Mãos Calejadas
7 Brigas e Medos
Notas iniciais
Anteriormente em Mãos Calejadas....
"-Emma, essas flores são pra animar seu dia, e você ter um bom dia de
trabalho, espero que você goste...
Disse a morena estendendo o pequeno arranjo a Emma que a olhava
encantada, surpresa e feliz, era o primeiro presente que recebera em
toda vida, e vindo de Regina sua paixão, seu amor incontado, foi mais
significativo ainda, e a loira só pode responder um caloroso obrigada,
puxando Regina para um inesperado abraço, era incrível o jeito de
menina mulher que Emma tinha e isso cada vez mais deixava Regina
encantada..
–Obrigada, Regina eu amei...
Após o agradecimento partiram em direção ao trabalho onde com certeza
buchichos seriam ouvidos, mas nesse momento nada importava, a não ser
o sorriso de Emma, e o coração feliz de Regina..."
Emma admirava as flores com um sorriso tão lindo no rosto que era
impossível não se contagiar com sua alegria, e não sorrir junto com
seu sorriso, Regina a observava de esguela sorrindo internamente, e
com o coração batendo descompassado, a morena nunca havia se sentido
assim, aliás, havia ela uma vez se enganado e sofrido duramente com
esse erro, enquanto fazia a faculdade de engenharia, Regina havia
conhecido Julia, uma ruiva pela qual se apaixonou louca e cegamente,
namoraram por dois anos e Regina marcou o casamento, no dia esperado
enquanto Regina esperava sua noiva no altar, a mesma fugia para Europa
com todo dinheiro que conseguiu roubar da morena junto de seu amante
Neal... Por anos Regina se fechara para o mundo, tornou-se reclusa e
se isolou até mesmo de sua irmã, o medo a fez se tornar uma muralha,
uma mulher fria e carrancuda, que levava as mulheres para cama e logo
cedo saia, sem nem ao menos se despedir... Mas ainda que recentemente,
com Emma que a cada minuto lhe mostrava uma nova e diferente faceta, a
morena sentia uma segurança, e uma paz, que nem mesmo nas longas e
tórridas noites de sexo que tinha com Julia ela sentia.
Enquanto o carro de Regina se aproximava do canteiro de obras, Emma,
que ainda tinha um certo medo dentro de si apenas suava frio
observando pela janela aberta do carro, pensava ela que a morena a
despediria, ou faria algo que acabasse por revelar seu segredo, e
Regina percebendo o semblante um pouco aflito da loira, resolveu falar
antes que uma certa loira acabasse ficando mais nervosa ainda...
–Emma, porquê tanta aflição?
Perguntou a Morena para Emma que se virou soltando o ar que prendia
sem percebesse, e disse...
–Rêh, Eu sei que o quê estou fazendo não está certo, eu não sei fazer
outra coisa além disso e também, eu gosto do que faço, Eu poderia
manter meu trabalho??
Disse Emma olhando para o arranjo em suas mãos, enquanto Regina
estacionava o carro, a morena em tão pouco tempo havia desenvolvido um
habito de em todo momento querer tocar em Emma, adorava quando a mesma
lhe chamava por esses apelidos que lhe soavam aos ouvidos de forma tão
carinhosa. Regina estacionou o carro, desligou o mesmo, e se virou
para a loira a seu lado segurando em seu queixo lhe disse...
– Emma minha querida, quero que fique claro que só eu sei seu segredo,
e não me importo e nem ligo acho esse um gesto admirável, aliás, tudo
em você é admirável, quanto a não saber fazer outra coisa, não se
preocupe, vou te ajudar com isso, agora, vamos ao trabalho?
Disse Regina acariciando o rosto da loira, que lhe olhava com aqueles
olhos verdes tão profundos e lindos, saíram do carro sobre os olhares
atentos dos funcionários, pois "Thor" e Regina saíram rindo enquanto o
pedreiro levava consigo em direção a seu armário o arranjo que ganhara
de Regina, Regina seguiu em direção a seu escritório para chata e
maçante reunião do dia, enquanto Emma, agora já prestes a pegar
serviço, como o calado "Thor" foi rumo aos vestiários se trocar.
A loira colocou o arranjo e seu armário, ela queria preservar àquelas
flores ao máximo, e seu intuito era no seu horário de almoço ir até a
floricultura e perguntar quanto custaria pra que como ela dizia
"secassem" as flores e as colocassem em um quadro. A loira pegou seu
uniforme e seguiu para a parte que tinha portas no vestuário, se
trancou lá dentro e despiu-se, ficando apenas de cueca, apesar de ser
uma adulta Emma adorava cuecas com temas infantis e a mesma ficava
super linda vestindo-as, dessa vez era uma preta do Bart Simpson que a
deixava com ar de moleca... Pegou a faixa e pôs-se a esconder os
seios, sorte dela que seus seios eram medianos, e por ser alta ela
conseguia os esconder bem, vestiu por cima seu top, e uma camiseta
preta colocando o uniforme largo por cima, o que também a ajudava
bastante, vestiu as calças cinzas, calçou as botas de proteção,
colocou as luvas e capacete e se retirou para o canteiro de obras,
como já tinha tomado café com Regina a loira seguiu logo em direção á
seu serviço.
Mal ela começou sua função, e já ouviu burburinhos de alguns
funcionários mais assanhados, a loira claro manteve a face carrancuda
enquanto ouvia coisas do tipo...
–Essa dona patroa é muito gostosa, se fosse mulher minha, nem de casa saia...
–Eu ia deixar toda ardida...
Entre outras coisas piores ainda, Emma assentava seus tijolos calada,
fechando a cara mais ainda a cada novo comentário, dentro dela crescia
um ódio inexplicável, uma raiva e uma ira que nem mesmo ela conhecia,
mas a gota d'água, foi o comentário de um dos funcionários enquanto
colocava a mão audaciosamente sobre o ombro de Emma...
–Eita Thor, o caladão conseguiu comer a dama de ferro, e ai ela
raspadinha? Diz ai..
Dizia o atrevido de forma baixa, enquanto ele e mais alguns
gargalhavam, o que não esperavam era a reação de Emma, no caso agora
"Thor", que largou seus tijolos e deu lhe um soco fazendo o sujeito
revirar para trás, a turma do deixa disso, que chegava para apaziguar
a situação, levantava o sujeito que nesse momento sangrava pelo nariz,
para uma menina Emma batia bem forte, a vida a fez ser assim, o
sujeito até tentou partir pra cima de Emma, que se preparava para
partir-lhe a cara, tirando a parte de cima do uniforme e o capacete,
seus seios apertados nem dava para notar o volume, seus braços um
pouco sujos e os cabelos agora desgrenhados lhe deixavam com um ar
surpreendentemente sexy, Regina que viu toda a cena e até entendeu o
motivo da explosão da loira, achando surpreendente a forma como Emma a
defendeu, resolveu intervir, mal sabia a morena que Emma sempre a
defenderia, do jeito dela mas defenderia..
–Os dois, parem já com isso, e na minha sala agora!
Disse Regina se virando em seguida, ver Emma daquela maneira, a
deixava ainda mais desnorteada, e em sua mente ninfomaníaca desejos se
formavam, e justo por isso, seria difícil bronquear a loira, vendo-a
vestida daquela forma tão rude e atraente, o pedreiro foi na frente de
Emma com um tampão no nariz, para parar o sangramento, e Emma atrás
cabisbaixa, pensava ela que por sua causa ambos perderiam o emprego,
mesmo brava, Emma ainda pensava no próximo, sabia que seu colega de
trabalho mesmo agindo errado tinha uma família a qual sustentar, e um
filho a caminho, e a economia não se está boa pra se ver desempregado
nessa altura do campeonato... Regina já sabia o que havia ocorrido, e
pretendia despedir naquele momento o pedreiro falador, mas a atitude
de Emma a deixou com olhos marejados, pois ela jamais entenderia como
uma pessoa poderia ser tão doce a ponto de nunca querer o mal alheio e
em momento algum pensar em si...
–Regina, a culpa foi toda minha, Eu quem não soube levar na
brincadeira, e acabei partindo pra grosseria, acho que se alguém tem
que ser punido, esse alguém, sou Eu, uma advertência não é bom na
carteira de ninguém...
Disse a loira com aquele sorriso lindo que abalava as estruturas de
Regina, se Emma pedisse a lua a Regina, Regina lhe daria o universo só
para ver sua loira sempre sorrindo, o gesto de Emma surpreendeu até
seu colega de trabalho o mesmo a essa altura do campeonato, já se via
desempregado, mas graças a uma loirinha isso não aconteceria... Regina
resolveu dispensar o funcionário agredido, mas ainda queria Emma
dentro de sua sala, na verdade a morena ansiava Emma dentro de outro
lugar, mas esse momento ainda chegaria, não hoje mas chegaria...
–Francisco, passe na enfermaria pra olhar esse nariz e tire o dia de
folga, não quero saber de brigas no meu canteiro de obras, aqui não é
rinha de galos, e Thor, na minha sala...
Disse Regina voltando a caminhar e contendo o riso pela cara de
assombro de ambos, tanto de Emma quanto de Francisco, esse gesto de
Emma em assumir a culpa toda para si, naquele momento fez com que ela
mesmo sem saber ganhasse o respeito de 'Chico', mesmo a loira
provavelmente tendo lhe quebrado o nariz, e com certeza o assunto
Regina não seria mais tocado, Francisco retirou-se dando a "Thor" um
aceno de cabeça, e o mesmo seguia Regina de cabeça baixa... A
entrarem na sala, Emma se surpreendeu com a atitude da morena, que lhe
agarrou pelo pescoço lhe beijando as bochechas, mesmo suada, Emma
tinha um cheiro doce de canela que se tornava para Regina um vício
secreto a cada minuto..
–Não pense que achei bonito você se engalfinhando com aquele sujeito,
e também ele poderia ter lhe machucado, mas achei fofo sua reação ao
me defender, eu vi toda a cena, minha reunião tinha acabado e eu desci
um pouco pra te ver...
Disse Regina, com um sorriso amarelo e corando, dessa vez a morena que
se envergonhara, ao confessar que estava de certa forma espionando sua
loira... Elas nem tinham percebido mas ainda estavam abraçadas quando
Emma se soltou e disse a Regina...
–Que nada Rêh, sorte dele, que você chegou, ele não seria páreo para
os meus "muques"
Disse Emma suspendendo a camiseta e expondo um abdômen totalmente
chapado, e fazendo sinal de forte com o braço, Regina por alguns
momentos se esqueceu de ser discreta e literalmente "comeu" a loira
com o olhar, sendo tirada de seus pensamentos mais sórdidos por Emma
lhe chamando, a morena logo mudou o assunto...
–Mesmo assim, nada de brigas, hoje nós vamos sair mais cedo para eu te
levar até a sua casa pra que a senhorita pegue roupas, assim não vai
ter desculpas pra não dormir na casa, e depois vamos ver sua mãe...
Emma morava em uma residência humilde, se sentiu envergonhada, ela não
queria Regina visse sua casa, tinha medo que a morena risse dela ou
algo do tipo, a loira até tentou dissuadir Regina, mas a morena era
irredutível quando colocava algo na cabeça...
–Regina, eu posso ir agora no horário de almoço e aproveito pra pegar
minhas roupas, assim não te incomodo...
Disse a loira esfregando as mãos, em um típico gesto de nervosismo,
Regina já entendia todos os sinais da loira, e sabia que o fato da
mesma não querer que ela fosse até a sua casa era apenas por vergonha,
mas a morena não se incomodava com isso...
–Emma, não precisa ter vergonha de mim, de que eu veja sua casa eu não
me importo nem um pouco com isso, e agora, "Thor" eu tenho que voltar
ao trabalho...
Disse a morena gargalhando, enquanto apertava a bochecha de Emma que
sorria feito boba, Regina se tornava para ela uma pessoa tão especial
quanto sua mãe. Regina voltou ao seu trabalho, e "Thor" foi em direção
a seus tijolos, sorrindo mais que nunca, e agora com o respeito de
todos sem o falatório sobre quem era Regina....
Continua 7
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