Luffy P.O.V

Bem, então... como faremos para entrar nesse quarto? O problema certamente não é o cadeado em si, mas sim o que tem lá dentro. Câmeras? Ou algum alarme que dispare com o simples toque na maçaneta? Tsc, eu não posso fazer nada só com suposições! Eu preciso de fatos!

Pensa, Luffy, pensa! Se tiver alguma câmera lá, de onde Trafalgar consegue assistir às gravações? Pode ter alguma sala de vídeo escondida pela casa ou até mesmo na sala médica.

Não, não é isso. Trafalgar é esperto, ele precisaria vigiar esse quarto 24 horas por dia, sendo assim ele deve ter algum tipo de câmera portátil. Talvez no celular dele? Sim... pode ser lá!

E mesmo se eu não conseguir acesso à câmera em seu celular, pelo menos daria pra descobrir mais sobre a relação entre ele e o Eustass. Então tudo que eu preciso fazer é roubar aquele celular, mas como?!

– Cheguei. Ei, Peter, você está aí?!

Droga, ele chegou e eu ainda nem tenho um plano. De qualquer maneira, tudo o que eu preciso é voltar a fingir ser um bobo apaixonado e arrancar este celular de qualquer jeito!

Luffy P.O.V off

– TORAAAAAAAOOOOOOO!! Que saudadeeeeeeeeeeeesssss!

Lewis foi correndo em direção a Law, pulando em cima dele e dando-lhe um abraço, o mais natural possível e também sem sequer preocupar-se com o fato do médico odiar aquele tipo de aproximação.

– Sai de cima de mim um segundo! E eu nem demorei tanto assim. Exagerado.

– Mas eu senti saudades, Torao! Quem era aquele ruivo afinal? Kid alguma coisa...

– Um amigo meu, só isso. Se você me der licença eu vou para o meu quarto agora, espero que você não tenha quebrado nada durante a minha ausência.

Law precisava ir para o quarto resolver alguns assuntos pendentes, porém, enquanto estava andando, o garoto segurou seu braço impedindo que ele continuasse, dando alguma desculpa qualquer.

– Espera, Torao!

– O que foi?

– E-Eu, ér.... — O que eu faço agora? Eu preciso daquele celular! Mas como? Aff, eu segurei o braço dele em um reflexo, mas não faço ideia de qual desculpa usar!

– Se você não tem nada a dizer, então eu vou embora. Se estiver se sentindo mal ou alguma coisa assim, tome o remédio para enjoo que eu te passei.

– N-Não, espera! Torao, eu quero que você fique comigo!

Trafalgar parou de andar e se virou para Peter. Os dois ficaram se encarando por alguns segundos, que pareciam ser mais uma eternidade. Peter olhava para Law com o rosto vermelho, um pouco arrependido de ter dito aquilo, já o médico retribuía o olhar com um rosto antipático como sempre.

– Como é que é? — Law quebrou o silêncio.

"Merda, o que eu faço?! O que eu faço?! Ele está parado na minha frente, mas se eu não disser nada ele simplesmente vai se trancar naquele maldito quarto. Rápido, pense em uma desculpa qualquer!"

E-Eu só quero.. ficar com você. Sem motivo nenhum, só quero ficar do seu lado.

"Que desculpa ridícula, eu fiquei louco? É ÓBVIO que ele vai simplesmente me dar as costas e ir embora! Idiota! Burro! Besta!"

– Ficar comigo sem motivo nenhum, é? — Law dá um de seus sorrisos maliciosos. – Claro, por que não?

– Ehhh?! Sério, tão fácil assim?

– Ah, não gostou? Que seja, eu vou pro meu quarto então.

– N-Não, fica! Fica! – Nem acredito que deu certo mesmo...

– Você é meu paciente acima de tudo, é meu dever como médico ficar com você, basta pedir, Peter. Então, vamos pro seu quarto?

Um sorriso gigante abriu no rosto do garoto de regata vermelha e de chapéu de palha.

– Simm! Com toda certeza, sim!

Os dois rapazes foram para o quarto onde Lewis estava alojado. Law se espantou, ele não esperava que o quarto estivesse tão limpo e organizado, o garoto era mais responsável do que ele imaginava.

– Então, o que desejas de mim?

O médico sentou-se em uma cadeira que tinha no quarto de uma maneira completamente relaxada, pernas abertas e a cabeça apoiada na própria cadeira, fitando o garoto.

– O que eu desejo...?

"Pensando bem, eu consegui ficar junto com ele, mas não tenho um plano específico... droga, eu preciso arrumar um jeito de pegar esse celular de uma vez!"

– Peter, você me chamou até aqui só pra ficar me encarando? Pode falar o que tiver vontade, não precisa ter vergonha.

"Já sei! Vai doer no fundo da alma, mas pode dar certo."

– Torao, eu te amo! O motivo de eu ter vindo morar com você não foi por causa da doença nem nada disso, foi simplesmente pra ficar mais perto de você, mas você nunca me deu atenção...

– Entendo, então é isso?

Trafalgar sorriu maliciosamente como havia feito mais cedo. Ele olhava para Lewis sem emanar qualquer tipo de preocupação ou surpresa. Por outro lado o garoto estava tão vermelho quanto um tomate.

– E-Então, qual é a sua resposta, Torao?– Certo, agora ele vai brigar comigo e, no meio da confusão, eu posso arrancar o celular das calças dele!

– Vem aqui. – Law chamou seu paciente para ficar perto dele, levantando-se da cadeira.

– T-Tá...

Lewis foi em direção ao médico, ficando bem próximo a ele. Trafalgar passou uma de suas mãos pelo cabelo do garoto, fazendo um cafuné e deixando ele com uma vergonha visível.

O médico foi se inclinando até seu paciente, levantando seu rosto pelo queixo e se aproximando para dar-lhe um beijo, mas Peter o empurrou para trás e se afastou, antes que pudessem completar a ação.

– Oh, é a primeira vez que me recusam... machucou.

– O-O-O-O que você tá fazendo, Traf... o?! Por favor não faça uma coisa dessas de novo!

"Merda, o que aconteceu aqui? Eu pensei que ele simplesmente fosse ficar com raiva de mim! Porque ele não ficou?! Que tipo de reação maluca é essa? ... Ele ia mesmo... ele pensou que eu... nós dois... hãã?! Eu nunca faria esse tipo de coisa com esse assassino...!"

– Como assim? Você não acabou de dizer que me ama e já está me dando um fora?

– É que eu n-não tinha pensado que você fosse retribuir...

Law P.O.V

Que pirralho idiota, céus como é fácil enganar ele! Esse papo de "eu te amo" é a mentira mais falsa que eu já vi na vida e ele desistiu tão fácil. Eu nem precisei ter feito nada! Agora eu tenho certeza absoluta que ele não é quem diz ser.

Bem, vamos brincar um pouquinho então?

Law P.O.V off

– É? Eu te peguei de surpresa, então? Não precisa ficar com vergonha dos seus sentimentos, Peter.

Law foi andando até o garoto, que foi se afastando conforme o médico ia se aproximando, até que ele foi obrigado a interromper seus passos quando bateu na parede.

Trafalgar conseguiu finalmente se aproximar de Peter, segurando seus braços com bastante força e o jogando na cama como se fosse um objeto qualquer. Em seguida, Law subiu em cima dele, imobilizando-o completamente.

O médico olhava para Peter com um sorriso malicioso e sobrancelhas arqueadas. Era como se Peter fosse sua presa e ele fosse o caçador. Por outro lado, o paciente estava em estado de choque, deitado na cama, sem poder se mexer.

– T-Torao... para por favor...

– Qual é o problema? Uma pessoa com poucas horas de vida não pode continuar negando seus sentimentos, Peter.

– Poucas... horas...?

– Talvez até alguns minutos... bom, vai saber, não é?

Trafalgar se abaixou e finalmente beijou Peter, que logo reagiu tentando escapar das prezas do médico, sem sucesso.

A língua de Trafalgar percorria por toda extensão da boca de seu paciente, deixando-o sem conseguir respirar. Era um beijo bem profundo e rápido, o tipo de beijo que fazia com que os dentes batessem um no outro.

– P-p... re...– Lewis tentava afastar Trafalgar, tentava pedir para ele parar, mas sem sucesso

Law interrompeu o beijo antes que ele mesmo morresse por falta de ar e ficou encarando o garoto, que tinha uma pequena lágrima escorrendo pelo seu olho direito.

– Chorando, é?

– É que eu não pensei que você fosse... aceitar os meus sentimentos, Torao. Eu achei que iria te perder pra sempre!

Peter, em um ato de extremo nervosismo, conseguiu sair de baixo de Trafalgar, girando e ficando por cima dele dessa vez. Agora era Law quem não entendia nada.

– O que houve, algum bicho te mordeu?

– Não me culpe por isso! E-Eu nunca fiquei com um homem antes, e eu não pensei que nós dois fossemos chegar a esse ponto...

Lewis abaixou seu rosto e beijou Law. Dessa vez foi um beijo mais calmo, carinhoso e de um jeito que ele podia explorar os lábios de seu parceiro. O tipo de beijo que deixou o médico ainda mais confuso e seus pensamentos não paravam quietos.

"Então ele acabou se rendendo? Ou isso é desespero mesmo? Que seja, parece divertido!"

Trafalgar voltou a ficar por cima do garoto, dando beijos em seu pescoço e fazendo ele ficar bem arrepiado. Peter começou a abraçá-lo, puxando seu moletom para ficar mais perto dele.

– Torao...! Eu te amo muito então, mesmo que eu morra em horas ou minutos, promete que vai ficar comigo? Por favor...

– Peter, eu prometo ficar com você até seu último suspiro. – Law voltou a beijá-lo, indo com mais calma, do mesmo jeito que Lewis havia feito antes.

– Obrigado... Torao...

– O prazer é todo meu. – Disse, mordendo os próprios lábios.

Trafalgar voltou a beijar seu pescoço, descendo para seu peito. Ele foi levantando a regata vermelha que o outro vestia, deixando seu peitoral à mostra, começando a beijar seus mamilos rosados e a dar pequenos chupões neles.

– Aahn... Torao..!

– Peter... já está excitado? Eu nem comecei ainda.

~ X ~

Os rapazes passaram a tarde inteira na cama. Luffy havia se acalmado e conseguido ficar com Trafalgar, mesmo tendo um repúdio muito grande por ele. Ele sabia que não deveria deixar sua angústia ficar acima de sua verdadeira missão, e não seria Trafalgar quem iria passar a perna nele, definitivamente.

Por outro lado, o médico não tinha certeza até que ponto era fingimento ou não. Na verdade, depois de ter se acalmado, Peter estava agindo como alguém realmente apaixonado agiria numa situação daquelas.

Ele beijava Law com carinho, sem parecer sentir nenhum tipo de sentimento como nojo ou asco, dava beijos em seu corpo, gemia verdadeiramente e ficava corado com facilidade.

Depois de terem acabado de transar, Law deixou o garoto na cama e foi para seu quarto. Tomou uma ducha e pôs-se a ler um livro.

Law P.O.V

Quando eu beijei aquele pirralho eu não pensei que as coisas terminariam desse jeito. Estava literalmente óbvio que era tudo encenação, mas... o rosto de orgasmo dele não parecia falso... e eu sei muito bem quando mentem pra mim.

Quais são as chances dele ter mentido no começo, mas acabar se entregando de verdade no final? Ele realmente gostava de mim? Que merda, eu preciso saber quem é logo esse pirralho ou eu vou acabar ficando louco!

Fui até o meu cofre secreto que eu costumo chamar carinhosamente de Lugar Vazio e peguei meu bloco de notas.

Vejamos... Segunda-feira eu terei a cirurgia da Marie Quinn, mas vou precisar deixar ela viva graças ao Kid. Que seja, isso não é importante. Já Terça-feira terá a consulta da... Kathleen Grundy.

Oh, Grundy, é? Uma velha rica, viúva e sem filhos que sofre de Alzheimer. Certamente, se ela desaparecer ninguém iria sentir falta dela, não é? Se me lembro bem eu pedi para que Kid modificasse o seu testamento para transferir 300.000 Euros na conta de Carter Willians. Será que ele fez isso? Melhor confirmar com ele.

Pois bem, eu vou ligar pro Kid, é melhor. E o meu celular está...

...

... cadê o meu celular?

Notas finais
Legal que todo capítulo tem sempre por volta de 1.800 palavras u.u