Mãos Calejadas
23 Para cada partida, uma nova vida
Notas iniciais
Anteriormente em Mãos Calejadas...
"-Reginaaa, me encontra no hospital logo, a bolsa da Júlia rompeu, e ela já esta na sala de parto, anda mulher, sua filha ta nascendo.
Após ouvir tudo Regina saiu catando suas coisas, e mandou chamar Emma, para ir com ela, explicou tudo a loira que mesma suja de cimento continuava linda, e sorria com aquele sorriso de criança que só ela tinha, afinal era sua sobrinha e ao mesmo tempo filha que estava nascendo, era uma nova vida pra completar a sua e por horas acalmar seu coração."
A emoção entre loira e morena era palpável, em menos de 30 minutos ambas chegaram ao hospital e foram recepcionadas por Ruby que andava desesperadamente de um lado para o outro..
–Ruby? O que aconteceu essa neném só nasceria daqui três semanas, está tudo bem?
Perguntava Regina demonstrando visível aflição, o medo de algo dar errado começava a atormentar a morena, dada as circunstâncias em que a saúde de Júlia se encontrava todo cuidado era pouco...
– Calma Régis, está tudo bem, parece que Marya Júlia resolveu antecipar a chegada, mas até o momento está tudo bem.
Após as explicações dadas por Ruby terem acalmado um pouco mais Emma e Regina ambas resolveram sentar-se na sala de espera e aguardar por notícias, o parto da pequena Marya foi um pouco complicado, mas após duas horas um choro de uma criança saudável pode ser ouvido na sala de parto, exames concluiram que a pequena não portava o vírus HIV, e que por algum milagre sua mãe não à havia contaminado, já que me casos como esses a criança sempre nasce de cesariana, Júlia por sua vez, perderá muito sangue e sua situação complicavasse cada vez mais, visto que era seu fim resolveu pedir aos médicos que a deixassem se despedir de sua filha, de sua amiga e em seguida de sua irmã, nada podia ser feito, a não ser deixar que seu desejo fosse realizado, cuidadosamente a pequena Marya Júlia foi posta no colo de sua mãe, era incrível como a pequena lembrava Emma e Regina sem nem ao menos ter nascido de uma delas, a neném tinha o cabelos negros como os de Regina e os olhos verdes como os de Emma, e isso fez Júlia sorrir com tal pensamento, não seria fácil ver sua filha nascer e em spequena partir, mas a vida cobrava nesse momento um preço das escolhas que no passado Júlia havia feito, e quando os médicos a deixaram a sós com sua pequena, Júlia em meio a prantos começou...
–Minha pequena estrela, queria tanto poder te ver crescer, segurar em suas mãos, te ensinar seus primeiro passos, suas primeiras palavras, te consolar em sua primeira decepção amorosa...
As palavras saim em meio as lágrimas, a dor que Júlia sentia era indescritível, ela não faria parte da vida de sua pequena, não por escolha mas por conseqüência de suas ações, dizem que existe amor verdadeiro, aquele que acontece a primeira vista, mas nada se compara ao amor que uma mãe sente ao ver pela primeira vez seu filho, e Júlia sentia amor e dor, amor pela criaturinha que ela havia gerado e dor por tão breve estar se despedindo, e sua pequena lhe observava como se entendesse tudo o que ela falava.
–Mas isso não vai ser possível infelizmente meu raio de sol, sua mãe deve colher o fruto daquilo que plantou, posso jurar que se eu tivesse uma outra chance faria tudo diferente. É impossível não dizer que amo você! Amo com toda força que me resta, e mesmo que eu esteja longe, vou seguir amando! A vida me deu o privilégio de conhecer sua mãe Regina, ela cuidará de ti meu anjo em minha partida, te dará colo, te consolará, será minhas mãos quando você cair e eu não estiver lá pra te levantar, ela e sua tia/mãe Emma. Emma será aquela que te deixará comer sorvete escondido, que afastará os rapazes ou moças, não sei, cresça meu anjo em tamanho e em inteligência não cometa os mesmo erros que eu, seja forte e saiba que eu sempre amarei você!
As lágrimas banhavam a face de Júlia enquanto a pequena a observava, após falar com sua pequena, Júlia chamou a enfermeira que levou a pequena para o berçário e a pedido da ruiva chamou a morena, Regina já imaginava o que acontecia mesmo não querendo acreditar, e ao entrar no quarto ela pôde ter certeza absoluta do quê se tratava, a morena até tentou falar..
–Júlia, eu não quero nem ouvir, vou mandar trazer de Boston os melhores médicos...
Dizia a morena tentando conter o choro, por si e por Emma, a vida da loira era repleta de perdas, mas o que a consolava era saber da existência da pequena Marya Júlia que até o momento não havia sido vista por nenhuma delas, e antes que Regina pudesse terminar fora interrompida por Júlia...
–Cala essa boca Regina, senta aqui e me escuta logo, não tenho muito tempo não.
Disse a ruiva desarmando a morena fazendo a marejar os olhos e se sentar...
–Eu não vou pedir desculpas de novo por todo mal que te causei, até porque você já me perdoou! Mas Regina, quero te pedir que cuide de minha irmã, apesar do pouco tempo que passei com vocês percebi que Emma te ama, e apesar de se mostrar forte ela não passa de uma criança assustada, ame-a Regina e mostre a ela como ser forte, ela já perdeu a mãe, agora a mim, e em breve o pai que a pouco conheceu, seja na vida dela a presença que ela precisa.
Dizia a ruiva fazendo Regina soluçar em meio ao choro, realmente aquela era uma nova Júlia pena que a mudança havia chegado um pouco tarde, mesmo assim, ela havia entendido que seu dever era fazer as pessoas felizes, não ludibriar, enganar, magoar ou desapontar como ela havia feito em toda sua vida...
– Eu juro que se pudesse faria tudo de outra forma, mas meus erros te trouxeram a felicidade e isso me conforta tanto, que você nem pode imaginar o quanto! Minha querida amiga, não leve tudo tão à sério e se perdoe, sua mãe iria querer te ver feliz e tenha certeza, ela teria sim orgulho das mulheres fortes que você e sua irmã se tornaram, eu tenho certeza disso, não se culpe, e saiba que um dia nos encontraremos de novo.
Disse Júlia abraçando a morena e também se entregando ao choro, despedidas nunca serão fáceis, despedir-se sabendo da morte eminente com certeza deixa as coisas um poucos piores. Em seguida foi a vez de Emma entrar, a loira nesse momento se sentia um lixo, parecia que a vida não se cansaria nunca de levar embora as pessoas que ela amava, e ela podia dizer que amava Júlia, mesmo apesar do início desastroso que ambas tiveram, e do pouco tempo de convivência, o amor que uma irmã sente pela outra falará mais alto, e mais uma vez Emma perderia um ser amado, um ente querido, a loira se encaminhou para o quarto a passos lentos, e com o coração mais uma vez em frangalhos, os olhos ardendo pelo choro, a alma corroída pela dor, nesse momento ela desejou poder conseguir arrancar do peito o próprio coração, seria mais fácil nada sentir, mas sem sentimentos, ela não seria Emma, sem dor ela não aprenderia a viver, e muito menos a ser forte, e com os olhos vermelhos ela adentrou o quarto, indo de encontro a sua irmã e a abrançando antes que a mesma pudesse dizer algo. Naquele abraço palavras silenciosas foram ditas, uma conversa foi iniciada e terminada, pedidos de desculpas foram feitos. Com apenas um olhar elas se viram pela primeira vez como irmãs, amigas e companheiras!
–Emma...
Começou Júlia já sendo sufocada pelo choro novamente enquanto a loira segurava suas mãos...
–Emma, queria ter tido tempo para te conhecer melhor, ter tido outra chance para fazer parte de sua vida, para ser sua irmã, brigar com você e até mesmo te defender, ser sua cúmplice nas traquinagens, ser apenas sua irmã e acima de tudo, ser sua amiga! Nesse momento, seja forte! Não se Culpe e não fraqueje, eu estarei bem, eu ficarei bem! E saiba que, mesmo te conhecendo a pouco tempo eu te amo minha irmã e vou sempre amar!
Após dizer essas palavras, e se deitar, Júlia partiu, deixando Emma quebrada de novo, mas com certeza a morena a ajudaria a se recuperar novamente e a loira tinha um novo motivo para ser forte, sua filha, a pequena que ela amaria com toda a alma, o raio de sol que iluminaria sua vida e a de Regina agora e sempre junto com o pequeno Rolland. A loira saiu do quarto e sentou-se na porta deixando que o choro lavasse sua alma ou a menos tentasse, e nesse momento ela foi abraçada por Regina e Ruby, que também se debulhava em lágrimas mesmo não tendo convivido tanto tempo com a ruiva, e sabendo um pouco o quanto ela havia sido mal caráter, ainda assim ela não desajaria a morte dela de forma alguma. Ali partia uma vida enquanto uma nova começava, após se recomporem foram até o berçário onde pela primeira vez puderam ver a pequena Marya Júlia, e constataram que na verdade ela se parecia com Mary a mãe de Emma, mesmo tristes pela perda, foi inevitável não deixar brotar um sorriso em ambos os lábios, quando puderam ver o pequeno e banguelo sorriso da criança a sua frente. Emma entendia em seu peito que a vida é assim, uns partem e outros nascem, é um ciclo a ser seguido, e que mesmo entre perdas ela sempre teria uma família, um lar um lugar ao qual voltar...
O óbito de Júlia fora constatado e corpo encaminhado para a mesma funerária que a mãe de Emma, a pedido de Gold que havia sido avisado do nascimento de sua neta e da morte de sua filha por Ruby o funeral seria realizado em três dias, e em sua residência. Já Emma e Regina agora com a pequena no colo haviam se esquecido completamente da vida e babavam na pequena como duas mães corujas, sabendo que a pequena receberia alta no dia seguinte ainda que a contra gosto resolveram deixa-lá descansar pois na manhã seguinte além dos preparativos para o funeral que ocorreria em alguns dias, a pequena conheceria seu lar, seu irmão e suas tias Zelena e Amélya, Emma e Regina foram comprar mais algumas coisas, para a pequena e Ruby já havia se retirado para a mansão de Regina afim de esperar Rolland e dar a ele a notícia, mas o garoto sabe-se lá como, já sabia de tudo o que havia acontecido, enquanto a morena de mechas vermelhas tomava um copo com água, o pequeno adentrava sua casa...
–Tia Ruby.
Disse Rolland correndo para os braços dela e lhe beijando a face, fazendo Ruby dar um leve sorriso, mas antes que ela pensasse em dizer algo, foi surpreendida pelas ações do pequeno que nesse momento se mostrou tão crescido...
–Vem cá, senta aqui.
Disse o pequeno puxando Ruby pelas mãos a fazendo se sentar no sofá e logo em seguida se sentando de frente a ela.
– Eu sei, que minha irmã nasceu, e que ela se parece com a mãe da minha mãe loira. Sei que e a tia Júlia não vai voltar mais, e sei que mesmo felizes vocês estão tristes, mas não devem ficar! Ela está bem!
Rolland dizia fazendo Ruby arregalar os olhos e abrir a boca e fechar sem emitir nenhum som, mesmo estando um pouco assustada, ela estava fascinada com a desenvoltura do pequeno, ainda que ela nem fizesse idéia de como ele sabia de tais coisas, ela deixou ele prosseguir...
–Agora, não dá pra explicar muita coisa, só que tudo vai ficar bem, e ah, você também vai encontrar um novo amor, agora vou tomar banho e me arrumar para o jantar, com certeza mamãe vai pedir pizza, da licença.
Disse o pequeno subindo em segunda sem dar chance alguma de Ruby pedir uma explicação ou quê quer que fosse, a morena apenas ficou perdida em meio aos seus pensamentos, com certeza aquele menino era especial, mas dizer que ela encontraria um novo amor era demais, Ruby não acreditava no amor, pelo menos não como acreditava antes, para ela tudo se resolvia com uma boa trepada como ela sempre dizia, o coração dela havia parado de bater e de amar desde que perderá aquele por quem seu sangue parava de correr e suas pernas ficavam bambas, mas, as coisas estavam para mudar e essa é uma outra história.
Do outro lado da cidade com um carro lotado de coisas para bebê, Regina e Emma retornavam para a mansão exaustas, abaladas mas ainda assim felizes. A morena ligou para Sidney explicando que não retornaria, nem ela, nem "Thor", na verdade Regina acabaria com essa idéia doida de Emma continuar trabalhando em uma obra, virando concreto, e afins! Mesmo não sendo o momento, ela aproveitaria para que Emma ficasse e seguisse sua vida, numa medida meio que impensada ela acabou avisando a Sidney que preparasse os papéis para demissão do funcionário, Emma trabalharia sim, mas não naquela situação, e se Regina não fosse mais enérgica com certeza a loira acabaria se acomodando ou até mesmo fugindo! Emma que ouvia tudo ao lado da morena sentada no banco do carona, imediatamente fechou a cara, ela gostava de seu trabalho, ele lhe distraia a mente, a deixava ocupada, e a loira de forma alguma se via como uma dona de casa, assim que a morena encerrou a ligação, Emma logo a bombardeou com sua perguntas.
–Como assim eu não vou voltar mais a trabalhar? Regina é só isso que sei fazer, não quero ser um peso na sua vida...
Dizia a loira visivelmente abalada, ela sabia que Regina a amava incondicionalmente, mas ainda assim, sempre tinha medo que um dia a morena se canssase, e como se a morena pudesse ler os pensamentos de sua amada antes mesmo que ela tentasse terminar, Regina intervil.
–Emma, você jamais será un peso em minha vida, mas está na hora de melhorarmos a sua vida, quero você volte a estudar, faça uma faculdade, não que eu me importe com seu grau de instrução, eu não ligo, o que me importa é você ao meu lado, mas a sociedade é cruel, e não podemos viver para sempre em nossa bolha, temos nossos filhos e sei que eles também não ligaram eles querem a sua presença, mas o que mais me incomoda é que esse Thor que você criou un dia possa te trazer algum problema, isso é errado Emma, e o que eu mais quero daqui pra frente é que nos possamos fazer tudo certo..
A morena disse encarando a loira profundamente, Emma não se ressentiu afinal ela sabia que o funcionário fantasma, já não tão mais fantasma assim poderia trazer problemas a Regina, e ela que já havia sentido tantas vezes na pele o desprezo e o preconceito das pessoas, preferiu aceitar, pois sabia que era o melhor para si. E sorrindo apenas disse que ficaria bem.
As duas finalmente chegaram à mansão, Rolland estava de banho tomados caiu de beijos e abraços no colo de ambas, enquanto Ruby se perdia em seus próprios pensamentos, se sentindo cada vez mais distante, e nais intrigada com as palavras do pequeno homem da casa, Emma resolveu subir e tomar um banho, afinal havia sido um dia bastante exaustivo, e seu corpo clamava por um longo e merecido banho, enquanto Regina pedia a pizza que Rolland jeitosamente a havia convencido de auê seria melhor! Vendo sua prima tão relapsa, a morena resolveu saber do que se tratava, deixou seu filho entretido com alguns jogos e caminhou em direção a cozinha, arrastando a mesma...
–Ruby? Aconteceu algo?
E a morena de mechas vermelhas finalmente saiu de seu transe, olhando assustada para Regina.
–Aconteceu sim Regina, seu filho.. Ele..
Ruby não sabia como se expressar, nem por onde comecar, era informação demais até mesmo pra ela, Regina vendo o desespero da prima logo começou.
–O que o Rolland fez? Ele foi mal educado? Te tratou com falta de respeito? Porque se foi terei uma seria conversa com ele...
E antes mesmo que ela pudesse terminar Ruby a interrompeu!
–Não mulher tá doida? Seu filho é a educação em pessoa, mas ele chegou aqui, e já sabia que a Julia tinha morrido, que a irmã nascera e ainda me disse algo sobre eu encontrar um novo amor, Regina, você têm que conversar com ele, eu não acredito muito nessas coisas, mas seu filho tem um dom especial!
Ruby disse sorrindo, enquanto a morena analizava seu pequeno com um sorriso no rosto, e o mesmo lhe mandava um beijo e um singela piscadela, era reconfortante saber que seu era extremamente educado e bem quisto por quem quer que o conhecesse, e realmente a morena precisava ter uma conversa com ele, ela jamais o proibiria de contar o quê quer que ele soubesse, mesmo ela não sendo religiosa ou algo do gênero, apenas procuraria entender mais esse dom especial, mas não era esse o momento! Após Emma tomar banho, Regina subiu e se lavou também tirando todo o peso que havia em suas costas, se permitiu chorar um pouco mais por sua amiga, ela sentiria falta de Júlia, os últimos momentos que passaram juntas foram cruciais para extinguir toda magoa que havia em seu coração, de banho tomado e rendida ao cansaço a ponto de vestir uma camiseta de rock e uma calça surrada de moletom a morena se juntou aos demais no exato momento que o rapaz da entrega deixava as caixas de pizza em sua cozinha e se retirava, Emma rolava ao chão com seu filho parecendo duas crianças, Ruby levava o rapaz até a porta, despedindo se do mesmo, que até aquele momento ela soube se chamar Jhon, e ter os olhos mais azuis que ela já vira! Com os quatro sentados, ou melhor, jogados no tapete da sala e se lambuzando em molho de ketchup e mostarda, Regina sorria discretamente, pensando que em poucos anos ali também estaria sua filha, rindo, se lambuzando, sendo feliz, a morena não pode evitar uma lágrima rolar por seu rosto a baixo não te tristeza, mas sim de emoção! Ela achava que seria a salvação da vida de Emma, mas, finalmente ela é quem havia sido salva...
Continua....
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