Eu acordei com o sol fazendo movimentos pela cortina e fiquei confusa, sem saber onde eu estava, que dia era e essas coisas todas que costumam acontecer quando fugimos de uma rotina cronometrada.

Tomei um banho quente, coloquei um jeans e uma regata que eu trouxe de Paris — toda rosa —, com a Torre Eiffel mal traçada, escrito J’adore Paris.

Sempre achei que essa coisa de anunciar o amor por uma cidade fosse coisa de americano. Mas não, os franceses também adotaram a ideia. Sai pra comprar meu café da manhã me sentindo a mais francesa das japonesas com aquela regata rosa. Saquei meus óculos escuros e entrei no elevador com a mesma pressa de sempre, com a diferença que eu não precisava ter pressa.

— Cuidado, senão você vai perder a próxima parada.

— Hmm?! Desculpa, não entendi — respondi procurando a minha carteira na bolsa.

— Nada não, foi só uma brincadeira. Você parece atrasada pra algo em pleno feriado.

— Ah, desculpa. Nem falei bom dia. É que eu tenho o péssimo hábito de me comportar como se estivesse sempre perdida e atrasada. — disse finalmente olhando para ele. Acho que eu nunca tinha o visto antes.

Ela mantinha os olhos estreitos e um sorriso largo e zombeteiro. Cabelos meio que prateados.

— Oh, talvez se morasse em Paris, se sentisse menos atribulada — o sujeito disse apontando para a minha regata.

Eu sorri. Fiz cara de quem achava aquela conversa desnecessária, mas sorri. Ele continuou sorrindo e emendou:

— O Morrison resolveu passar o resto da eternidade em Paris, achei uma boa escolha.

— Mais um motivo para um dia eu ir até lá, de novo — sorri novamente e me despedi, saindo do elevador com a mesma pressa que entrei.