Mágica Nerfal
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Atrasado! Eu sempre estou atrasado, mesmo que meu despertador toque milhões de vezes, vou desligá-lo e voltar a dormir.
Pulando da cama, depois de ver a hora que me assustou muito, corro direto para o banheiro me agarrando a primeira toalha que encontro pela frente, tomo meu maravilhoso banho com água morna, me enxugo quase escorregando no chão do banheiro.
— Urfa! — Não caí.
Pego algumas roupas no guarda-roupas, hoje escolho uma calça jeans um pouco surrada, uma camisa de manga curta cinza, ela não tem detalhe algum, nem estampa ou figuras, absolutamente nada, é só uma camisa cinza. Calço os simples sapatos marrons e prendo ao meu pulso esquerdo, o relógio com pulseira cor café que minha avó me deu de aniversário ano passado.
Desço as escadas correndo, antes, agarro minha velha mochila preta que estava pendurada a porta. Passo por um espelho na sala de estar, volto um pouco e vejo minha aparência, percebo meus escuros cabelos bagunçados, mas até que tá legal assim.
Todos os dias, chego na parada do ônibus escolar super atrasado, as vezes o ônibus já tem ido, outras vezes tenho que correr igual um maluco atrás dele, mas tudo bem. Isso na verdade não aconteceria se eu não desligasse o despertador sempre que ele tocasse “quer um bom conselho? nunca ignore seu despertador”.
Por sorte passam dois ônibus escolares por aqui, o que vai para minha escola a Escola de John Nerfal e o segundo vai para Faculdade Nerfal. Sim, Nerfal é um nome bem esquisito e incomum, moro numa pequena cidade chamada Mágica Nerfal.
A maioria das pessoas quando ouvem o nome se perguntam.
Mágica?
O que esta cidade teria de mágica?
Para ser bem sincero, nada. Acreditava-se que a família fundadora Nerfal, era constituída por bruxos. Dizem algumas lendas urbanas, que eles construíram a cidade inteira em apenas uma noite, era época em que guerras civis estavam em alta, tipo, em todo lugar se via pessoas se matando por pedaços de terra. As pessoas que chegavam nesta cidade, que aparentemente foi construída por magia, precisavam de abrigo, alimento, emprego e outras coisas. Assim, quando chegavam a esta cidade milagrosa elas recebiam um aconchegante e amado lar. O estranho mesmo, é que para pagar essa grande dívida, as pessoas que assumissem uma posição em nossa cidade, ficavam devendo a família Nerfal, nada mais nada menos que suas próprias almas.
Certo, eu não acredito mesmo nessa lenda e ela nem faz sentido, por favor. Lembrando que lendas fazem uma pequena cidade como essa em que vivo, ser interessante.
— Oi Rick! — Ah legal, minha melhor amiga Daniella Rindley, eu simplesmente conto tudo pra ela desde o jardim de infância e acho que ela faz o mesmo comigo. Pra falar a verdade ela é o máximo e sinceramente não sei nem o porquê de ela também está atrasada hoje, ela sempre chega cedo na escola.
— O que aconteceu Dani? Por que se atrasou? — Perguntei observando-a. Cara. A Dani é muito linda “eu com cara de encanto”, ela tem um comprido cabelo loiro, surpreendente iluminado, quando os raios de sol encostavam em suas belas madeixas douradas ela radiava beleza, todos a sua volta deveriam usar óculos escuro quando isso acontecia, ou poderiam ficar cegos. Seus olhos tão incríveis e azuis, dentes branquíssimos, até parecia que ela ia fazer um comercial de creme e escova dental. Seu corpo possui curvas esplendorosas, há e seios não tão gigantes, querendo ou não, todos os amigos reparam nisso e sua barriga devidamente malhada, graças aos treinos. Yeah! Ela é líder de torcida, na verdade, ela é capitã das líderes de torcida.
— Há! Estava com problemas em casa, código Buize o de sempre. — Ela responde com um sorriso que não me convenceu, mas tudo bem. Código Buize significava, pai bêbado enchendo o saco. Buize na verdade é o nome de uma cachaça local, ela continua — E você? por que está atrasado de novo? Hein? Erick Mackdayne? — Ela questiona com tom de mãe autoritária.
— Eu ignorei o despertador mais uma vez. — Ela sorriu balançando a cabeça, fazendo sinal de "você não tem jeito né?".
O ônibus da faculdade Nerfal aparece logo em seguida. Não. Não estamos na faculdade, por mais que eu quisesse, temos apenas 16 anos. Para nossa sorte “a minha principalmente” que sempre estamos atrasados, é que o ônibus da faculdade Nerfal passa na frente de nossa escola e ele sempre dá uma paradinha por lá. A maioria das pessoas aqui na cidade que fazem faculdade tem carro, possibilitando um ônibus praticamente vazio.
Passamos um tempo no ônibus, conversando, eu e a Dani tínhamos uma conexão incrível, estávamos pondo o papo em dia, apesar de termos nos falado ontem. O percurso durou uns trinta minutos, que nem percebemos passar, com tanto assunto e acabamos de chegar na escola.
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