Músicas de muitas vidas
10 Amor, I love you
Notas iniciais
Gabriela já tinha desistido de encontrar alguém que completasse sua alma. Já tinha vinte e dois anos e nunca tinha sentido um amor verdadeiro por alguém ou mesmo uma paixão fervorosa. No máximo, teve romances adolescentes e beijou dois ou três garotos durante toda a sua vida. Ela não sabia porque aquilo acontecia. Era uma garota bonita, inteligente e educada. O que mais os homens queriam?
Parece que no mundo em que ela vivia, não eram essas as qualidades que os rapazes buscavam. Eles provavelmente estavam buscando aquelas esquisitonas viciadas em academia, com o corpo sarado, seios avantajados e bundas monstruosamente grandes. Do tipo que chama a atenção na rua, mas que também deixa na cara que não tem conteúdo nenhum na mente.
Em questão de conteúdo, Gabriela sabia que o tinha, até excessivamente. Fã de literatura clássica, ouvinte de músicas inteligentes e cheia de conhecimento geral sobre política e a sociedade em que vivia. Será mesmo que existia alguém para completá-la ou ela realmente ficaria o resto da vida sozinha?
Bem, exista alguém e esse alguém se chamava Matheus. Um rapaz da da mesma idade que ela. Os dois se conheceram na fila de uma casa lotérica. Gabriela havia acabado de usar sua caneta para preencher uma aposta na loteria (afinal, quem sabe nisso ela daria sorte). Quando foi guardá-la, deixou cair de suas mãos e o objeto foi pego por um rapaz moreno, de cabelo curto e barba rala. A mulher sentiu borboletas fazerem uma rave em seu estômago. Algo que nunca havia acontecido com ela.
–Obrigada. — Ela agradeceu, quase sem voz.
–Não tem de que. — Ele respondeu. Em seguida, também pegou uma caneta para fazer uma aposta.
Ela ficou parada, observando o rapaz. Sentia-se tentada a falar com ele. O seguiu pela rua, até um ponto de ônibus, onde Matheus se sentou. O carro dela estava no estacionamento da cidade, mas mesmo assim, ela fingiu que esperava a condução. O destino foi compassivo com o casal e o homem finalmente “puxou assunto” com Gabriela. Ela pegou o mesmo ônibus que ele e se perdeu, mas valeu a pena. Eles trocaram telefone e não demorou muito tempo para se apaixonarem.
Foi a primeira vez que Gabriela sentiu o que o amor poderia fazer com ela. Pensar em Matheus esquentava a sua alma, fazia ela se sentir bem. Jamais iria querer se separar do rapaz. Estar com ele era a melhor sensação do mundo. Às vezes, seu namorado dizia que ela era apegada demais a ele, mas ela sempre respondia com um “Eu te amo”, apaixonado.
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