Mú, aquele que descobriu a verdade
2 A chegada a Jamiel
Notas iniciais
Em meio à noite tempestuosa que se erguia nos céus, Mú acordou num local desconhecido. Parecia um quarto pequeno, com estrutura em madeira, onde haviam uma cadeira velha e uma porta proxima da cama. Tentando se mexer, ele percebeu o toráx e o abdômen enfaixados. Vendo isso, reparou que estava sem armadura;o desespero o abateu. Seus olhos correram o quarto buscando a urna dourada da armadura de Áries. Quando a viu guardada em um canto pouco iluminado, soltou um abafado suspiro aliviado.
– Usted esta bien?– Uma voz com um sotaque espanhol entrou no quarto, unida ao cheiro forte de gengibre.
Aos olhos de Mú, ela era linda. Iluminada, com os cabelos vermelhos caindo na vista, de corpo esguio, tremendamente bem cuidado e olhos laranjas, flamejantes como uma tocha.
– Estou sim, obrigado.
– Ah, você é grego.
– Anh...mais ou menos.- O lemuriano respondeu ignorando a dor que o atingia enquanto falava. A mulher havia lhe trazido um chá quente, com o objetivo de amenizar a dor.
– Onde estamos?- Mú perguntou, ainda sentindo a bebida quente descer pela garganta.
– Pouco abaixo do Santuário. Minha casa fica bem próxima a ele, apesar de nunca terem visto.- Ela falou com olhar terno.
– Obrigado por ter me ajudado...
– Não foi nada, eu não poderia te deixar lá. Não sei o que fez, mas deixou os cavaleiros de ouro furiosos, existe uma certa agitação agora, lá.
– Apenas descobri algo que não queriam que alguém soubesse.
Uma certa curiosidade atingiu a mulher, em relação à aquele homem de tão poucas palavras. Após tomar o chá, Mú entregou a xícara a ela e com dificuldade, se levantou:
– O que está fazendo?
– Desculpe, mas esse lugar não é seguro pra mim, além desse fator, estou colocando sua vida em perigo também!
– Mas...eu nem sei seu nome...
– É Mú.- Ele respondeu com um sorriso.
– O meu é Landara.
– Landara?- Mú estranhou o nome tão distinto.
– Isso...- Ela abaixou a cabeça, envergonhada pelo nome.
– Eu gostei.- Mú disse, fazendo a garota levantar os olhos brilhantes.
– Pra onde você vai Mú?
– Vou para Jamiel, cuide-se.- Mú deu um beijo rápido na testa de Landara e com a urna da armadura de Áries, partiu, rumo as terras montanhosas de Jamiel, seu melhor, apesar de mais óbvio, refúgio.
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Chegando a Jamiel, depois de longas e desgastantes caminhadas, ele chegou na torre que lhe pertencia:
– Mestre! Mestre!- Foi recebido, ainda longe, por um garotinho de olhar sapeca e cabelos cor-de-fogo, que trazia no pequeno rosto, um sorriso reconfortante ao viajante cansado:
– Kiki! Como me traz alegria ver-te!- Ele disse colocando no chão a pesada urna e dando um abraço saudoso no seu pequeno aprendiz, que ao ver, havia crescido naquele curto período de tempo em que Mú permaneceu fora.
– Mestre, seu cosmo parece aflito, que houve no Santuário?
Uma nuvem sombria de pesar pairou no olhar de Mú:
– Muita coisa Kiki, muita coisa...mas falaremos disso depois, que tal entrarmos? Já está escurecendo.
– Certo!- Kiki tomou a urna da armadura e prosseguiu pra dentro da torre.
Antes de entrar, Mú parou e olhou pra trás, fitando as imensas montanhas de Jamiel. Sentia-se observado por uma presença, um tanto quanto...familiar.
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