MALANDRA

8 Capítulo 8 - MIGAS


Notas iniciais
Caralho, capítulo não ta pronto, postei sem querer

E lá estava eu, de volta a segunda feira, onde tudo parece acontecer nessa história. Melissa sempre esperava a van na porta de casa. E eu fazia a linha de que esperava a van buzinar para sair. Nesse dia específico, ela ainda estava na porta do veículo segurando um copo térmico da café do Steven Universe. MEU DESENHO FAVORITO. Quando me aproximei para entrar, ela o esticou para mim e falou:

— Para você

— Para mim? — perguntei desconfiada pegando o copo que a garota me entregara.

— Tem café dentro! Só para constar, é aquele café do meu pai que você amou aquele dia lá em casa — ela explicou. E tudo que eu fiz foi abrir o copo para sentir o cheio. Era maravilhoso. Era o cheiro do paraíso. Mas eu só queria checar se não estava envenenado mesmo.

— Tááá, obrigada, eu espero mesmo que não tenha nada aqui além de café — eu falei entrando na van e sentando na poltrona disponível no fundo e ela sentou na outra disponível no banco da frente, não exatamente na minha frente. Então, ela se virou para trás e falou:

— Obrigada por... você sabe — e eu voltei a estranhar o comportamento da menina. Ela não passava 10 minutos sem me atacar. Fiquei encarando ela bem assustada tomando meu café.

— Eu acho que você deve um pedido de desculpa a Marta... Ela teve que limpar todo seu vômito — menti para ver se ela lembrava de algo desse dia ou se era tudo um apagão.

— Eu não vomitei no seu quarto! — ela exclamou chocada.

— É, você não vomitou no meu quarto — falei rindo. Ela se virou para frente... e se sentou novamente.

— Ei, Mel! — chamei ela por impulso. Ela tornou a levantar e ficou me olhando com seus olhões. — A gente pode estudar juntas se você quiser... — ofereci com uma pontada de arrependimento. Ela estava sendo legal por 10 minutos, não significava que as coisas tinham mudado.

— Pode ser — ela concordou sorrindo e então voltou pro seu lugar. E eu pude sentir, mesmo a encarando por trás, que ela permaneceu sorrindo por alguns segundos.

(...)

Eu estava na piscina alguns dias depois quando ouvi o mesmo barulho de algo se movendo no muro verde. Eu nem me dei ao trabalho de ir verificar o que era porque tinha 99% de certeza que era Mel. Foi quando senti algo fazendo sombra em mim que levantei a cabeça para analisa-la. Ela também estava de biquini. Fiquei meio sem entender o que ela estava fazendo ali...

— Você sabe que agora pode usar a porta, né? — falei tornando a deitar.

— Eu sei, mas esse pode virar o nosso lance — ela falou com a vozinha mais fofa do mundo. — Posso me deitar aqui?

Não tinha uma visão boa da garota deitada, mas acreditei que ela estava se referindo a espreguiçadeira do lado. Respondi que sim com a cabeça.

— Invasão domiciliar, um ótimo lance... Você quer alguma coisa? Posso pedir a Marta — ofereci deitada do lado dela.

— Uma Jarra de emoção — ela falou entre risos.

— Eu acho que isso não vai estar sendo possível hoje... nem tão cedo depois do que eu presenciei semana passada! — logo cortei ela.

— Relaxa, eu só estou brincando — ela falou para me tranquilizar, mas eu sabia que era brincadeira, só queria deixar bem claro que não íamos beber em um dia de semana.

— É bem melhor quando você é você e não uma versão de mim — comentei como quem não desse muito importância para o assunto.

— Eu sei... eu estava descontando minhas frustrações em você. Não era certo! — ela concordou. — E a gente vai estudar juntas mesmo? To precisando disso — ela lembrou do que eu disse na segunda.

— Eu acho que pode ser uma boa... Tive uma conversa com Rafa esses dias e ele tem razão sobre eu me boicotar na escola, acho que tenho que parar com isso — falei ajeitando meu óculos no meu rosto sem dar muita importância para a situação.

— Ainda bem que você percebeu isso... E como estão as coisas com seu namorado mais velho? — ela estava sendo irritavelmente curiosa. Não sei se era pior a Melissa curiosa ou a Melissa babaca.

— Ele não é meu namorado! — neguei com certa impaciência. Não aguentava mais as pessoas falando isso.

— Por que não? Vocês estão saindo faz 84 anos...

— Porque eu não namoro — falei um tanto desconfortável com o assunto e também não podia detalhar mais o motivo de eu não me apegar a ninguém.

— Por que você não namora mesmo? — ela voltou a me cutucar.

— Porque não é pra mim...

— Então você é dessas que gosta de ser livre... — Melissa concluiu e parece que finalmente ela estava desencanando desse papo.

— Talvez eu seja... e você? — tentei virar o jogo.

— Definitivamente, eu quero distância de relacionamentos por um bom tempo.. já deu para mim. Cansada de me ferrar, sabe?

— Na verdade, não sei não — falei dando os ombros.

Melissa e eu conseguimos conversar por alguns minutos sem nos matar. Passamos uma tarde na piscina. E apesar de imensos silêncios, por incrível que pareça eles não foram desconfortáveis para nós, ficávamos bem assim. Finalmente, havia paz entre nós duas e eu só não sabia se essa paz iria durar ou acabar no próximo segundo, mas sabia que ela estava fazendo a minha vida ser bem mais fácil...