I.

Olharam-se nos olhos, ele via diante de si tudo que sua mente havia formado como modelo de felicidade, nunca haveria conscientemente entendido que era só ela capaz de fazê-lo feliz, como era tudo sobre ela, como Wilson insistiu tanto durante os anos.

Ela tinha a mão esquerda em sua bochecha, isso lhe pôs no chão.

- Não, eu não estou bem. – ela tomou suas mãos com as suas e conversaram-se no azul, olho no olho. Puxou-o até o escritório do Jimmy boy, levava-o a seu futuro, reconstruía as pontes, costurava os buracos do passado. Eram eles de novo, no silêncio.

II.

As mãos dançavam pelas teclas do piano tocando a melodia que havia composto. A Serenata de Cuddy. Era Klezmer, era Rolling Stones, era clássico... Era ela. Dançando em sua frente olhando-o nos olhos e com um sorriso branquíssimo, chamando-o para dançar, era ele não aceitando.

Sentia tudo isso de novo, pegou o copo e sorveu o líquido, já não mais sentia a garganta queimar, aquecia por dentro, mas era um calor momentâneo, faltavam os olhos azuis acinzentados. Tocava a Serenata de Cuddy, como se a música pudesse preencher o vazio, a falta da mesma.

III.

Soprava as mãos na tentativa de esquentar-se. Há tempos sentia frio, era na alma. Cameron pensava ainda no marido que havia morrido, pensava no quão se afastou do amor, por tanto tempo. O quão foi inevitável conhecer Chase e aos poucos apaixonar-se.

Tinha medo de magoá-lo com o afastamento progressivo conforme a intimidade era maior, tinha medo de magoar-se ao amar demais.

Pensava e esfregava as mãos, ainda frias. Sentiu uma mão em seu ombro, olhou pra cima e o viu. Sorriu ao ver que era pra melhor que seguia enfrente.

Naquela noite ela não sentiu frio.

IV.

Ele a sentia com suas mãos, com a ponta dos dedos como se redesenhasse todos os detalhes dela. Era tudo rápido, necessitado. Dessa vez não era sonho. E esperava por esse momento cada segundo desde que foi internado por vontade própria. Queria ter aquilo que sua coerência, e tudo em si, viu como sua única chance real de felicidade. Lisa Cuddy. Suas mãos unidas enquanto ele a tinha, aquele era o único lugar em que ele desejava estar. Foda-se toda partícula miserável em si, por um momento ele era só Gregory House, sem nenhum tipo de adjetivo.

V.

Ela já tinha nove meses, mal Cuddy podia acreditar. Segurava-a com as mãos em suas pequenas costas, que medo dela cair. Mas aparentemente a pequena sentia uma vontade de liberdade maior que seu corpinho podia aguentar. Queria andar com as próprias pernas.

Pôs-se de pé atrapalhadamente, acostumando-se ao seu peso suportado pelas gordas perninhas.

Cuddy segurava agora as duas mãos, estava de pé apenas observando a filha e segurando-a. Quando ela deu alguns passinhos desengonçados Cuddy soltou a mão dela e a viu andar sozinha pela primeira vez.

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