Mútuo
6 Mútuo
Os flocos de neve dançavam no ar enquanto não chegassem até o concreto da cidade cinzenta. Zoro odiava essa estação, porque as cerejeiras em volta do dojô já não mais floresciam.
Nos invernos, Zoro tomava o chocolate quente que o cozinheiro fazia e lhe servia assim que retornasse da rua. Também dividiam um cobertor e viam tv sentados no sofá da sala. No entanto, na próxima primavera completaria 1 ano que Zoro não morava mais com Sanji.
Ele estava observando os flocos apoiado no parapeito da janela do quarto, se perguntando em como Sanji estaria. Foi muita ingenuidade de sua parte acreditar que após compreender melhor seus sentimentos e se confessar para o sobrancelhas, que os dois ficariam juntos como sempre sonhou. Mas numa noite, Sanji foi embora e nunca mais retornou.
Zoro não sabia o motivo, mas sentia que ele não podia abandonar tudo que havia conseguido, só porque o marimo finalmente conseguiu dizer. Seria muito egoísmo, quando Sanji sofreu tanto com o seu silêncio. Estava tarde demais, pensou demais, fugiu demais, e Sanji não era idiota.
Contudo, às vezes se encontravam no campus da universidade, em festas e até mesmo naquele bar. Mas Zoro tinha a sensação que continuava se reprimindo quando não tinha coragem de chegar até o loiro e puxar alguma conversa.
Pois estava muito ocupado se remoendo e se culpando por fazer Sanji esperar demais. E mal sabia ele que estava fazendo o cozinheiro esperar de novo.
Uma noite se sentiu mal numa boate, lugar que Luffy o arrastara contra sua vontade, e saiu pela saída de incêndio, chegando em um beco mal iluminado.
Fazia frio mesmo vestido adequadamente para se proteger de um. Zoro vomitou o que havia bebido ao lado de uma caçamba e pensou que viver sem Sanji estava sendo uma desgraça por não saber cuidar bem de sua saúde.
— Marimo?
Zoro olhou para trás ao ouvir a voz de Sanji lhe chamando por aquele apelido que só ele o chamava. No entanto, se lembrou de que estava sujo, e passou a manga do casaco em sua boca rapidamente.
— Sobrancelhas?
Sanji tinha o cenho enrugado, pensando se o vira mesmo vomitar. — Está tudo bem?
— Sim... o que faz aqui? — Perguntou, notando que por baixo do sobretudo de Sanji havia um terno igual aos dos garçons da boate.
— Trabalhando. E você?
— Vim tomar um ar.
Sanji acendeu um cigarro, lembrando a Zoro de que ele fumava um de vez em quando numa tentativa de relembrar de seu cheiro. Ou pelo menos de não esquecer.
— É o meu intervalo, me disseram que podia fumar aqui fora. — Esclareceu melhor o motivo de não estar lá dentro.
Eles ficaram em silêncio, Zoro notou que era lua cheia e passou a observá-la com as mãos protegidas nos bolsos do seu casaco.
— Me diga, marimo... como tem se alimentado? — Perguntou ainda preocupado com o vômito. O marimo lhe parecia também mais magro, apesar de estar agasalhado.
Zoro riu espontaneamente ao se lembrar de que ficava dias sem comer direito. Sanji também riu ao seu lado só por imaginar. Entretanto, Zoro parou e enxugou seus olhos molhados de tanto rir.
— Eu sinto sua falta. — Admitiu, fungando o nariz.
Sanji ficou sério e passou a segurar o cigarro com a mão.
— Eu também, marimo... dormi com muita gente, até com mulheres... mas eu não consegui deixar de pensar em você.
A voz de Sanji estava carregada de melancolia.
— Ao mesmo tempo, eu não quis parar. Tentei me convencer de que eu estava provocando ciúmes em ti, mas na verdade, eu só estava curioso e queria a sensação.
— Entendo... eu também tive algumas.
Embora Zoro transasse para esquecer Sanji, enquanto tentava se convencer que era tudo luxúria.
— Mas, marimo, eu pensava que nenhum era como você, mesmo a gente ter nunca transado.
Zoro chorou uma única lágrima e logo a enxugou com o ombro. Depois pigarreou. — Será que você não quer ir até o meu apartamento saber como seria se fosse eu?
— Ele deve tá uma bagunça.
— Se te incomoda tanto, vamos pro seu, então!!! — Seu rosto estava vermelho, uma mistura de raiva e constrangimento, enquanto Sanji ria muito por ter adivinhado. Ele sabia muito bem o quanto Zoro era desorganizado.
— Pode ser no seu apartamento mesmo. — Respondeu ainda rindo, e Zoro fez um bico. Sanji continuava o manipulador de sempre.
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