"Paciente 169

Nome: Anne Scott.
Falecimento: 32 anos, diamorfina.
Anne era uma escritora de literatura clássica, alta, com cabelos encaracolados e negros. Procurou-me após começar a sentir dores fortes e surgimento de manchas roxas pela superfície do corpo, junto com a impossibilidade de escrever, que surgiu ao longo da doença. Anne tinha desenvolvido Leucemia, e foi dada como morta pelo câncer dois meses depois da primeira consulta."

Trafalgar D. Water Law, considerado gênio por terminar a faculdade de medicina com dezessete anos, é um médico extremamente admirado pelo Conselho de Medicina. Na data presente ele tinha sua própria clínica no auge de seus 26 anos e contava com mais de 1.346 pacientes já atendidos.

Sua personalidade, entretanto, era bem exótica. Trafalgar tinha olheiras negras bem pesadas abaixo de seus olhos, provavelmente devido aos estudos, um sorriso visivelmente falso na maioria das vezes e um olhar vazio, típico de pessoas sem paciência.

O médico também era bem solitário: não tinha pais, morava sozinho, solteiro e sem amigos, por não gostar de relações, sejam elas quais forem. Apesar destas características grosseiras, seus pacientes nunca reclamavam de seu atendimento.

Entretanto, por trás de todo seu gênio, Trafalgar era um Serial Killer. Escondido em seu quarto atrás de uma parede falsa, havia um cofre tão grande que caberia um laboratório de porte pequeno, protegido pelo sistema mais complexo de segurança da Inglaterra.

Dentro do cofre havia uma escrivaninha com um bloco de notas que Law usava para descrever suas vítimas e um armário com várias drogas letais, incluindo uma quantidade perigosa de diamorfina, uma droga que é usada pelos médicos para aliviar a dor de seus pacientes mas, em certas quantidades, pode ser fatal.

(...)

Law estava em seu consultório, aguardando seu próximo paciente entrar. Segundo a ficha, tratava-se de um garoto chamado Peter Lewis de vinte e dois anos que tinha sido diagnosticado com um câncer terminal. Sua secretária, então, ordenou que ele entrasse.

– Doutor Trafalgar?

O garoto não parecia ter mais de 1,72 metros e tinha cabelos negros pontudos e rebeldes. Apesar de estar naquela situação, ele parecia bem feliz e portava um grande sorriso nos lábios, coisa que irritava o médico. Porém o que mais chamou-lhe a atenção foi sua cicatriz abaixo do olho esquerdo e o fato de usar um chapéu de palha.

– Sr. Lewis, certo? Pode sentar-se aqui, por favor. – O médico aponta para a cadeira a sua frente e o paciente obedece. – Então, qual foi o motivo da consulta?

– O quê? Ah, ah sim! Claro! Eu, é... me disseram que eu estou com câncer de pulmão e que você poderia me curar, né? – O garoto parecia ser distraído e não aparentava ter medo nenhum, apesar de estar com uma doença terminal.

– Bom, não é bem assim. – Explicou o médico, com uma aparência oposta a do garoto, um olhar cínico e uma falta de paciência visível. – Não existe cura pro câncer, o que existe é o tratamento. Eu vou tentar prolongar a sua vida o máximo que eu conseguir, mas os seus dias já estão contados.

– É? Eu não quero morrer então, se você puder prolongar a minha vida por mais uns... cinquenta anos já está ótimo! Kishishishi. Então, o que eu preciso fazer, doutor?

"Cinquenta anos? Esse não sobrevive nem por cinquenta dias. O que ele acha que um câncer é? E que tipo de ser humano ri com uma situação dessas?! Bom, quem tem dias contados ou procura se divertir o máximo possível ou entra em depressão, talvez seja isso." – Pensou em silêncio.

– Na sua ficha consta que você já passou por um patologista, certo? Eu preciso dos resultados dos exames que ele passou. Enquanto isso, vá me respondendo: você fuma ou convive com alguém que tenha esse hábito?

– Aqui os exames. E bem... eu não fumo e nem convivo com fumantes, mas o meu médico disse achou "Radon" no meu corpo, embora eu não faça ideia do que seja isso.

– É, foi o que eu pensei. Rádon é uma substância cancerígena encontrado em materiais de construção e paredes. Você vai ter que morar em algum hotel de agora em diante.

Law terminou de ler todos os exames de seu paciente, e realmente ele estava com um dos piores tipos de câncer de pulmão: o de pequenas células, que destruía seu corpo de uma forma bem pesada.

– Morar em um hotel?! Eu não quero, eu gosto da minha casa!

– Bom, a escolha é sua. Se você ficar mais exposto a substância que tem nas suas paredes, você vai morrer. E após isso nós vamos começar um tratamento de quimioterapia e, posteriormente, uma cirurgia.

– Então me deixe morar na sua casa! – Gritou o jovem garoto, assustando o médico.

– Como é?!

– Meus pais são ricos! Eu te pago qualquer coisa. Além disso, se eu morar com você o tratamento vai ser muito mais fácil, né?

No começo Trafalgar negou com todas as forças. Que tipo de paciente pede pra morar na casa do médico logo na primeira consulta? Chegava a ser ridículo só de imaginar. Porém, aquele garoto ofereceu uma quantia imensurável em troca de dividir o apartamento e ele também não parecia muito esperto. Dava pra tirar proveito daquele ser humano facilmente.

Demorou, mas o médico acabou cedendo. Ele deu seu endereço e pediu para que o garoto encontrasse ele com as malas prontas depois que seu trabalho acabasse.

(...)

– Então, é aqui que eu moro.

Trafalgar atendeu ao paciente, que estava com uma bermuda jeans e uma regata vermelha, roupas típicas de ficar em casa, carregando duas malas pesadas. Completamente oposto a si, que estava com um sobretudo branco, camisa, gravata social preta e uma calça jeans.

– Noooooossa, essa casa é maior que a minha! Uoou, o que é isso? – Lewis foi entrando, já explorando a casa e tocando nos objetos.

– Não toque nisso! – Law o impediu. – Isso é um vaso de valor inestimável, o que deu em você? Quase quebrou ele!

– Desculpa, Torao! É que ele parecia ser tão brilhante...

– D-Do que você me chamou agora? O meu nome é Trafalgar Law!

– Ah, já que nós vamos morar juntos não precisamos de formalidades. Pode me chamar de Peter! Caramba, aquilo é uma jacuzzi?

Não haviam se passado nem cinco minutos e Law já estava completamente arrependido de ter deixado aquele cidadão entrar em sua casa. Como uma pessoa tão desprezível e cínica seria capaz de aguentar viver com um ser tão irritante? Impossível.

– Ei, fica quieto um instante! Eu estou começando a reconsiderar se realmente é bom você ficar aqui em casa.

– Agora não dá pra voltar atrás, Torao! Eu já paguei a minha estadia aqui por um mês, você vai ter que cuidar bem de mim, kishishishi. Aliás nós temos um mordomo?!

– "Nós"? Não tem "nós" nenhum. E não, eu não tenho um mordomo. Não preciso de ninguém mexendo nas minhas coisas.

"Definitivamente, esse garoto não vai ter muitas horas de vida. Isso é fato. Mas... os pais dele são realmente poderosos, se ele morrer muito cedo vão suspeitar de mim e eu vou ter problemas."

– Ei, Torao! Me mostre a sua casa, onde eu vou ficar? Aliás, eu tô com um pouco de fome.

– Fica quieto um segundo e me escuta: você pode ficar aqui desde que não toque em nada. Se você quebrar alguma coisa eu te ponho pra fora, entendeu? E você vai fazer tudo o que eu mandar se não quiser morrer de câncer.

– Nossa... você é tão malvado, dá até medo.

Depois da ameaça o garoto se aquietou, então ambos começaram a andar pela casa. O apartamento do médico era realmente bem grande pra alguém que mora sozinho; Law ia seguindo com os cômodos e Lewis parecia estar atento à visita.

– Bom, aquela porta à direita é o seu quarto, você pode ficar lá o tempo que você quiser. Já aquela à esquerda é o meu e você definitivamente não pode entrar lá sob nenhuma circunstância. Entendeu?

– Humm... Ok!

O garoto ficou interessado no quarto de Law, mas não demonstrou. Ele queria saber porque não podia entrar lá, se tinha alguma coisa misteriosa... de qualquer maneira, ele ficou em seu quarto arrumando suas malas e Trafalgar o trouxe um lanche noturno.

A noite foi caindo, Law lia um livro no seu quarto, tranquilamente, sem pressa nenhuma e como uma pessoa normal, vestindo camiseta branca leve e um short de ficar em casa, quando, no meio do nada, um vulto abriu a sua porta seguido de um grito que o fez despertar.

– EI, TORAAAAO!

– Mas que porr–?!

Só podia ser. Lewis ignorou completamente o pedido que Trafalgar havia feito poucas horas atrás e abriu a porta em um passe só, gritando seu nome e entrando no quarto.

– Desculpa te incomodar, m-mas tinha uma barata no meu quarto e eu fiquei com medo!

– QUAL É O SEU PROBLEMA?! – Law gritou, indo em direção a ele e o expulsando do quarto. – Eu não te disse pra nunca entrar aqui? E mesmo assim, você quase quebrou a minha porta! E que lance é esse de barata? Não tem essas coisas na minha casa.

– D-Desculpa! Mas eu vi... ela era enorme! Eu fiquei com medo.

Os dois foram pro quarto de hóspedes e chegando lá não tinha barata nenhuma, só um dos biscoitos negros que Law tinha dado para o outro comer, jogados no chão.

– Você é idiota? É só um biscoito que você mesmo derrubou. Não faça escândalos por nada! Agora se me der licença, eu vou dormir e não quero te ver até amanhã.

– O-ok...

Law voltou para seu quarto e dessa vez colocou um cadeado na porta para o garoto não entrar lá de novo. Em seguida, foi até o seu cofre secreto atrás da parede, apelidado por ele de "Lugar vazio", e pegou seu bloco de notas.

"Paciente 198

Nome: Peter Lewis.
Falecimento: -– anos, --.
Peter é com certeza a pior pessoa que eu já conheci. Ele tem tudo o que eu mais odeio em um ser humano: ele é irritante, idiota, sem noção, desastrado... Ele veio até o meu consultório com um câncer de pulmão e passou a morar comigo.Planejo acabar com a vida dele em um acidente cirúrgico."

(...)

Enquanto isso, em seu novo quarto, Peter recebia uma ligação.

– Pode falar agora, estou sozinho.

"Monkey D. Luffy, responsável pela investigação de um suposto assassinato pelo médico famoso Trafalgar D. Water Law; qual é o seu relatório?"

– Vir morar na casa dele foi fácil com a quantia de dinheiro que eu ofereci. Achei estranho ele morar sozinho em um lugar desse tamanho, principalmente quando ele disse não querer que ninguém mexesse em nada. O que mais me chamou a atenção foi quarto dele: ele fez questão de frisar que eu nunca poderia entrar lá, mas eu consegui entrar por um curto intervalo de tempo.

"E o que você descobriu?"

– Ele me expulsou segundos depois, mas deu pra ver nitidamente uma parede-falsa. Não era uma parede fácil de fazer, qualquer pessoa normal não perceberia que é falsa. Significa que existe alguma coisa que Trafalgar realmente não quer que os outros descubram lá.

"E o que você planeja fazer agora?"

– Ele pois um cadeado modelo SM 4 E de 30mm na porta, vai ser difícil entrar, mas eu dou um jeito.

"Bom, era de se esperar um jovem tão promissor quanto o senhor conseguir descobrir isso.Nós tivemos que tirar seu rastreador e sua câmera de vigilância a pedido seu, então contamos com você! Tenha cuidado."

– Entendido.

Notas finais
Gostaram? Reviews? :3