Notas iniciais
Primeiro capítulo ♥ Espero que gostem! XOXO

(– Setembro)

Futura eu,

Por onde podemos começar? Ah, claro. Meu nome é Mackenzie Gilman, se quer saber o porquê do meu nome ser tão comprido, pergunte à minha mãe. Ela mesmo me chama apenas de Mack, então pode-se dizer que você também se conhece bem mais por Mack do que por Mackenzie. Eu queria dizer que tenho toda uma história legal por trás do meu nome e porque ele foi escolhido para mim, mas eu estaria mentindo, por que não há uma história interessante sobre mim nem mesmo no meu nome. Minha mãe apenas ouviu e gostou, fim da história.

Eu não sei porque estou escrevendo isso. Você sabe qual é o seu nome. Eu sei qual é o meu nome, foi uma informação desnecessária, esqueça. Quanto a minha idade atual, acho que é bom dizer, quero dizer, eu não tenho uma memória boa, então tenho quase certeza de quando ler isso futuramente, não lembrarei se não anotar. Tenho 15 anos, e faço aniversário no dia 15 de maio.

Eu sinceramente, não sei porque estou escrevendo. Talvez porque no momento eu esteja totalmente entediada e não tenho ninguém bom o bastante para contar isso, eu não quero conversar com ninguém. Lá fora está chovendo bastante, e eu estou encostada em uma janela úmida e fria de uma casa que ainda é estranha para mim, mas parece incrível e confortável para minha mãe.

A questão é que nos mudamos há menos de um mês, da grande Seattle, para a pequena cidade de Renton. Meus pais se divorciaram por uma causa que mesmo que eu não saiba qual foi, ainda me intriga. Nas noites em que eu ouvia eles brigando, eu dormia dizendo para mim mesma e desejando realmente que tudo ficasse bem. Mas infelizmente, não dá para se ter de tudo nessa vida.

Logan, meu irmão mais velho, me disse que não era para valer, que era passageiro, uma situação de estresse do momento que mexeu com a cabeça dos nossos pais, mas que em menos de um mês eles estariam juntos novamente e tudo voltaria ao normal. Estou ainda tentando acreditar nele, mas está ficando cada vez mais difícil. Já se passou quase um mês e tudo o que aconteceu foi o fato de nos mudarmos para uma cidade sem graça. Eu ia a Renton quase todo natal, porque minha avó vive lá, e minha mãe também vivia, mas depois de conhecer meu pai na faculdade, eles decidiram se casar e morar na cidade dele.

No caminho de mais ou menos 40 minutos de Seattle até esta porcaria de cidade, Logan ficou metade do tempo reclamando de besteiras.

– Dá para acreditar que a Callie fez aquilo? Ainda não acredito que ela me traiu com o Joe, aquele traidor.

– Logan — eu disse — Callie não era e não é sua namorada.

– Isso não quer dizer nada, ela devia saber que eu gosto dela e respeitar isso. Aliás, fazia mais de um ano que eu namorava ela mentalmente.

Isso era verdade, às vezes eu via Logan passar horas olhando a foto da Callie.

– No fundo — disse eu — eu nunca gostei dela.

Logan virou a cabeça com tudo.

– Conte o que você sabe.

Aí eu revirei os olhos.

– Eu não sei nada que você não saiba, eu só nunca fui com a cara dela. Ela sabia que você gostava dela, ela fez tudo isso de propósito.

– Ela não se importa comigo, nunca se importou, não é mesmo? Eu sou muito trouxa. Como faço para parar de ser trouxa?

– Não se para de ser trouxa. Uma vez trouxa, sempre trouxa. Lamento dizer.

Logan assentiu e xingou Callie de vaca-oxigenada-ossuda-vagabunda. Aí minha mãe chamou a atenção dele, dizendo que mesmo que achamos isso das pessoas, não devemos dizer em voz alta, e então ele ficou quieto.

Nós passaríamos a morar em uma das casas que minha avó tinha a venda, ela era como qualquer outra típica casa da rua. De madeira branca e com dois andares, mas não era muito grande, mas grande o bastante para alguém que sempre morou em um apartamento sem quintal e sem espaço. A casa tinha um quintal e uma árvore em frente com um balanço de pneu.

Quando entramos, minha avó veio nos abraçar do seu jeito apertado e eu pude sentir o cheiro do seu perfume forte e de cookies que ela havia assado. Ela disse para mim e para Logan que havíamos crescido e estávamos cada vez mais bonitos, mas opinião de vó não conta. Quando ela disse que havíamos crescidos, eu parei para pensar se era verdade. No meu caso, eu acho que não, acho que terei 1,53 para sempre. Mas quanto a Logan, tenho que concordar, embora nunca tivesse reparado. Mas se pegarmos uma foto de Logan a dois anos atrás, com 14 anos, e colocarmos a uma atual, com 16, a mudança era óbvia. Logan é muito bonito, ele tem olhos verdes que eu não consegui herdar e seu cabelo castanho está sempre bom. O tempo tem sido muito legal com ele. Meu irmão é o tipo de pessoa que você olha e se pergunta o porquê de você não ter nascido com aquela beleza. Isso é algo que eu me pergunto sempre, até porque, tecnicamente, nossos DNA's e genes são os mesmos.

Meu quarto, de onde estou escrevendo agora, tem uma cama, cômoda e um armário do mesmo conjunto de móveis de madeira antigos marrom. Eu sempre tive vontade de ter um quarto decorado de forma meio desleixada e imperfeita com várias colagens e fotos, se infelizmente tivermos de ficar nessa casa, eu o decoro, mas prefiro não o decorar e voltar para Seattle o quanto antes.

A propósito, alguns minutos antes de eu começar a escrever, encontrei Logan sentado na janela do sótão tocando o violão dele. O sótão era um lugar bem legal, com vários nadas, mas legal. Eu o imaginei com alguns puff's, um tapete e uma escrivaninha para passar o tempo. Era um lugar onde eu poderia deitar no chão e ficar olhando para o nada enquanto refletiria sobre minhas crises de existência.

Eu sentei na outra ponta da janela, e acho que Logan deve ter ficado um pouco surpreso, porque nós não éramos muito de querer ficar perto um do outro.

– O que você quer? — ele perguntou.

– Ainda acha que vai tudo voltar ao normal? Que tudo vai voltar a ser como era antes?

Ele pareceu incomodado.

– Acho que dessa vez pode demorar mais de um mês.

– Não imaginei que mudaríamos de cidade.

– Nem eu. As decisões foram mais radicais do que eu esperava.

– Eu estou odiando tudo isso. Quero que tudo acabe logo.

Logan respirou fundo. Embora ele quisesse parecer confiante, eu sabia que no fundo ele estava tão preocupado quanto eu.

– Vai acabar. Sei disso — ele disse e saiu com o violão.

Eu assenti mesmo sem ninguém para ver. Quero que Logan esteja certo. Realmente quero que ele esteja certo.

Até porque, se não voltarmos a tempo, as aulas irão começar e eu não quero ter que ir a uma nova escola.

Enquanto isso, vivo aqui, o pior verão da minha vida.