MEMÓRIAS
48 CAPÍTULO 48 - O que Sarah Black sabia
O bilhete não voltou para o pescoço de Sarah.
Essa foi a primeira decisão.
A segunda foi que o pingente também não voltaria, pelo menos por enquanto.
Depois de dezenove anos escondendo um pequeno pedaço de papel, a lua precisava ser preservada, examinada e documentada antes que Sarah pudesse usá-la novamente.
Ela não gostou.
Nem um pouco.
Jacob percebeu no instante em que saíram.
Sarah levou a mão ao peito.
Encontrou apenas a corrente provisória que tinham colocado para substituir o peso costumeiro.
Fez uma careta.
— Está estranho.
— Eu sei.
— Parece que está faltando alguma coisa.
Jacob abriu a boca.
Sarah levantou um dedo.
— Se você disser que tecnicamente está faltando alguma coisa, eu termino com você.
Ele fechou a boca.
Esperou dois segundos.
— Posso pensar?
Sarah tentou manter a expressão séria.
Não conseguiu.
— Idiota.
Jacob segurou sua mão.
— Vai voltar.
— Eu sei.
— E dessa vez você vai saber o que carregou todos esses anos.
Sarah olhou para ele.
— Isso é a parte assustadora.
— Por quê?
Ela respirou.
— Porque até ontem era só meu.
Jacob não respondeu imediatamente.
Sarah continuou:
— Não importava de onde vinha. Não importava quem tinha dado. Era a única coisa que eu tinha desde antes do hospital. Eu acordava sem saber quem era, mas aquilo estava comigo.
Passou os dedos pela corrente vazia.
— Agora pertence a uma história.
Jacob apertou sua mão.
— Continua sendo seu.
Sarah olhou.
— Sua mãe deu para mim.
— Então é ainda mais seu.
Ela sorriu.
— Você não quer de volta?
— Minha mãe deu para uma menininha chamada Sarah Cullen.
Ele inclinou a cabeça.
— Acontece que encontrei essa menininha.
Sarah sentiu os olhos arderem.
— Você anda perigosamente bom nisso.
— Em quê?
— Em falar coisas bonitas.
— Convivência com você.
— Impossível. Eu sou péssima nisso.
— Você me disse que me ama por causa de café.
— Caso encerrado.
Mas o caso estava longe de encerrado.
Na manhã seguinte, Sarah voltou ao quadro.
Dessa vez havia três datas.
ANTES DO PRIMEIRO ACIDENTE — SARAH BLACK ESCONDE BILHETE NO PINGENTE.
PRIMEIRO ACIDENTE — SARAH BLACK + ESME MORREM.
QUATRO ANOS DEPOIS — IRINA INVESTIGA O QUE SARAH BLACK PODERIA TER ENTREGADO A SARAH CULLEN.
Edward chegou primeiro.
Emmett entrou depois com Rosalie.
Billy demorou alguns minutos.
Quando viu a primeira linha, parou.
Sarah percebeu.
— Se quiser sair...
— Não.
— Billy.
— Eu quero saber.
Jacob puxou uma cadeira para o pai.
Billy sentou.
Sarah apontou para o quadro.
— A pergunta agora não é se minha mãe...
Parou.
Olhou para Billy.
Corrigiu naturalmente:
— Se Sarah Black desconfiava de Irina. O bilhete mostra que desconfiava.
Jacob percebeu o pequeno tropeço.
Minha mãe.
Sarah também.
Mas não corrigiu de novo.
Porque, de alguma maneira, não estava errado.
Sarah Black não era sua mãe biológica.
Mas estava em alguma parte da infância dela.
No nome.
No pingente.
Na lembrança da cozinha.
No amor que duas mulheres tinham dividido por uma criança.
Sarah respirou.
— Precisamos descobrir o motivo dessa desconfiança.
Edward assentiu.
— Sem presumir que ela sabia da T-6.
— Exatamente. O bilhete é anterior à sabotagem.
Emmett franziu a testa.
— Então não pode ser sobre o carro.
— Não originalmente.
Jacob olhou para o pai.
— Você lembra de alguma coisa?
Billy ficou muito tempo em silêncio.
— Lembro de Sarah dizer que Irina estava fazendo perguntas.
Sarah pegou a caneta.
— Quando?
— Algumas semanas antes do acidente.
— Sobre quê?
Billy fechou os olhos.
— A empresa.
— Isso era incomum?
— Não. Irina trabalhava com questões jurídicas e societárias.
— Então por que incomodou Sarah?
— Porque não eram perguntas sobre a empresa.
Billy olhou para Jacob.
Depois para Sarah.
— Eram sobre as crianças.
Sarah não escreveu imediatamente.
— Quais crianças?
— Vocês quatro.
Emmett franziu a testa.
— Nós?
Billy assentiu.
— Irina perguntava como Carlisle e eu tínhamos organizado as coisas caso alguma coisa acontecesse.
Sarah ficou imóvel.
— Sucessão?
— Em parte.
— Guarda?
— Também.
Edward aproximou-se.
— Isso foi antes da morte das mães.
— Sim.
Sarah escreveu:
ANTES DO PRIMEIRO ACIDENTE: IRINA JÁ FAZIA PERGUNTAS SOBRE SUCESSÃO/GUARDA DAS CRIANÇAS.
Depois:
RELATO DE BILLY — CORROBORAR.
— Sarah Black sabia disso?
Billy soltou uma risada triste.
— Sarah sabia de tudo que acontecia naquela casa.
Jacob sorriu de leve.
— Parece ela.
Billy olhou para o filho.
— Muito.
Depois voltou para Sarah.
— Ela achava Irina invasiva.
— Só isso?
Billy hesitou.
— Não.
Sarah esperou.
— Um dia, Sarah perguntou se eu achava que Irina seria capaz de machucar alguém para conseguir o que queria.
A sala ficou em silêncio.
Jacob ficou imóvel.
— Quando?
— Não sei a data.
— Antes do acidente?
— Algumas semanas. Talvez um mês.
Sarah escreveu cuidadosamente:
MEMÓRIA DE BILLY, ~19 ANOS DEPOIS. DATA INCERTA.
— O que você respondeu?
Billy fechou os olhos.
— Que Irina podia ser muitas coisas, mas não assassina.
Ninguém falou.
Billy olhou para as próprias mãos.
— Eu estava errado.
Sarah aproximou-se.
— Você respondeu com o que sabia naquele momento.
— Sarah também sabia o que eu sabia.
— Talvez soubesse alguma coisa a mais.
Billy levantou os olhos.
— É isso que está me matando.
— Então vamos descobrir.
O bilhete foi analisado.
Não apenas a escrita.
O papel.
A dobra.
A tinta.
A forma como fora inserido.
O resultado trouxe uma informação inesperada.
O papel não fora colocado no pingente no mesmo dia em que Sarah Black o dera à pequena Sarah Cullen.
Era posterior.
Sarah ficou imóvel.
— Quanto posterior?
Não era possível estabelecer data exata.
Mas havia marcas de abertura anterior na pequena junção do pingente.
Ou seja:
Sarah Black dera o pingente à menina.
Depois, em outro momento, abrira novamente a peça.
Colocara o bilhete.
Selara.
E devolvera.
Jacob franziu a testa.
— Então ela transformou o presente em esconderijo depois.
— Parece.
Edward entendeu.
— E Sarah já usava.
— Sim.
Emmett ficou sério.
— Então ninguém procuraria ali.
Sarah olhou para ele.
— Exatamente.
Isso criava uma pergunta.
Quando Sarah Black teve acesso ao pingente depois de já tê-lo dado à menina?
A resposta poderia estar numa fotografia.
Mas Sarah não queria vê-la antes de registrar qualquer memória espontânea.
Billy foi orientado a não contar.
Emmett também.
Edward também.
Todos pareciam estar participando do jogo mais estranho do mundo.
Sarah fechou os olhos.
— Não tenho nada.
Jacob estava ao lado.
— Tudo bem.
— Nenhuma imagem.
— Tudo bem.
— Só...
Parou.
— O quê?
Sarah levou a mão à nuca.
— Alguém mexendo aqui.
Jacob ficou imóvel.
— No colar?
— Talvez.
Sarah pegou o telefone.
Registrou.
MEMÓRIA ESPONTÂNEA.
Sensação tátil: mãos na nuca.
Possível corrente sendo retirada/colocada.
Nenhuma imagem.
Possível voz feminina: “Só um minutinho.”
Confiança média-baixa.
NÃO IDENTIFICAR PESSOA.
Terminou.
— Agora pode.
Billy começou a chorar antes de falar.
— Sua corrente arrebentou.
Sarah ficou imóvel.
— Quando?
— Algumas semanas antes do acidente.
— Quem consertou?
— Sarah.
— Sarah Black?
— Sim.
Jacob levou a mão à boca.
Billy continuou:
— Você estava brincando. A corrente prendeu em alguma coisa. Não lembro onde. Esme ficou desesperada achando que você tinha se machucado.
Sarah sentiu o coração acelerar.
— E ela tirou?
— Sarah Black disse que consertaria.
— Quanto tempo ficou com ela?
— Um dia. Talvez dois.
Sarah fechou os olhos.
Só um minutinho.
Não era confirmação da frase.
Mas havia um momento real em que Sarah Black tivera o pingente de volta.
Tempo suficiente para abrir.
Esconder o bilhete.
Selar.
E devolvê-lo.
— Então alguma coisa aconteceu antes disso — Edward disse.
Sarah assentiu.
— Alguma coisa fez Sarah Black decidir que precisava esconder uma mensagem.
Rosalie, quieta até então, falou:
— Robert.
Todos olharam.
— O bilhete menciona meu avô.
Sarah assentiu.
Rosalie respirou.
— Talvez não devamos procurar só nos documentos da família Black.
Emmett entendeu.
— Os arquivos do Robert.
— Sim.
Voltaram ao material preservado de Robert Hale.
Dessa vez não procuravam T-6.
Procuravam Sarah Black.
Encontraram seu nome dezenas de vezes.
Corridas.
Treinos.
Ajustes.
Tempos.
Peças.
Número 47.
Sarah sorriu ao ver.
— Ela realmente gostava de carro.
Billy riu.
— Gostava mais do que eu.
Jacob ficou surpreso.
— Sério?
— Foi uma das coisas que me fez apaixonar por ela.
— Pensei que fosse a beleza.
Billy olhou para o filho.
— Primeiro foi a beleza.
Sarah riu.
— Pelo menos é sincero.
— Depois ela abriu o capô do meu carro e disse que eu não entendia nada do motor.
Jacob começou a rir.
— Aí acabou.
— Completamente.
Por alguns segundos, Sarah Black voltou a existir como mulher.
Não vítima.
Não nome numa investigação.
Uma mulher bonita, engraçada, apaixonada por carros e capaz de humilhar Billy Black diante de um motor.
Sarah gostou dela ainda mais.
Então Rosalie encontrou uma anotação.
Não estava no caderno da T-6.
Era de meses antes.
“S.B. preocupada com I.V.”
Abaixo:
“perguntas C&B / crianças / sucessão.”
Sarah sentiu o corpo ficar alerta.
Mais uma linha:
“diz que I. mexeu em arquivo sem autorização.”
Edward aproximou-se.
— Qual arquivo?
A página seguinte.
“seguro Esme/Sarah.”
Billy ficou imóvel.
— Seguro?
Sarah virou.
— Existia seguro de vida?
— Claro. Nós todos tínhamos.
— Beneficiários?
— Cônjuges, estruturas familiares, empresa em algumas coberturas.
Sarah respirou.
— Precisamos dos contratos.
Os seguros não davam a Irina dinheiro diretamente.
Isso foi estabelecido rapidamente.
Mas havia uma apólice empresarial relevante.
Em caso de morte simultânea de determinados administradores ou cônjuges envolvidos em garantias pessoais, algumas obrigações financeiras e opções societárias seriam reorganizadas.
Complexo.
Nada que sozinho explicasse assassinato.
Sarah escreveu:
SEGURO ≠ MOTIVO AUTOMÁTICO.
Emmett apontou.
— Eu sabia que isso vinha.
— E ainda assim você precisava ouvir.
Mas havia algo estranho.
Três semanas antes do acidente, alguém solicitara cópias integrais das apólices.
Volturi & Associados.
Solicitante:
I.V.
Jacob fechou os olhos.
— De novo.
Sarah assentiu.
Irina estava estudando:
empresa.
sucessão.
seguros.
guarda.
crianças.
Antes da morte de Esme e Sarah Black.
A pergunta passou a ser outra.
O QUE IRINA PLANEJAVA ANTES DO PRIMEIRO ACIDENTE?
E talvez Sarah Black tivesse percebido.
Robert deixara mais.
Uma anotação datada de dez dias antes do acidente:
“S.B. trouxe cópia. Irina pediu acesso aos documentos de Billy sem autorização.”
Depois:
“Sarah acha que I. quer criar problema entre ela e B.”
Billy fechou os olhos.
Ciúme.
O velho eixo.
Irina queria Billy.
Sarah Black sabia.
Mas a linha seguinte era pior:
“S.B. diz que I. perguntou se, sem ela, Billy deixaria Jacob com a família Cullen.”
Jacob ficou imóvel.
— O quê?
Sarah releu.
Billy empalideceu.
— Ela perguntou isso?
— Segundo Robert, Sarah Black disse que sim.
Jacob levantou.
— Por que Irina queria saber onde eu ficaria se minha mãe morresse?
Sarah olhou.
— Ainda não sabemos.
— Ela queria meu pai.
Billy fechou os olhos.
Sarah não negou.
— Isso é uma hipótese compatível com o que já sabemos sobre os sentimentos dela por Billy. Mas pode haver dimensão patrimonial e familiar também.
Jacob começou a andar.
— Ela estava planejando uma vida depois da morte da minha mãe.
— Talvez estivesse simulando possibilidades.
— Sarah.
Ele parou.
A voz dele falhou.
— Minha mãe percebeu.
Sarah levantou.
— Sim.
— E ninguém acreditou.
Billy ficou de pé.
— Eu devia ter acreditado.
Jacob virou.
— Pai...
— Ela me perguntou se Irina seria capaz de machucar alguém e eu disse não.
— Você não sabia.
— Eu devia ter perguntado por quê.
Sarah entrou entre os dois.
— Não.
Billy olhou.
— Não vamos fazer isso.
— Sarah...
— Não vamos transformar cada documento novo em uma nova pessoa culpada por não ter previsto um assassinato.
Silêncio.
Ela apontou para Jacob.
— Você tinha seis anos.
Depois para Billy.
— Você era marido de uma mulher preocupada com alguém que fazia perguntas invasivas. Não tinha o relatório que temos hoje. Não tinha a confissão. Não tinha T-6. Não tinha dezenove anos de reconstrução.
Billy fechou os olhos.
— Mas ela tentou me avisar.
Sarah suavizou a voz.
— E agora estamos ouvindo.
Jacob saiu da sala alguns minutos depois.
Sarah esperou.
Não correu atrás.
Deu espaço.
Cinco minutos.
Então foi.
Encontrou-o na garagem.
Naturalmente.
Jacob estava diante de um carro antigo.
As mãos apoiadas no capô.
Sarah parou ao lado.
— Lugar temático.
Ele soltou uma risada sem humor.
— Acho que herdei alguma coisa dela.
— Muitas.
— Você nem conheceu ela adulta.
— Conheci documentos suficientes para saber que era teimosa.
Jacob olhou.
— Você está me chamando de teimoso?
— Jamais.
Ele quase sorriu.
Sarah encostou no carro.
— Quer falar?
— Não sei.
— Podemos não saber juntos.
Jacob olhou para ela.
— Você roubou minha frase.
— Regime de comunhão.
— Nem somos casados.
— Detalhe técnico.
Dessa vez ele riu.
Pouco.
Mas riu.
Depois ficou sério.
— Ela sabia que Irina queria meu pai.
— Sim.
— Sabia que Irina estava perguntando o que aconteceria se ela morresse.
— Parece que sim.
— E mesmo assim entrou naquele carro.
Sarah demorou.
— Talvez porque não soubesse que o perigo era o carro.
Jacob fechou os olhos.
— Eu continuo procurando um ponto em que alguém poderia ter impedido.
— Eu sei.
— Você faz isso?
Sarah pensou.
— O tempo todo.
Ele olhou.
— Com Carlisle?
— Com ele. Com Esme. Com Sarah Black. Com você no penhasco. Com Charlie. Com Harry me encontrando. Às vezes meu cérebro tenta encontrar um momento em que alguém poderia ter escolhido diferente e tudo teria sido normal.
— Existe?
Sarah balançou a cabeça.
— Existem muitos momentos em que adultos fizeram escolhas terríveis.
Pegou a mão dele.
— Mas nenhum deles pertence a uma criança de seis anos.
Jacob respirou.
— Eu tinha seis anos.
— Tinha.
Ele apertou sua mão.
— Está ficando mais fácil dizer.
— Ainda bem.
Sarah tocou o peito dele.
— Posso contar uma coisa egoísta?
— Sempre.
— Estou feliz que sua mãe tenha colocado aquele bilhete no meu colar.
Jacob ergueu as sobrancelhas.
— Isso realmente parece egoísta.
— Não pelo motivo.
Ela sorriu.
— Porque agora eu tenho alguma coisa dela.
Jacob ficou quieto.
Sarah continuou:
— Não uma história. Não uma fotografia. Uma coisa que ela tocou. Uma coisa que ela escolheu colocar comigo.
A voz ficou mais baixa.
— E eu sei que ela me amava.
Os olhos dele encheram.
— Amava.
— Eu lembro.
Jacob sorriu.
— Da cozinha.
— Da cozinha.
— “Agora você tem uma lua.”
Sarah assentiu.
— Eu queria lembrar mais.
— Talvez venha.
— Talvez não.
— E tudo bem?
Sarah pensou.
— Ainda estou aprendendo.
Jacob tocou seu rosto.
— Eu também.
Ela beijou a palma da mão dele.
— Essas mãos são muito melhores quando não estão tentando consertar o passado.
Jacob aproximou-se.
— O que deveriam fazer?
Sarah ergueu os olhos.
— Quer mesmo que eu responda?
A expressão dele mudou.
— Talvez.
Sarah sorriu.
— Perigosíssimo.
Jacob colocou as mãos em sua cintura.
— Assim?
Ela respirou.
— Agravante.
— E assim?
Ele a trouxe um pouco mais perto.
Sarah passou os braços pelo pescoço dele.
— Reincidência.
— Pena?
— Ainda em análise.
Jacob beijou-a.
Sarah respondeu devagar.
Não havia ruptura entre investigação e aquilo.
A conversa sobre a mãe dele ainda estava ali.
A tristeza também.
Mas o beijo não a apagava.
Só lembrava aos dois que a história deles não terminara naquela estrada.
O telefone de Sarah tocou.
Jacob encostou a testa na dela.
— Eu odeio esse telefone.
Sarah riu.
— Ciúme?
— Muito.
Ela atendeu.
Ouviu.
Seu sorriso desapareceu.
— Encontraram onde?
Jacob ficou sério.
Sarah ouviu por quase um minuto.
— Não mexam em nada. Preservem o original e encaminhem formalmente.
Desligou.
— O que foi?
Sarah respirou.
— Encontraram outro envelope entre os documentos de Robert.
— Da minha mãe?
— Com o nome dela.
— O que tem dentro?
— Uma cópia de uma carta.
— Para quem?
Sarah olhou para ele.
— Para Esme.
A carta fora escrita por Sarah Black oito dias antes do acidente.
Não enviada pelo correio.
Provavelmente entregue ou preparada para entrega.
A cópia ficara com Robert.
O original ainda era desconhecido.
Sarah recebeu a transcrição.
Leu em silêncio primeiro.
Depois olhou para Jacob.
— Quer que eu leia?
Ele assentiu.
Sarah começou:
“Esme,
eu sei que você acha que estou exagerando.”
Jacob fechou os olhos.
“Talvez eu esteja. Espero estar.”
“Mas Irina voltou a perguntar sobre Billy, sobre Jacob, sobre as crianças e sobre o que aconteceria com tudo se alguma de nós não estivesse aqui.”
Billy abaixou a cabeça.
Sarah continuou:
“Ela sabe coisas que eu nunca contei a ela.”
Silêncio.
“Ontem perguntou sobre a oficina de Robert.”
Rosalie ficou imóvel.
“Não sei como sabe que deixei documentos lá.”
Sarah parou.
Edward levantou.
— Documentos.
Ela assentiu.
Continuou:
“Pedi a Robert que guardasse cópias do que encontrei.”
Jacob franziu a testa.
— Encontrou o quê?
Sarah leu a próxima linha.
E ficou imóvel.
“Há movimentações de dinheiro saindo do escritório de Aro para pessoas ligadas à empresa que Billy não autorizou.”
Silêncio.
A carta continuava:
“Ainda não sei para quê.”
“Robert está me ajudando.”
“Se eu estiver errada, vou rir disso com você por anos.”
“Se eu estiver certa, não quero Irina sozinha com nenhuma das crianças.”
Jacob apertou os olhos.
Sarah continuou:
“Principalmente com a pequena Sarah.”
Ninguém respirou.
A última parte:
“Ela olha para ela como se procurasse alguma coisa.”
Sarah parou.
Olhou para Jacob.
Depois para Billy.
Depois para o quadro.
Irina já procurava alguma coisa em Sarah Cullen antes do primeiro acidente.
Antes de Sarah Black morrer.
Antes da T-6.
Antes de Carlisle começar sua própria investigação.
Sarah virou a página.
Havia um pós-escrito.
Uma única frase.
“Se acontecer alguma coisa comigo, procure o envelope azul de Robert.”
Silêncio.
Rosalie ficou branca.
— Envelope azul?
Sarah olhou para ela.
— Você já viu?
Rosalie demorou.
Então levou a mão à boca.
— Meu pai.
Emmett segurou seu braço.
— O quê?
— Quando meu avô morreu... meu pai separou alguns documentos.
— Rosalie?
Ela olhou para Sarah.
— Havia um envelope azul.
Sarah ficou imóvel.
— Onde está?
Rosalie respirou.
— Eu não sei.
Pausa.
— Mas eu sei quem ficou com ele.
Todos esperaram.
Rosalie respondeu:
— Meu pai.
E, pela primeira vez, a investigação chegava a uma prova que Sarah Black escondera antes de alguém decidir que ela precisava morrer.
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