Lítio
1 único
Quando um bipolar descobre que Van Gogh — o único artista a agradar as pessoas de imediato com suas artes — foi bipolar, essa pessoa pensa que pode ser mal compreendida e dona de uma sensibilidade tão grande quanto a dele.
Surge na sua mente que ser bipolar não é tão ruim assim, você é apenas a pessoa que pensa diferente e, que por conta disso, irá fazer a diferença.
Mesmo sofrendo tanto, tratando mal as pessoas e se odiando tanto... de repente, a doença faz você pensar que é um herói pronto para combinar as cores com uma paleta de cor única.
São as cores que chamam a atenção de uma pessoa para as obras de Van Gogh e de repente sua vida não passa mais a ser cinza, quando você pensa que tem a capacidade de pintá-la de amarelo e azul. Pôr estrelas no céu juntamente ao um traçado torto... girassóis passam a ser sua flor favorita.
E a imagem de Van Gogh na cadeira com o seu rosto coberto pelas mãos se torna a coisa mais sincera na sua vida, porque você se vê naquela cadeira.
No entanto, chega um momento que você odeia Van Gogh, porque você sofre cada vez mais por ser diferente, e você se dar conta que não há sensibilidade nenhuma que compense isso. Van Gogh sofreu e talvez a última coisa que ele queria era ser um herói através de sua dor. Não enquanto sentia olhares que lhe reprovavam e se perguntava a Deus quando tudo isso passaria. Ele só queria vender sua arte ou não dizer a si mesmo que não era bom.
Te dói o peito por perguntar a Deus quando tudo passaria também, e o desejo de se tornar uma pessoa comum em vez de um herói cresce, porque você não quer ver mais as pessoas que ama sofrer e, claro, você não quer mais sofrer também.
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