Máfia Italiana
3 Continuar ou voltar para trás?
Notas iniciais
De volta a Napoli, e agora com mais uma companhia, eles cruzavam as ruas nas suas motas.
Uma “princesa”… Ou talvez não… De qualquer das maneiras eles tinham-na levado consigo e nem sequer tinham a certeza se ela poderia ajudar… Não interessa! Está feito, está feito! Não há volta a dar. Giovanni tinha o cérbero ocupado com tanta coisa que só “acordou” quando D.J. lhe berrou para ele parar, distraído nos seus próprios pensamentos parou a mota já um bocado mais á frente…
– G.! SAI DAI! – ao dizer isto D.J. aponta para uma janela no prédio atrás de Giovanni onde estavam 2 homens de fatos pretos, 2 Strengos, que mandaram uma granada para o espaço entre os dois rapazes.
Giovanni prepara-se para sair dali e D.J. dá a volta á mota e vai-se abrigar num prédio com Elizabeth e Badare. O G. … Não teve tanta sorte… Por estar muito próximo da granada ainda foi apanhado pelo impacto sendo projetado contra um prédio e levando com a mota, perdeu a consciência.
Quando o impacto passou, D.J. levantou-se rapidamente e fez sinal a Elizabeth que se deixasse ficar ali saindo a correr atrás de Badare. No meio da poeira, nem os bons olhos de D.J. conseguiam distinguir nada, ao contrário do bom olfato de Badare que o guiava, já não encontrava o característico cheiro a laranja, de Giovanni mas encontrara Zitto caído no chão coberto com pequenas pedras, D.J. sacode gentilmente os detritos de cima de Zitto e pega nele como se estivesse a pegar num bebé.
– Badare, o Giovanni? Onde está o G.? – pergunta preocupado, mas o fiel cão apenas baixou o focinho acompanhado pelo movimento das orelhas enquanto fez um som choroso. Como se costuma dizer: Para bom entendedor, meia palavra basta…
D.J. nem pensa duas vezes e decide ir procurar o amigo mas ao levantar-se, lembra-se que ainda tem Elizabeth consigo e que ela não sabia lutar, então teria de a tirar dali, deixá-la num lugar seguro e ir procurar Giovanni. Já decidido vai ter com Elizabeth e passa-lhe Zitto para os braços.
– O que se passou? Onde está o teu amigo? – pergunta a rapariga assustada.
– Foi uma emboscada. Não sei do G., mas vou procura-lo. Conseguiram apanhar a Bella mas nem pensar que eu vou deixá-los levar o G.. Nem pensar! – disse convicto e com um fogo no olhar que até Elizabeth se apercebeu – Mas primeiro vou ter de encontrar um sítio onde estejas segura. – explicou pegando-a pelo braço e levando-a para longe dali.
Pegou no telemóvel e enquanto tentava encontrar um sítio seguro para Elizabeth e Zitto esperava que alguém o atendesse…
– Ciao! – diz alguém do outro lado da linha.
– Tony! Já sabes da explosão, não é? Estou á procura de um sítio seguro para deixar a Liz e o Zitto, preciso que fiques com eles enquanto eu vou procurar o G.! – diz D.J. sempre em movimento.
– O G. foi levado?! Não te preocupes, eu tomo conta deles! – concorda Tony.
– Graci, Tony! – diz preparando-se para desligar.
– D.J.! Promete-me só uma coisa…
– Diz…
– Que dás um enxerto de porrada tão grande àqueles tipos que eles nunca mais se vão mexer. – pede Tony despachando-se a encontra-los.
– Deixa comigo! Quando eu acabar com eles, nem sequer se vão lembrar como se respira! – assegurou D.J. e ambos desligaram.
D.J. levou Elizabeth para longe dos estragos da explosão e nessa altura, Badare apanha um cheiro que lhe chamou á atenção, o jovem Cavallonne viu-se dividido entre dois deveres, seguir Badare ou proteger Elizabeth, felizmente, o Tony quase tropeçou neles enquanto os procurava, ambos trocaram um rápido olhar e D.J. seguiu atrás de Badare enquanto Tony levou Elizabeth e Zitto para uma das suas casas nas redondezas.
Tony levou-a para mais longe daquele lugar e, quando achou que estava longe o suficiente, entrou num prédio, subiu até ao último andar e entrou num dos apartamentos. O espaço era simples, decorado como o resto do prédio, em tons de castanho, branco e cinzento, á esquerda da entrada tinha a cozinha e mais á frente a casa de banho, mesmo á frente da porta de entrada a grande sala e do lado esquerdo da sala o que deveria ser o quarto, o que chamou á atenção de Elizabeth foram as janelas que se viam assim que se entrava em casa.
– Dá-me o Zitto. Vamos pô-lo ali a descansar… — pede Tony á rapariga que tinha Zitto nos braços, ao chegarem ao apartamento. Elizabeth entrega-lhe gentilmente Zitto para os braços.
– O que se passou? Onde foi o D.J.? O que se passou com o Giovanni? Porquê que alguém nos tentou matar? – perguntou Elizabeth quase a entrar em pânico.
– Princesa… — murmura Tony revirando os olhos e respira fundo – Acalma-te Liz… O D.J. foi buscar o G., vai ficar tudo bem… — diz tentando acalmá-la.
– Mas… — acalma-se – Pera ai! Liz? – pergunta estranhando e Tony esboça um sorriso.
– Pois… Foi o que o D.J. te chamou também. – olha nostalgicamente para a janela – Ele não arranja alcunhas para qualquer um, eu acho que ele simpatiza contigo – Elizabeth espanta-se e fica um pouco corada – Como? Ou, porquê? Ainda é algo que me ultrapassa… — ri Tony…
D.J. seguia atrás de Badare sem perder o seu fiel amigo de vista, não sabe como lá chegou, estava demasiado preocupado e concentrado para se aperceber, mas tinha chegado a uma porta de madeira á qual Badare rosnava. Uma porta antiga… A sério? Como se isso fosse parar qualquer Cavallonne … D.J. respirou fundo e esboçou um sorriso com o canto da boca, como se não estivesse a preparar nada de bom. Ele puxa o braço direito atrás com o punho fechado enquanto leva a perna esquerda mais á frente e num movimento continuo “dispara” o punho direito para a frente levando todo o peso do seu corpo com ele, a porta parte-se em vários bocados mostrando um pátio a céu aberto com o chão em areia cercado por edifícios em pedra, um antigo campo de treino aparentemente abandonado, mas nas sombras, o que passaria despercebido a muita gente, chamou a atenção de D.J., formas humanas a observá-lo.
– Truz-truz! – diz ironicamente ao passar o que restava da porta.
Quase automaticamente as formas escondidas saem das sombras e atacam D.J..
Elizabeth olhava pelas janelas na sala de Tony, estava perdida no horizonte a pensar em tudo o que tinha feito na sua vida quando um forte barulho a “acorda” e a faz olhar para baixo, onde vê um edifício baixo, antigo e em pedra com um pátio em areia, e no que deveria de ser a entrada vê…
– D.J.!? – diz surpreendida. Tony fica espantado e vai á janela verificar por si mesmo.
– Pois é… Olha a coincidência… Fica atenta Liz. O D.J. está chateado e nós vamos ver um espetáculo e tanto… Eu sei que não vai ser fácil mas não o percas de vista, não é todos os dias que podemos ver o Bone Breaker em ação. – diz Tony sem tirar os olhos do amigo.
D.J. contara 5 adversários diferentes, eram mais fortes que fatos normais, mas não eram esses 5 gatos-pingados armados em tigres que o iriam impedir de passar. Badare já não estava com D.J., o husky já corria atraído pelo fraco cheiro a laranja misturado com sangue e um pouco de pólvora, a sua missão era encontrar Giovanni.
Cabeças rachadas, ossos partidos, isso ia ser interessante e divertido, para não dizer que nunca mais se iam meter com os Cavallonne. Cortar o mal pela raiz, que excelente ideia… Não! Má ideia! É melhor quando eles ficam vivos para aprender a lição…! D.J. deixa o seu cotovelo cair cobre a clavícula de um dos homens que estavam a lutar com ele, obrigando-o a ajoelhar-se, nessa mesma altura outro homem ia empurrar-lhe as costas fortemente com os pés, mas D.J. desvia-se e o segundo homem acerta na cara do primeiro, que estava de joelhos, partindo-lhe o pescoço e deixando o corpo dele cair sem vida no chão. Num movimento continuo, depois de se desviar do segundo homem dando um passo para o lado, D.J. gira sobre o seu pé de apoio, ergue a sua perna direita o mais que pode e ao ver o segundo homem em desequilíbrio depois da tentativa de ataque, deixa o seu pé direito cair sobre a parte detrás do pescoço do homem partindo-o e reduzindo o seu número de inimigos a 3.
– Bolas… E eu que ia ser simpático e deixar-vos vivos… Che stupide…
O estranho olhar presente nos olhos azuis-marinhos de D.J. ao dizer esta frase fez os 3 homens, bem treinados, recuar um pouco e puxar da glock 16 que cada um deles tinha no bolso grande das calças e apontam-nas para D.J. que estava cercado por eles.
– E agora? O senhor vai ajudá-lo, não vai? – pergunta Elizabeth com o medo bem presente na sua voz.
– Primeiro, “senhor” é o meu pai. Trata-me por “tu”. Segundo, não te preocupes… Como diria o D.J., estes 3 gatos-pingados armados em tigres nem sabem no que se meteram… Por isso, relaxa e observa. – responde Tony sem tirar os olhos da luta e bastante confiante no que estava a dizer.
Cercado e com armas apontadas a ele, D.J. decide improvisar. Baixa-se rapidamente o que leva os três a disparar e os dois que estavam atrás acertam no que estava á frente, matando-o a ele também, entretanto D.J. deu uma cambalhota para trás e foi parar no meio dos 2 que sobraram e com um movimento continuo fez uma rasteira ao da sua direita ficando de costas para o da sua esquerda que não teve tempo de reação, por isso o D.J., ainda de costas, agarrou-lhe a cabeça com as duas mãos (por cima do seu ombro esquerdo) e partiu-lhe o pescoço, o outro ia para se levantar, mas o D.J. foi mais rápido que ele, deu um pontapé na arma e deu-lhe outro pontapé no queixo atirando-o na direção oposta á da arma e deixando-o inconsciente.
Badare já tinha encontrado Giovanni e este tinha visto a luta toda de uma janela, mas estava preso por correntes bem fortes e nada podia fazer.
Quando a luta acaba, D.J. sente-se observado e olha para a janela onde estava G., indo calmamente ao seu encontro. Para entrar partiu a janela e, uma vez lá dentro, procurou a chave para libertar Giovanni no corpo inconsciente que lá estava dentro, deixado naquele estado por Badare quando entrou de surpresa. Com a chave libertou G. e os três saíram por onde tinham entrado, apesar do Giovanni ter de ser ajudado por D.J. por não se conseguir mexer muito bem.
Ao ver que tudo acabou em bem, Elizabeth suspirou de alívio e sentou-se no sofá que estava perto da janela…
– Vês… Eu disse-te que eles se iam safar. – comentou Tony indo buscar um copo de água para dar a Elizabeth.
– Isto… Isto é sempre assim? – pergunta ela ainda a tentar digerir o que tinha acontecido.
– Presumo que sim. A nossa vida não é fácil Liz, mas nós escolhemos vivê-la assim. – Tony entrega o copo de água a Elizabeth e senta-se no sofá á frente dela. – Ainda vais a tempo… Queres ir com eles para o meio desta confusão, ou queres que eu te deixe na casa da família, onde serás bem tratada e estarás segura? Ninguém te levará a mal por não queres continuar com eles. – explica Tony. A rapariga hesitou por um breve momento, mas quando acabou de beber a água que lhe tinha sido dada respondeu…
– Obrigado pela oferta, mas eu também escolhi viver a minha vida assim e, apesar de o parecer, não sou do tipo de rapariga que desiste á primeira, por isso, vou seguir este caminho até ao fim! – responde surpreendentemente segura do que estava a dizer. Tony esboça um sorriso.
– Muito bem dito, Liz… — comenta ele.
Nessa altura D.J., Giovanni e Badare entram no apartamento.
– Ei Tony… Achas que poderíamos ficar por aqui até este se conseguir manter em pé sozinho? – pergunta D.J..
– O que é que estás a dizer, D.J.? Eu consigo manter-me em pé! – com isto dito, o G. tenta afastar o amigo, mas não tem forças para isso visto que estava ferido e que o D.J. é um mestre em combate corpo-a-corpo. Tendo tudo isto em conta, o Tony levantou-se e foi ajudá-los, deixando Giovanni apoiar-se nele.
– Claro que podem! Fiquem o tempo que quiserem. Já conhecem os cantos á casa, por isso, estejam á vontade. Eu tenho umas coisas para fazer, mas relaxem. – explica Tony levando G. e D.J. para o quarto, onde estava um ferido Zitto.
Os dois ajudaram Giovanni a deitar-se sem incomodar Zitto e o Tony dirigiu-se para a saída, despedindo-se de todos.
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