Lástia: Volume 1
6 Capítulo 6: A Morte da Infância
LÁSTIA – Capítulo 6
Daniel estava com David em seu cavalo. Os dois estavam acompanhados da cavalaria real. Daniel a princípio achou que seria divino sair do palácio. No entanto, ele estava enganado. A sua animação se transformou em decepção logo no primeiro momento em que ele pisou fora do castelo. O rosto das pessoas para ele, as crianças... tudo havia o deixado com dor de cabeça. E por que? Bem, digamos que o povo não gostava muito da Rainha Dayane. Por mais que Guiera estivesse crescendo em poder e em glória, o povo do reino vivia em constante pobreza. Uma pobreza tremenda que trazia indignação no povo.
— Matem a rainha!!! – Gritou um.
— Abaixem os impostos!! – Gritou outro.
— Camponesa inútil! Deixe os reis governarem!!! – Gritou mais um.
Naquele momento, Daniel apoiou seus braços fortemente em volta de David. Estava com medo. Estava se assustando com todas aquelas pessoas.
— David... – Sussurrou ele.
— Fique calmo, Daniel. É assim mesmo. Vai ter que entender o povo. Eles não sabem o que querem. Eles estão confusos. E confusão, gera revolta.
— Calem a boca!!! – Gritou um dos soldados, levantando uma espada para o céu. – Ou serão presos como traidores da coroa!!!
Naquele momento, todas as pessoas se assustaram. Não queriam ir a julgamento e enfrentá-la. A Rainha Dayane era temível por todos. Todos tinham mais medo dela do que da morte.
{...}
— Vamos parar ali. – David viu um lugar amplo na floresta.
Todos da cavalaria repousaram ali. Seus cavalos foram amarrados nas árvores e deram a eles comida e água. Em seguida, eles se reuniram. Principalmente David com seus homens. Ele era o conselheiro real da rainha. Diferente de sua irmã, Carla, que estava presa, David e Dayane eram grandes amigos. E essa parceria havia deixado as coisas melhores para Guiera. Diferente do que todos pensavam, David não queria ser rei. Havia abdicado do trono ainda quando o pai estava vivo. Seu dever estava no campo de batalha das guerras de Lástia e no exército, sendo o líder de treinamento de todos os soldados.
{...}
Eles continuavam a conversar. Até que por fim, Daniel viu uns garotos brincando perto dali. Ele havia reconhecido aqueles garotos. Eram os garotos que já havia visto eles brincarem antes. Naquele momento, ele não pensou em nada. Apenas em se juntar a eles. Queria também fazer parte daquela brincadeira inocente. Sua mãe não estava ali. O que significava que ela não podia mais intervir em seus desejos. Por isso, ele foi correndo em suas direções.
Daniel então chegou perto dos garotos. Eles naquele exato momento pararam. Então, um deles disse aos outros:
— Seus idiotas. Se ajoelhem! É o Rei.
Eles então se ajoelharam perante Daniel. Naquele momento, Daniel se sentiu meio confuso.
— É... não precisam fazer isso. – Pobre garoto. Não sabia nada do coração dos humanos. As coisas seriam bem difíceis para ele naquele momento. Acredite.
Os garotos se levantaram naquele instante. Aquele momento era extremamente constrangedor. Os garotos estavam de certa forma com medo de Daniel.
— Majestade. Nos permite ir embora?
— Mas... eu acabei de chegar...
Eles então começaram a correr. Ficaram apavorados de Daniel. Naquele momento, David foi ao seu encontro. Daniel se aparentou extremamente triste e decepcionado.
— E aí, garoto? O que foi? – Ele colocou a mão em seu ombro como forma de consolo.
— Eles... eles tiveram medo de mim, David. Eles tiveram medo porquê eu serei o Rei. Eu... eu não quero isso, David. Eu não quero ser rei. Eu quero ser um soldado. Assim como você.
Daniel então o abraçou fortemente. David o consolou naquele momento, com um aperto em seu peito. Ele sabia exatamente da pressão que Daniel estava sofrendo. Havia sofrido a mesma pressão quando era um jovem príncipe. O Rei Eduardo, seu pai, havia o forçado a fazer parte da geração de reis de Guiera. No entanto, David queria mais do que aquele trono. Ele queria viver seus sonhos, ele queria fazer a diferença. E sentiria que o trono iria matar a sua alma, e ele estava certo afinal de contas. Olhe o que aconteceu com Dayane. Os seus crimes, a sua falta de índole e caráter. Olhe onde a ambição do trono levou Romulo. A matar o próprio irmão e brincar com os sentimentos de uma inocente para conseguir o que queria. A mesma coisa com Ulisses. Ele estava se destruindo aos poucos em busca do trono de Brilandia e de conquistar mais e mais poder.
{...}
— Você só pode estar ficando maluca, Dayane! – David entrou na sala do trono com o humor elevado.
Dayane se assustou naquele momento e se levantou do trono e foi até ele. Eles se encararam fortemente.
— O que está querendo dizer com isso, David?
— Estou falando de Daniel, Dayane! Ele não pediu por isso. Ele não pediu por esse trono!
— Do que você está falando?
— Daniel hoje viu o reino pela primeira vez. Ele nunca tinha saído desse castelo. Nesses anos em que eu estivesse nas batalhas de Guiera por toda a Europa, eu não sabia disso. Eu não sabia que ele havia ficado preso como um animal nesse castelo. Ele... ele foi tentar brincar, Dayane! Foi tentar brincar com uns garotos no meio da floresta. E sabe o que aconteceu? Eles fugiram dele. Eles se ajoelharam perante ele e fugiram. Eles estavam com medo, Dayane! Estavam com medo de Daniel e de você. Todos estão.
— Primeiramente, David. Daniel nunca deveria ter saído para aquele lugar imundo, cheio de pessoas imundas...
— Pessoas imundas? – David riu sarcasticamente. – Você se esqueceu, Dayane? Você faz parte daquelas pessoas. Faz parte daquelas pessoas imundas!!! Aquelas pessoas que te colocaram no trono!!! Se esqueceu dos votos? Se esqueceu dos votos que teve que fazer por causa de Carla?
— Não me fale de Carla. E nem dos votos.
— Sim, Dayane eu devo falar. Eles acreditaram em você. E é assim que você fala deles? Os chama de imundos? Bem... Dayane. Com esses pensamentos e com esse amor que você tem com o seu filho, o mandando para a morte de espírito... Você que é imunda.
David se virou. No entanto, naquele momento, se surpreendeu quando ouviu:
— DAVID!
Ele se virou.
Dayane chegou perto dele com uma fúria no olhar. Em seguida, disse:
— Eu sou a sua rainha. Você respira, se eu quiser que você respire. Você comerá se eu quiser que você coma, você viverá... se eu quiser que você vive.
— O que quer dizer...
Naquele momento, Dayane desferiu em David um tapa em seu rosto. Naquele momento, David se assustou. Viu naquele momento a sua verdadeira face. A verdadeira face da cobra.
— Se ajoelhe perante a mim e me adore. Agora!!!
— Você só pode estar brincando.
— MOSTRE RESPEITO A SUA RAINHA! AGORA!
Naquele momento, David abaixou a cabeça e se ajoelhou lentamente.
— OLHE PARA CIMA!
Ele virou seu olhar para ela.
Dayane então pegou em seu pescoço e começou a apertá-lo fortemente.
— Nunca mais, se dirija a mim dessa maneira. Eu sou a rainha. Eu tenho o poder de fazer o que eu quiser. ME OUVIU?!!!
— Sim, majestade.
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