Lágrimas de Maroto - 1ª temporada
29 Capitulo 29 - Cartas e Surpresas
Notas iniciais
“Caro Almofadinhas,
Recebi seu recado. E acredito ter a solução para este problema.
Um velho amigo meu possui algumas propriedades em um pais latino (ele lecionou na escola de magia que existe neste país por algum tempo), mas não a está utilizando. Tomei a liberdade de pedir a casa emprestada, e como somos amigos de longa data, ele concordou de bom grado.
Tudo que você precisa fazer é se dirigir para lá, estou enviando a localização junto com a carta. Sei que você tinha me dito que não gostaria de se ausentar do país, principalmente por causa de seu afilhado, mas acredite quando digo, que esta é a solução mais prudente, ao menos por hora.
Manterei contato, e você, por favor, faça o mesmo, está bem?
Faço votos de uma viagem tranquila e sem sobressaltos.
Até breve,
P.D
Sirius sorriu ao ler a carta de Dumbledore, principalmente ao ver que o diretor voltara a usar as iniciais de seus nomes para assinar, como fazia nos tempos em que lutavam contra Voldemort. Apesar de terem sido tempos muito difíceis, o maroto conservava boas lembranças daquele período...
Além da carta, dentro do envelope sem remetente havia um outro pedaço de pergaminho, bem menor do que o primeiro, no qual constava o local para onde deveria se dirigir a partir daquele momento, escrito na mesma fina e inclinada caligrafia de Dumbledore: “Av: Getúlio Vargas, 111, Manaus, estado do Amazonas, Brasil”.
— Brasil....então era para esta terra desconhecida e longínqua que terei que fugir, e tudo graças a Rabicho...- pensou o maroto, uma ponta da raiva que sentia por seu ex- melhor amigo resvalando em sua voz. O que mais incomodava não era seu destino em si, mas o fato de ter que fugir e se esconder, feito um criminoso, quando na verdade era completamente inocente.
Doía-lhe pensar que teria que partir para tão longe, para um lugar onde estaria completamente sozinho, longe de todos que lhe eram importantes....e se Harry precisasse de sua ajuda? Ou Aluado? Como faria para auxilia-los, estando a quilômetros e quilômetros de distancia?
Resolveu deixar as dúvidas para depois. Ainda tinha três envelopes para abrir, e de qualquer forma, não adiantava nada ficar remoendo essas questões. Por hora, era melhor se concentrar nas cartas que tinha para ler, e deixar que sua mente vagasse quando estivesse voando novamente. Ai sim, teria tempo para os inúmeros questionamentos que fervilhavam em sua mente, mesmo que muito provavelmente não fosse encontrar muitas respostas...
O próximo envelope era uma carta de Harry. Ao abri-la, Almofadinhas se perguntou o porque de não tê-la aberta primeiro ao invés da carta de Dumbledore...estava ansioso por noticias do afilhado. Ao finalmente desdobrar o pergaminho, deparou-se com as seguintes palavras:
“Caro Almofadinhas,
Espero sinceramente que esteja bem! E também espero que Edwiges consiga encontra-lo...não coloquei remetente na carta, mas até hoje ela nunca falhou em uma entrega.
Antes de mais nada, tenho que lhe agradecer pela Firebolt! O Prof. Lupin me contou que foi você quem me deu (embora eu já desconfiasse disso, haha). Enfim, muito obrigado, de verdade!! Ela é incrível, realmente sensacional! Espero que um dia possamos jogar uma partida de quadribol, ouvi dizer que você era muito bom, assim como meu pai...
Por aqui está tudo bem, nada de muito novo aconteceu, apenas o fato de o Prof. Lupin ter pedido demissão. Fiquei realmente triste com isso, ele foi o melhor professor de Defesa Contra as Artes das Trevas que já tivemos e não merecia ficar desempregado (Hermione me contou como é difícil para lobisomens arranjarem emprego...como ele vai fazer?!) só espero que Dumbledore não resolva dar o cargo a Snape no ano que vem...essa matéria é uma das minhas favoritas, e eu detestaria que ele a lecionasse. Snape simplesmente me odeia desde o primeiro dia de aula, e o pior é que nem sei porque.
A única coisa que está me preocupando no momento é ter que voltar para a casa dos Dursleys...os verões lá são realmente horríveis, mas tudo bem, eu aguento. Só não sei como eles vão me receber depois de eu ter transformado Tia Guida em um balão...
AAH, quase me esqueci! Tenho uma boa novidade para contar! Ron convidou a mim e a Mione para ir a Copa Mundial de Quadribol com a família dele nas férias!!! Imagina que demais que deve ser?? Estou morrendo de curiosidade! Você já foi em alguma??
E você, como está? Espero que esteja tudo bem com Bicuço também, ele é um hipogrifo muito especial, foi nele que eu montei na primeira aula de Trato das Criaturas Mágicas deste ano...foi realmente uma aula excelente aquela, pena que Malfoy conseguiu estragar tudo e agora só estejamos estudando vermes inúteis...
Mande noticias quando puder!
Todos mandaram lembranças! (Até mesmo o Bichento)
Harry”
Ler a carta do afilhado aqueceu o coração de Sirius. Era muito bom saber que o garoto e seus amigos estavam bem, e que ele tinha gostado do presente.
Ainda assim, a leitura da carta trouxe alguns outros sentimentos ao coração do maroto, que ficou extremamente preocupado com o fato de Remus ter se demitido (O que será que o amigo faria agora?), e também com a possibilidade levantada por Harry de que Snape pudesse vir a ser o próximo professor de Defesa Contra as Artes das Trevas. Almofadinhas conhecia Ranhoso bem demais para saber o motivo da inimizade do agora “mestre de poções” para com seu afilhado, e não gostava nada deste tratamento injusto que seu antigo colega de escola dispensava ao filho de James...
Aliado a tudo isso, havia ainda a perspectiva de o garoto voltar a casa daqueles trouxas detestáveis para as férias de verão...se dependesse exclusivamente de sua vontade, Almofadinhas não deixaria que essa possibilidade se concretizasse. Infelizmente no entanto, não havia nada que pudesse fazer naquele momento. Não tinha casa, e estava de mudança para um pais distante....mesmo que detestasse essa ideia, teria que permitir que o afilhado voltasse a casa daquele trouxas detestáveis. Esperava do fundo do coração que aquela situação perdurasse por pouco tempo, que logo pudesse estar de volta a Inglaterra, e que Harry fosse morar com ele....
Alegrou-se imensamente de que Harry provavelmente iria assistir a Copa Mundial de Quadribol. Aquele evento seria incrível! Era muito bom ver que o garoto se interessava tanto pelo esporte bruxo quanto ele ou James, fazia-o se lembrar de quando era jovem e a vida era descomplicada, quando tinha que se preocupar unicamente com o time que sairia vencedor naquele ano. Ao menos Harry não passaria as férias inteiras na companhia dos Dusleys, e aquilo já era um consolo, ainda que mínimo.
Deixou a carta de Harry ao lado da de Dumbledore, e pegou o ultimo envelope, restando apenas o embrulho fino e cumprido por ultimo. A ultima carta era de Aluado, e trazia as seguintes palavras:
“Almofadinhas,
Como você está? Espero sinceramente que esteja bem!
Presumo que já saiba da minha demissão do cargo de professor em Hogwarts...não foi uma decisão fácil, acredite em mim, mas acredito que esteja fazendo o certo. Minha permanência apenas traria transtornos a Dumbledore, afinal, qual o pai que gostaria de ver seu filho tendo aulas com um lobisomem? Sei que provavelmente você não irá aprovar minha decisão, mas ela já está tomada, não tem volta.
Quando fui entregar minha carta de demissão a Dumbledore, o diretor me informou que você está de partida para o Brasil, esta informação procede? Se a resposta for sim, fico me perguntando se você não precisaria de companhia, estou realmente precisando de novos ares, além do mais, vou ter que me virar sem a ajuda de Snape para preparar a poção do mata cão, e você sempre foi um melhor preparador de poções do que eu. Então, posso acompanha-lo?
Espero que esteja bem!
Até breve,
Aluado”
A carta de seu melhor amigo renovou o animo de Sirius. Talvez essa mudança de ares não fosse ser tão solitária assim...talvez fosse bom para ambos que se afastassem um pouco de toda aquela confusão. Almofadinhas tinha plena consciência do quanto a decisão de deixar o emprego tinha abalado Lupin, mesmo que este tivesse tentado não transparecer em sua carta; e sabia muito bem que lá no fundo, o amigo se culpava pela fuga de Rabicho, mesmo que não tivesse tido culpa alguma pelo ocorrido.
Antes de responder as cartas, o maroto pegou o fino e cumprido que sobrara, imaginando do que poderia se tratar. Ao abri-lo, soltou uma exclamação de surpresa ao ver o conteúdo. Tratava-se de uma varinha, quase idêntica a que ele tinha antes de ser preso, diferenciando-se apenas por alguns detalhes. Estava acompanhada de um bilhete, escrito na já conhecida caligrafia do diretor de Hogwarts: “Achei que você fosse precisar de uma, espero que lhe sirva bem, mas acredito que não haverá problema”.
Por um momento, permaneceu ali parado, sem reação. Não podia crer em seus próprios olhos, não conseguia acreditar. Como Dumbledore fora capaz da proeza de lhe conseguir uma varinha? Era realmente algo inacreditável, que o deixou extremamente feliz, tal como uma criança que ganha um brinquedo novo na noite de natal.
Experimentou a varinha, fazendo as cartas voarem ao seu redor, e o feitiço de levitação funcionou com perfeição. Parecia que ele e a varinha tinham uma conexão desde sempre, tal como acontecera quando comprara sua primeira varinha na loja de Olivaras, a muitos anos atrás.
Muito mais feliz do que estava quando começou a abrir sua recém-chegada correspondência, Sirius abriu um largo sorriso e pegou um pedaço de pergaminho para começar a redigir as respostas. Talvez, apenas talvez, a sorte estivesse começando a soprar a seu favor.
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