Mágica Nerfal
44 Capítulo 43
Notas iniciais
— Oi! — Falei entrando no quarto.
— Olá querido. — Minha mãe sorri ao me ver. Assim que eu entrei, Jhon e Lexa entraram em seguida me acompanhado. Meu pai que estava na sala, ele olhou meio desconfiado de um jeito nada confortável.
— Acha que devemos ir embora? — Jhon cochichou.
— Que nada, — eu sussurrei — vocês fazem parte desse momento, merecem ficar aqui e ver. — Eles sorriram. — Mãe, — aumentei a voz — esses são Jhonatan e Alexa.
— É um prazer conhecê-los. — Ela diz gentil e fraca.
— Erick, sua mãe está cansada — meu pai disse olhando o pessoal. — não é uma boa hora para trazer amigos.
— Tudo bem pai, não vamos ficar muito tempo. — Falei encarando-o sério.
— Não vejo problema, algum querido, estou bem. — Mamãe fala, ela mal podia gesticular de tão fraca.
— Mãe! — Suspirei e me aproximei do leito. — Tenho um presente pra você. — Ela olhou pro meu pai então olhou de volta pra mim.
— Um presente? — Ela sorriu.
— Espero mesmo que goste, — meu coração estava batendo tão forte de nervosismo, que eu podia senti-lo em minha garganta. — aqui. — Pequei em sua fraca mão e coloquei o belo anel na em sua palma.
— Oh! Erick, — os olhos dela encheram de lágrimas — que lindo filho.
— É mesmo muito bonito. — Comenta meu pai. Não sabem eles que esse anel é uma sanguessuga, cheia de sangue de tudo que é tipo e o principal, tudo feito com magia negra.
— Coloca. — Eu apressei ansiosamente animado.
Mamãe deslizou o aro prateado pelo dedo, incrível o quanto esse anel coube em seu dedo. Acho que por ser mágico ele se adapta a qualquer dedo, como o parasita que ele parece ser.
— Ai. — Minha mãe gemeu.
— O que foi querida? — Meu pai perguntou preocupado.
— Um beliscão. — Ela disse.
— Beliscão? — Meu pai perguntou, olhei rápido com os olhos arregalados para Jhon e Lexa, e voltei o olhar para minha mãe.
— É como uma mordida, — minha mãe riu — está tudo bem, eu que estou muito fraca. O anel é lindo meu filho obrigada.
— De nada mamãe. — Sorri. — Bem eu vou indo tenho um baile para ir mais tarde.
— Estou muito orgulhosa de você Erick, — mamãe disse — com quem você irá ao baile?
— Com a Lucy. — Corei.
— Lucy? — Meu pai pergunta de um jeito curioso e constrangedor, do jeitinho que os pais fazem.
— Trate ela bem, mostre o príncipe que você é. — Minha mãe disse me dando um beijo na testa. — Que estranho. — Ela disse.
— Que foi querida? Está bem? — Meu pai pergunta.
— Estou me sentindo um pouco bem. — Mamãe rir revigorante.
— Você vai ficar bem mãe, — dei um beijo em sua testa — sei que vai. — Me afastei da cama e andei até estavam meus amigos.
— Até mais Senhor e Senhora Mackdaynne. — Jhon disse, então saímos.
— Até queridos. — Ouvimos apenas minha mãe responder.
Caminhamos até o carro da Lexa.
— Seu pai não foi muito com nossa cara. — Jhon desabafa.
— Ele é legal, — tentei defender meu pai — ele só não gosta muito de roupas escuras e cabelos bagunçados.
— Qual o problema com meu cabelo bagunçado? Eu sou irado. — Ele se gaba.
— O que ele quer dizer Jhon, — Lexa diz risonha — é que, para uma família que vive na parte nobre, tranquila e pacata da cidade como o Erick. Você é tipo uma má influência.
— Má influência? — Jhon rir sarcástico — Não sabem eles, que é o filho deles que é um bruxo matador de aulas.
— Qualé? — Eu sorrir alto — Para alguém que se veste como bad boy você é certinho de mais. — Todos sorrimos.
— Gente, nos vemos hoje a noite no baile então? — Lexa fala descontraída.
— Yeah. — Concordei.
— Tenho que ir mesmo pra esse baile? — Jhon resmunga.
— SIM!!! — Lexa e eu gritamos risonhos num dueto.
— Ok, ok, eu vou. — Ele assente levantando as mãos, com uma feição nada cativante.
— Então até lá. — Eu disse. Nos afastamos e cada um foi para lugares diferentes. Provavelmente cada um pra sua casa.
*--No quarto de hospital--*
— Não gosto desses amigos do Erick. — Fala o homem de barba ao lado de uma bela e fraca mulher, deitada ao leito.
— Também não gosto muito deles, — ela admite tentando se sentar fazendo muito esforço — mas afastar nosso filho deles, precisa ser feito com cautela.
— Como faremos isso? O Erick não é o mesmo — o alto homem se levanta e anda até a janela do quarto, onde vira seu filho se despedir dos amigos — desde que começou a andar com eles.
— Forçar a abandonar eles não é uma opção, — diz a mulher sabiamente — se queremos que ele pare de andar com esses esquisitos, temos que fazê-lo enxergar como nós os enxergamos.
— Você tem razão. — O (pai de Erick) diz olhando novamente para sua mulher — Você está bem? — Ele a observa, enquanto ela estava ofegante e suando frio.
— Eu não sei, de repente me sinto sem ar.
— Quer que eu abra as janelas? — Ele corre até a janela, já destravando os ferrolhos.
— Amor, amor, — ela dizia tentando ganhar fôlego — socorr...
Ao ver sua mulher com as mãos na garganta, procurando angustiada ar para respirar, o Sr Mackdaynne corre pelos corredores para chama ajuda médica. Enquanto ele corria desesperado os corredores do hospital, Madeline Mackdaynne parece entrar em convulsão. Se jogando de costas na cama, ela se estica de um jeito duro, como se estivesse paralisada, o dedo que em que ela usava o anel dado por seu filho, já estava roxo. Suas veias começaram a ficar sobressaltadas por todo seu corpo, todas enormemente dilatadas e avermelhadas. Madeline arregalou os olhos, quando percebeu que todas veias avermelhadas e avantajadas, estavam brilhando num vermelho forte e intenso. O anel em seu dedo, começara a brilhar na mesma cor e intensidade. Até um simples e rápido momento, em que todas aquelas veias sobressaltas são absorvidas pela própria joia.
Algumas enfermeiras apareceram para fazer os procedimentos de urgência, mas ao voltar para o quarto, a Sra Mackdaynne estava sentada com os pés para fora da cama. Como se nada tivesse acontecido. (Pai do Erick) entra no quarto desesperado, contudo, sua angustia para no momento em que vê sua mulher sentada.
— Amor! Você está bem? — Ele se inclina para lhe olhas nos olhos, enquanto segura forte seus ombros. Ela o olhou e simplesmente sorriu.
— Estou ótima querido. — Ela fica de pé. — Melhor, impossível.
Enquanto Madeline sorria e caminhava normalmente, todos no lugar estavam espantados. Como ela poderia estar tão bem? Ela estava num estágio, que a impossibilitava até mesmo de falar. Sr Mackdaynne olhou para sua mulher assustado, por mais que quisesse, não conseguia demonstrar um sorriso se quer em seu rosto. Estava assustado e inacreditado.
*--Alexa Kefrer--*
Nem preciso dizer o quanto ansiosa estou por este baile. Um baile? Quero dizer, é incrível. E ir para este evento com o Jhon, me faz querer andar nas nuvens de felicidade. Ao chegar em casa, estaciono o carro, o posicionando ao lado de um dos carros em nossa grande garagem. Subo as escadas, chegando até o corredor que leva a cozinha. Corri até meu quarto, já ofegante por subir escadas. Fecho a porta me escorando, logo após escutar a trava. Suspirei alto e fui até meu closet.
Vestidos vermelhos, eu poderia usar qualquer um desses. Meu closet estava cheio de todos os tipos de roupas, dos mais diversos estilos. Apesar de ter roupas caríssimas e cheia de glamour, eu me direcionei as roupas antigas de minha mãe. Eram vestidos, que ela já usara em bailes. Uma coisa que sei sobre minha mãe, ela também estudou na Escola de John Nerfal. Eu bem que poderia estudar lá, com o Erick e Jhonatan, mas meu avô disse, que mamãe não teve boas experiências na escola. E ficou traumatizado por isso, dando origem a ideia idiota de eu ter aulas em casa.
Voltando a minha importante escolha sobre o vestido. Para homenagear minha querida e falecida mãe, vou usar um de seus vestidos. Passei os dedos rápidos por vários tipos de tecidos, até um em especial me chamar atenção. O vestido era um pouco de época, provocante e deslumbrante. O rubro e macio tecido, me encantara de um jeito estupefato. Eu o retiro do cabide e logo corro até a frente do espelho, pousando delicadamente as vestes, de um jeito superficial em meu corpo. Sim, será ele. Um sorriso irradiou em minha boca, até que notei um rasgão na parte inferior da peça.
— Droga, será que fui eu? — Murmurei, alisando a parte rasgada.
Lembrando que meu avô guarda uma maquina de costura, em seu estranho quarto fúnebre de bruxo velho, me apressei no corredor e destranquei a porta. A maquina sempre esteve no mesmo lugar, na primeira prateleira a esquerda do closet do vovô. Assim que vi a velha caixa, me estiquei um pouco e puxei-a em minha direção. Junto a caixa um papel amarelado e dobrado, caiu em cima do carpete. Curiosamente quase que por instinto, me abaixei para pegá-lo. Ao desdobrar o papel, percebi do que se tratava. Era uma das páginas arrancadas do mesmo livro, que eu, Erick e Jhon, fizemos o anel sanguessuga.
Por mais estranho ainda que parecesse, a página continha uma orbe parecida com a do anel sanguessuga. Não entendi exatamente que tipo de joia era aquela e para que servia, mas foi ao observar, o que estava escrito um pouco acima desta orbe, que meu coração pareceu parar de bater. Arregalei meus olhos, enquanto meus pelos gritavam arrepiados, minha respiração se fora e se eu pudesse me ver, juro que seria a imagem de uma Alexa completamente pálida e assustada.
*--Floresta Nerfal--*
O vento frio deslisava por entre os troncos e folhas das árvores. O silêncio que dominava a floresta, era o cenário perfeito para qualquer ruído, ficar sonoramente gritante. O céu nublado e nuvens escuras, deixavam a floresta mais sombria do que já parecera. Seguindo uma corrente de ar muito gélida, podia-se sentir uma presença muito forte. A corrente transparente, passara rapidamente entre troncos, por cima de folhas secas e por baixo de folhas vivas, até chegar numa alta e pouco ingrime colina. Onde subiu velozmente e pousou em sua superfície de forma grosseira, como se pertencesse aquele lugar.
Escuridão, umidade, dor, agonia, desespero, angustia, falta de ar e pior, solidão.
"Onde estou?"
Gritou desesperadamente em seus pensamentos. A terra lhe cobria inteiramente, os insetos pareciam saborear lentamente cada pedaço, daquele banquete epitelial. Ao tentar se mover, percebera que não tinha saída. Então começou a lutar, não entendera como podia chegar nesta situação, seus pulmões já eram para estar cheios de terra, mas pelo que parecia, morrer não lhe serviu como opção.
Chorou, enquanto orava por dentro, pedindo orientação. A raiva, acompanhada ao desespero e o medo, vieram a tona, liberando uma das condições mais preciosas da humanidade, seus instintos de sobrevivência.
Cavou um espaço na fofa terra úmida. Um pequeno espaço onde os dedos das mãos pareciam estar mais livres. Ao conseguir dificultosamente mover seus braços, começara a perceber que o pouco ar que lhe restava estava acabando. Foi aí que seus instintos mais primitivos, floresceram. Rapidamente foi ganhando espaço, até ter uma de suas mãos para fora da fria terra e recebendo um choque imediato. O frio de fora, da noite, do vento, era mil vezes mais cortante, do que o que sentira lá embaixo. Contudo, não se importou, ou morreria de frio, ou deixaria a terra lhe engolir, e não queria servir de comida para os vermes.
Finalmente, conseguiu tirar metade de seu corpo debaixo da terra. Sugando todo ar que podia de forma desesperada. Uma leve garoa começou a ser lançada nas árvores da floresta, sujando cada vez mais sua ferida pele, com aquela espeça e negra lama. O frio lhe chicoteava e a cada fina gota de água, da fraca chuva, parecia lhe perfurar. Olhando para os lados, sem noção de onde estava, começou a caminhar e chorar.
*--*--*--*--*--*
Já vestido com o terno negro e uma rosa vermelha fincada no lado direito, acima do meu peito, espero a Lexa chegar pra me dar carona. Certo, a rosa é meio cafona, mas é tradição do baile, hoje a noite tenho que entregar essa rosa para uma garota, se ela aceitar significa que temos alguma conexão. Se ela recusar posso esmagar a rosa em sua frente, demonstrando meu "mal" sentimento por esta pessoal. As tradições em Mágica Nerfal é que fazem dessa pequena cidade diferente e sim, gosto das tradições.
Antes de terminar de descer as escadas, a campainha toca. Ao abrir a porta, levo um mega susto e uma surpresa boa acelera meu entusiasmo.
— Mãe? — Eu gritei, me apressando a abraçá-la. Ela estava numa cadeira de rodas e meu pai estava logo atrás, lhe carregando. — Com-como você...?
— Estou curada. — Ela sorri enquanto é carregada para dentro de casa — Um milagre aconteceu.
— Os médicos fizeram horas de exames desde o momento em que você saiu do hospital. — Meu pai falou risonho — E sua mãe não tem absolutamente nada.
— E é seguro já ter alta? Como assim? — Me fiz de desentendido.
— Prepare-se querido. — Minha mãe disse feliz — Fiz uma promessa de que se eu me curasse, te levaria todo fim de semana a igreja que seu pai trabalha.
— Quê? — Eu sorri esquisito, apesar de tudo bem, o que é ir para igreja ao ver minha mãe com saúde de novo? — Claro. — Forcei um sorriso pela igreja e sorrir sincero por ela estar bem de novo. — Vou com toda certeza. — A abracei-a.
— Tudo bem, acho que devemos descansar. — Meu pai disse. — Bom baile filhão.
— Cuidado Erick, não vá beber. — Minha mãe falou.
— Tudo bem. — Menti, novamente a campainha toca. — Podem deixar, — eu disse — acho que são meus amigos.
— É a Dani? — Meu pai pergunta.
— Não. — Apenas falei e abrir a porta. E ali estava a Lexa. — Uau! — exclamei, ficando surpreso pela segunda vez esta noite. — Você está linda.
A elogio olhando-a de cima para baixo. Alexa estava com cabelo preso num coque alto, sua franja alva, tracejava por cima de sua testa e se curvara para trás da orelha direita. Ela usava brincos prateados, com pedras lapidadas e reluzentes. Também usara uma bela gargantilha de brilhantes, que combinava de fato com seus brincos. Os lábios dela estavam tão rubros quanto seu vestido, que parecia um vestido antigo demais para sua idade, mas não a deixava menos elegante. Seus ombros pálidos estavam para fora e aquele decote, faziam seus seios parecerem fartos. O vestido era longo, cobrindo as pernas e indo até o tornozelo, onde podia-se ver seus belos saltos negros.
— Obrigada! — Ela parece bem séria.
— O que ouve? — Questionei preocupado, obviamente falando baixo para que meus pais não ouvissem.
— Precisamos conversar.
— Oh, droga. — Arfei.
— Oque? ainda não te disse nada.
— Yeah! Mas deve ser algo ruim. Fala logo de uma vez. — Apressei.
— Vem comigo até a limousine. — Lexa me dá as costas, eu não tinha notado aquele comprido e luxuoso veículo, até o momento. Sério que iriamos pra escola de limousine? Cara isso é demais. Acompanhei a Alexa até uma das portas do automóvel, e o mesmo mordomo que nos atendera na casa de seu avô, abriu a porta e nós entramos.
— Estou apreensivo, você não é de fazer rodeios e cadê o Jhon?
— Jhon nos encontrará na escola, teve alguns problemas com o tio e o bar. — Ela disse olhando desconfiada pela janela, encarando a rua, através do vidro fumê.
— Por que estou com a sensação de que algo com minha mãe não vai ficar legal? — Perguntei retoricamente, Lexa estava séria e parecia que iria chorar a qualquer momento.
— Me perdoe. — Ela enfim diz. Meu coração desacelerou, no mesmo instante em que seus olhos, deixaram derramar aquelas límpidas e cristalinas lágrimas. Junto ao choro contido, de alguém que prendera as lágrimas com todas as forças, ela me entrega um papel amarelado, um pouco encardido. Segurei e me arrepio por um medo preocupado e desolante.
— O que é isto? — Perguntei tremulo.
— Leia. — Ela fungou, ainda deixando poucas lágrimas escorregarem nas maçãs do rosto e continuamente, encarando o lado de fora da limousine.
— Quero ouvir de você. — A entreguei novamente a folha, então Alexa me encarou. Minha respiração estava ofegante, mas eu precisava ouvir de sua boca. O que a afligia? Era de fato sobre minha mãe, ou seria na verdade, minha mente brincando de me preocupar?
— É sobre o anel sanguessuga, — ela disse segurando minhas duas mãos forte — me desculpa Erick eu não sabia.
— Sobre o que? — Não queria mas a primeira quente e triste lágrima deslisou por cima de meu nariz.
— O preço, o verdadeiro preço do anel sanguessuga.
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