Mãe Involuntária
1 Mães e Filhos
Não é algo raro. Não acontece só comigo. Posso eu mesma sair pela rua e encontrar várias mulheres, com histórias semelhantes. Ah, estúpida gravidez adolescente. Achamos que tudo ia dar certo, mas a vida adulta nos machucou com sua realidade bruta e dura. E o cara com o qual eu queria passar o restante de minha vida agora é o cara de quem mais quero me manter afastada.
Sinto pela minha inicial inocência ter tido um resultado tão ruim. O pequeno está dormindo agora. A noite já corre solta. E a pessoa que ele insiste chamar de pai chega, para que a gente repita a mesma programação de sempre. São gritos, berros, tapas, safanões, agressões, ás vezes misturados á um cheiro de álcool, outras drogas, e cada vez mais sinto que minha vida está declinando como se eu caísse de um precipício. A dor não é só física.
Como eu posso me livrar disso? Parece simples para muitos. Bastaria uma denuncia. Parece simples para eles. Mas como eu conseguiria manter o pequeno? Onde estão meus pais agora? Onde estão meus amigos e minha família? Quando tudo desabou, ninguém apareceu para dar um suporte. Eu não poderia abandonar aquela criança. Sou idiota, mas pode-se dizer que ainda tenho algumas ideias boas, algo do que meus pais tentaram me ensinar.
Em algum lugar, talvez bem perto de mim, talvez na minha vizinhança, exista uma mulher em condições semelhantes ás minhas. Enquanto ouço vagamente os xingamentos e brados de uma voz masculina, já tão habituada á isso, penso um pouco se outras não abandonariam os pais e as crianças, fugindo no mundo. Eu poderia fugir. Sumir por aí. Para um lugar onde esse homem não me atormentasse, inventando problemas e os descontando em mim. Mas eu não poderia fugir com minha consciência limpa tendo deixado o pequeno com esse homem.
Dor, não só física, que suporto diariamente pela minha criança. Eu ainda hei de me livrar disso e sair dessa situação. Mas enquanto a chance não surgir...
-Se algo acontecer com meu filho... Mato você, seu desgraçado.
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