Lápide [Poemas]

17 [Lápide Paralela] Amarelo


Notas iniciais
Em homenagem a quem conhecido se entregou à escuridão e à quem amado é seduzido por ela. Em homenagem ao Setembro Amarelo

Mais uma folha caiu na floresta esta tarde.
Houve críticas, mas pouco lamento.
Perguntaram: Foi a chuva? Foi o vento?
Nenhum dos dois na verdade.

É a árvore que apodrece por dentro,
envenenada pelo próprio alimento.

Enquanto suas folhas nutrem-se da luz da desumanidade,
a madeira definha e os galhos contorcem em desalento.
Insetos se fartam do néctar suculento,
que sangra da veia da comunidade.

Sem presente alarde, chorarão quando for tarde.

Mas a todas as folhas verdes sem tonalidade,
que como eu, pendulam frágeis no firmamento,
peço que segurem firme ante o abeiramento.
Sei que o tempo é cinzento, mas chegará o momento
em que pintarão de amarelo os galhos da posteridade.

Digo com propriedade

Você é o suspiro da sociedade.
Não deixe que a dor lhe acovarde.
Estamos juntos, e a copa que nos aguarde!

As folhas do inverno sobreviverão,
e sopraremos as folhas que semeiam infertilidade.
Nós é que seremos a tempestade.