Lágrimas de Maroto - 1ª temporada
26 Capitulo 26 - O Mestre
Notas iniciais
— Já lhe falei que quero falar com ele sozinho. Por favor, Cornélio, não insista. – falou Dumbledore, em um tom de voz brando, porém extremamente firme.
— Mas Dumbledore...Black é muito perigoso! Pode acabar escapando se não estiver sendo vigiado! Entendo que você não queira permitir que Dementadores entrem no castelo, mas dai a querer falar com ele sozinho, é muita imprudência! – ternou a argumentar o Ministro da Magia, tentando acompanhar o ritmo acelerado com o qual caminhava o Diretor de Hogwarts em direção à sala na qual o prisioneiro fora confinado.
Fudge simplesmente não conseguia entender qual o motivo de Dumbledore insistir tanto nesta entrevista com Black. No que dependesse dele, já tinha despachado o assassino de volta a sua cela em Azkaban, mas o diretor insistira para que esperasse até de manhã, para que tudo fosse esclarecido. Ele podia ser o Ministro da Magia, mesmo assim, não gostava de contrariar Alvo Dumbledore. Já vira o professor zangado, e não tinha a mínima intenção de ser o alvo de sua fúria.
Por fim chegaram a porta da sala de feitiços, que era guardada por dois aurores do mais alto escalão. Dumbledore parou a porta, esperando que o Ministro o acançasse, e então virou-se para responder a este:
— Sem querer parecer mais do que sou Cornélio, mas tenho plena convicção que posso lidar com Black sozinho. Aliás, nós dois sabemos disso. Por favor, instrua estes ilustres cavaleiros a não me interromperem enquanto eu estiver lá dentro.
— Está bem. – concedeu Fudge, de má vontade. – Vocês, por favor, não entrem na sala enquanto o professor estiver lá dentro, entenderam? E por favor, providenciem para que ninguém mais tente entrar. – acrescentou, lançando um olhar significativo para os dois funcionários.
Dumbledore virou-se então para a porta, os aurores se afastando para lhe dar passagem. Estava prestes a abrir a porta quando Severus o interpelou, ofegante e muito vermelho: — O senhor não vai conversar com Black por ter acreditado no que a garota Granger lhe contou, vai professor?? Essa história não tem o menor cabimento! Black não é inocente, e o senhor sabe disso tanto quanto eu! – despejou o mestre de poções, não parando nem mesmo para tomar ar.
Não podia crer que Dumbledore estava dando ouvidos a história daquela grifinoria metida a sabe-tudo! Black era um assassino, aliado de Voldemort, responsável pela morte dos Potter! O diretor não pode estar considerando aquela hipótese absurda de ele ser inocente, simplesmente não pode! A mente de Snape estava um turbilhão, polvilhada daqueles pensamentos de negação. Assim como Fudge, Severus se recusava a acreditar em uma ideia absurda como aquela de Dumbledore querer conversar com Black.
Depois que acordara na casa dos gritos, o professor havia escoltado a garota e o Weasley de volta ao castelo, deixando-os na ala hospitalar e voltara para buscar Potter, que imprudentemente havia se embrenhado na mata. Quando o encontrou, o garoto estava inconsciente, assim como Black, ambos cercados por dementadores.
Com alguma dificuldade, conseguira tira-los dali, transportando-os de volta ao castelo. Por ele, poderia ter deixado Black ali, para que os dementadores acabassem com ele de uma vez, mas sabia que Dumbledore ficaria furioso com uma atitude dessas. O diretor era adepto de um tratamento humanitário a todos, mesmo para pessoas como Black, e com certeza não ficaria feliz com seu comportamento.
No tempo que levara para encontra-los as margens do Lago Negro, a Srta. Granger havia falado com Dumbledore, contando-lhe uma história sem pé nem cabeça de que Sirius Black era inocente, e de que a culpa pela delação do paradeiro dos Potter a Voldemort fora de Pedro Pettigrew, o que não poderia ser verdade, de forma alguma. Snape sabia que há muito tempo Pettigrew estava morto, assassinado por Black.
Assim que retornara ao castelo, fora informado do ocorrido pelo próprio Diretor, que insistira em falar com o prisioneiro. Ainda assim, o sonserino não achara que aquilo ia realmente acontecer, até que quando ao procurar o professor para perguntar-lhe o que seria feito de Black, foi informado de que este estava a caminho da sala de feitiços que fazia as vezes de cela, e correra para falar com ele, custando a acreditar que o homem fosse realmente continuar com essa ideia.
— Acalme-se Severus, você está muito agitado, muito abalado com tudo que aconteceu, este estado de nervos não lhe fará bem. Por favor, tente se acalmar. – respondeu Dumbledore, com paciência. – Minha decisão está tomada. Preciso conversar com Sirius Black, e nem tente me dissuadir, isso apenas o fará perder seu tempo. E o meu também, devo acrescentar. – continuou o diretor, em uma voz gentil, porém que não dava margens a mais discussão.
Ainda assim, Snape abriu a boca para argumentar novamente, dizer que aquela ideia era absurda, que não fazia sentido algum, mas não conseguiu nem mesmo começar a frase, sendo interrompido por Dumbledore, que desta vez se utilizou de um tom ligeiramente mais incisivo: — Agora, se me derem licença, tem uma pessoa com quem preciso falar com urgência.
Dizendo isto, o professor abriu a porta da sala, passando por ela e fechando-a atrás de si, não dando chance para que nenhum dos dois homens o contestasse novamente.
Virou-se então para encarar seu antigo aluno, um dos maiores criadores de confusões a quem tivera o prazer de lidar em todos estes longos anos nos quais ocupava o cargo de diretor de Hogwarts, dono de uma mente brilhante, um aluno prodígio de Transfiguração junto com seu melhor amigo na época, James Potter. Agora, no entanto, Sirius Black parecia não conservar mais nenhum traço de seu antigo brilhantismo.
Ainda desacordado, o herdeiro mais velho dos Blacks ostentava uma aparência cadavérica e extremamente apática. Estava tão pálido quanto uma folha de papel, e ostentava varias escoriações pelo corpo, marcas de mordidas que pareciam bem profundas a primeira vista. O que mais chamou a atenção do velho mestre em relação a seu antigo aluno, entretanto, era a expressão aturdida, quase desesperada que estampava em seu rosto. Ao observa-lo, imaginou que tipo de sonho ele estaria tendo, ou se aquela expressão se devia aos horrores que passara enquanto ainda estava consciente.
O velho diretor se aproximou do prisioneiro, estudando seu estado com preocupação. – O que foi que fizeram com você Sirius?! – perguntou baixinho, mesmo sabendo que não receberia uma resposta enquanto não fizesse com que seu interlocutor acordasse.
Antes de desperta-lo, no entanto, resolveu tratar de seus ferimentos, ao menos para amenizar a dor que sentiria quando acordasse. Foram necessários quase trinta minutos para que conseguisse tratar minimamente os ferimentos que seu antigo aluno apresentava. Quando terminou, alguns dos hematomas haviam desaparecido, e a maioria das marcas de mordida cicatrizava em um rítimo acelerado.
— Esse é o melhor que posso fazer no momento...sinto muito por não ter pensado em trazer algumas das poções curativas de Madame Pomfrey, elas poderiam ajuda-lo a se recuperar com mais facilidade. – continuou a falar Dumbledore, sem parecer se importar que Sirius não lhe respondesse. – Agora sim, está na hora de desperta-lo. – terminou o diretor, apontando sua longa e fina varinha para o coração do maroto e murmurando um feitiço de reanimação.
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Um azul muito intenso e cristalino foi à primeira coisa que Sirius viu quando abriu os olhos. Depois de um ou dois segundos, tempo no qual sua mente demorou para se habituar a claridade do aposento no qual se encontrava, notou que o azul se devia aos olhos de Alvo Dumbledore, que o fitavam com uma expressão preocupada.
O velho diretor de Hogwarts parecia não ter mudado praticamente nada desde a última vez que o maroto a vira, em uma reunião da Ordem da Fênix poucas horas antes da morte de James. Conservava os mesmos oclinhos de meia lua e o mesmo nariz muito torto, que dava a impressão de ter sido quebrado ao menos duas vezes. A longa barba prateada continuava igualzinha a que Almofadinhas se lembrava. Era impressionante, a impressão era de que o tempo não passara para ele, nem ao menos um segundo.
— Dum...Dumbledore? Prof. Dumbledore? – falou Sirius baixinho. Falar aquela única palavra já lhe custara um esforço tremendo, parecia que a cada letra sua garganta arranhava, como se estivesse cheia de areia.
— Como se sente? – perguntou o professor, visivelmente preocupado com o estado de seu antigo discípulo.
— Péssimo. Estou me sentindo muito fraco, minha cabeça está pesada e meu corpo todo doi. Parece que engoli um caminhão inteiro de areia quando falo. – respondeu o maroto, que gostaria de falar mais, mas simplesmente não conseguia.
Dumbledore não respondeu de imediato. Ao invés disso, conjurou uma taça de cristal (que mesmo no estado deplorável no qual se encontrava, Sirius conseguiu reconhecer como uma das taças com as quais costumava tomar suco de abóbora toda manhã, quando estudava em Hogwarts), tocando a ponta da taça com sua varinha, o diretor entregou-a a Sirius.
Quando pegou o objeto, com as duas mãos porque estava tremendo da cabeça aos pés, notou que nele havia um liquido viscoso e prateado, parecia ser algum tipo de poção. Como Dumbledore conseguira fazer aparecer uma poção do nada, ele preferiu não perguntar naquele momento. Estava acostumado com a capacidade que o velho diretor tinha de fazer as coisas aparecerem e desaparecerem a seu bel prazer.
— Beba, vai lhe fazer bem, eu garanto. – falou Dumbledore. Acabara de lhe ocorrer que tinha uma boa dose daquela poção de revitalização em seu estoque particular, e tudo que fizera fora convoca-lo. era mais fácil convocar objetos que já lhe pertenciam do que coisas que eram de outras pessoas, estas ultimas pareciam não gostar muito quando eram chamadas por alguém que não era seu legitimo dono, e acabavam não funcionando da forma que deveriam.
O liquido prateado desceu pela garganta do maroto como uma boa bebida gelada, parecendo aliviar a queimação que sentia, como se resfriasse seu corpo por dentro.
— E então? Sente-se melhor? – indagou-o Dumbledore, que ainda conservava uma expressão preocupada.
— Melhor. – respondeu Sirius, que sentiu suas dores aliviarem e sua garganta desafogar. Agora que o desconforto físico se anuviara, outra preocupação sobreviera a mente do maroto, que a exprimiu, olhand aflito para o diretor enquanto falava: — E Harry?? Onde está meu afilhado? O que aconteceu com ele? A ultima coisa de que me lembro é de ele me chamar...mas eu já estava muito mal, beirando a inconsciência...
— Acalme-se....pode ficar tranquilo, Harry está bem. Ele, a Srta. Granger e o Sr.Weasley estão na ala hospitalar, não precisa se preocupar. – respondeu o diretor, feliz em ver a dedicação que Black demonstrava para com o garoto. Dumbledore mais do que ninguém sabia o quanto Harry sofria por não ter uma família, não ter ninguém que olhasse por ele, e era realmente gratificante ver a preocupação que seu interlocutor demonstrava.
— Agora Sirius, acho que temos alguns assuntos para conversar, não é? – começou o diretor, olhando no fundo dos olhos do maroto. – Quero que me conte a verdade. Que me conte tudo, desde o começo, e não esconda nenhum detalhe, está bem?
Sirius não pensou duas vezes antes de assentir em sinal de concordância. Aquela era sua chance. Dumbledore era sua melhor e também sua ultima esperança, somente o diretor poderia ajuda-lo do cruel destino que batia a sua porta.
— Acho que o senhor se lembra de quando sugeriu a James e Lily que fizessem o feitiço Fidelius, escondendo seu paradeiro de Voldemort, não lembra? – começou o maroto, que recebeu um aceno de cabeça como resposta. Lembrava-se muito bem daquela noite, inclusive que se oferecera para ser o fiel do segredo. – Pois bem. O senhor até mesmo se ofereceu para ser o fiel, mas os Potter se recusaram, dizeram que preferiam usar a mim. Acontece que pouco tempo depois daquela reunião, eu fui falar com James e Lily, dizer-lhes que eu tinha uma outra ideia: e se usássemos Rabicho ao invés de mim? Não era novidade para ninguém que eu seria a primeira pessoa a quem Voldemort iria procurar, e assim, eles estariam mais protegidos. Infelizmente, eles acabaram aceitando minha sugestão estúpida, e eu jamais irei me perdoar por isso.
— Acredito que já posso supor o restante desta parte da história. – falou Dumbledore, interrompendo a fala de Almofadinhas. – Vocês trocaram o fiel do segredo sem que ninguém soubesse, e Pettigrew os delatou a Voldemort. – continuou o diretor, lançando um olhar triste a Sirius. Começava a entender o terrível engano que fora cometido, um engano que custara doze anos da vida do homem que estava a sua frente, encarando-o com um olhar opaco, sem brilho algum; o olhar de alguém que perdera tudo, alguém a quem restava apenas um fiozinho de esperança.
— Sim, nós trocamos. Rabicho se tornou o fiel do segredo. Na noite em que tudo aconteceu, eu havia combinado com James que iria ao esconderijo de Pedro, ver como ele estava. Quando cheguei ao local, ele já não estava mais lá, e foi ai que eu entendi. O verme havia nos traído, se bandeara para o lado das trevas. Corri para a casa d Pontas para avisa-lo do perigo, mas....já era tarde demais, ele estava...ele estava morto. – falou Sirius, a voz embargada pelo choro que mais uma vez descia por suas faces. Toda vez que tocava no assunto da morte de Pontas era como se revivesse aquela noite, a dor voltando ao seu coração com força total.
Compadecido da dor de seu antigo aprendiz, Alvo Dumbledore se ajoelhou junto dele, que se encontrava deitado sobre algumas almofadas que estavam na sala de feitiços. – Fique calmo, está tudo bem agora, vai ficar tudo bem. – falou para Sirius, tentando passar tranquilidade em sua voz. Aquela cena fez com que o velho diretor se lembrasse de uma ocasião em que dirigira aquelas mesmas palavras para o herdeiro dos Blacks, há muito tempo atrás.
Flashback on
Sirius ainda estava sentado na mesa de café da manhã, sem coragem para se levantar. Mesmo que não quisesse, que lutasse para se controlar, seus olhos teimavam em lagrimejar, algumas lágrimas escorrendo por suas bochechas vermelhas de raiva e vergonha. Os restos do berrador que sua querida mãe lhe enviara ainda jaziam sobre seu prato de comida, que permanecia intocado apesar do barulho estrondoso que seu estomago fazia, clamando por comida.
— Anda Sirius! Vamos acabar nos atrasando! – falaram James e Remus juntos, tentando a todo custo fazer com que o amigo saísse de seu estado de choque e os acompanhassem até a aula, que por sinal eles não sabiam nem em qual sala seria.
— Vão vocês, não estou no clima. – respondeu o menino simplesmente, sem encarar os amigos.
— Como assim, “não está no clima”? Vai deixar que uma carta venenosa de tia Walburga te derrube desse jeito?? – exclamou James, que estava ligeiramente assustado com o estado do amigo. Desde que conhecia Sirius, há quase quatro anos, nunca o vira desse jeito. – Vamos! É nosso primeiro dia! Você não pode simplesmente ficar ai parado o dia todo! – tentou de novo o filho dos Potter, puxando o braço do amigo para tentar fazer com que ele levantasse.
Sirius apenas afastou o braço, sem responder. A verdade é que estava triste e bravo ao mesmo tempo. Triste pelas palavras duras que a mãe lhe dirigira no berrador, dizendo que ele era uma vergonha para a família por ter entrado para a Grifinória, que ele sujara o nome dos Blacks, que era uma decepção; e muito bravo por estar triste por causa disso. Aquele berrador não deveria ser uma surpresa, sua mãe não aprovava nada que ele fazia, desta vez não seria diferente, não é? Mesmo assim, aquela carta o atingira fundo, e por mais que quisesse, não conseguia se forçar a reagir.
Sem que se desse conta da aproximação de uma outra pessoa, sentiu que uma mão quente apertava seu ombro com delicadeza. – Porque nã estão na aula, garotos? Cabulando logo no primeiro dia? – perguntou Dumbledore, dando um grande sorriso aos meninos, que não responderam de imediato. Não esperavam ter contato tão rápido com o diretor, e de certa forma, a figura imponente de Dumbledore lhes causava certo receio e apreensão.
— Desculpe...senhor. Mas Sirius não está muito bem, e se recusa a se levantar para nos acompanhar a aula. Não podemos deixa-lo sozinho, professor, não nesse estado. Não é isso que verdadeiros amigos fazem. – respondeu James, encarando Dumbledore nos olhos, apesar do nó que se formara em seu estomago.
— Entendo...é um gesto realmente nobre o de vocês, Sr.Potter, permanecerem ao lado de seu amigo em um momento difícil. Mas agora, por que o senhor e o Sr. Lupin não vão para a aula, enquanto eu converso com o Sr. Black aqui? Tenho certeza que consigo convencê-lo a se juntar a vocês em poucos minutos, está bem? – disse o diretor, alegre em ver o companheirismo que havia entre os três garotos.
— Você vai ficar bem sozinho? Ou prefere que a gente fique? – perguntaram James e Remus juntos, que pareceram que não iriam obedecer a ordem do diretor até que Sirius dissesse que não tinha problema.
— Vão logo! Estão parecendo minhas babás! – respondeu o maroto, arrancando boas risadas dos amigos com seu comentário. Assim que receberam o aval do amigo, os dois garotos se viraram e partiram apressados em direção à sala de aula, que ainda tinham que descobrir qual era.
Quando se afastaram, Dumbledore se sentou ao lado do garoto no cumprido banco da mesa da Grifinória, sua antiga e adorada casa. – E então Sirius, o que aconteceu para que você ficasse desse jeito? Quer me contar? – perguntou o diretor, em uma voz calma que pareceu tranquilizar um pouco o garoto.
— É...é...a minha mãe senhor. Ela me mandou um berrador. Dizendo coisas horríveis, e tudo isso porque fui selecionado para a Grifinória e não para Sonserina. Ela acha que ´´e culpa minha, como se eu pudesse controlar a decisão do Chapéu Seletor.
— Mas que coisa mais absurda! – começou Dumbledore, bondosamente. – ninguém pode controlar aquela coisa, ele tem vontade própria! Há anos tento fazer com que ele cante uma canção quando termina a seleção, e tudo que consigo é um monte de resmungos e um olhar zangado! – continuou o diretor, arrancando algumas risadas de seu novo aluno.
— Ela acha que sou uma vergonha para a família, uma decepção. Sempre foi assim, desde que eu era uma criancinha, tudo por que sempre fiz muitas perguntas, tudo por que penso pela minha própria cabeça e não deixo que ela me controle feito um fantoche como faz com meu irmão menor...é tão errado ser diferente senhor? – falou o garoto, finalmente permitindo que as lágrimas fluíssem livremente.
— Não Sirius. Não há nada de errado em ser diferente dos outros. Pelo contrario, isso é muito bom, te ajuda a descobrir quem você realmente é. Não mude pelo que as pessoas falam, não se molde pelos rótulos que lhe impuserem, mesmo que seja pela sua própria família. Guie-se sempre pelo seu coração, ele é seu maior guia, acredite em mim. – respondeu o diretor, sensibilizado pela dor do garoto. Ele sabia muito bem o que era ser incompreendido e julgado por sua própria família. Sabia muito bem o tipo de ferida que isso causava, e principalmente, como era difícil fazer com que ela se fechasse...
Vendo que o garotinho continuava a chorar, sofrendo de uma dor que ele compreendia e pela qual passara, Dumbledore o abraçou, fazendo com que Sirius se aproximasse mais, ainda choroso. – Ouça as minhas palavras Sirius: eu prometo a você que tudo vai ficar bem. Tudo se ajeita com o tempo, e o que o tempo não conseguir arrumar nós vamos dar um jeito de concertar está bem? Quero que você se recomponha e não deixe mais que as palavras de sua mãe te machuquem. Toda vez que pensar nisso, tente se lembrar de nossa conversa, e também de seus amigos. Amigos, em algumas situações, são tudo que precisamos. Agora, quero que vá pra aula, e saiba, que se precisar conversar, as portas do meu escritório estarão abertas. É só se lembrar que eu adoro sorvete de limão. – terminou o diretor, dando um sorriso bondoso para o garoto.
Flashback off
Recuperando-se um pouco de seu pranto, Sirius voltou a falar: — Depois de encontrar os corpos, descobri que meu afilhado estava vivo, e aquela descoberta foi a luz em meio as trevas que haviam se instalado ao meu redor. Decidi que iria cuidar dele, garantir que tivesse uma família....
— Mas ai Hagrid apareceu não foi? E lhe disse que eu queria que Harry fosse viver na casa dos tios. Posso até imaginar a sua reação quando soube das minhas intenções Sirius...mas na época, esse velho tolo achou que aquela fosse a melhor solução. Afinal, eu acreditava que você havia traído os Potter, e seria bem melhor se Harry crescesse longe de toda aquela fama. Ingenuamente, acreditei que os tios fossem cuidar bem dele. – interrompeu o diretor, um ligeiro pesar passando em sua voz.
— Foi muito difícil dizer adeus a ele. Meu afilhado é tudo que me restou, e confesso que não gostei nada da ideia de ele ir morar com aqueles trouxas detestáveis...mas acabou que foi melhor assim não é? Eu fui atrás de Pettigrew e ele explodiu a rua, fingindo sua morte. Passei anos em Azkaban, e só tive forças para fugir quando vi uma foto de Pettigrew em sua forma animaga no Profeta Diário....aquela foto reacendeu algo em mim entende? A possibilidade de aquele verme estar tão perto de Harry fez com que eu acordasse de meu estado de apatia...creio que você sempre soube que eu, James e Pedro éramos animagos ilegais, não é mesmo professor? É difícil pensar que isso passaria incógnito pelo senhor...
— Assim, eu soube sim. Mas preferi não delata-los, afinal, você e seus amigos fizeram um excelente uso da animagia enquanto estavam na escola, e fizeram isso por um motivo nobre, para ajudar a um amigo. – respondeu o diretor, com um sorriso.
— Enfim...depois que fugi, acabei vindo para Hogwarts. Sabia que Rabicho viria parar aqui, já que era o animal de estimação de um dos alunos, e queria pega-lo. Faze-lo pagar por todo o mal que causara, mas infelizmente, ele fugiu de novo. Eu falhei, mais uma vez. – respondeu o maroto, triste.
— Não se culpe. Você não tinha como prever os desdobramentos que se dariam esta noite. Tenho certeza de que voltaremos a encontrar Pettigrew em algum momento, mas por hora, precisamos nos concentrar em tira-lo daqui.
— Me tirar daqui? Espera ai, o senhor acredita em mim, mesmo sem ter nenhuma prova?? E como isso será possível? A propriedade está superlotada de dementadores, e há dois aurores na porta desta sala, fugir é impossível. – falou Almofadinhas, ligeiramente incrédulo.
— Mas é claro que acredito em você! Sempre achei que a história da delação sobre o paradeiro dos Potter estava muito mal contada, mas acabei não indo atrás da verdade, conformei-me com a versão que me apresentaram, e lhe devo desculpas por isso. Além do mais, o seu testemunho e o da senhorita Granger já me bastam como prova. Quanto a tira-lo daqui, nada é impossível para aqueles que querem, acredite nisso! Eu tenho um plano, mas para que ele funcione, preciso coloca-lo em pratica o mais rápido possível. Por favor, não faça nada de imprudente enquanto espera, está bem? Use este tempo para poupar energias. Prometo a você que tudo ficará bem.
A estas palavras, Dumbledore se levantou e deixou a sala apressado, deixando Sirius dividido entre a alegria e a confusão, esperando ansiosamente para ver que sorte o destino lhe reservava.
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