MARVEL: Legião Vermelha
19 Brincadeira de Faz-de-Conta
Notas iniciais
Elen
Nesses últimos dias, cada um que se passava me deixava mais intrigada ainda. Os heróis da Legião Vermelha sumiram! Foi até pensado em colocar isso no jornal, mas saber que os atos heroicos de justiceiros mascarados acabaram mais uma vez seria motivo pro caos tomar conta. Então, o melhor a fazer é fingir que nada aconteceu, tudo estava normal, o meu artigo sobre a Legião Vermelha nunca existiu... Por aí...
Estou intrigada de mais, sério! Eu queria entender o que pode ter acontecido.
Sam (um dos meus colegas): Srta. Moore, como você está? Parece um pouco aérea.
Elen: É... Talvez eu esteja um pouco. Tou sem ideias do que escrever para o jornal já que, bem, o que poderia ser a minha chance de subir evaporou.
Sam: Está falando do seu artigo sobre a Legião Vermelha, não é?
Elen: Bingo!
Sam: Deve ser bem chato em, huhu. Confesso que até me veio certa empolgação por voltar a ter heróis nessa cidade, me fez lembrar de quando eu era criança e da minha adolescência. Era muito louco.
Elen: Sim, lembro bem desse tempo. Até que os super-heróis me trouxeram um motivo de querer ser jornalista, sabia? Queria a muito escrever artigos sobre eles... Pena que tudo acabou pouco depois de eu ter começado meu estágio. Aí todos que viveram naquela época tiveram que "brincar de faz-de-conta" e fingir que o mundo sempre foi normal, nunca existiram super-heróis.
Sam: Em outras palavras: CHA-TO.....
Soltei um leve riso por causa da cara de tédio que ele fez falando sobre o estado que o mundo está agora. Concordo, está chato de mais comparado a como era antes.
Sam: Ei, talvez você possa trocar umas ideias com o Ben Urich. Ele não foi, tipo, o mais foda em escrever sobre super heróis, ao menos aqui no Clarim?
Elen: Bem pensado, mas ele se aposentou faz anos... Hum... Mas consigo arrumar um jeito de localizá-lo.
Sam: Essa é a Elen que eu conheço, huhu. Bem, vou voltar ao trabalho. Creio que não vai querer ir pra nenhum lugar fora "lá" depois, né?
Elen: Sei muito bem "quem" você vai levar. Não quero servir de vela, obrigada.
Sam: Ok então.
Ele se afastou e voltou para sua mesa, enquanto eu me concentrava pra encontrar informações que possam ser interessante pra eu usar. Não dá pra ficar aérea, tenho que me concentrar no meu trabalho.
Admito, não é só o fato dos heróis terem sumido que está me intrigando. Depois de um tempo e podendo raciocinar melhor sobre o caso, a história do Aaron ter se suicidado parece meio estranha. Tipo, não é apenas eu "não querer acreditar" que ele estivesse mal ao ponto de querer se matar. Um detalhe estranho sobre aquele dia é que: como o bombeiro que falou comigo pode dizer que as prováveis causas do incêndio poderiam ser curto circuito ou proposital se o fogo ainda estava sendo apagado (apesar de boa parte já ter sido controlada), ou seja, sem perícia?
Estou louca com isso ou realmente tem algo aí? Não quero ficar iludida, mas parece que algo está muito mal contado...
Aaron
I have a job, bitches! Acabou que consegui trabalho no "lado negro da força" mesmo. Não, não estou fazendo nada ilegal, ou ao menos que seja moralmente errado como venda de drogas e armas, tráfico de pessoas, assassinato encomendado e etc. Estou trabalhando onde ANOS atrás era a loja do vilão Consertador. A loja poderia até ter sido fechada quando ele morreu, mas ela foi encontrada por "aqueles dois" intacta, então eles tomaram conta, já que o Concertador não tinha nenhum parente vivo para exigir posse da loja.
Bem, "aqueles" que menciono são os gêmeos Kevin e Kathy (por aqui são chamados de Gêmeos K ou K's [pronúncia "kêi", em inglês]). Eles são tão maníacos por máquinas como O Concertador, não muda nada. Se eu não soubesse que o velho não tinha parente nenhum juraria que eles são netos ou sobrinho-netos dele, sei lá. Mas a diferença deles pra ele é somente que eles não fazem armas pra qualquer louco maníaco por aí, além de que se importam e ás vezes se relacionam com algumas pessoas (BEM diferente daquele velho). Por isso não tive receio em trabalhar no mercado negro mesmo sabendo o histórico da loja antes deles assumirem. Sei que não estou metido numa roubada tão grande.
Eu trabalho ajudando na parte de atender quem vem à loja e também no design dos projetos quando o cliente quer algo com estilo mais personalizado. Até que dá pra lidar bem com a situação e a grana é suficiente pra me manter.
De repente perdi o foco no que eu tava fazendo quando ouvi do outro lado da loja Kathy resmungando:
Kathy: Droga... Tou quase alcançando...
Aaron: Hey! Você vai acabar derrubando tudo em cima de você!
Kevin: E essa cabeça dura escura alguém? O que você quer aí, mana?!
Kathy: Me deixem em paz vocês dois! Aff... — ela revistou umas coisas na segunda prateleira, de baixo pra cima, e pegou uma luva esquisita — Contemplem o poder do Magneto!! — o objeto que parecia um pequeno motor saiu da última prateleira e foi pra sua mão.
Kevin: Se caísse tudo em cima de você por usar essa coisa eu ia rir.
Kathy: Inveja?
Aaron: "Magneto", sério? Lamento por me meter, ainda por cima sendo "empregado", mas não está nova de mais (os gêmeos têm 16 anos) pra saber o nome do, digamos, um dos mutantes e vilões mais fortes da era de ouro dos super poderosos?
Kathy: Você fala isso como se fosse centenário. (Aaron: Mas sou =P). Não é preciso ter vivido naquela época pra saber alguma coisa.
Aaron: Deixa eu adivinhas, Deep Web?
Kathy: Exato.
Parece até que a Deep Web é acessada tão normalmente como a internet comum! Em cada buraco tem alguém que acessa, caramba!
Kevin: Falando em heróis... O movimento daqueles idiotas por aqui parou, não é?
Aaron: Do que você tá falando?
Kathy: Você nem tava aqui, mas depois que bombou essa história da Legião Vermelha veio um monte de idiotas aqui querendo umas bugigangas pra enfrentá-los "no mesmo nível", digamos assim.
Kevin: Teve até um que tava puto por que mesmo estando armado perdeu pra um cara bem menor que ele (creio que seja o Latro) e desarmado, ha ha ha!
Kathy: Bem que parece que essas atividades tem diminuído por que... Alguns estão se questionando se eles são reais mesmo ou meras lendas. Faz uns dias em que ninguém aparece dizendo que se ferrou por causa deles?
Aaron: Hum, eu mesmo já reparei que tem diminuído o número de pessoas que comentam sobre a LV... Aliás, vocês acreditam?
Kevin+Kathy: Mais ou menos. Ao mesmo tempo que pode ser maneiro voltar a existir super-heróis, é muito fácil inventarem uma coisa dessas.
Aaron: Certo, saquei. Mas não falem ao mesmo tempo de novo. é Sinistro.
Kevin+Kathy: Sobreviva com isso.
Bem diretos... De repente chegou um cara que parecia bem puto, sei lá, só sei que ele chegou direto batendo a porta.
Kevin: Olha só quem está aqui...
??????: Tsc! Não venha com ironias pra cima de mim! — o cara falou segurando Kevin pela gola da camisa.
Eu ia me levantar pra intervir, mas Kathy me impediu. É claro, não é da minha conta, não é?
Kevin: O que você quer?
??????: Sabe muito bem o que eu quero!
Kevin: E a nossa resposta ainda é não! Se quer alguém pra construir uma arma pra você assaltar bancos ou sei lá o que, ARRUME OUTRO "CONCERTADOR"!
Kathy: Solte-o agora!
??????: Ha! Ha! Até parece que vocês são tão moralistas assim. Quanto vocês querem? Vão! Dão um preço que consigo grana suficiente pra pagar em dobro se vocês trabalharem bem!
Kevin: Está surdo, seu cérebro de minhoca! EU DISSE NÃO!!!
Ele socou Kevin e o garoto caiu no chão e quase em cima de umas ferramentas. Se tivesse caído lá teria se cortado feio, já que tinha umas serras alí no meio. Droga, esse tipo de pessoa é irritante!
Aaron: Ei! Pare com isso!
??????: Vai se meter também?!
Droga, não tou nenhum pouco a fim de brigar com esse humano por que sei que posso ganhar e o ruim é que quando brigo sério, meu lado vampiro fica bem evidente.
Aaron: Só tou lhe dando bom senso. Usar violência pra obrigá-los não vai resolver nada. Arrume outra pessoa.
??????: Você é novo por aqui, não é? Esses dois conseguem construir algo muito maior do que fazem. Estão desperdiçando o talento que têm concertando coisas e fazendo bugigangas que servem pra porra nenhuma.
Irônico... De onde veio esse pensamento antes... Claro, de mim. Bateu um peso na consciência agora.
Aaron: E daí?
??????: "E daí?" Hu hu... — ele pegou Kevin pela gola de novo — "E daí" que quem se mete no mercado negro com esse tipo de habilidade, não tem como ser moralista. SE NÃO SÓ SE FODE!!
Foi rápido. Kevin se preparou pra levar um soco na cara e Kathy, que não podia fazer nada, fechou os olhos se recusando a ver o irmão levar uma surra. E eu, segurei o punho do filho da puta antes dele acertar meu "patrão". Agora não tem mais jeito, dá pra sentir a adrenalina e ver no reflexo dos olhos negros dele meus olhos ficarem vermelhos.
Aaron: "Não tem como ser moralista"? Que pena, e eu que estava me esforçando pra não quebrar sua fuça!
Apertei o seu punho e deu pra sentir uns ossos trincando, ao mesmo tempo que ele largava o Kevin devido a dor. Ele tentou resistir e com a outra mão me socou, então parti pra cima dele e o joguei em uma estante, que se quebrou toda.
Ele pegou uma serra e foi pra cima de mim. Me desviei da cada golpe, então coloquei um dos meus braços a frente de mim para impedir que ele acertasse minha cara. O corte foi profundo, mas não me incomodava com a dor, vou regenerar essa porra mesmo!
??????: O que diabos é você?!
Rosnei, tirei a serra do meu braço e então enfiei a cara dele no chão. Bati nele mais umas vezes antes de parar me tocando que se continuasse iria matá-lo. Mesmo não estando lá com tanta fome, o cheiro de sangue acabou me tirando um pouco de mim.
Me acalmei e saí de cima dele. Mas que merda... O corte no meu braço e outros hematomas se regeneraram rapidamente, mesmo assim, o que vai rolar agora?
Aaron: Me desculpem pelo estrago na loja.
Kevin+Kathy: Beleza.
Kathy: O estressadinho vai pagar o prejuízo. Não é?
Ele olhou pra mim com cara de idiota. Já sei até o que é a garantia de que ele vai pagar.
??????: Sim! Sim! Eu vou, mas deixe ir embora! Não me meto com aberrações nem fudendo!
Kevin: Deposite a grana na nossa conta amanhã, se não Aaron vai te pegar ♥
Ele assentiu, levantou-se e foi embora. Na boa, assustei aquele cara tão facil assim? Me chamou de aberração não foi a toa...
Aaron: Então, acho que vou embora...
Kathy: Do que você tá falando?
Aaron: Não tão assustados?!
Kevin: Tou é surpreso com a força que você arrebentou a cara dele! Ha ha! Então, mas você vai ter que nos contar o que você "não colocou no currículo".
Na boa, nem acredito que eles não se surpreenderam nem ficaram com medo! Esses dois devem saber e ter passado por muita coisa pra "levar numa boa" eu não ser um humano. Resumi a história toda do Projeto V e que só arrumei emprego no mercado negro pra evitar burocracias, não ficar registrado, além de que forjei a minha morte de última hora e eu não tinha grana pra me manter com sangue e sair do país.
Kathy: Então o Projeto V é verdade mesmo...
Aaron: Vocês já ouviram falar?
Kevin: Só que deu errado, ou uns dizendo que na verdade deu certo, mas tal informação meio incerta. Na verdade, o que tinha confirmado mesmo, ao menos na DW, já que com a censura que tem na "superfície", né, era uma tentativa de reproduzir o projeto nos anos 90. Aquilo que fizeram com as cobaias era desumanos. Não só com as cobaias, mas com vítimas delas também. Creio que você deve saber como é.
Aaron: Passei por isso, né... Bem que a reprodução eu não sabia.
Kathy: Bem, pode ficar tranquilo que não vamos falar nada, mas se aparecer alguma encrenca aqui destruir a loja por sua causa, você que vai pagar. ♥
Aaron: Certo, saquei.
Tomara que Blade ainda não esteja na minha cola, se não tou fudido.
Elen
Foi meio custoso, levei quase o dia todo, mas consegui localizá-lo! Tomara que ele aceite conversar comigo...
Bati na porta do apartamento dele e não demorou muito para ele atender. Ele era um senhor de óculos, cabelos levemente grisalhos...
Urich: Em que posso ajudar?
Elen: Hum, olá! É o senhor Ben Urich, não é? Sou Elen Moore, trabalho no Clarim Diário, mas, não estou aqui pra uma entrevista nem nada disso, apenas quero conversar, de jornalista para ex-jornalista.
Ele riu levemente, perece que ele percebeu o meu "leve" nervosismo.
Urich: Ok, pode entrar.
O apartamento não era tão grande, mas aparentava ser confortável. Ele já estava tomando um café antes de eu chegar, então me ofereceu um pouco, claro que aceitei. Estou aliviada pro ele estar sendo gentil, sinceramente, havia duas linhas de reações: essa ou fechar a porta na minha cara e não querer falar nada sobre qualquer assunto que fosse.
Urich: Então? O que te traz aqui?
Elen: Nem sei por onde começar... Sabe, um dos motivos de eu me tornar jornalista foi por causa dos trabalhos do senhor. Aquelas reportagens incríveis sobre os super-heróis.
Urich: Não sou o único em Nova York que escrevia sobre eles, e esse não é o único tema que eu escrevia.
Elen: Sei disso. Bem... Mesmo, apesar de tudo, era impressionante. Homem-Aranha, Demolidor, Quarteto Fantástico, Hulk, Homem de Ferro, os X-Men... Quando eu era mais nova era o tipo de coisa que eu mais queria ler nos jornais, inclusive escrever. A existência de super-heróis e super-vilões poderia ser considerado "perigoso" para a humanidade nos anos que eles tiveram o seu fim, mas eu achava aquilo interessante.
Urich: Hum... Entendo bem esse ponto de vista. Aliás, o seu nome não me é estranho, foi você que escrevei a roportagem sobre a Legião Vermelha.
Elen: Sim, deixei em aberto para que as pessoas pudessem pensar se eles são algo bom ou ruim, mas o título na reportagem foi ideia do JJ...
Urich: Ele ainda é editor chefe do Clarim? Meu Deus, ha ha ha! Achei boa a sua reportagem e a maneira como a escreveu.
Elen: Obrigada. Pena que, de repente eles sumiram. Não consigo entender por que de repente eles pararam. Parecia que a era dos heróis iria voltar e quando vê foi apenas uma ilusão.
Urich: Hum... Não digo apenas pela minha experiência, mas há vários motivos que podem levar um herói a parar. Por eles terem grandes poderes ou serem super inteligentes ou habilidosos, parece que nada pode abalá-los, mas a verdade é que, ser um super herói não é tão fácil assim. Eles têm família, amigos, a própria vida e ser herói exige escolhas difíceis e riscos para ele e o seu próximo, o que causa uma grande pressão psicológica. Já ocorreram no passado heróis desistirem desse fardo, mas uma coisa posso ser certo em dizer: apesar de todas as perdas que podem ocorrer, apesar de todos os riscos, tal herói pode ressurgir, não por conseguir um motivo extra ou diminuir o fardo de algum modo, mas pela combinação da determinação e vontade de fazer justiça.
Elen: Então você diz que há chance de eles voltarem caso o problema que os fez parar se resolva?
Urich: Ou isso ou simplesmente surgirão outros heróis. Querendo aceitar ou não, o universo sempre tenta fazer de tudo para manter o equilíbrio das forças. Quando há muitos bandidos, surgem heróis para combatê-los, se os heróis são fortes de mais, surgem vilões mais fortes para enfrentá-los. E no sentido oposto também ocorrem.
Elen: Entendi...
O que ele disse é algo interessante de se pensar. Só digo que, seja lá o motivo dos heróis da Legião Vermelha terem parado, com certeza aparecerá algo que trará os heróis (sendo eles ou não) de volta, pois há o crime nessa cidade e ele deve ser combatido.
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