Médico Sujo
14 Bad End
Notas iniciais

– TODO MUNDO PRO CHÃO!
Kira e Trafalgar Law estavam há um milímetro de puxar o gatilho. Vários policiais invadiram o prédio, ambulâncias e carros de polícia estavam na rua. Dava-se para ouvir as sirenes por todo o perímetro do local.
O primeiro tiro foi disparado para cima, como aviso, pelos próprios policiais. Os dois rapazes hesitaram. Kira ficou extremamente irritado com o fato de ter aproximadamente 21 carros de polícia rondando sua moradia; mas é claro, isso não foi motivo nenhum para que o loiro largasse a arma.
– Chamar a polícia? ISSO FOI SUJO, LAW! ATÉ MESMO PRA VOCÊ!
– Você achou mesmo que eu viria sozinho? IDIOTA! NÃO TEM OUTRA SAÍDA, DESISTA!
Trafalgar já estava terrivelmente nervoso. Lágrimas escorriam de seus olhos, sua pele suava frio, suas mãos continuavam cada vez mais trêmulas e sua raiva só aumentava. Ele já sabia que havia entregue sua vida naquele momento, o que aconteceria depois não lhe importava.
Mesmo assim, ele permaneceu apontando a arma em direção a Kira, que permaneceu apontando a arma em direção a Luffy, que estava caído no chão, inconsciente. Nada mudou. Dois policiais entraram no quarto, prontos para atirarem também.
– Vocês dois, larguem as armas! Têm atiradores à longa distância por todo perímetro. Vocês estão cercados!
Uma luz vermelha começou a piscar no peito dos dois rapazes. Kira ficou mais furioso ainda com a atitude do outro que, além de querer salvar seu pseudo-inimigo, ainda cooperou com policiais. Era inaceitável. Finalmente, o gatilho foi puxado.
– QUEREM ME MATAR? ÓTIMO! FAÇAM ISSO DEPOIS DO ENTERRO DESSE DAQUI!
E assim, o segundo tiro foi dado e o sangue finalmente escorreu. Trafalgar gritou, completamente espantado. Os policiais também ficaram chocados com a cena, mas não tiraram seus olhos dos alvos. Ninguém acreditava no que via.
– LUFFY! VOCÊ TÁ BEM?
O tiro veio da arma de Trafalgar Law, acertando em cheio o ombro de Kira, que deixou sua arma cair no chão por pura distração.
– Quem você acha que eu sou, Torao? Eu já disse, cansei de apanhar pra vocês dois.
Voltando alguns segundos atrás...
A situação foi extremamente rápida. Kira estava gritando, apontando uma arma carregada já com o dedo no gatilho, sem se importar se estava rodeado ou não de policiais.
– QUEREM ME MATAR? ÓTIMO! FAÇAM ISSO DEPOIS DO ENTERRO DESSE DAQUI!
Por um milésimo de segundos, antes que Kira pudesse finalmente dar o tiro definitivo, Monkey D. Luffy acordou. Ele não estava inconsciente de verdade, foi tudo uma grande encenação.
Ao ver que seus companheiros haviam chegado e Kira estava prestes a atirar, Luffy rapidamente mordeu a perna de Kira, em um ato de reflexo. Não foi uma mordida forte, claro, pois seus ossos estavam quebrados; mas foi uma mordida suficiente para que Kira se distraísse.
Todo mundo ficou espantado com a cena: Um dos seriais killers mais procurados estava sendo mordido por um jovem garoto todo quebrado. Trafalgar percebeu o momento de distração e aproveitou para disparar contra Kira.
E assim, o segundo tiro foi dado e o sangue finalmente escorreu. Trafalgar havia metido uma bala no ombro de Kira, que imediatamente foi obrigado a largar a arma. Agora ele estava sem condições de atirar, mas ainda continuava de pé.
– LUFFY! VOCÊ TÁ BEM?
– Quem você acha que eu sou, Torao? Eu já disse, cansei de apanhar pra vocês dois.
– Você fingiu... estar inconsciente? Você mordeu o Kira? Tá brincando...
– É o que vocês dois ganham por me deixas HORAS sem comer!
Com um braço danificado, Kira não podia mais atirar, porém permanecia em pé. Ele era bem resistente, afinal, e continuou aos gritos.
– VOCÊS DOIS, NÃO BRINQUEM COMIGO! ATÉ PARECE QUE EU VOU MORRER TÃO FÁCIL ASSIM!
Ele ainda tinha a incrível velocidade de quando era criança. Com seu braço bom, ele pegou uma faca que guardava na cintura e foi correndo em direção a Trafalgar, prestes a esfaqueá-lo. Dessa vez foi Luffy quem gritou de susto.
– TORAO, SAI DAÍ!
– MORRA LOGO, TRAÍDOR DESGRAÇADO!
Agora estava tudo acabado, finalmente. Mais sangue se espalhava pelo chão até preencher todo o espaço do quarto. Era um sangue terrivelmente vermelho e viscoso, um sangue realmente fresco e sujo, junto com um cheiro de cadáver.
Não durou muito mais do que um segundo. Assim que Kira se aproximou com a faca, Law sacou sua arma novamente e deu-lhe um tiro definitivo no peito. Definitivamente, nem o próprio loiro conseguiria resistir a isso. Ele caiu no chão, morto.
– Você pode até ser rápido, mas... nessa batalha por velocidade, eu ganhei. Um idiota a menos, agora só resta um. E é justo esse idiota quem eu não posso matar.
O médico finalmente abaixou sua arma, deixando que os policiais o prendessem. Não adiantava mais tentar fugir, ele já sabia muito bem o que havia feito, os riscos que havia tomado. Mesmo se conseguisse fugir, não teria nenhum lugar para onde ele pudesse voltar.
Trafalgar foi finalmente algemado. Ele ainda estava de frente para Luffy, com a mesma cara de nervosismo que estava no começo, porém, dessa vez ele deixou um leve esboço de sorriso em sua face, como se estivesse bem com aquela situação. Luffy voltou a falar, com uma voz cansada.
– Torao... foi bom enquanto durou.
– Foi, né? Pela primeira vez eu saí do meu tédio. Valeu a pena.
– Obrigado... por ter vindo pra cá...
Assim que finalizou sua frase, Luffy desmaiou. Agora era de verdade, sua força tinha acabado, seu corpo não se movia, seus ossos estavam quebrados. Trafalgar ficou assustado ao ver o garoto, tão incrivelmente machucado, e se soltou dos policiais, indo em direção a ele e o abraçando no chão.
– LUFFY!
– EI, TRAFALGAR, TIRE AS SUAS MÃOS DO LUFFY!
– N-Não, tudo bem... eu quero falar com o Torao...
Um dos policiais tentou afastar Trafalgar e o algemá-lo novamente, porém Luffy negou. Ele escolheu gastar suas últimas forças vitais para falar com o médico.
Trafalgar aproveitou a oportunidade que estava com Luffy em seus braços e pegou a faca que Kira portava. Ele cortou as cordas que prendiam o garoto, deixando-o finalmente livre, desamarrado.
– Luffy!
– Torao... só me diz...por que você veio... me salvar...?
– Idiota, quem disse que eu vim te salvar? Não confunda as coisas. Eu odeio o Kira, sempre odiei. Quando éramos crianças, ele sempre tentava ser superior a mim, só por ser o mais forte e eu vivia dizendo que a inteligência superaria a força. Tudo que eu fiz foi provar que eu estava certo, entendeu? Não foi por você, foi por vingança pessoal. Se você morrer eu não me importo, mas definitivamente eu não vou deixar aquele cara fazer isso! Estragaria o meu orgulho.
– Tá... agora fala a verdade...
– Que verdade? Eu tô te falando! Já cansei dele e do Kid tentando serem melhores que eu. Os dois já estão mortos agora, bem feito.
– Eu sei... quando você mente pra mim...
– O que você quer que eu diga, então?
– Aquilo que você iria me dizer no porão... eu não sei se eu vou morrer, então... pelo menos completa a frase antes que eu... comece a dormir...
– PARA DE DIZER QUE VAI MORRER, QUE SACO! EU NÃO TE SALVEI PRA VOCÊ MORRER DEPOIS!
– Viu só...? Você veio... pra me salvar...
– Tsc, não fique se sentindo só por isso.
Foi necessário muito esforço físico, mas Luffy finalmente conseguiu levantar seu braço, bem de leve, e por suas mãos nos cabelos do médico, o trazendo mais para perto de si. Law obedeceu aos movimentos do garoto e seus lábios foram começando a se encostar.
Todos, novamente, ficaram chocados com a cena. O policial e o suposto assassino estavam selando um beijo. Um beijo não muito apressado ou pesado, graças ao estado físico do menor, mas mesmo assim um beijo.
Foram se distanciando lentamente, até que Luffy voltou a falar, ainda mais cansado do que anteriormente. Trafalgar começou a chorar bem mais forte do que antes, como se fosse ter um ataque de ansiedade. Sua voz também estava falhada.
– Viu... só...? Não precisa... ter medo... Torao...
– Luffy, eu te odeio. Eu te odeio por me fazer estar assim! Eu também me odeio. Eu me odeio profundamente por não conseguir evitar, mas não dá mais pra esconder. Simplesmente eu não consigo mais!
– To..ra..o..
– EU AMO VOCÊ PRA CARALHO, IDIOTA! E me odeio por te amar tanto! Então, por favor... não morra...
Antes que pudesse responder alguma coisa, Luffy finalmente voltou a dormir, porém, com um sorriso no rosto. Ele desmaiou nos braços de Trafalgar, que chorava igual a um bebê diante daquela cena.
Os policiais finalmente voltaram a prendê-lo e levaram Luffy com segurança para uma das ambulâncias que estavam estacionadas fora do prédio. O cadáver de Kira também foi levado para ser dado como morto e examinado.
Law foi posto em um carro de polícia e levado para a Central da Scotland Yard. Agora seria a hora em que ele finalmente seria jogado em uma cela vazia na prisão, sem nem mesmo saber o que havia acontecido com Luffy.
Chegando lá, foi posto na mesma sala que Kid havia ficado, junto com os mesmos dois policiais que haviam o prendido para ser finalmente interrogado. Nami ficou observando a situação enquanto Zoro fazia as perguntas.
– Eu já vou começando a avisar que o meu desejo é de acabar com a sua vida nesta sala, Trafalgar, mas infelizmente eu não posso fazer isso. O que aconteceu com o Luffy em sua casa, depois que vocês descobriram tudo?
– O Kid não te contou? E eu realmente não me importo com o que você vá fazer.
– Ele contou sim, e a sua história precisa bater com a dele. Se não bater, um dos dois está mentindo e a sua situação só vai piorar.
– Tá bom. Depois que eu tive certeza que ele era um policial, eu bati nele e o tranquei no porão. Só isso.
– Eu te avisei, não é? Se você mentir sua situação vai piorar. Eu sei que não foi só isso que aconteceu.
– Olha, isso foi o que EU fiz. Se o Kid fez alguma outra coisa com o Luffy eu não sei nem quero saber.
– Você está dizendo que o Kid tinha acesso ao porão e que podia fazer o que quisesse com Luffy sem você saber?
– É, ele praticamente morava comigo. Tinha até as chaves.
– O Kid tinha no celular várias fotos do Luffy preso e com marcas pelo corpo. Quer me fazer acreditar que você não teve nada a ver com isso?
– Não tem câmeras no meu porão e as fotos foram tiradas pelo Kid. Foi ele quem fez tudo, eu não tenho nada a ver com isso. Se quiser pode perguntar pro Luffy quando ele acordar.
– Pode ter certeza que eu perguntarei. O Kid confessou e disse que todos os assassinatos foram cometidos por ele, do mesmo jeito que estava descrito nas anotações. Qual foi a sua participação nisso tudo?
– Meu único trabalho é cuidar direitinho para que ele não fosse preso, mas com uma única condição: que ele se mate se por acaso isso acontecesse. Foi isso que ele fez, não é?
– A única pessoa que foi dada como morta por você foi um homem chamado Harold Firetank. Foi também o único nome que não achamos no banco de dados. Quem é esse?
– Pseudônimo. Não vou falar o nome, mas pode me prender por esse daí. Eu não ligo mais pra nada.
– Não sou eu quem decido isso, mas você será preso por cúmplice de homicídio, sequestro, mantimento de refém e assassinato de uma pessoa. Pode não pegar uma pena tão pesada quanto a do Kid, mas não vai sair antes de cumprir no mínimo trinta anos. É claro, não contamos com o assassinato de Kira, por ser legítima defesa.
– Trinta, é? Quanto tempo o Kid teria pego se fosse vivo?
– Ele pegou quatro perpétuas. O suficiente para morrer três vezes e ainda continuar preso.
– Tadinho, é realmente uma pena. Ele era um garoto obediente.
~ X ~
E assim, Trafalgar D. Water Law foi preso. Depois de julgado em um tribunal, ele pegou uma pena de trinta e nove anos sem direito a fiança. Law foi levado até a prisão, já vestindo o uniforme laranja, algemado.
Ele caminhava pelo corredor da prisão masculina, ouvindo os gritos ferozes dos outros presos. A sensação de estar sendo arrastado por um corredor tão frio como aquele era horrível. O local não tinha o mínimo de esperança, só um monte de criminosos imbecis com quem ele passaria o resto da vida.
Finalmente chegou em sua cela. Era pequena e só tinha uma beliche e um vaso sanitário totalmente quebrado. Tinha também uma pessoa lá, que iria dividir a cela com ele.
Assim que Law viu a tal pessoa, ele sentiu um enorme arrepio. De fato, ele conhecia muito bem aquele rosto, só não acreditava que o encontraria ali. Palavras não poderiam descrever o real sentimento de agonia que ele sentia.
O policial jogou, literalmente, ele para dentro do cubículo. Seu companheiro era alto e carregava um sorriso de nostalgia, junto com uma enorme sede por sangue em seus olhos. Era como se ele quisesse matar Trafalgar com o olhar. E, de fato, estava dando certo. Law estava completamente chocado.
A voz dele era bem grossa e feroz e seu sorriso sádico só aumentava. Parece que pouco tempo naquele lugar, já tinha transformado uma criança submissa em um maníaco doente, ansioso por vingança.
– Yo, Law. Quanto tempo! Essa roupa fica bem em você.
– K... K... K.. Ki..d..?
Trafalgar estava encostado na porta da cela, fazendo força com as costas para tentar sair dali, sem sucesso, com medo da visão que tinha. O ruivo foi se aproximando dele, com um andar leve e sinistro ao mesmo tempo, até os dois estarem bem de frente um para o outro.
– Então você realmente está vivo? Que coisa, estou decepcionado com o Kira. A vida realmente é surpreendente, não?
– E-Ei... o que tá acontecendo aqui? V-Você tá vivo? Como?!
– Triste em me ver? Como você é malvado, Law.
Antes que o outro pudesse responder, Kid desferiu o soco mais forte que conseguia em Law, fazendo ele bater com a cabeça nas grades e começasse a sangrar. Em seguida, ele perdeu o controle e começou a gritar.
– VOCÊ ACHA QUE EU SOU IDIOTA? VAI À MERDA!
– .. Ki..d?!
– MORRER POR UM INÚTIL COMO VOCÊ? EU NUNCA FARIA ISSO! ACORDA!
Eustass começou a dar vários socos e chutes em Trafalgar, com intenção de matá-lo. Ele só não finalizou, pois pretendia passar o resto de seus dias na prisão junto com ele, como se fosse seu novo bichinho de estimação.
Law cuspia sangue e tentava bloquear os ataques de Kid, mas sem sucesso. Além de ainda estar cansado com toda a confusão, ele realmente era mais fraco do que o ruivo.
– P..para... Kid...
– Quer que eu pare, é?
– Se você está vivo... por que levou a culpa por mim?
– Eu fiz um acordo com os policiais. Se eu confessasse tudo, eu poderia dividir a mesma cela que você pro resto das nossas vidas. Legal, né? Vai ser como nos velhos tempos!
– N-Não.. definitivamente isso não pode estar acontecendo... você realmente me traiu? Logo você, Kid?
– Hã? EU te traí? NÃO BRINCA COMIGO! Quem ficou cheio de enrolação com um policial? Quem chamou a própria policia só pra salvar a merda de um garoto? Quem matou o Kira só pra proteger o mesmo merdinha, que nem vivo atualmente está? QUEM FOI?
– P-Pera, Kid, repete a última parte!
– Qual? Ah sim, hoje de manhã eles me contaram tudo. Parece que o seu namoradinho não foi capaz de resistir em ter todos os ossos quebrados. É uma pena, né? Foi preso à toa.
– O Luffy... morreu...? Argh... MENTIROSO! Você só tá falando isso pra me deixar com mais raiva ainda!
– Pode pensar o que quiser, a verdade não muda. Qual é a sensação de ter aquilo que você ama sendo tirado de você? Ruim, né? BEM FEITO!
– Então.. essa é a sua vingança...?
– Eu nem comecei ainda, Law! Isso vai servir por todos os anos que você me usava para conseguir o que queria.
– Ei, eu nunca te obriguei a fazer nada. Você me obedecia por vontade própria.
– E eu não me arrependo de ter te seguido. Foi divertido ficar junto com você por tantos anos! Mas eu não vou te perdoar pelo que você fez.
Eustass pegou Law pelo braço e o obrigou a ficar de pé, de costas para si e de frente para as grades, de uma maneira que ele olhasse bem para os outros prisioneiros, e os outros prisioneiros conseguissem olhar para seu rosto sangrento.
Todo mundo começou a gritar, a rir, bater com copos nas grades para fazer mais barulho e confusão. Estavam todos admirando aquela cena de Kid imobilizando Law, por trás dele.
– Ki..d.. não faz.. isso...!
– CALA BOCA! A partir de hoje, sou eu quem mando aqui. ENTENDEU?
O ruivo jogava todo o peso que tinha contra o corpo do outro, para que ele não pudesse se mexer ou sair dali. Eustass começou a abaixar as calças dele junto com as suas, ainda segurando seu braço com a maior força e raiva que tinha.
– Para... Kid... para...!
– Vai chorar, é? Considere isso uma vingança pelo Kira também!
– Idio..ta... eu odeio você...
– Por que você não tenta chamar o Luffy pra te ajudar? Vocês não viraram amiguinhos?
– Para... com isso...
– Ah, é. Ele morreu! Que pena, eu tinha esquecido. Relaxa, eu vou te obrigar a esquecer desse idiota!
– Eu te.. odeio... Kid...
– É? Eu amo você, Law, mas daqui você nunca mais vai escapar.
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