você ocupar meu tempo- digo, sem a menor paciência — vamos lá, não perca tempo.
– E eu sou alguém de perder tempo? Você não costumava me tratar dessa maneira quando a gente estavamos juntos — seus olhos brilhavam de malícia.
Eu sorri, fazendo o inferno do meu caminho pelo o seu jogo também:
– Juntos? Acho que preciso refrescar a sua memória não acha? Foi um caso e nada mais. Você acha que eu seria estúpido para cometer um erro desse? Ah, minha cara, você nunca vai me conhecer.
– Eu conheço, mas do que muitos- declarou, passando a língua pelo os dentes.
– Qual o relatório, Líder?- perguntei, sem mudar o meu tom.


Nora caminhou pelo o amplo espaço e me entregou uma pasta negra com uma etiqueta branca colada no inferior da capa. Eu peguei e analisei os dados com calma e precisão:


– Então é isso — confirmei, trocando o peso de um pé para o outro.
– Exatamente. A tropa avançou algumas cidades a mais. Quando consegui que esses códigos chegassem em minhas mãos, fiz questão de entregar a você pessoalmente.
– O número de mortes aumentou e essa informação não pode escapar na boca do povo de forma verdadeira — falei, encarando os seus olhos.
– Sim, basta jogar uma mentira e eles vão alimentar- se em nossas mãos. E abafando o caso, as vitímas são de menos não acham?
Ignorei seu ponto de vista, jogando a pasta na mesa. Passando a mão pelo o meu cabelo, perguntei:
– Só isso?
– Não. Tenho uma coisinha a mais para fazer.


Nora se aproximou de mim, me agarrando pela a camisa e me beijou. Na mesma hora, me puxei dela, limpando o batom laranja que eu tanto odiava o gosto.


– Isso não pode se repetir. Eu nunca repito um caso e você só foi uma distração para mim, entendeu? Só deixei você como líder pela a sua capacidade e espero que continue assim.


Nora me encarou furiosamente:


– Você pensa que é melhor do que mim. Está enganado. Sua alma é mais suja do que a minha
– Você descobriu só agora? Que novidade — sorri suavemente, batendo palmas — tem toda a razão. Só bem pior do que você.


A última coisa que ouvi foi o bater de uma porta. Me virando, segurei a arma perto das minhas calças e a visão de uma recruta de longos cabelos me veio a mente. Sim, ela seria útil. Muito útil.

Notas finais
Comentários? Isso pode me animar a continuar a escrever :) Até mais!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.