Mãe Morta, Filha Viva - O Encontro
1 O Inusitado Encontro
Notas iniciais
O Inusitado Encontro
Contraí os músculos, agarrei-me ao travesseiro, enfiei nele a cabeça, mordi os lábios sufocando o grito mais profundo. Aquilo não podia estar acontecendo comigo!
A minha mãe estava morta.
Sentia-me fragilizada, inútil, injustiçada. Ela tinha só quarenta anos, ainda tinha muito o que viver. E eu, com apenas quinze anos, ainda tinha muito a compartilhar com ela... O seu sorriso era uma bênção e os seus olhos eram tão profundos que me emocionavam... Ela não merecia isso não...
Ela voltava do supermercado quando foi pega por dois homens que a assaltaram e a mataram. Eles foram presos. Contudo eu não me dei por satisfeita. Não seria o veredicto do juiz que a traria de volta.
Em minha cama, a horas mortas, chorava ardentemente, enquanto ouvia músicas tristes e deixava as lembranças da minha mãe invadirem a minha mente. Gritava, arrebentava o meu travesseiro, escrevia poesias depressivas na parede do meu quarto e quebrava as minhas próprias coisas.
Porém, enquanto tentava inutilmente apaziguar a minha dor, tive uma visão. Era a minha mãe. Eu estava perplexa.
—Mãe! Esse é o seu espírito? Como você...
—Não faça perguntas, minha filha... Não há tempo! – disse ela, com aquele olhar que só ela tinha – Apenas saiba que eu te amo, não se revolte. Isso pode te transformar numa pessoa ruim...
—Eu... – eu estava sem palavras e desabei a chorar – Obrigada, mãe... Eu só queria te ver pela última vez...
—Nós ainda nos veremos de novo, Courtney... Adeus...
—Adeus...
Ela então desapareceu no ar. Eu apenas sorri e disse:
—Eu também te amo, mãe...
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