Láudano
1 E uma vez mais
Notas iniciais
Quando entrei, por mais que tentasse a única coisa que havia para ver era o brilho prateado da lamina e nada mais.
O universo é uma gama infinita de estrelas e pensamentos mais com uma ideia finita, pois o fim é o o seu começo e assim sua destruição. O fio avermelhado na prata incandescente propunha uma profana mescla do óbvio e sedutor, prova de que a dama esta noite havia beijado os lábios de Deus e feito mais uma vítima na sua valsa mortuária, assim repito e fortaleço a ideia, óbvio era o fato pois do contrário não estaria eu a porta deste banheiro em um apartamento qualquer essa noite.
Não recordo quanto tempo passei aqui parado hipnotizado fitando a adaga cruel e insinuante podem ter sido alguns segundos ou até horas completas , o transe se foi e dei-me conta que estava neste endereço a porta desse pequeno cômodo gélido para exercer minha função uma vez mais. Permiti que meus pés avançassem e encontrei-me nesse piso escuro e cruel, em meio aquela penumbra procurei o interruptor e ao pressiona-lo pude ouvir o click e sem mais tardar toda a escuridão se dissipou tornando o brilho prateado só mais um item nessa trama forjada pela dama e encenada pelos mortais. A imagem que estava ao alcance dos meus olhos cobertos por um par de óculos escuros espectrais apresentando aquele padrão repetitivo e habitual, automaticamente já sabia meu corpo o que tinha de ser feito, essa visão é familiar e em um micro espaço de tempo pude sentir a sensação costumeira e nostálgica desse trabalho onde os espectros apos o beijo da dama eramos enviados aos confins do mundo para arrumar a bagunça deixada pela dançarina fúnebre e aqui estou eu olhando para esse pan-demônio que me é apresentado e a atriz da vez é uma jovem que lembra-me Elizabeth bathory ou se preferir a condessa sangrenta.
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