Mário continuava parado na porta daquela carpintaria aos pedaços. Ainda não estava acreditando que havia mesmo um caminhão e que ele estava carregado com uma das madeiras mais raras do mercado.

“Porque justo a gente? Tanta carpintaria de elite e foi nesse barraco que eles resolveram pagar R$ 10.000,00 para fazer um armário de patrão. Algo está errado.”

De certa forma ele estava certo, Mário operava em uma carpintaria pequena, onde só trabalhavam ele e seu amigo Topgan. Enquanto Topgan recebia os dados dos clientes, Mário gerenciava, serrava e construía móveis em madeira Bétula, que tinha baixo custo e uma estrutura resistente.

A saleta da Geraldo S.A tinha 12 m² e era decorada com peças artesanais em madeira que informavam os cartões aceitos naquele estabelecimento e também a linhagem de sua tradicional família. Suas paredes eram rosadas com muitas partes já gastas e remendadas com cal. Continha um balcão retangular longo de madeira Bétula que tomava toda a lateral direita da sala, pingueiras aos montes e uma grande infestação de baratas e cupins. Além da saleta, a pequena empresa contava ainda com um quintal rodeado por três goiabeiras e uma máquina de serrar, onde Mário costumava fabricar seu famoso pó, de serra.