Método Único
16 Capítulo 11 continuação
Mia
Fomos a uma loja de conveniências para comer.
— Pega uma mesa pra gente e me espera, vou pegar algo para comer.
Fiquei no lado de fora, hoje o clima estava agradável. Quando o vi equilibrando a comida e as latinhas na mão, corri em ajuda-lo. Ele acabou trazendo macarrão instantâneo, só que um era de galinha e o outro de carne.
Como ele pagaria a conta, deixei que escolhesse o sabor, torcendo para que me deixasse ficar com o de galinha. Mas ele escolheu justamente esse! Pelo menos tinha pego suco de uva.
— O que foi? – perguntou.
— Han?
— Você está me encarando estranho agora, algo errado?
— É que... Não gosto do de carne.
— Então por que me mandou escolher?
— Porque quis ser educada.
Ele rapidamente trocou os potes.
— Agradecida! – disse lhe dando meu joinha.
Depois de dar duas garfadas, ele pigarreou. — Se você... – e coçou a cabeça – Se tem algo te incomodando, quero dizer, se tem alguma pergunta que queira fazer...
Ele está se referindo a matéria? Porque eu não estudei nada hoje. Ou será... Será que está me dando sinal verde para perguntar sobre ontem? Oh, por onde começo?
— O Sensei tem medo de chuva? – acho que podia começar assim.
— Está mais pra trauma. Coisas complicadas aconteceram em um dia chuvoso. Fico desse jeito desde então toda vez que chove forte.
Ah, entendo. Eu também tenho meus traumas, por isso sei o quanto é difícil falar sobre eles. E ele estava tão fraco há pouco tempo, nem sei se se recuperou por completo, não quero que piore. Assim, é melhor eu não perguntar mais nada hoje.
— Entendo... Sinto muito. – e voltei a comer.
Érick
Ela não perguntaria mais nada? Será que realmente entendeu que podia perguntar qualquer coisa? Ou ela não estava interessada?
Se bem que, mesmo que isso me incomode um pouco (o fato dela não estar curiosa sobre mim enquanto tenho infinitas perguntas sobre ela) talvez seja melhor não falar disso agora. Nem sei se estou com ânimo para falar sobre isso. Até porque, é uma coisa que se eu contar não vai ter volta, pois tenho certeza de que quando ela souber vai me achar assustador e, provavelmente, se afastar de mim... e pensar nessa possibilidade, por alguma razão, me deixa apreensivo. Gosto de estar com ela, sinto que posso ser eu mesmo, é confortável, é leve... Gosto do meu eu ao lado dela.
Mia
Comemos o macarrão e fomos embora. No caminho, me deparei com uma maquina de garra em uma das entradas das lojas.
— Meu Deus! Quanto tempo não jogo! E eles têm um panda!
Remexi meu bolso a procura de uma moeda, e foi ai que lembrei que não tinha trago um tostão. Olhei para o Sensei e sorri.
— O quê? Quer que eu gaste dinheiro com isso? Já não basta ter pago sua janta?
— Mas eu estava louca para encontrar aquele panda por um longo tempo. Eu pago assim que chegar em casa.
— Quem disse que vou te levar para casa?
— Que cruel!
No final das contas ele me deu uma moeda. Era o destino, na primeira jogada consegui pegá-lo. No caminho para casa (sim, no final ele também me levou para casa, mas dizendo que era para pegar o dinheiro) eu fui falando como aquele panda parecia com ele por causa da parte preta na cabeça, já que ele tinha cabelo preto também. Na verdade, só queria irritá-lo.
— Espera, vou pegar o dinheiro. – disse em frente ao portão de casa.
— Não precisa.
— Han?
— Você vai demorar muito, e eu já estou cansado.
— Mas... Então te entrego na-
Ele suspirou. — Você é tão lenta... – ele parecia sem jeito – Só aceite como um agradecimento... Por ontem.
Meu coração deu um pulo. — Obrigada pelo jantar, Sensei! – disse sorrindo e entrei, antes que eu começasse a corar e ficar estranha de novo.
Eu gosto de estar com ele... Será que ele pensava o mesmo?
Ércik
— Por que diabos eu peguei você?
Sentado no sofá, encava um bichinho de pelúcia em cima da mesinha de vidro.
Voltando para casa, com o dinheiro que separei e ela não usou, e a voz dela falando como eu parecia com aquele panda gravada na minha cabeça, meu subconsciente quis se vingar de algum modo e eu acabei voltando na loja para pegar o peixe azul que tinha visto lá.
Diferente da minha relação com aquele panda, esse peixe realmente faz jus ao apelido que dei a ela.
— Dory, saiba que foi meu subconsciente que gastou 50 centavos com você, então não confunda as coisas e... não pense em coisas estranhas também. Do tipo românticas...
Meu celular começou a tocar.
Jack: E aí, cara? Tá fazendo o que?
Érick: Nada. Por quê?
Jack: Não, é que... Estava querendo trocar uma ideia contigo. Você...quão próximo é daquela garota do pão com farofa?
Érick: Quem? Ah, a Mia?
Jack: Isso, essa mesma.
Olhei para o bichinho a minha frente, que me olhava com aquele olhos grandes amendoados, que pareciam com os dela. Então virei ele de costas.
Érick: Proximidade nenhuma. Bem, só profissional. Por quê?
Jack: Ah, saquei... Mas você não faria um favorzinho para o brother aqui?
Aquele assunto já estava me deixando sem paciência.
Jack: Não consegue com ela o telefone daquela amiga gata dela? A Camila...
Ah, era isso...
Érick: Não sei. Vou ver.
Jack: Pô, valeu cara! Vai quebrar um galhão pra mim. Ela garota é demais!
Érick: Hum...
Jack: Falô então!
E desligou.
Ah, mais essa agora...
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