— Chocolate quente ou café?

— Capuccino, pode ser?

— Claro — ele disse, pedindo o mesmo para ele.

— E você pensa em Mozart pras viagens aos nossos respectivos andares? Ou Frank Sinatra?

— Na verdade pensei em algo mais rock’n’roll. Mas acho melhor anunciar a segunda parte da minha sugestão numa próxima reunião.

Ri. Ri um riso contido, sem saber como sai daquela reunião imensamente chata e estava naquela cafeteria com meu vizinho até então desconhecido.

— E você, mora há quanto tempo aqui? Nunca te vi pelos corredores — eu disse.

— Quase três meses. Pouco tempo. Morava em outro prédio, perto daqui.

— Mas você não é de Nova York. Não pelo sotaque.

— Aham. Sou da Inglaterra.

— Nossaaaaa. Longe.

— Sim, longe. Você conhece?

— Sim, já fiu pra Londres algumas vezes. Tenho muitos amigos por lá e é uma linda cidade.

— Londres é um lugar lindo. Embora fique um pouco longe de Brixton, onde nasci. Mas garanto a você que sairia de lá com uma camiseta escrito “I Love London”.

Ele me arrancou sorrisos. Aliás, ele tinha um sorriso lindo.

Usava uma blusa de moletom dos Beatles e tênis Adidas, que o deixava com cara de garoto.

Não vou negar que tive vontade de ficar mais tempo com ele, mas pensei comigo mesma: “Iman, da última vez que você tomou capuccino com alguém com a distância de três palmos entre uma boca e outra, você se fodeu”.

Nos despedimos com um beijo no rosto, meio sem jeito e eu fiquei no sexto andar, enquanto ele foi para o sétimo.

Ainda dei um tchauzinho enquanto a porta do elevador fechava e me senti a pessoa mais idiota do mundo.