Médico Sujo

2 Investigação


Passado-se pouco tempo que o garoto já estava na casa do médico, aquela era uma manhã de sábado. Ou seja, Trafalgar só iria trabalhar se alguma emergência acontecesse. Ele foi para sua cozinha, ainda com a roupa de dormir, tomou um café e começou a comer umas torradas enquanto lia o jornal matinal. Um dia bem calmo e tranquilo.

– TORAOOOOOOO, VOCÊ ACORDOU!!

Ou melhor, era um dia calmo e tranquilo. Não demorou muito para que Peter invadisse a cozinha aos berros, parecendo estar com medo de alguma coisa, assustando Trafalgar e quase o fazendo derramar seu café. A manhã, imediatamente, perdeu seu brilho.

– Você tá maluco? Qual é o seu problema? O Câncer invadiu o teu cérebro?!

– S-Sim, acho que foi isso! O meu cabelo, ele começou a cair do nada ontem à noite! Eu vou morrer, não é?! Me ajuda, Torao!

Law bufou e foi em direção ao garoto, agindo como um perfeito médico preocupado e deixando seu jornal e café-da-manhã de lado. Começou a se aproximar dele, ficando bem pertinho, quase dando-lhe um abraço enquanto examinava seus cabelos negros.

– Ei, calma, calma, isso é normal. É o que acontece quando se tem câncer, na maioria das vezes.

– M-Mas eu vou ficar careca?

– Talvez você fique, mas não agora. Por enquanto vamos na minha sala, lá tem alguns remédios. Hoje vai ser a sua primeira sessão de quimioterapia.

– O-ok.

Apesar de tudo, ele era um médico bem preparado. Em sua casa ele tinha uma espécie de laboratório, onde guardava todo tipo de remédio ou fazia seus próprios.

Law pediu que Peter se sentasse e começou a fazer exames básicos para verificar sua garganta, pressão, etc. e passou para ele uma lista de medicações que ele teria que tomar para que sua saúde permaneça estável.

– Provavelmente você terá muito enjoo e vômito daqui pra frente, então trate de tomar seus remédios na hora correta.

– Mas Torao, você tem vários remédios aqui! Essa sala dá um pouco de agonia, mas é muito legal.

– Eu também não quero que você fique aqui sem a minha presença, tem vidros demais aqui e você não parece ser do tipo confiável para lidar com objetos quebráveis.

[Knock Knock]

A conversa dos dois é interrompida quando Trafalgar escuta a porta principal bater. Depois de se distrair por um curto intervalo de segundos, assim que teve sua atenção voltada a Peter, ele percebeu que o garoto já estava mexendo em seus materiais.

– Ei, não toca nisso. É perigoso, vamos.

– Desculpa! É que parecia bonito...

Law arrastou seu paciente para fora, deixando-o no seu quarto.

– Fique aqui enquanto eu atendo a porta, ok? Comporte-se.

– T-Tá...

Quando o médico atendeu a porta, surgiu um rapaz bem mais velho que ele, ruivo, com uma cicatriz bem grande e um braço mecânico revestido com um material que imitava pele humana no lugar de seu braço esquerdo.

– Yo, Law! Quanto tempo.

– Kid? Eu pensei que iria te ver só segunda feira. O que deu em você pra vir aqui hoje?

– Ah, nada demais. – Kid entrou na casa de Law, pegando um papel e escrevendo alguma coisa. – Eu senti sua falta e decidi vir mais cedo.

"Quem é o garoto ouvindo nossa conversa atrás da parede?"

Kid era extremamente habilidoso em perceber quando alguém ouvia suas conversas pessoais. Ele escreveu essa frase no papel, entregando para Law, e continuando a conversa normalmente. O outro repetiu a mesma ação.

– Sentiu tanto minha falta que não conseguiu esperar mais um dia?

"É um pirralho que está morando comigo. Ele definitivamente não é confiável."

– Pois é! Haha, mas hoje é fim-de-semana, você não quer tomar uma bebida comigo?

"O que ele fez?"

– Sim, nós precisamos mesmo colocar o papo em dia, né?

"Ele entrou no meu quarto com uma desculpa ridícula demais até pra ele, além de fazer questão de vir morar comigo na primeira consulta."

– Com certeza! Falando nisso, você viu o jogo ontem?

"Ele viu a parede?"

– Não, um dos meus pacientes veio morar comigo depois que descobriu que sua casa estava infectada com um elemento cancerígena, então eu fiquei cuidando dele.

"Impossível. É uma parede perfeita, nenhuma pessoa normal conseguiria perceber."

– Ah, é? E eu posso conhecê-lo?

"Ele parece ser uma pessoa normal pra você?"

Law amassou o papel de raiva, pegou um isqueiro e ateou fogo nele, jogando as cinzas na lareira apagada.

– Claro. Ele deve estar no quarto, eu vou lá chamá-lo. Fique à vontade.

Assim que ambos rapazes terminaram sua conversa, o médico foi até o quarto buscar seu paciente e lá o encontrou, brincando no celular, distraído. Law então o chama para participar da conversa com Kid, apresentando-o.

– Olá! O Law me disse que estava cuidando de um paciente com câncer, mas você parece ser realmente muito novo. Qual é o seu nome? –Pergunta Eustass, o mais simpático possível.

– Peter Lewis, e eu tenho vinte e dois anos, apesar de parecer mais novo. Prazer, Kid! Você é amigo do Torao?

– "Torao"? Hahaha, você já ganhou até um apelidinho carinhoso, Law! Sim, sim, eu sou amigo dele. Nós fizemos faculdade juntos e somos amigos de infância.

– Cala boca, Kid! Não tem graça nenhuma essa situação. – Gritou Law.

– Aah, ele não gosta muito desse apelido, mas o nome dele é muito difícil pra mim. Então, Kid, você é médico também? – Continuou perguntando, com interesse no ruivo.

– Sim, eu sou um médico legista. Mas garoto, o Law parece meio assustador no começo, mas ele é uma pessoa legal no fundo. Basta conhecê-lo melhor.

– Eu seeeeei!! — Lewis gritou, pulando em cima de Law e dando-lhe um abraço. – É porque eu... eu... eu AMO o Torao!!

– Q-Q-Quê?! Ei, garoto, tira as mãos de mim! Nunca mais faça isso!

– PFF... HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA! É o típico romance entre o médico e seu paciente! Não esperava isso de você, Law! — Eustass quase desmaiou de tanto rir.

– Para com isso, Kid! Não tem graça nenhuma! E nós dois íamos sair, não é? Vamos logo então.

– Torao... você ficou triste comigo? M-Me desculpe, não foi por querer...

– É, Law! Perdoa ele, você não quer deixar o seu amado triste, não é? Hahahaha!

– Que seja... ei, você! Não toque em nada e fique apenas em seu quarto. Não esqueça de tomar seus remédios na hora correta, ok? Vamos, Kid.

~ X ~

Saindo de sua casa, finalmente Law e Kid poderiam ficar sozinhos e conversarem sobre assuntos importantes. Ambos estavam em um bar perto de casa, tomando uma cerveja e agindo como pessoas normais fazem em seu dia-a-dia.

– Sabe, Law, eu fiquei realmente preocupado quando você disse que ele tinha entrado no seu quarto. Mas, pensando bem...

– O que é? Descobriu alguma coisa?

– Talvez ele só estivesse querendo ter uma noite contigo! HAHAHAHAHA!!

– CALA BOCA! – Law bateu na cabeça do amigo. – Precisamos falar sério agora. Qual foi o motivo de você ter me procurado?

– Ah, sim, eu já ia esquecendo. É sobre a sua paciente de amanhã, Marie Quinn.

– O que tem ela?

– Law, eu vou ser bem direto. Hoje me ligou uma Doutora chamada Lynda Reynolds, que é uma das médicas desta mulher. Ela é uma amiga minha e me pediu para começar a investigar você. Parece que ela está preocupada com a taxa de mortalidade dos seus pacientes, e eu, como seu legista, poderia ter alguma informação.

– Entendo, você quer que eu adie a morte desta mulher? Eu posso fazer isso.

– Sim! Seria melhor, se for matá-la pelo menos faça com que ela tome algum medicamento errado. Eu posso "deixar passar" isso, mas Law... não pare com os assassinatos. Tá?

– Se as pessoas pararem de morrer depois que essa tal "Doutora Reynolds" falasse com você, isso poderia te incriminar. Eu não vou fazer isso, eu sou cuidadoso, pode deixar.

– É por isso que eu gosto de você! Você pensa rápido. Agora vamos falar de coisas mais importantes: o garoto que mora contigo. É realmente seguro deixá-lo sozinho em casa?

– Quem você pensa que eu sou? Tem câmeras de segurança no meu quarto e elas estão ligadas no meu celular. Se alguém abrir a porta eu vou ser avisado imediatamente, além disso, eu planejo ver as gravações com calma quando chegar em casa.

– Ah sim, falando nisso, você tem a gravação de quando ele entrou no seu quarto aí? Eu gostaria de ver.

Law pegou seu celular e mostrou a Eustass a gravação de Peter entrando em seu quarto. Suspeitando de algo, o ruivo pausava as partes que achava mais importantes, observando todos os movimentos do garoto.

– Então, achou alguma coisa?

– Foi o que eu imaginei, ele realmente viu a parede falsa. Pode reparar, quando ele põe os olhos nela, ele não olha pra outro lugar, como se estivesse estudando a parede.

– Ei, ei, assim você tá começando a me assustar, Kid. Você viu ele, é impossível um pirralho daqueles conseguir distinguir esta parede de uma parede normal! E mesmo se conseguisse, eu não planejo deixá-lo entrar no quarto novamente.

– Bom, tem sempre a alternativa de que ele olhava para o seu corpo, Law, e não para a parede...

– Para com isso, maldito! Mas por via das dúvidas eu quero que você descubra tudo sobre esse tal de Peter Lewis, ok?!

– Pode deixar! E eu não quero te ver apaixonadinho por ele, Law.

– Oh, ciúmes? – Law resolve deixar formalidades de lado e apoia os cotovelos na mesa, encarando o ruivo fixamente.

– Você sabe muito bem que eu gosto de ti, mas não é isso. Se você deixar seus sentimento agirem mais alto que a sua razão, você vai se dar mal.

– Olha quem fala, Kid. Você só se tornou um médico pra ficar mais perto de mim. Eu posso muito bem destruir a sua vida também.

– Exatamente por eu ter essa experiência que eu posso te avisar que não vale a pena. Bom, mas eu fui sortudo, né? Consegui você e ainda uma boa grana!

– Pense como quiser, você sabe muito bem que não tem jeito de eu me apaixonar por aquele garoto.

~ X ~

Enquanto ambos rapazes trocavam assuntos, na casa de Law, Lewis fez mais uma ligação em seu quarto.

"Luffy? Ligou cedo, tem notícias?"

– Sim. Parece que Trafalgar tem uma sala onde ele guarda todo tipo de remédios e lá eu vi... comprimidos de diamorfina. Grandes quantidades.

"Os legistas encontraram essa substância no corpo daquela mulher, não é? Mas Luffy, portar isso não é proibido, pelo contrário, ela é muito eficaz para cessar a dor dos pacientes. Isso não significa nada."

– Eu sei, não precisa me falar isso. Eu fiz o que você disse e cortei um pouco de cabelo, ele me receitou alguns remédios, eu vou te passar a receita por e-mail e você me diz se tem alguma coisa errada, ok?

"Entendido. Mais alguma coisa?"

– Sim, duas coisas... eu quero que você investigue sobre um tal de Eustass Kid. Ele é um médico legista e apareceu na casa do Trafalgar, como amigos. A conversa deles parecia ser bem normal, eu espiei pela parede e eles sequer perceberam a minha presença.

"Espera, você disse Eustass Kid? Sim, eu conheço ele."

– De onde? Você tem alguma informação sobre ele?!

"Ele foi o médico que fez a autópsia daquela mulher, Luffy. Se Trafalgar está metido em alguma coisa, com certeza o Eustass também está."

– E-Entendo... bom, era só isso mesmo. – Luffy parecia bem mais tenso, preocupado.

"Não tinha mais uma terceira coisa?"

– Sim, eu acabei dizendo que... "amava" o Trafalgar para fugir de uma conversa...

"Puts... deve ter sido difícil pra você. De qualquer maneira, eu espero que você fique bem, comandante."

Encerrando a conversa e desligando os celulares, Luffy aproveitou que ainda estava sozinho e começou a imaginar meios de adentrar o quarto de Trafalgar, seu suspeito principal, sem ativar o sistema de segurança. Desta maneira ele poderia aprender mais sobre a parede secreta que lá havia.

Notas finais
Tá esquentando... hehehe XD