— E o que a Rangiku vai querer beber?

— Saquê, pode ser?

— Claro — Gin disse, sorrindo e pedindo o mesmo para ele.

— E você pensa em Mozart pras viagens aos nossos respectivos andares? Ou Frank Sinatra? — perguntei.

— Hmmm... Na verdade pensei em algo mais rock’n’roll. Mas acho melhor anunciar a segunda parte da minha sugestão numa próxima reunião.

Ri. Ri um riso contido, sem saber como sai daquela reunião imensamente chata e estava naquele bar com meu vizinho até então desconhecido.

— E você, mora há quanto tempo aqui? Nunca te vi pelos corredores — eu disse.

— Quase três meses. Pouco tempo. Morava em outro prédio, perto daqui.

— Mas você não é de Tóquio. Não pelo sotaque.

— Oh, na verdade só eu morei algum tempo na Inglaterra. Mas parece que ninguém gostou muito de mim por lá... E aí me mandaram de volta. Foi muito triste. — disse sarcástico.

— Nossaaaaa. Longe. — eu comentei sem saber mais o que falar.

— Sim, longe. Você conhece?

— Sim, já fui pra Londres algumas vezes. Tenho muitos amigos por lá e é uma linda cidade.

— Londres é um lugar lindo. Embora fique um pouco longe de Brixton, onde morei. Mas garanto a você que sairia de lá com uma camiseta escrito “I Love London”.

Ele me arrancou sorrisos. Aliás, ele tinha um sorriso lindo.

Usava uma camiseta dos Beatles e tênis All Star, que o deixava com cara de garoto.

Não vou negar que tive vontade de ficar mais tempo com ele, mas pensei comigo mesma: “Rangiku, da última vez que você tomou saquê com alguém com a distância de três palmos entre uma boca e outra, você se fodeu”.

Despedimo-nos com um beijo no rosto, meio sem jeito e eu fiquei no sexto andar, enquanto ele foi para o sétimo.

Gin ainda deu um tchauzinho enquanto a porta do elevador fechava e eu me senti a pessoa mais idiota do mundo.