Máfia Italiana
2 O que se está a passar aqui afinal...?
Notas iniciais
Um falcão sobrevoava Napoli e, pelos ares dá duas voltas a onde estava Giovanni e volta para trás deixando a pen que trazia nas patas, nas mandibulas de um husky que também se dirigia para onde estavam os dois rapazes.
Giovanni estava a pensar no que fazer, pois pareciam estar com sérios problemas e sem maneira de se safarem deles, então, ao longe, nas costas do Sargento, vê Zitto o seu falcão.
– Sabes… Até podes ter sido inteligente o suficiente para nos, desculpa D.J., para me desarmar, e para nos pores em desvantagem, mas, só para que saibas… — diz Giovanni tentando ganhar tempo até Zitto chegar. E continua – Conheço um pássaro mais inteligente que tu! – No momento que acaba de dizer isto Zitto pega no revólver que o Sargento estava a apontar para os rapazes e deixa-o cair nas mãos de D.J., que, depois de lhe tirar as balas, o manda contra a cabeça de um dos homens a segurar Elizabeth. Isto tudo para dar tempo a Giovanni de pegar nas suas seal knifes, guardá-las nas botas e subir ao telhado do prédio.
Quando o Sargento dá por si tem um homem a menos e o Giovanni em cima do telhado a dar-lhe um soco que o faz desequilibrar-se e cair do telhado. O que o Sargento não teve tempo de se aperceber foi que o único homem que ele tinha, era o que estava a segurar Elizabeth, esse ainda tentou puxar da arma mas Giovanni foi mais rápido e deu com o seu cotovelo direito no queixo dele fazendo-o largar Elizabeth, recuar e cair.
Giovanni desata Elizabeth e pega-a ao colo, a rapariga cora mas quando vai para lhe agradecer, ele grita para o amigo...
– D.J.! Encomenda! – ao dizer isto, afasta-a do seu corpo e deixa-a cair do cimo do telhado. D.J. corre para a apanhar, enquanto ela grita durante a queda e chega mesmo a tempo de a apanhar.
– Mas ele é louco? Eu podia ter morrido! – reclama Elizabeth.
– Obrigada pela parte que me toca, mas sim, ele é louco, mas num bom sentido… — responde D.J. com um sorriso brincalhão.
Giovanni salta para perto deles e, quando se dirigiam às armas, ouve-se um riso meio engasgado vindo do prédio…
– Não vais conseguir… — murmura o Sargento sentado, encostado á parede. Possivelmente com uns quantos ossos partidos.
Giovanni não reage e baixa-se para apanhar a sua anti-tank rifle e a sua lâmina de luva.
– Sabes o que vou fazer? Eu vou fazer com que ela me implore para a matar… Depois vou fazê-lo em praça pública para que possas ver… — continua o Sargento, tentando, possivelmente ser morto violentamente, porque, era o único final possível para aquele infeliz depois daquele comentário.
Assim que aquelas palavras são pronunciadas, o D.J. pega Elizabeth pelo pulso e puxa-a para uma velha rua estreita, não a deixando ver Giovanni, ou, o que ele sabia que o amigo ia fazer. Já Giovanni, pegou na sua anti-tank rifle e, calmamente, avança para o Sargento, baixa-se e olha-o nos olhos.
– Onde está? – pergunta Giovanni muito calmo mas também a transbordar ódio pelos poros da pele.
– Procura nas minhas calças. – responde o Sargento com um sorriso arrogante com sangue a escorrer da boca.
O Giovanni levantou-se, e calmamente, afastou-se. Depois de alguns passos virou-se e começou a disparar de baixo para cima, cortando-o ao meio com tiros.
O husky aparece e apanha a lâmina de luva do G. entregando-lha.
– Badare… — Giovanni esboça um leve sorriso – Grazie Badare. – baixa-se e acaricia o cão recebendo a lâmina. O falcão foi pousar no dorso do husky.
– Badare! Zitto! – exclama D.J. sorridente, quando os três chegam – Correu tudo bem? – pergunta acariciando os animais. Eles parecem responder-lhe e Zitto entrega a pen a D.J. — Bei ragazzi! G., este já está! – diz mandando a pen para Giovanni, que a apanha e põe no bolso. — Que controlado que tás hoje… É do público? – pergunta D.J. empurrando Elizabeth para o lado oposto da rua, ela tentou olhar para trás mas já não conseguia ver nada demais.
– Não me chateies… — resmunga Giovanni seguindo atrás deles com Badare e Zitto ao seu lado por causa do tamanho da rua.
Ao saírem do outro lado, uma mota, totalmente preta, passou á frente deles a grande velocidade e o condutor estava, todo ele, vestido de preto. A mota não parou mas eles sim… Antes que Elizabeth pudesse perguntar o porquê deles não terem feito nada, volta a ouvir-se o som da mota, D.J., desvia-a gentilmente para trás de si, então a mota chega e, desta vez para á frente deles e tira o capacete. Por detrás do vidro fumado estava um rapaz nos seus 20 anos de cabelo curto castanho, os seus olhos eram azuis, ele tinha uma cicatriz no seu olho direito que o cortava ao meio verticalmente e na ponta exterior da sobrancelha esquerda tinha um pequeno piercing prateado.
– Ciao Tony! – diz D.J. sorridente.
– Ciao Tony. Que fazes por aqui? – pergunta Giovanni olhando para o rapaz.
– Ciao D.J.! Ciao Papa! – diz Tony num sorriso brincalhão.
– Chama-me “Papa” outra vez e vais para casa a pé… Se conseguires… — ameaça Giovanni.
Apesar de ser, oficialmente, o “Papa” dos Cavallonne, Giovanni odiava ser tratado assim pelos amigos de infância, era estranho e só o permitia se fosse numa situação formal. Mas Tony, tendo a confiança de Giovanni e a sorte de um aviso, adorava trata-lo assim.
Voltando aos mafiosos…
– Pronto, pronto. Não é preciso ser violento… — continua Tony levantando as mãos em sinal de “paz” – De qualquer das maneiras… Porque é que não me apresentam a ragazza que trazem convosco? – diz Tony com o seu sorriso brincalhão.
– Vá lá. Surpreende-nos! – diz D.j. fazendo sinal a Elizabeth para não responder.
Tony riu-se, sabichão…
– Elizabeth (ainda tou a tratar do 2º nome), 16 anos (pelo que consegui deduzir), nível de ataque 0, nível de defesa 0, inteligência normal, criatividade 0, habilidades 0. Muito bonita! – conclui Tony.
– Wow… Essa doeu-me a mim… — comenta D.J..
– Bien. Não penses que te escapas porque já te conheço. O que fazes aqui? – volta a perguntar Giovanni.
– Pronto, pronto. O teu tio queria que fosses almoçar com ele, então ele pediu ao meu pai para te chamar, mas, como sabes, o meu pai nunca sabe onde vocês andam apesar do óbvio trilho de confusão, destruição e morte que deixam, então ele ligou-me “Anthony, vai buscar o Papa que o Sr. Lorenzo gostaria de almoçar com ele, tou muito ocupado!” então eu vim falar com vocês porque era só descer da janela… — explica Tony como se fosse uma criança.
– Porquê que o meu tio quer almoçar comigo? – pergunta Giovanni curioso.
– Eu não sei isso, já sabes, não posso ter acesso a essas informações… — responde Tony sério.
– Então… Tamos á espera… Porquê que Lorenzo quer almoçar com o G.? – pergunta D.J. igualmente sério.
Tony então desmancha-se a rir e responde.
– Ele quer saber que progressos já fizeste, em encontra-la… — responde Tony hesitando um pouco no final, era um tema difícil de falar, especialmente com o Giovanni...
G. não responde, simplesmente assente com a cabeça, um movimento quase imprcetivel. Sendo Tony quem é, perguntou logo se Elizabeth iria, olhando para D.J. num tom sorridente, na esperança que ele convencesse Giovanni a dizer que sim…
O Tony não conseguia estar num ambiente pesado, o que era estranho visto que ele era um espião treinado desde o berço, mas, contrário aos seus antecessores, este pequeno espião não se tinha tornado frio e distante, pelo contrário, o Tony, era o maior brincalhão da família.
Continuando…
O Giovanni pensou no assunto e calculou que fosse melhor levá-la visto que era provável que ela voltasse a ser atacada pelos Strengos, então seria melhor deixá-la na casa da família para prevenir.
– Como é que eu me meti nisto…? – comenta ele suspirando – Sí, sí… Andiamo! Ela vai contigo D.J.! – diz seguindo para um prédio aparentemente abandonado. Badare e Zitto seguiram-no.
– Fortunato… — resmunga Tony para D.J. pondo o capacete.
– Vamos! Vens almoçar a nossa casa! – diz D.J. sorrindo e puxando Elizabeth pela mão para o prédio que Giovanni tinha ido.
Ela estava um pouco atarantada, mas eles não pareciam querer fazer-lhe mal e apesar do mau feitio de Giovanni eles pareciam ser boas pessoas.
Passado um pouco ouve-se o motor de uma mota no interior do prédio, a verdade é que sim, o prédio estava abandonado mas lá dentro estavam duas motas muito bem tratadas, Giovanni estava em cima de uma verde escura e branca e ao lado estava outra azul clara e cinzenta, para a qual D.J. puxou Elizabeth. Ele deu-lhe um capacete azul e ficou com um cinzento, ligou a mota e seguiram para fora do prédio com G. á frente, nem parou e passou pelo Tony que, imediatamente o seguiu ao lado de D.J..
A viagem foi um bocado longa, foram de mota até ao porto de Napoli, onde estava um iate á sua espera para os levar. Giovanni, D.J. e Tony param lá as motas, Badare salta da “bagageira” da mota do G. e Zitto sai de lá a voar, e antes mesmo dos quatro tirarem os capacetes aparece o capitão do barco.
– Ciao ragazzi! – diz uma voz rouca. O homem era grande e gordo, apesar disso, os braços eram puro músculo, a barba era cinzenta e branca, tinha uma t-shirt às riscas azuis e brancas, calças de fato-de-treino pretas dobradas até abaixo do joelho, no braço direito a tatuagem de uma âncora com vários nomes escritos e com um boné branco e azul com uma âncora. Vinha sorridente a limpar as mãos a um pano sujo até ver Elizabeth sentada na mota de D.J. – Conheço a Bella desde que nasceu e essa não é ela! – resmunga o capitão.
Os rapazes começaram a tirar os capacetes e Elizabeth faz o mesmo.
– Eu sei Paulli… Ainda não é ela… Ainda não… — responde Giovanni meio distante. Paulli arrepende-se de ter comentado mas nem sequer pestaneja sobre o assunto.
O capitão liga os motores do iate e Giovanni dirige-se, com D.J., á parte inferior do barco enquanto Tony se vai sentar a uma sombra e Badare e Zitto descansam ao Sol. Elizabeth não se sentia bem, sozinha com o capitão que parecia não gostar dela então ela decide ir atrás de D.J. que aparentemente era mais simpático que os outros. Desceu as escadas e assim que o fez algo se dirigiu ao seu pescoço, o susto fê-la cair e sentar-se nas escadas. Ao olhar para cima para ver o que tinha sido aquilo, viu D.J. a estender-lhe a mão para a ajudar a levantar-se.
– Desculpa o susto… É falta de hábito ter convidados a bordo… Além disso não deverias de estar cá em baixo… — explica ele levantando-a e dirigindo-a para o convés – Paulli… Non dargli infomazioni! Tenerla occupata… — pede D.J. voltando para baixo.
– Si… — responde Paulli revirando os olhos – Ragazza! Como te chamas? –pergunta.
Elizabeth fica curiosa com o que Giovanni e D.J. estariam a fazer lá em baixo mas apercebeu-se que eles não a queriam lá por algum motivo por isso, deixou-se estar.
– Elizabeth… — respondeu ela receosa e antes que pudesse dizer mais alguma coisa, Paulli continua…
– Elizabeth, quê? Tens mais nomes, não? – pergunta tentando saber se ela pertencia a alguma Família estrangeira.
– Elizabeth… Smith. – responde e, enchendo-se de coragem, pergunta. – Para onde vamos?
– Ischia! – responde ele “Não é que ela vá saltar do barco fora…” pensa Paulli.
– O que é que eles tão a fazer lá em baixo? – pergunta Elizabeth tentado fazer conversa enquanto tentava perceber o que se estava a passar.
– Quem sabe… Nem eu sou autorizado a ir lá a baixo. Já agora, só como aviso, se os atrapalhares vais ter muitos problemas em Itália… — avisa Paulli.
Elizabeth fica sem perceber mas decide continuar com as perguntas…
– E… Quem é essa tal Bella? – pergunta a medo. Fica um silêncio estranho no barco até que finalmente o capitão continua…
– Não achas que estás a fazer muitas perguntas? A corrente está boa e daqui abocado estaremos em casa. Tony! Vai avisá-los. – pede Paulli com a ideia de desviar as perguntas da rapariga intrometida. Elizabeth percebeu que o capitão não lhe ia falar sobre a rapariga mistério por isso deixou de perguntar, para além disso já conseguia ver uma ilha no horizonte…
Tony fez o que Paulli lhe pediu. Porquê que ele não foi morto ao descer? Tony tem uma maneira muito característica de andar porque ele não sabe fazer barulho, então, para anunciar a sua chegada começa a bater com os pés o que informa qualquer um que ele está a chegar, para não falar de que ele pode ir lá abaixo. É por isto que ele não é morto. D.J. e Giovanni começaram a arrumar as coisas, como se nada tivessem feito.
Desde o momento em que Paulli avisou que estavam a achegar ao momento em que chegaram ao porto de Ischia o capitão ligou a alguém e avisou da sua chegada, depois foi um instante. No porto, estavam 3 raparigas e uma senhora vestidas de empregadas, assim que Giovanni desembarcou com a sua mota pela mão e Zitto no seu ombro, elas curvaram-se e cumprimentaram-no 100% sincronizadas.
– Benvenuto a casa, Papa. – dizem harmoniosamente.
Para surpresa de Elizabeth, ele sorriu e respondeu muito educadamente, coisa que nunca tinha feito com ela… D.J. segura-a pela mão e sorri, dando-lhe uma sensação de segurança e conforto, ai ele pegou-a ao colo pela cintura e sentou-a na sua mota para desembarcarem com Badare sempre ao lado do rapaz e também ele foi harmoniosamente cumprimentado…
– Benvenuto a casa, signor Donatello.
Tony pega na sua mota e sai do barco logo a seguir e outra vez…
– Benvenuto a casa signor Anthonny.
O capitão não desembarcou e assim que os jovens saíram ele levou o barco para outro lado. Eles montaram-se nas motas e antes de D.J. pôr o capacete Elizabeth repara que por ali não havia uma casa.
– Se nós só chegámos á ilha, porque é que já vos estão a cumprimentar? – pergunta ela.
– Povera ragazza… — comenta Tony passando por eles com um sorriso e de mota na mão.
D.J. dá uma risadinha e responde:
– Toda a ilha de Ischia pertence aos Cavallonne.
Elizabeth fica em estado de choque mas acaba por passar-lhe no caminho para o centro da ilha, onde se situava uma ENORME mansão, parecia um hotel de 10 estrelas, ou mais, um castelo moderno com uma mistura de tradições dos tempos antigos com a tecnologia da idade moderna… De onde eles vinham, Elizabeth podia ver 4 torres 1 andar mais altas que o resto da casa, o que lhes dá o total de 3 andares, a ligar essas 4 torres havia um muro, que ao se aproximar reparou que era um corredor, os portões iam do chão ao “teto” do 2º andar, uma verdadeira fortaleza. No interior daquelas muralhas estava um bonito jardim, extraordinariamente pequeno para o tamanho da muralha, parecia muito maior por fora, de qualquer das maneiras, o jardim tinha caminhos para os lados e estava muito bem arranjado. Colunas seguravam os telheiros á frente da correnteza de casas á volta do jardim, tudo á sua volta tinha tons de verde-esmeralda morto e preto tão escuro que dava para ver o seu reflexo e tanto no verde como no preto havia desenhos em ouro fino, Elizabeth estava completamente perdida…
Eles dirigem-se a uma porta á sua direita que se abre assim que eles se aproximam, lá dentro, uma oficina normal mas com tudo o que se possa imaginar para pôr nuns patins ou num carro de alta cilindrada. Os rapazes descem das motas e D.J. ajuda Elizabeth a descer também, assim que eles tiram os capacetes e os pousam, vários homens e jovens aparecem, cumprimentando os 3 rapazes, como se cumprimentassem os miúdos da família, era um bom quadro, então o barulho começou a desaparecer e as pessoas começaram a afastar-se para dar passagem a um homem mais velho e muito bem vestido.
– Benvenuto a casa. Facciamo colazione? Tutto è pronto. – diz o homem para Giovanni.
– Grazie zio. Lo farò. – responde Giovanni muito educadamente.
O homem assente com a cabeça e retira-se, notou-se o ambiente a ficar mais leve com a sua saída.
– Não te preocupes, nós ficamos bem. Não me leves a mal mas nestas alturas a comida custa-me a descer… — comenta D.J..
– Mas devias de vir, fazes parte da família. – responde G..
– Pois, mas sabes que ele nunca foi muito á bola comigo, além disso, ele disse que queria almoçar contigo! – volta a dizer D.J. – Se me mandares ir, como Papa, ou me pedires, como amigo, eu vou mas caso não o faças eu prefiro ficar de fora se não me levares a mal.
Giovanni assente com a cabeça e retira-se pelo mesmo caminho do homem.
– Coitado… — comenta Tony olhando para G. a afastar-se – Devias de ter ido com ele! – diz ele olhando para D.J. com um olhar repreendedor.
– Para quê? Para lhe arranjar problemas? Além disso tu ouviste-o. Ele queria falar com o Giovanni. Não comigo! – responde D.J. quase chateado.
Tony deixa de implicar com D.J. sobre o assunto e eles, com Elizabeth, vão para uma enorme sala de jantar por corredores de jade, preto e ouro. A sala era muito bem ornamentada, tinha mesas postas e muitas cadeiras á volta delas, D.J. e Tony conduziram Elizabeth a uma cadeira entre os dois e a comida, com um cheiro delicioso, começou como se a voar pelas portas a dentro, trazida por umas senhoras que pareciam muito contentes, e todas as pessoas que estavam na sala sentaram-se á mesa para começar a comer, tal como D.J., Tony e Elizabeth, as mesas estavam animadas, de um lado para o outro voavam conversas sobre a manhã e de vez em quando ouvia-se falar da rapariga que ela ainda não conhecia, mas era na voz do mais velhos e não era muito, era só um olhar estranho para Elizabeth…
Com Giovanni, as coisas não tinham nada a ver… A sala onde estava a almoçar era mais pequena e na mesa só cabiam 4 pessoas se a mesa não levasse muita comida e as refeições eram as chamadas refeições de ricos. Giovanni preferia as refeições com os amigos, onde falavam e estavam realmente em família, apesar de gostar muito do tio as refeições com ele eram quase sempre aborrecidas, o pai tinha-o habituado a comer com a família mas o tio nunca partilhára a opinião do irmão mas visto que quem mandava era Luca, pai de Giovanni, Lorenzo fazia o que o irmão lhe pedia. Apesar disso, Giovanni, como tinha sido ensinado a respeitar os mais velhos, decidiu tomar em conta o que o tio lhe pedia…
– O que descobriste sobre a Isabella? – pergunta Lorenzo.
– Não muito… Mas estamos mais perto. – responde Giovanni.
– E… Quem é a rapariga? – continua Lorenzo.
– O nome dela é Elizabeth. O Tony declarou que ela não era perigo, tendo níveis inferiores aos humanos normais e pelo seu sotaque eu tenho quase a certeza que ela é inglesa. – continua G..
– E o último nome? O de família… — pergunta.
– Ela disse que era Smith mas o Tony garante que ela estava a mentir devido á hesitação.
– Não será Jonhson? – insinua Lorenzo.
– Jonhson?! – exclama Giovanni surpreso com a insinuação do tio – Achas que ela é uma princesa?!
– É uma ideia… — continua Lorenzo.
– Isso assim já faz todo o sentido, mas vou ter de confirmar isso… — diz Giovanni já a pensar em qualquer coisa.
– E se a levares contigo? – sugere Lorenzo.
– O quê?! – pergunta G. surpreendido.
– Não te exaltes… Pensa Giovanni. Se ela for mesmo o que tu pensas que ela é, vai ser a tua chave para a Isabella. Os Strengos são subordinados Italianos dos Jonhsons, se a princesa dos Jonhsons aparecer e estiver do vosso lado será mais fácil. – explica Lorenzo – Mas para ela estar do vosso lado precisa de saber o que se passa e de gostar de vocês…
Giovanni suspira, acabado de comer pede licença para se levantar e dirige-se á sala onde estava a família a comer, a rir e a falar.
– Olhem que é ele! O sobrevivente! – comenta D.J. assim que vê Giovanni passar a porta da sala de jantar.
– Olá pessoal! Tudo bem? – pergunta para o ar e logo de seguida ouve-se um som muito desorganizado do qual se percebe “Bem G.!” “Bom ver-te!”, algo assim…
Giovanni sorriu e fez sinal a D.J. para falar com ele, amigo de já há muito tempo, percebeu o leve sinal de Giovanni e levantou-se, seguindo-o para o jardim.
– Então… Foi assim tão mau? – pergunta D.J. hesitante…
– Não… Não te preocupes, foi a seca do costume e não, não tou chateado por não teres ido… — responde G. com um leve sorriso.
– Então o que foi? – pergunta D.J. já sem problemas.
– Ele insinuou que ela pudesse ser uma Johnson… — responde Giovanni.
– O quê?! – pergunta D.J. surpreso tendo a mesma reação que G. anteriormente.
– Pois… Mas faz sentido… Ela tem todos os sintomas de princesa… — explica Giovanni.
– Ela está sozinha longe de casa G.! As princesas não fazem isso! – comenta D.J..
– Não sei, tá! Mas se ela for mesmo da família principal do Jonhsons ela torna-se a nossa chave para a Bells! – continua Giovanni com o tom ligeiramente desesperado. Foi ai que D.J. percebeu que o seu velho amigo estava a chegar ao ponto de pegar em qualquer ponta que o levasse a Bella por muito impossível que parecesse…
– Então, já que pões as coisas dessa maneira, eu vou falar com ela e explicar-lhe a situação. Sim? Assim torna-se mais fácil… — sugere D.J. com o seu sorriso habitual. Giovanni esboça um sorriso já mais calmo.
– Grazie fratello… — agradece Giovanni.
– Di niente mano… Vai ali pro telhado que eu vou chamá-la! – diz D.J. seguindo para dentro.
G. então seguiu para cima do telhado e assim que se sentou, D.J. e Elizabeth, saíram para o jardim.
– Aposto que tens muitas perguntas… — comenta D.J. não sabendo como começar.
– Tenho algumas… — responde Elizabeth receosa com a conversa.
– Isabella Cavallonne ou Bella, 16 anos, é a irmã mais nova do Giovanni. No início deste mês ela desapareceu da ilha e nós descobrimos que foram os Strengos, não sabemos bem como porque entrar na ilha não é fácil e sair daqui com alguém que não o queira e que conheça bem a zona, ainda pior… — explica D.J..
– Mas… Porque é que me estás a dizer isto? – pergunta ela ainda mais receosa com o assunto.
– Porque eles já te viram connosco e vieste para a nossa ilha, se aqui ficares podes estar em perigo por isso achámos boa ideia tu vires connosco, ficarás mais segura se vieres connosco do que ficar nesta ilha onde todos têm coisas para fazer… — explica D.J. quase rezando para que ela aceitasse…
– Mas eu não sei lutar. Nunca lutei ou peguei numa arma, nem em nada parecido. – explica Elizabeth tentando esquivar-se, mas D.J. tinha uma maneira de falar que fazia qualquer um absorver tudo o que ele dizia, Giovanni costumava dizer que D.J. conseguia vender carros a paraplégicos.
– Não te posso prometer que nunca irás lutar, porque o mais provável é teres de aprender se vieres connosco, mas vais estar mais segura. – contínua D.J.. Elizabeth hesitou, a primeira vez que se tinha aventurado de alguma maneira tinha sido ir para Itália e já se tinha arrependido de tal ação visto que só se tinha tido problemas desde que tinha chegado.
– Tenho de pensar! – disse indo a correr para dentro do casarão. D.J. não a impede e Giovanni salta do telhado para o chão.
– Não me digas que perdeste o jeito numa altura destas D.J.… — comenta G..
– Não te preocupes velho amigo… Ela vem… — responde D.J. convencido do que estava a dizer…
Nenhum dos dois voltou para dentro de casa indo apenas tratar das coisas para saírem novamente. D.J. aconselhou que contassem com Elizabeth e Giovanni, que tinha aprendido há muitos anos a prestar atenção aos conselhos dele, assim o fez.
Elizabeth não sabia o que fazer, qualquer uma das opções parecia demasiado perigosa, a única solução parecia ter era ligar aos pais para a irem buscar para a levar para casa… Não! Fazer isso e ter de voltar para aquela casa vazia e para aqueles velhos costumes que a consumiam? Nunca mais! Tinha jurado a si mesma que só voltaria para casa quando conseguisse decidir o que fazer da sua vida com as suas próprias forças. Fora para isso que tinha ido para Itália, para destruir aquela Elizabeth que ela detestava e construir uma nova, e nunca conseguiria isso fechada naquele palacete, era assim que ela tinha vivido a sua vida toda e era disso que ela queria fugir! O som familiar dos motores das motas de D.J. e Giovanni cortaram-lhe o pensamento e ela correu, como nunca tinha corrido antes, para fora daquela casa e quando eles estavam quase fora do pequeno jardim, Elizabeth grita do fundo dos seus pulmões…
– DEIXEM-ME IR CONNVOSCO! POR FAVOR!
Os dois rapazes conseguem ouvi-la e D.J. esboça um sorriso vitorioso antes de se virar para trás e estender um capacete para a rapariga.
– Se queres vir connosco tens de te despachar! Não temos todo o tempo do mundo! – reclama Giovanni pondo o capacete…
Elizabeth esboçou um enorme sorriso e correu para apanhar o capacete que D.J. lhe estendera, subiu para a mota dele e lá foram eles, os dois rapazes, Zitto o falcão, Badare o husky e Elizabeth…
Fale com o autor