Mútuo
3 Capítulo 3
Por mais que fosse paranoico ou perfeccionista, Zoro gostava de observar Sanji nessas condições. E era exatamente assim que ele se encontrava, preocupado e olhando a lista que fizera ainda em casa, comprando mantimentos para o jantar daquela noite em que Kuina viria.
— Marimo, isso não é salsa! É coentro! — Observou Sanji, enquanto segurava um dos carrinhos no corredor responsável pelos produtos de limpeza do supermercado. Ele pretendia também fazer uma faxina naquela tarde, embora tivesse feito uma ontem.
— Desculpa, mas eu acho que você sabe mais do que ninguém que não sou o melhor pra fazer isso... — Respondeu cansado, ficara horas caçando o hortifrúti.
Sanji suspirou, era verdade. — Mesmo você sendo um vegetal...
— Não entendi.
— Seu cabelo me lembra um repolho!
— Oras!!
Os dois se apressaram com o carrinho ao verem um caixa recém-aberto sem ninguém na fila. Sanji disse a Zoro para que passasse primeiro as coisas primordiais, o esverdeado deu um resmungo como resposta, mas era prazeroso vê-lo com o rosto vermelho de estresse e a voz carregada no tom imperativo. Tão paranoico e perfeccionista... será que Law era assim também?
Enquanto Sanji preparasse o jantar, Zoro buscaria Kuina na estação de metrô com a ajuda do gps de seu celular. Fazia três meses que não via a irmã, mas costumava conversar com ela pela internet.
Kuina o viu caminhando na estação cheia de gente — provavelmente procurava o ponto em que ela desceu — e saiu correndo em sua direção, dando um abraço apertado no seu querido irmãozinho.
— Zoro, quanto tempo!! Como senti falta de seu cheiro!! — Exclamou muito feliz, dando um passo para trás e desfazendo do abraço.
Zoro deu um carinho no topo da sua cabeça. — Você está linda.
Não era só do cheiro, mas Kuina também sentia falta daquele olhar sereno que lhe trazia paz toda vez que seu irmão dirigia a si.
— Como tá o Sanji? Estão namorando?
O irmão revirou os olhos e tomou um braço dela. — Vamos logo pegar o táxi.
Ela piscou os olhos e enrugou o cenho em seguida, não acreditava que os dois ainda estavam se contendo.
— Ei. — Chamou Zoro, olhando por cima do ombro. — Se estivéssemos juntos, eu teria te avisado na internet. Na verdade, ele quem teria dito... sabe, é a cara dele... — Voltou a olhar pra frente. — Não fique triste, ok? Sanji se preocupa com qualquer coisa e ele gosta muito de você.
Ao chegarem em casa, Kuina deu um abraço igualmente intenso em Sanji, que não parava de sorrir por vê-la novamente.
— 3 meses, Kuina-chan!!
— Sim, Sanji, é muito tempo.
Ela passava as mãos nos braços de Sanji com muito carinho, enquanto reparava na mesa e nas suas roupas. Ele preparou tudo desde cedo, tinha certeza. Queria que aquela noite fosse perfeita. Ela voltou a abraçá-lo, sentindo-se triste por seu irmão fazê-lo sofrer.
Durante o jantar, os três colocavam o papo em dia, enquanto comiam a boa refeição feita por Sanji. No entanto, Zoro e até mesmo Kuina perceberam algo... Sanji não parava de mandar mensagens pra alguém, sendo que estava num momento tão precioso e o cozinheiro nunca fora muito fã de levar o celular até a mesa.
— Ei, Sanji, o que faz tanto nesse celular que é mais importante que o meu jantar? — Kuina perguntou com escárnio na voz e Sanji gelou por ela ter reparado.
— Me perdoe, Kuina-chan... um amigo tá precisando de ajuda e eu...
Zoro observava Sanji se explicando, enquanto pensava se seria “Ace” esse "amigo". — É o Usopp?
Sanji desviou o olhar aflito para Zoro, seu nervosismo só fazia o esverdeado acreditar que era mesmo Ace. — S-sim! — Vacilou na voz e não deixou dúvidas que estava mentindo.
— Ok, mas é o meu jantar, certo?
— Sim, tem razão Kuina-chan! Vou desligar o telefone.
— Acho bom!
Depois do jantar, continuaram a conversar na sala e uma hora Sanji foi para a sacada fumar, fechando a porta de vidro pro cheiro não incomodar os outros dois. Kuina pediu para Zoro que jogassem um game que sempre gostava de jogar quando ia visitá-los.
Seu irmão obedeceu, e lhe deu um joystick. Assim que ela pegou, apertou o pulso largo dele, que teve um pressentimento ruim ao sentir o toque.
— Zoro, Sanji não vai esperar pra sempre... — Murmurou.
— O que disse?
— Eu disse que Sanji não é zorossexual, ele é gay! E vai acabar se envolvendo com um homem sendo você ou não!!
Zoro puxou seu pulso de volta, desesperado por Sanji ter escutado algo. Kuina era insuportável quando queria que as coisas seguissem do seu jeito. — Kuina, fale mais baixo...
— Não faz sentido! — Ela começou a chorar e Sanji notou a movimentação estranha rolando na sala.
— O que está acontecendo? — O loiro perguntou depois de abrir a porta da sacada e com o cigarro ainda nos lábios.
Zoro observava Sanji, nervoso de sua irmã dizer aquelas palavras novamente. Sentiu-se impotente e uma vontade de fugir pra longe dominou o seu ser.
— Nada, Sanji... — Disse Kuina, secando suas lágrimas com o dorso das mãos. — Eu só estou muito feliz por estar aqui com vocês.
Fale com o autor