Músicas Para A Vida

40 Capítulo 02/19 - Fix a Heart (part I)


Notas iniciais
O aniversário é meu e quem ganha presente são vocês.

Nessie estava exausta. Tanto fisicamente quanto emocionalmente.

- Me desculpe. – ela ouviu a voz de Sarah soar ao seu lado e sua cabeça virou em um estalo.

- Ahn? – perguntou confusa e não acreditando em seus ouvidos.

- Me desculpe, Nessie. – Sarah disse e então suspirou. – Eu fui uma mãe terrível para Jacob e estou sendo uma sogra muito pior pra você... Durante muito tempo eu acreditei que se desse a Jacob tudo o que Billy se recusava a dar eu seria uma boa mãe e teria a preferência e o carinho de Jacob. Eu errei em não prepará-lo para a vida. Errei em não apoiá-lo em suas decisões, deixando-o sozinho. Ele te ama. E você o ama também. Me desculpe por ser tão injusta e tão má com você.

Nessie estava tão chocada que conseguiu apenas murmurar um:

- Ahn-rãn.

- Você cuida mais dele do que eu jamais cuidei, mesmo com ele levando um tiro e tudo o mais. – Sarah disse melancólica. – E obrigada por isso.

Nessie assentiu, sem saber o que falar.

- Você só estava sendo mãe. – ela disse por fim – Seu instinto é proteger Jacob.

- Não, Nessie... Eu não estava sendo mãe. Estava sendo egoísta. Queria Jacob só pra mim porque ele é meu filho. E aí veio você e o tirou de mim. Eu fiquei sem chão. Agora, com ele baleado e com toda essa situação que o deixou entre a vida e a morte eu percebi que existem coisas mais importantes. A vida e a felicidade dele valem mais do que o meu egoísmo de mãe.

Nessie assentiu e então disse:

- Essa situação serviu pra muita coisa. Pra abrir muitas mentes. Fechar outras. Fazer as pessoas valorizarem a vida que tem. E agradecer também. – ela disse fitando as mãos como se não conseguisse fazer algo. – Você acredita em Deus, Sarah?

- Sim. Porque?

- Eu costumava acreditar que Ele existia. Mas que Ele costumava ficar apenas assistindo como um grande preguiçoso. Hoje eu vi que é muito mais que isso. Ele age. Ele não é preguiçoso. Ele fica com a gente, do nosso lado, sentindo tudo, vivendo tudo, escutando tudo o que falamos e assistindo tudo o que fazemos. – ela fez uma pausa breve e disse com a voz embargada. – Keith costumava dizer que eu só não era atéia porque não queria. Que um dia eu ainda iria morder a minha língua e iria a uma capela para rezar e pedir perdão por meus pecados... E ele estava certo.

Sarah a olhou de olhos arregalados. Não era segredo pra ninguém que Nessie era uma das maiores céticas adolescentes que existiam.

- Você me conhece desde que eu era uma menina. – Nessie disse fitando a sogra. – Sabe que eu sempre fui cética em relação a Deus e tudo o mais... Mas eu não posso ignorar que Ele estava me ouvindo e cuidando de mim e de Jacob naquela escola... Eu orei pedindo que Ele nos protegesse e nos deixasse sair vivos de lá. Que Ele não me deixasse desfalecer ali e que Ele não me deixasse na mão... E Ele não deixou. Ele não me deixou sozinha nenhum segundo sequer. Eu senti a presença dele ali comigo. Eu não posso ignorar isso, Sarah. Simplesmente não posso.

Sarah abraçou a nora pelos ombros e Nessie chorou, soluçou e liberou toda a tensão e o medo que sentira no ataque a escola ali, no colo da sogra. Seus soluços eram de cortar o coração.

Era de alguém que havia sido quebrado, que havia amadurecido muito rápido.

Sarah afagou as costas da menina, notando o quanto ela sofria.

Ela esperou Nessie parar de chorar e se acalmar para sugerir:

- Vamos a capela?

Nessie assentiu.

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Seth sentia-se fraco, exposto. A dor pela perda de Keith sobrepujava qualquer coisa.

Keith havia sido seu pai, seu melhor amigo.

Ele ainda lembrava-se de que quando era pequeno, Keith costumava colocá-lo em seu colo para dirigir em uma estrada reta. Lembrava-se de que todos os anos, Keith o levava para acampar, no mesmo dia de seu aniversário. Lembrava-se dos momentos em que Keith o ajudara a colocar um pouco de bom senso na cabeça de suas amigas. De como Keith o tratava como se ele fosse seu filho biológico.

E agora doía saber que não poderia mais ver o pai que o criara, que o educara e lhe dera amor.

Ele sentiu os braços de alguém envolvendo seus ombros.

O perfume lhe era familiar. Leah. Ela cheirava a Carolina Herrerra, como a mesma dizia milhões de vezes toda vez que ele elogiava seu perfume.

Ele levou suas mãos até os braços da menina.

Leah tinha os olhos inchados e leves olheiras.

Foi então que Edward apareceu parecendo preocupado.

- Vocês viram Nessie? – ele perguntou.

- Ela não estava com você? – o cansaço de Leah era tão grande que se podia ouvir em sua voz.

- Estava, eu a deixei sozinha para ir comprar uma água pra ela e quando voltei, ela não estava mais lá.

- Eu a vi indo com Sarah pra capela. – Seth murmurou.

Edward seguiu seu caminho para a capela dizendo um “Obrigado” apressado.

Leah encostou sua cabeça no ombro de Seth e disse:

- A polícia disse que Bruno matou Keith e logo depois se matou.

Seth sentiu mais lágrimas vindo.

Ele abraçou Leah e chorou.

Chorou a dor que sentia por perder Keith, por perder seu melhor amigo, seu pai e seu tio.

Ele soluçava alto, não se importando com quem visse.

Leah apenas acariciava-lhe os cabelos murmurando que ela também sofria pela perda de Keith, que eles iriam superar a perda e a dor juntos.

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Carrie acordou e a primeira coisa que pensou foi:

“Estou no inferno da luz branca torturante?”.

- Carrie! – ela ouviu a voz de sua mãe. E não era Alice. Era Jean.

- Jean. – ela murmurou se levantando e fitando a mulher que parecia ter rejuvenescido anos.

- Você está bem acabada. – Jean disse com sua simpática sinceridade.

Carrie soltou um pequeno riso.

- E você parece muito bem. – observou.

- É, a morte me cai bem. – Jean disse – Mas isso não serve pra você.

- Ahn? – Carrie perguntou. – Jean eu queria te pedir desculpas. Por tudo o que eu disse em nossa última conversa.

Jean aproximou-se e ajoelhou-se ao lado dela.

- Eu já te perdoei há muito tempo, Carrie. Muito tempo mesmo. Eu fui sua mãe por cinco minutos e pra mim, por mais que eu pudesse desejar voltar no tempo e te criar como deveria, foi o suficiente. Eu percebi que ser mãe é estar sujeita a tudo. Inclusive a perdoar rebeldia dos filhos.

- Eu te decepcionei? – a menina perguntou baixinho. – Em algum momento eu te decepcionei?

Jean suspirou e fitou a filha nos olhos com um pequeno e feliz sorriso.

- Carrie, as pessoas sempre irão te decepcionar alguma vez na vida. Eu sempre soube disso. Mas e se um dia você acordar e perceber que você é a decepção? Eu nunca esperei que você fosse perfeita. Sempre soube que você iria me desapontar. E o fez quando começou a se cortar e a agir como se tivesse “chutado o pau da barraca”. Mas eu te decepcionei muito mais me ausentando da sua vida e com isso te enchendo de inseguranças. Esse olhar triste e abandonado que você tem? Fui eu a culpada disso. Eu decepcionei muita gente na minha vida, mas você... Você é a única da qual eu me arrependo de ter decepcionado. Porque você nunca teve culpa de nada. Eu deveria cuidar de você e proteger você. E falhei nisso. Fui covarde ao fugir de minha família.

Carrie tinha os olhos marejados.

- Por isso eu sempre respeitei Alice. Ela sim é uma mulher de coragem. Casou-se com Jasper mesmo ele tendo essa filha complicada e incrivelmente doce que ele tem. – Jean deu um suspiro pesado e longo – Eu percebi que mãe é quem cria e ama. Eu não fiz nenhum dos dois quando te coloquei no mundo. Eu não sou sua mãe, Carrie. Alice é. Trate-a com o respeito e a confiança que ela merece. Porque ela te ama mais que tudo nessa vida. Nesse exato momento ela está chorando e rezando por você em casa.

Carrie limpou as lágrimas e disse:

- Você seria uma excelente mãe. E eu te agradeço por ter me abandonado, Jean. Eu sinto muito a sua falta, mas... Obrigada, por abrir mão de mim e me deixar ter uma mãe como Alice.

Jean sorriu feliz.

- Essa é a minha garota. Agora é melhor você fechar os olhos. Tem um mundo que precisa de você lá fora. E você ainda tem muitos problemas a serem resolvidos.

Carrie gemeu em frustração e piscou.

Quando abriu seus olhos só viu um teto cinza.

Um bip irritante soava sem parar.

Sua cabeça latejava e seu pé... Ela não sentia seus pés.

Ela olhou e viu que seu pé direito estava suspenso e engessado.

- Carrie? – ela ouviu a voz de seu pai. Ela o olhou confusa e aliviada. – Graças a Deus, você está acordada.

- Papai. – sua voz estava grossa e rouca. Sua garganta estava seca e coçava. – Água. – pediu.

Jasper pegou a água e deu na boca da filha.

- Bem vinda de volta, princesa. – ele disse carinhoso.

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23:45 DA NOITE.

Quando Jacob acordou deu de cara com sua mãe.

- Oi bebê. – ela disse sorrindo entre lágrimas.

Ele olhou em volta procurando por Nessie, mas não a encontrou.

- Ela foi a comer algo na cantina, e disse que passaria na capela para rezar. – Sarah disse a ele.

A confusão de Jacob não poderia ser maior. Nessie rezando? Será que ele tinha acordado num universo alternativo onde seu pai era amoroso e sua mãe uma vadia fria e sem coração? E Nessie era uma fanática religiosa, Keith um playboy no estilo Tony Stark, Sue uma cafetina, Edward um mendigo, Bella uma perturbada mental, Rose uma assassina psicopata, Carrie uma pessoa alegre e cheia de vida que trabalhava em alguma clínica terapêutica, Seth era gay e Leah era uma noviça?

Naquele momento a porta se abriu e Billy entrou.

- Ei, garotão. – ele disse parecendo aliviado. – Você acordou. Que bom, pensei que não iria dormir essa noite.

A porta abriu-se novamente batendo com força nas costas de Billy o empurrando para mais dentro do quarto.

- Desculpe. – ele ouviu a voz de Nessie e seus olhos foram ansiosos para ela que assim que o viu acordado deu um grito alto e correu para ele se jogando em cima do mesmo. Parecia que ele tinha ficado em coma. – Você acordou! – ela disse feliz e chorando ao mesmo tempo. – Pensei que eu fosse ter que te dar um beijo pra você acordar. – ela brincou o fazendo rir.

- Você sabe bem que não faço o estilo Príncipe Encantado dos Contos de Fadas. – ele murmurou no ouvido dela a fazendo rir.

- Sim, eu sei. Você faz mais o Badboy amoroso montado em uma Harley preta que veio para me tirar de um mundo solitário. – ela disse acariciando o rosto dele.

- Tudo isso porque eu tirei uma bala da perna. – ele disse balançando a cabeça em desaprovação fingida. – Você está ficando manual demais nas boas vindas. – ele debochou querendo logo beijá-la.

- Espere até nós chegarmos em casa e eu te mostro quem está manual demais. – ela desafiou maliciosa, o fazendo rir.

Alguém pigarreou e Sarah disse:

- Vamos deixá-los a sós. É bem mais seguro para a sanidade de metade das pessoas nesse quarto.

Nessie corou e murmurou um “desculpe a indiscrição” que fez Sarah rir e Billy rolar os olhos enquanto eles saíam.

O que quer que tenha acontecido enquanto ele estava apagado, havia sido muito bom pra ele. Aparentemente sua mãe e Nessie não estavam mais brigando, quer dizer sua mãe não estava mais brigando com Nessie. O que era um alívio para ele.

Assim que a porta se fechou Jacob tentou mover-se para o lado para deixá-la deitar-se com ele na cama um pouco.

Foi então que ele notou a perna engessada.

- O médico me deu uma série de recomendações. – ela disse, puxando a poltrona para sentar-se ao lado da cama. – É uma boa você estar morando com sua mãe. Lá tem um espaço grande pra você poder fazer as seções de fisioterapia. O médico me garantiu que se você fizer tudo conforme ele indicou em dois meses estará voltando às quadras, só terá que começar leve. Nada de excessos.

Jacob fez uma careta como quem diz: “Sério que você está falando sobre isso agora?” Que foi ignorada pela esposa.

- Eu nunca me excedo. – ele protestou.

- Você sempre se excede. – ela discordou. – Você não sabe o que significa “pegar leve”. Você tem que admitir isso.

- Não vou admitir porque nunca me excedi.

Nessie suspirou pesadamente e novamente disse:

- Jake, você só sai da quadra quando suas pernas estão completamente dormentes, suando feito um porco e fedendo feito um gambá. Isso é excesso de atividade física pra mim. Eu sei disso porque quase não agüento ficar perto de você depois do treino. E sou eu quem massageia suas pernas dormentes todas as noites quando você reclama delas. Vai querer discutir isso comigo agora? – ela desafiou.

- Fedendo feito um gambá? – ele perguntou indignado.

- Um gambá que não toma banho há meses. – ela implicou. – Quando for liberado, eu e sua mãe, controlaremos seus horários de jogos. Até você poder se exceder novamente. Aí você pode voltar a ficar com as pernas dormentes e seu odor de gambá.

Ela nunca iria admitir, mas seu marido ficava hilário quando indignado. Ela estava contendo a gargalhada e segurando-a na boca do estômago. Se ele se visse agora...

- Eu não fedo feito um Gambá! – ele protestou.

Nessie rolou os olhos.

- Se te consola eu te acho muito sexy suado, desde que você não chegue há menos de dois metros de mim. – ela debochou.

Jacob abriu a boca em choque.

- Você está brincando não é?

- Claro que estou. É divertido te ver todo “OMG”. – ela disse sorrindo. – Como disse Sheldon, em The Big Bang Theory, É engraçado porque é verdade.

Jacob bufou.

- Não sei porque você continua assistindo aquilo. – ele resmungou.

- Porque eu sou fã do Sheldon. – ela disse. – E do Raj. Eles são demais.

Jacob rolou os olhos.

- Mas mudando de um assunto fútil para um de importância máxima... Como está se sentindo?

- Ofendido. Minha mulher me fala que eu fedo como um gambá que não toma banho há meses.

- Sem drama, Jake. – ela pediu – Falo sério.

- Sonolento. E me perguntando o que aconteceu com você. Acabamos de sair de um ataque terrorista e você fazendo piada.

O rosto de Nessie se anuviou.

- Keith morreu, Jake. — ela disse. – O enterro está marcado para depois do ano novo. Assim que a polícia liberar o corpo.

Jacob pareceu levar um soco.

- Estou tentando não pensar nisso ou enlouqueço. – ela admitiu passando a mão pelos cabelos.

Jacob olhou para ela e disse:

- Escreva uma música.

- O que? – ela perguntou confusa.

- Você sempre externa o que sente em música. – ele lembrou – Quem sabe fazer isso te ajude a lidar com a dor. – ele suspirou. – Nunca fui muito próximo de Keith. Mesmo assim... dói. Dói saber que ele morreu ali. E Seth? Como está?

- Arrasado. Leah está com ele. Eles estão se dando apoio nesse momento. – ela disse. – Quem está sofrendo mais é Sue. Ela amava Keith. Ela está sedada neste exato momento.

- E Carrie?

Nessie suspirou parecendo um pouco mais feliz.

- Ela está, surpreendentemente bem. Acordou e está com tio Jasper. Quando soube sobre Keith ela ficou triste é claro, mas parece ser a única racional no momento. A única que parece querer dar continuidade à vida e melhorar. Acho que o que aconteceu deu pra abrir os olhos dela em algum ponto.

Jacob assentiu.

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Leah deitou Seth na cama do mesmo e ficou ali, acariciando o rosto do mesmo.

Se ele soubesse o quanto ela o amava... Se ele soubesse o quanto a fez sofrer... O quanto ela se sentia estranha por não conseguir se abrir e externar tudo o que sentia, deixar seus sentimentos nus como sempre fora fácil ficar fisicamente...

Ela deitou-se ao lado dele fitando a parede e se perguntou:

- Porque é tão fácil para mim ficar nua de um jeito e não de outro?

- Porque eu te machuquei muito. – Seth disse a assustando. – Porque você não teve uma vida fácil. Porque eu quebrei seu coração e você construiu essa muralha ao redor do seu coração.

Leah suspirou.

- Porque de repente a gente começou a se questionar de coisas que nunca demos importância?

- Porque perdemos alguém que amávamos. – ele respondeu com dor em sua voz. – E a perda nos faz querer ver todos os ângulos de nossa vida, para ver se ainda vale a pena viver com a dor que sentimos.

- A dor de Bruno era tanta que ele não viu nenhuma alternativa. – Leah disse. – Mas ele bem que poderia ir sozinho e deixar Keith conosco.

Seth se pôs sobre seus cotovelos para fitá-la.

- É muito fácil ficar com raiva dele, Leah. Acredite, se ele não estivesse morto, eu mesmo o matava. Ele me tirou o único pai que conheci. Mas a gente não sabia a dificuldade dele. Não sabe se foi por crueldade, se foi um acidente, se foi algo que o fez puxar o gatilho. Não estávamos ali na hora. Não sabemos nada disso.

Leah não conseguiu controlar as lágrimas e chorou.

Seth a abraçou.

- Eu só queria que ele estivesse vivo. – Leah disse. – Mesmo que estivesse todo acabado, eu queria Keith vivo.

- Shhhhhh. – Seth fez sem saber mais o que dizer.

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02 DE JANEIRO DE 2013 – ENTERRO DE KEITH.

Carrie mal ouvia o padre. Seus olhos estavam na figura pálida, gelada e morta de Keith Black.

Billy estava ao lado do padre e usava preto. Os avós de Jacob também estavam presentes.

Royal e Lara Black estavam devastados.

Jacob estava em uma cadeira de rodas, assim como a própria Carrie.

- Eu gostaria de pedir que Seth Black, sobrinho de Keith viesse à frente. – o padre pediu.

Seth estava inteiramente de preto, tinha um lenço molhado nas mãos.

Seth subiu ao palco da pequena igreja e disse com a voz embargada:

- Keith não foi só meu tio. Foi também meu pai e meu melhor amigo durante toda a minha vida. Ele nunca se deixava abalar por qualquer decepção da vida. Tinha sempre um sorriso no rosto. Algo a comemorar. Uma mão a estender. E é dessa forma que eu quero lembrar dele... Como sendo cuidadoso e protetor. Keith pode não ter me gerado. Ele pode não ter me doado seu material genético, mas ele foi o meu pai. O melhor pai que eu poderia ter. Ele me criou, me deu carinho, amor e proteção. Brigava comigo quando necessário, me deu conselhos quando precisei. Estava do meu lado a cada aniversário. Eu tive uma família com ele. E, agora, mesmo ele não estando aqui conosco, eu sinto que ele fez seu trabalho. Ele nos deixou lembranças de amor, de carinho e de bondade. E eu pretendo honrar a memória dele, vivendo da maneira que ele viveria. E também... – Seth não conseguiu terminar o discurso. Ele apertou os olhos com as pontas dos dedos e chorou ali mesmo na frente de todo mundo.

Leah subiu ao palco e o tirou de lá o levando para sentar-se no banco onde Nessie o esperava com uma água com açúcar.

Nessie subiu ao palco e disse:

- Eu não estava programada para falar, mas, eu gostaria de dizer que... Keith foi um dos maiores motivadores que tive em minha vida. Ele sempre motivou a minha música. Ele cuidou de mim, foi um pai, amigo e companheiro e eu serei eternamente grata e ele por isso. Então eu fiz uma música. – ela fez uma pausa para enxugar as lágrimas – Eu daria tudo para tê-lo comigo. Ele foi um amigo, confidente, psicólogo, mãe, pai, tio, avô quando preciso. – ela disse fazendo algumas pessoas rirem tristemente. – Ele que me fortalecia em momentos de fraqueza. Poucos aqui sabem, mas... Keith me salvou. Ele me salvou de um modo que se não fosse por ele, eu nunca teria achado o caminho de volta. Você nunca sabe quem você é até você se perder. Foram essas as palavras de Keith, e, droga! O que eu não daria para tê-lo por perto. Para voltar no tempo e sair correndo daquela escola e impedi-lo de entrar lá e então o teríamos aqui conosco. Bem, aqui vai a música.

Sua banda que estava presente posicionou-se com os instrumentos e começaram.

http://www.youtube.com/watch?v=EGqFraujB60

A música emocionou não apenas quem assistia, mas também a própria Nessie que precisou fazer um esforço enorme para sua voz não falhar.

Ela não esperou aplausos e eles também não vieram.

Ela simplesmente voltou se sentou-se em seu lugar.

Jacob apertou a mão dela dizendo, sem palavras, que ela fora incrível.

Ela sorriu triste para ele e a missa seguiu. Jacob ficou surpreso ao ver Nessie rezando e orando e fazendo parte da missa. E não apenas ele, mas Carrie, Leah, Skills, Boca e Seth a olhavam espantados.

A própria Bella encarava a filha surpresa como se visse um alien e não a sua filha.

- Edward... – Bella chamou em um sussurro. – Nessie está rezando o Pai Nosso?

- Está. – Edward sorriu orgulhoso e juntou-se a reza.

Bella piscou.

Ela nunca esperava ver Nessie rezando. Até onde ela sabia Nessie era cética, quase uma atéia. Ela própria tinha participação no que Nessie era. Sendo ela mesma uma cética assumida, ela jamais esperaria ver sua filha rezando o Pai Nosso como se rezasse isso a sua vida inteira.

Bella olhou para Edward que rezava fervorosamente erguendo as mãos pare receber a bênção ou para mostrar respeito e adoração (ela não saberia dizer), sinal de que ele não ouviria o que ela tinha para falar.

Assim que o Pai Nosso terminou ela abriu a boca, mas ele fez sinal de silêncio e outra reza se iniciou. Ela reconheceu a Ave Maria, graças a Esme e a Beyoncè, Bella poderia reconhecer as rezas e músicas de longe. Quem teve o mínimo de contato com os Cullens poderia correr o risco de decorar a bíblia em menos de duas horas. Mas não ela, ela simplesmente detestava aquele assunto.

Assim que a reza acabou, ela perguntou em um sussurro:

- Você andou ensinando isso a ela?

- Eu não. – ele disse radiante como ela nunca havia visto na vida. – Sarah a ensinou. Eu apenas venho rezando e fazendo um pequeno devocional com ela esses dias. Ronan também participa.

Bella o olhou como se sentisse raiva.

- Você quer transformar meus filhos em fanáticos religiosos, Edward?

- Não fanáticos. Quero salvar nossos filhos, Bells. E até onde eu sei, você não gerou nenhum dos dois sozinha, por isso jamais use o pronome possessivo “meu” para indicar as crianças.

Bella rolou os olhos.

- Por falar nisso, o batizado de Ronan é na quinta-feira. – ele disse a fazendo segurar a briga que ele sabia que teria em casa.

Bella não gostava da igreja. Todas aquelas críticas e regras que nunca aceitam uma pessoa pelo o que ela é a deixavam enjoada.

Resolveu tirar aqueles pensamentos da cabeça e prestou a atenção no que o padre dizia. Até onde ela havia entendido, era o velório misturado com a missa do sétimo dia.

Eles se dirigiram para o cemitério da Igreja, que era onde Keith havia exigido em seu testamento ser enterrado.

Após o sepultamento, todos dolorosamente se foram, cada um para suas casas.

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Assim que Nessie saiu da igreja ela foi bombardeada pelos repórteres que estavam afoitos por novas notícias.

Ela colocou seu óculos escuro e apertou seu casaco e pediu a Billy que empurrasse a cadeira de Jake.

- Nessie, o que você tem a dizer sobre o ataque a escola?

- E sobre Keith Black?

- Alguma declaração sobre Bruno Grey?

Nessie umedeceu os lábios secos e disse em uma voz firme.

- O que eu tenho a dizer é que tanto Keith, quanto Bruno e qualquer outra vítima daquele fatídico dia... todos, sem exceção foram vítimas de regras que a sociedade impõe sobre eles. Eu queria pedir aos pais de todos os alunos que prestassem mais atenção a seus filhos, nunca se sabe quando eles sofrem Bullying e são vítimas de algo terrível quanto à rejeição social. Somos adolescentes, nosso maior desejo é fazer parte da vida social. É uma necessidade que nós temos. Bruno passou por toda a dor da rejeição sozinho. Seus próprios amigos não puderam prever o que estava acontecendo com ele e se afastaram por pensar que era o melhor. Então eu gostaria de pedir para todos os valentões de escolas e faculdades, que, por favor, arrumem outro modo de extravasar a raiva, entrem em times de esportes, assumam sua sexualidade reprimida, estudem para serem alguém na vida e assim evitando que outra coisa como aquela aconteça. – ela respirou fundo. – Todos estamos sujeitos a passar por aquilo. Eu fui feita refém e sei o medo e o terror que é. Sei, inclusive da raiva que senti durante todas aquelas horas que fiquei com uma arma apontada para a minha cabeça e sabendo que tudo aquilo estava acontecendo por causa de uma sociedade que diz que aceitam todos e respeitam todos, mas não respeitam suas crianças. – ela olhou diretamente para uma câmera e perguntou: — Está ao vivo?

- Com certeza. – o câmera disse.

- Sociedade preconceituosa. – ela disse olhando para a câmera. – Calem suas bocas e podem ir se ferrar. E aqui vai uma coisa.

Ela ergueu o maior de todos os dedos em direção a câmara, em um sinal obceno.

- EU PERDI UM GRANDE AMIGO, POR SUA CAUSA. – ela gritou se afastando e entrando no carro onde Jacob já estaca acomodado.

- Você realmente deu cotoco em uma câmera Ao Vivo? – ele perguntou.

- Eu acho que dei. – ela respondeu.

- Achei genial. – ele disse sério fazendo um pequeno sorriso aparecer no rosto dela.

- Eu quero ir pra casa. – ela disse.

Se telefone celular tocou.

- Oi, papai. – ela atendeu suspirando.

- Fique pronta para ser indiciada. – ele disse. – Vou contatar os advogados e vamos te livrar desse escândalo.

- Tudo bem, faça o necessário.

- E bebê... – ele chamou. – Você é o Orgulho do Papai.

Nessie riu contra a sua vontade.

- Sei disso, papai. Tchau.

- Tchau.

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Apesar da perda, Leah sentiu-se animada pela revolta de Nessie.

Normalmente, as pessoas estariam como Collin achando que a morte de Bruno foi melhor e que Keith não tinha que ter se colocado no meio, portanto, mereceu morrer também.

Apenas as pessoas com um mínimo de sensibilidade poderiam ver que Bruno estava sofrendo durante o tempo em que manteve todos reféns

Ela sentia muito orgulho de Nessie.

Mas, ela voltou sua atenção para Sue.

- Eu posso dirigir até sua casa. – ela disse preocupada.

- Obrigada, Leah. – Sue agradeceu assoando o nariz no lenço. – Não estou em condições de dirigir hoje.

- Eu dirijo. – Seth ofereceu. – Tenho 16 e posso dirigir. – ele lembrou a Leah a fazendo rolar os olhos.

Como se Leah não dirigisse escondido o tempo inteiro.

Demorou pouco mais de cinco minutos para chegarem à casa de Seth e Sue.

Leah fez a ela um chocolate quente e o deu fumegante a Sue.

- Obrigada, querida. – agradeceu apertando a mão da garota.

Leah sorriu solidária.

- Estou aqui pro que precisar. – ela disse.

Sue deu um gole no chocolate quente.

- Você é uma boa menina, Leah. – Sue disse – Boas meninas sempre são as que mais sofrem.

Leah balançou a cabeça.

- Não. Eu não sou uma boa menina.

- Leah, todas as suas ações, tudo o que fez em sua vida foi para chamar a atenção de pais que não souberam apreciar a filha maravilhosa que tem. Todas as encrencas em que se meteu, todos os garotos com quem dormiu... tudo o que fez refletiu a sua necessidade de chamar a atenção de seus pais. Você não é uma garota má. Não tem a maldade em seu coração, não sabe do que as pessoas são capazes de fazer.

Leah a olhou quase sofredora e disse:

- Sim eu sei.

- Não do modo que eu sei. – Sue observou – Você tem um diário?

- Bem escondido. – ela garantiu.

- Uma vez me disseram: “Boa garotas escrevem em diários, as más não têm tempo”.

Leah mordeu o lábio inferior e disse:

- Não faça isso consigo mesma, Sue. Não se deixe afundar em um buraco de tristeza e amargura. Levante a cabeça e siga.

- É o que estou tentando fazer. – Sue disse com um pequeno e triste sorriso. – Eu já me conformei que não nasci pra ser feliz.

Leah suspirou impaciente e pediu:

- Por favor, não faça esse tipo de drama. Sue, todos nasceram para serem felizes. Mas nem todos sabem procurar a felicidade. Talvez sua felicidade esteja, sei lá, em Togo, na África, ou em Berlim, ou em Nova York, ou quem sabe em La Push ou até na esquina da sua casa.

Sue fungou.

-Obrigada por isso, mas isso não me faz me sentir melhor. – Sue se levantou – Obrigada pelo coco (n/a:: pra quem não sabe nos U.S.A. É assim que eles falam Chocolate Quente), mas eu vou tentar dormir um pouco agora.

- Disponha sempre. – Leah disse.

Só foi Sue entrar em seu quarto para Seth aparecer.

- Sua mãe disse que vai tentar dormir. – ela disse. – Eu estou indo pra casa.

- Eu te levo.

- Não precisa. – ela disse. – Eu sei o caminho. São apenas três quadras daqui.

- Eu te levo lá. – ele insistiu e ela deu ombros.

Assim que Leah chegou, Seth saiu do carro para acompanhá-la até a porta.

Na porta, Leah virou-se para despedir-se de Seth, mas ao abrir a boca nada saiu.

Ela umedeceu os lábios e o beijou.

Foi de súbito, não estava planejado, ela apenas o fez.

Mesmo surpreso, Seth a beijou.

Agarrou sua cintura e a pressionou contra seu corpo.

As mãos de Leah voaram para seus cabelos tocando nos fios macios.

Leah adorava sentir os lábios macios de Seth moldando-se aos dela. Suas línguas dançarem em sincronia e reconhecimento trazendo uma sensação quente, abrasadora e deliciosa, uma corrente elétrica que ia dos pés a cabeça.

Ela o apertou mais em seus braços como que não querendo que ele fosse embora. Ele a apertou mais, querendo senti-la por inteiro. O cheiro do cabelo dela o estava enlouquecendo, a maciez da pele dela o fazia querer sentir mais.

Cristo! Como ele não percebeu antes que ela era a garota certa para ele?

Leah era tudo o que ele poderia querer, sentia-se completo com ela. Em todos os aspectos.

Então ela o empurrou.

Afastou-se arfante e chocada. Sentindo seus lábios levemente ardidos pelas mordidas sensuais dele.

- Nunca mais chegue perto de mim. – ela pediu e entrou em seu apartamento batendo a porta com força na cara do rapaz.

Seth não entendeu nada, mas não pôde evitar o sorriso bobo que apareceu em seu rosto.

Ele se sentia como uma garotinha virgem de doze anos que havia acabado de dar seu primeiro beijo.

O que não era nada macho, para se dizer à verdade.

...................................

Nessie fechou a porta de casa.

Dizer um “boa noite” todas as noites a Jacob era realmente um saco.

Ela queria tê-lo de volta, dormindo na mesma cama, acordando junto, discutindo sobre o café da manhã, ele elogiando a panqueca que ela fazia, ela elogiando o chocolate quente dele, que era melhor até que o da Starbucks... Mas ela sabia que era precipitado demais, ele era apenas um adolescente confuso, e ela não queria ter que dizer um “olá” agora e arriscar mais um “Adeus” no futuro. Ela reconhecia o medo que a assombrava.

E ainda mais agora com Keith morto, o atentado à escola, Bruno... Ela sentiu um cheiro estranho e foi para a cozinha, e o que encontrou a deixou de queixo caído... era Leah que estava fazendo brigadeiro?

- Ok... eu perdi alguma coisa? – ela disse notando os pacotes de Jujuba fora do armário, os chocolates sendo derretidos no microondas, o brigadeiro no forno, a coca-cola descongelando em cima da mesa. Em pleno inverno!

Leah tirou o brigadeiro do forno e virou-se para a amiga. Nessie preocupou-se ao ver que ela chorava.

- Rosie, o que aconteceu? – perguntou preocupada jogando a bolsa em cima do balcão.

- No dia do atentado Seth me beijou. – Leah disse. – E hoje eu o beijei.

- E o que beijar alguém que você gosta tem de errado? – Nessie perguntou.

- Eu fiz isso no impulso. – Leah explodiu. – Estou carente e sofrida e eu não quero namorar o Seth só pra terminar como meus pais... Nessie meu maior medo é terminar como meus pais... separados, com uma filha sofrendo o inferno, dois adolescentes vadios de ensino médio. Eu não quero isso pra mim.

Nessie a abraçou.

- Você não vai ser como eles. – ela garantiu. – E sabe como eu sei disso? – ela perguntou e Leah fez que ‘não’ com a cabeça. – Porque você sabe como é difícil, você vai ser feliz ter dois filhos lindos com um maridão que te amará mais que tudo nessa vida e vai ser uma famosa estilista de moda que vai me fazer arrasar no CMA semana que vem onde eu apresentarei minha nova música.

Leah deu um meio sorriso.

- Me ajuda a comer o chocolate que me ajuda bastante, ok? – ela disse marota.

Nessie sorriu constrangida. É, ela tinha que aprender a tentar colocar todo mundo pra cima, afinal, nem todos gostavam disso.

Ela entendeu que Leah entendia que precisava dessa fossa. Não apenas por ela e Seth, mas também por Keith.

Então, ela pegou uma colher e se pôs a comer as porcarias com a melhor amiga, não sem antes tirar uma foto e postar no Twitter, facebook e Instagram dizendo: “Apesar da tristeza pela perda de um amigo, Leah e eu somos meras mortais adolescentes que procuram afogar a tristeza em chocolate e outros doces”.

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Quando Carrie viu a foto, ela não pôde deixar de sorrir.

Ela sabia que teria sido convidada, mas Alice a proibiu de fazer esforço ou de sair de casa enquanto o fisioterapeuta não a liberasse, ela conseguiu ir ao enterro de Keith com muita bajulação, muitas promessas e muito choro implorativo. E mesmo assim Alice estava hesitante, e foi com a ajuda de Leah, Nessie, Jasper e, incrivelmente, Chad, que ela conseguiu ir.

Seu macBook fez um barulho avisando que um e-mail havia chegado.

E quem mandava era a Red Room Records. Curiosa ela abriu.

“Apesar deste triste dia para nossa estrela Teen, Nessie Cullen Black, e seus familiares, gostaríamos de presentear cada um dos assinantes da Red Room com um clipe inédito da mesma em forma de agradecimento pelo apoio e força que têm demonstrado para conosco da Red Room”.

Obviamente, Jane havia sido ordenada a escrever isso. Mesmo assim, Carrie clicou no Link apenas para ver o clipe da música que Nessie iria cantar em cinco dias.

http://www.youtube.com/watch?v=yCMqcFAigRg

Carrie se viu rindo do clipe, ok era meio nojento ver Louisa e Jon cuspindo em anti-séptico bucal ou lambendo colheres. Mas foi engraçado ver a situação. Fora que era um sonho que ela, Leah e Nessie tinham desde os nove anos de idade: destruir a casa de um ex-namorado. Como Nessie se casou cedo, ela teve que viver isso através de um de seus clipes.

- MÃÃÃÃÃEEEEEE. – ela gritou e Alice apareceu em menos de vinte segundos com Chelsea no colo.

- Fala bebê. – disse fazendo Carrie rolar os olhos.

- Olha só o novo clipe da Nessie.

Alice assistiu atentamente e disse:

- Bem, isso veio pra tirar a gente da fossa. Edward foi muito esperto e sensível também.

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- Será que dá pra colocar no Youtube? – Jacob perguntou a Nessie por telefone, seu tom de voz era brincalhão.

- Não, o vídeo vem com um código de segurança que nem Seth foi capaz de furar. E olha que ele tentou uma vez com um dos clipes que mandaram pra gente quando a gente ainda era assinante e eu não conhecia o papai. Mas deve estar no site da Red Room em algumas horas e daí pro Youtube é questão de minutos. – ela disse como se não tivesse captado a brincadeira dele.

Jacob rolou os olhos.

- Eu estava brincando Nessie. – ele disse.

- Ah... – ela disse surpresa confirmando as suposições dele.

- O médico ligou hoje. – ele avisou.

- Que horas? – ela perguntou mais interessada.

- Pouco depois que você foi embora. Ele disse que amanhã eu sairei da cadeira de rodas e não vou precisar de muletas.

- Jake, isso é ótimo! – ela disse entusiasmada. – Daí pro Basquete é um passo pequeno.

- É eu sei. – ele disse. – E quem sabe um passo pra gente voltar como um casal de vez, não é?

Ele ouviu o suspiro dela.

- Esse é um assunto delicado, Jake. – ela disse suavemente e devagar como se medisse as palavras. – A gente conversa amanhã quando eu for aí, tudo bem?

Foi a vez dele suspirar.

Nessie estava fugindo daquele assunto como o diabo foge da cruz.

- Não estou fugindo. – ela disse e ele notou que disse em voz alta.

- Nessie eu venho tentando conversar sobre isso com você já tem duas semanas e você me enrola. Ou muda de assunto ou diz que vai conversar dia tal e não conversamos.

- Porque você está me acusando? – ela perguntou se sentindo acuada. – Foi você quem quis isso e não eu. Você quem quis ser um adolescente normal e não eu. A questão é que, se eu me lembro bem, você me disse que não queria ser normal quando me pediu em casamento, lembra? Não tem como tentar ser um adolescente normal porque nós somos casados Jacob! Não somos normais e nunca vamos ser. Nos casamos aos quinze anos e não depois dos vinte e um como todo mundo.

- Nessie, por favor, não inverta as posições e nem mude de assunto.

- Não estou mudando nada. – ela disse e ele notou que ela chorava. – Eu estava feliz, Jacob. E parecia que você também. Se eu aceitei essa porcaria de idéia foi por te amar demais e querer te ver feliz, mesmo eu não estando feliz.

Jacob não soube o que responder.

- Eu... eu não... eu não sabia que se sentia assim. – ele disse por fim.

- Esse é o seu problema Jake. – ela disse com raiva. – Você nunca pensa em ninguém, nem em você. Você age sem pensar. Não sabe as conseqüências ou as reações que uma ação sua vai surtir em alguém. Toda ação corresponde a uma reação. Isso não vale apenas para o hinduísmo e nem para a física, tudo o que vai, volta. Sua ação, sua decisão nos trouxe aonde estamos agora... Você fez isso, agora arque com as conseqüências... E sabe qual é a pior parte? – ela perguntou e ele ficou em silêncio. – A pior parte é que você não sofre sozinho.

E dizendo isso ela desligou.

Jacob sentiu os olhos marejarem.

Era agora que ele gostaria de ser uma das vítimas de “O Massacre da Serra Elétrica”, porque ele preferia morrer do que sentir a dor que assolava seu coração. E o pior, é saber que ele, mais uma vez, era a causa disso.

Estava se quebrando, afundando... e ele sabia que era o culpado disso.