Lágrimas de Maroto - 1ª temporada
23 Capitulo 23 - Verdades (parte 2)
Notas iniciais
Por alguns segundos, todos ficaram parados ali, sem saber exatamente o que iria acontecer, encarando o recém chegado que ainda rolava os olhos por todos o cantos do quarto em que se encontravam, buscando uma saída.
— Olá...olá Remus, olá Sirius...- começou Pettigrew, em uma voz esganiçada e extremamente semelhante a um guincho. – Meus velhos amigos! Como estou feliz em ver vocês! – disse, em uma tentativa desesperada de distrai-los com sua fala enquanto ia se aproximando da porta. Se tivesse sorte, poderia conseguir passar por ela e, voltando a sua forma de rato e sumir daquele lugar.
Seu plano, entretanto, se mostrou falho desde o inicio. Mesmo que tivesse a atenção de todos quando começou a falar, não conseguiu dar nem dois passos antes que a mão de Sirius agarasse seu braço, forte como uma garra, prendendo-o no lugar.
— Não está pensando em ir a algum lugar, está Pedro? Acabamos de começar essa singela reunião, e será muita falta de consideração se você não estiver presente nela! Afinal, grande parte do que iremos contar aos garotos é de autoria sua não é? Porque não se senta e nos ajuda a contar a história? – falou Almofadinhas em um tom perigoso, arrastando Pedro até a cadeira mais próxima e o empurrando a ela com certa violência.
Durante este tempo, no qual impediu mais uma tentativa de fuga de Rabicho, a mente e o coração de Sirius experimentavam um misto de emoções distintas. Por um lado, sentia muita raiva daquele verme traidor, responsável pela morte de seu irmão e de sua melhor amiga; ainda assim, não podia deixar de sentir junto a essa raiva uma dor profunda, uma tristeza por ver no que seu amigo de infância havia se tornado. Conjuntamente a tudo isso, não pode deixar de se sentir ligeiramente aliviado. Apesar do jeito torto em que as coisas haviam começado aquela tarde, finalmente teria a chance de contar tudo a Harry, a chance de contar-lhe a verdade, e esperava do fundo do coração que o afilhado pudesse lhe perdoar.
Enquanto assistia a cena que se desenrolava a sua frente, Harry estava ainda mais confuso do que quando atingira o Prof. Snape. Se aquele realmente era Pettigrew, significava que a história que ouvira no Três Vassouras poderia ser mentira, um grande confusão que nunca fora esclarecida. Significava que o homem que ele achava que traíra seus pais poderia ser inocente, e se este fosse o caso, teria passado anos em Azkaban por crimes que não eram seus. Aquela perspectiva fez o estomago de Harry revirar. Podia ter passado grande parte daquele ano culpando a pessoa errada, cometendo uma grande injustiça contra um inocente.
— Por onde devemos começar Rabicho? – perguntou Sirius, a decepção e a revolta transparecendo em sua voz. – Acho melhor começar pelo inicio de tudo não é? Contar a eles que antes dos Potter realizarem o feitiço Fidelius você veio falar comigo, dizer que talvez fosse mais seguro usarmos você ao invés de mim. “Afinal, ninguém irá desconfiar de alguém tão preguiçoso e sem talento como eu, Pontas e Lily estarão mais seguros...”, não foram estas as suas palavras Pedro? E eu, idiota e confiante, acreditei que suas intenções eram as melhores possíveis, que você só estava pensando no melhor para nossos amigos. Achei aquela uma ótima ideia era realmente genial! Todos sabíamos que eu seria a primeira pessoa que Voldemort procuraria. – eu acreditei em você Pedro, e esse foi o pior erro da minha vida, algo pelo qual jamais irei me perdoar. – falou Almofadinhas, encarando o outro nos olhos, como se buscasse encontrar naquele olhar algo que o ajudasse a entender tudo que acontecera.
— Como teve coragem?? Como pode entregar seus amigos a Voldemort?? – Remus se pronunciou, a voz perdendo o tom calmo que em geral ele conservava. Agora que estava ali, diante de Rabicho, tudo que conseguia sentir era tristeza e decepção. Chorara a morte daquele traidor imundo. Por causa do que ele fizera, Remus passara longos anos acreditando que seu melhor amigo era um assassino frio e cruel, que merecia a cela de Azkaban...
— Vocês não estão dizendo coisa com coisa, sabiam?? De onde tiraram que eu entreguei Pontas a Voldemort? O traidor aqui é você Sirius! Você era o fiel do segredo deles, não eu. – falou Rabicho, que pensara que talvez pudesse reverter a situação a seu favor, jogando a culpa toda para cima de Sirius. Afinal, que provas eles tinham de que Almofadinhas falava a verdade? Era a palavra dele contra a de Rabicho.
— MENTIROSO! – exclamou Sirius, incrédulo com as palavras que ouvia. Como Pettigrew podia ser tão sínico?? Invertendo a verdade para que os fatos lhe fossem favoráveis. O absurdo da situação fez com que o maroto perdesse o controle, pulando da cadeira em que estava e agarrando a gola da camisa de Pedro, puxando-o com força. – Como você se aguenta?? Como consegue conviver consigo mesmo?? – berrou, deixando que lágrimas de raiva enevoassem sua visão.
— Calma! Sr. Black, se acalme, por favor! – ouviu-se a voz de Hermione, que se aproximou da mesa na qual os adultos estavam reunidos, e continuou a falar: — Não perca o controle. Se o senhor o matar gora, Harry nunca saberá toda a verdade do jeito certo. – falou a garota, conseguindo com que Almofadinhas soltasse Pettigrew e voltasse a se sentar.
— Obrigada por me chamar a razão. Por um momento achei que ia acabar com a triste vida desse verme de uma vez. – falou Sirius, lançando um pequeno sorriso na direção da garota. Ela tinha razão, se acabasse com Pedro agora, Harry não ouviria a historia toda, e pior, acabaria por confirmar a versão de que seu padrinho é um assassino perigoso.
— Não tem de quê. – respondeu Hermione, ligeiramente sem graça. Diferentemente de seus amigos, que ainda estavam confusos com aquela história toda, sem saber no que acreditar, a garota já começava a entender as peças daquele intrincado quebra-cabeças, aos poucos, começava a enxergar a verdade.
Notando que o amigo ainda estava lutando para se acalmar, Lupin tomou a palavra e continuou a história: — Eu só soube muito depois mais ou menos na metade deste ano para ser exato, mas Pedro se tornou o fiel do segredo de seus pais Harry, e os traiu. Rabicho contou a Voldemort onde James e Lily estavam escondidos e eles acabaram....bem, eles morreram, você sabe dessa parte. – disse o Prof. de Defesa contra as Artes das Trevas, lançando um olhar triste a seu aluno.
— Naquela noite, eu havia combinado com seu pai de que iria ver como Rabicho estava, mas quando cheguei ao esconderijo, esse verme já tinha sumido, e então eu finalmente entendi. Corri a Godrics Hollow para avisar seus pais do perigo que corriam, mas quando cheguei lá já era tarde demais. Aquela foi a pior noite da minha vida. Era como se uma parte de mim tivesse ido embora junto com eles, me senti como se tivesse recebido o beijo de um dementador. Vazio, sem vida. Apenas uma casca inanimada. – falou Sirius, finalmente conseguindo se acalmar para falar o que precisava ser dito.
— Isso é mentira!! – berrou Pettigrew, em uma ultima tentativa desesperada para salva sua pele. – Você está mentindo! Você era o informante de Você-Sabe-Quem, não eu! Todos sabemos disso! – exclamou, tentando soar confiante embora sentisse o coração disparar de adrenalina e medo. O que lhe aconteceria agora? Será que alguém realmente acreditaria em Sirius? Se isso acontecesse, talvez desta vez fosse ele a ir para Azkaban, e o medo desta possibilidade o invadiu por completo. Não conseguia se imaginar em um lugar como aquele, imundo e desconfortável, tendo como única companhia os gritos de seus companheiros de carceragem e os vigias inumanos que lhes sugariam a felicidade...não, definitivamente não conseguiria suportar um destino como aquele.
— Pare de fingir Pedro! Conte logo toda a verdade! Honre a amizade de Pontas ao menos uma vez na sua vida! – a voz de Lupin ecoou pelo aposento, inflamada pela raiva e pela decepção. Pettigrew era mesmo um fraco, só pensava em salvar aquele pescoço gordo. Será que não se arrependia nem um pouco de ser o responsável pela morte de seus amigos? Não tinha remorsos por ter deixado um bebê órfão? De ter dado a um inocente a sentença de passar a vida toda em uma prisão?
Finalmente Rabicho cedeu à pressão que sofria. Não adiantava mais negar. Tinha que falar a verdade, reverter às palavras para parecer que fora coagido, assim talvez angariasse a pena e talvez a simpatia de alguns dos presentes. Não se iludia quanto a Remus e Sirius, não achava que os antigos amigos se deixariam levar pela conversa de que ele fora coagido e manipulado...as crianças por outro lado, talvez pudessem ser convencidos.
— Me diga você Sirius, e você também Remus, o que teriam feito se o Lord das Trevas o procurassem?!? Tenho certeza que teriam agido da mesma forma que agi. Vocês não tem ideia das armas que ele possui! – exclamou, utilizando-se da melhor voz de culpa e arrependimento que conseguiu arranjar.
— EU MORRERIA!! PREFERIA MORRER A TRAIR OS MEUS AMIGOS! – exclamou Sirius, descrente com a encenação que aquele que um dia chamara de amigo montava diante de seus olhos.
— Não se trai os amigos Pedro. Você deveria saber que se Voldemort não fosse atrás de você, nós iriamos! – respondeu Lupin, sua fúria se igualando a de Sirius ao presenciar a farsa da qual Rabicho tentava ser o protagonista. Toda aquela situação de falsa piedade fez seu estomago embrulhar.
— Eu não queria entregar!! Ele me forçou, eu juro! Não queria ter sido o responsável pela morte de Pontas...- continuou Pettigrew, que tentava de todas as formas causar a comoção nos presentes.
Aquela frase foi à gota d´água para Sirius, que explodiu de raiva e desprezo por aquele verme imundo e traidor: — COMO OUSA FALAR DE PONTAS?? COMO PODE USAR O NOME DE JAMES NA FRENTE DE HARRY? VOCÊ É UM MONSTRO PEDRO, E MERECE A MORTE! – gritou, levantando-se e indo até onde Snape jazia desacordado, pegando a varinha que estava ali e apontando-a para o coração do homem que desgraçara sua vida.
Virou-se para Aluado, buscando o apoio do amigo: — Vamos acabar com essa tortura de uma vez, por favor! Não aguento mais olhar para a cara desse verme nojento. – falou para o amigo.
— Está bem. Também já estou farto de olhar para a máscara de fingimento e traição em que ele se tornou. – respondeu Lupin, levantando-se de sua cadeira e mantendo a varinha apontada para Pettigrew (ela já estava apontada para ele desde o inicio da conversa, para evitar que tentasse se transformar e fugir novamente).
— O que vão fazer comigo?? – exclamou Rabicho, encolhendo-se na cadeira, como se assim pudesse evitar ser atingido pelos feitiços de seus algozes.
Com um sinal de concordância mutua, Almofadinhas e Aluado se prepararam para lançar o feitiço, o único pensamento que rondava a sua mente era o de que finalmente conseguiriam vingar a morte de seu amigo. Antes que completassem o encantamento, entretanto, uma voz os fez parar no meio da palavra, a voz de Harry ribombando pelas paredes desgastadas da casa dos gritos:
— NÃÃO!! – gritou o garoto, interpondo-se entre Rabicho e a varinha empunhada por Sirius. – Não faça isso! – continuou o garoto, fazendo com que o maroto abaixasse a varinha, por medo de acabar ferindo-o sem querer.
— Harry, esse homem...é por causa dele que você não tem mais seus pais. É por causa dele que você passa todos os verões na casa daqueles seus tios detestáveis. Tem certeza que é isso que você quer fazer? Deixa-lo impune? – falou Almofadinhas, o tom de voz se tornando mais brando ao se dirigir ao afilhado.
— Eu não quero deixa-lo impune. Apenas acredito que meu pai não iria gostar que seus melhores amigos se tornassem assassinos. Além do mais, morto ele iria levar a verdade com ele. Vivo serve de prova para sua inocência. – disse o garoto, que agora estava completamente convencido da história que Black e Lupin haviam contado, e não queria que seu padrinho fosse para Azkaban novamente.
— A decisão tem que ser sua, Harry. Você foi o maior prejudicado por esse verme imundo, é justo que decida sobre o destino dele. – falou Lupin, que manteve a varinha erguida apenas como precaução, para o caso Rabicho decidisse aproveitar o momento para fugir.
— Será que você se importa de conversarmos em particular? – perguntou o garoto, dirigindo-se a Sirius. Agora que sabia de toda a verdade, queria a chance de ter uma primeira conversa com o padrinho, e também de lhe pedir desculpas. Julgara-o sem conhecê-lo, movido pelas conversas que ouvira, e devia um pedido de desculpas.
— É...é claro que sim. – respondeu o maroto, surpreso com o pedido do afilhado, mas também feliz pelo garoto parecer ter acreditado em sua história.
Padrinho e afilhado saíram do quarto principal da casa dos gritos, seguidos pelos olhares curiosos de Ron e Hermione, e pelo olhar alegre de Lupin, que estava imensamente feliz ao ver que seu amigo finalmente teria a chance de conversar com Harry. Sabia que Sirius esperava ansiosamente por um momento como aquele.
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Seguiram para outro cômodo da casa dos gritos, situado no andar inferior do casebre. Sentaram-se um de frente para o outro em uma pequena mesa que havia ali, encarando-se sem saber muito bem como começar a conversa.
— Sabe, sempre pensei como seria essa conversa Harry. Fiava imaginando tudo que gostaria de te falar, em todas as coisas que queria que você soubesse...e para dizer a verdade, ainda não sei nem por onde começar. – disse Sirius, que embora tivesse muitas vezes sonhado com aquele momento, não sabia como agir agora que ele chegara.
— Então deixa que eu começo. – falou o garoto, que também estava meio perdido sobre o que gostaria de falar, mas sentia que se começasse seria mais fácil. – Acho que te devo desculpas. Eu não...bem, eu não agi certo não é? Julguei sem conhecer todos os fatos, e se eu não tivesse tomado a decisão de pelo menos ouvir o que você e o Prof. Lupin tinham a dizer, Snape poderia tê-lo entregue aos dementadores...
— Não Harry. Você não tem que se desculpar de nada. – respondeu Almofadinhas, comovido com as palavras de seu afilhado. – Quem lhe deve desculpas sou eu. Toda essa bagunça começou por culpa minha. Se eu não tivesse dado ouvidos a Rabicho, talvez James e Lily ainda estivessem vivos. E depois, quando eles faleceram, se eu não tivesse ido atrás de Pettigrew talvez pudesse ter criado você. Assim você não teria que morar com aqueles seus tios trouxas intragáveis. Me desculpe, me perdoe por todo o mal que lhe causei. – emendou o maroto, emocionando-se mais uma vez.
— Você não tinha como saber que ele iria trai-los. Eram amigos, você só achou que estava fazendo o melhor para protegê-los... não tem culpa, apenas confiou na pessoa errada. – falou Harry, comovendo-se com a emoção que tomava conta do homem sentado a sua frente. – e quanto aos meus tios...você tem razão, eles são realmente horríveis, mas pelo menos só volto para a casa deles nas férias de verão...o resto do tempo passo aqui em Hogwarts, onde verdadeiramente me sinto em casa. – confessou o garoto.
— Quando tinha a sua idade também me sentia assim. Hogwarts sempre foi meu lar, meu refugio, bem diferente da casa de minha família....- falou o maroto, por um momento se perdendo em suas memórias.
— E o que tinha de errado com a sua família? – perguntou Harry, sua curiosidade aflorando de imediato.
— Eram pessoas intratáveis, assim como seus tios. Com uma péssima mania de “Sangue Puro”. Todos sonserinos elitistas...eu era diferente de todos eles, o leão no meio das serpentes...mas essas são histórias que posso lhe contar uma outra hora....tenho um assunto um pouco mais delicado e importante para tratar com você, um assunto do qual me arrisco a dizer, acho que você também quer falar. – falou o maroto, um pouco inseguro de como iniciar o assunto.
— Não sei se você sabe Harry...mas quando você nasceu, James e Lily me convidaram para ser seu padrinho. (“Foi o melhor convite de todos”, pensou o maroto, enquanto encarava os olhos verde esmeralda do garoto a sua frente), e também me nomearam seu tutor legal, caso alguma coisa acontecesse a eles...
— Eu soube. – respondeu Harry, esboçando um sorriso. Estava começando a compreender qual era o objetivo de Black ao contar aquilo.
— Olhe..- recomeçou Almofadinhas, ainda se mostrando inseguro. – Vou entender se não quiser, se preferir continuar na casa dos seus tios, mas se quiser uma casa diferente, ficaria muito feliz se viesse morar comigo. O que acha? – terminou, esperando ansioso pela resposta de seu interlocutor.
— Oque?? Morar com você??? – perguntou o garoto, incrédulo. Estava esperando que o padrinho fosse lhe falar algo semelhante a isto, mas mesmo assim não pode evitar de se surpreender com o pedido. A perspectiva animou o garoto, como se tivesse recebido uma injeção de felicidade. Ia deixar a casa dos Dursley! Iria morar com seu padrinho, o melhor amigo de seus pais! Aquela ideia lhe pareceu um sonho, do qual ele temeu acordar.
— Vou entender se não quiser ir, mas se mudar de ideia...- não pela primeira vez naquele dia, Sirius não conseguiu completar a frase, foi interrompido por Harry, que falou em uma voz extremamente animada: — Como assim não vou querer?? É claro que vou querer morar com você! Tem ideia de como morar com os Dursley é ruim?? Tenho certeza que morar com meu padrinho vai ser mil vezes melhor! – exclamou o garoto, mal conseguindo conter a alegria e a animação.
— Está falando sério? – perguntou Almofadinhas, ligeiramente surpreso. Mesmo disposto a fazer aquela oferta a Harry, ele duvidava que o afilhado fosse aceitar. Seu coração se encheu de alegria ao perceber o quanto se enganara.
— Mas é claro que estou falando sério! – disse Harry, com uma voz alegre.
Sirius estava extasiado. Não podia acreditar que o destino estivesse finalmente sorrindo para ele, ao menos uma única vez. Sentiu que seu coração inflava de tanta felicidade e alegria. Seu afilhado iria morar com ele!! Finalmente conseguiria cumprir a promessa que fizera a tantos anos antes....
Sem aviso, Harry se levantou da cadeira, dirigindo-se ao padrinho: — Se vou morar com você, acho justo que eu ganhe ao menos um abraço do meu padrinho, não acha? – falou o garoto, abrindo um largo sorriso. Mesmo que não conhecesse bem Sirius Black, fora contagiado pelo amor e a dedicação que este demonstrava por ele, e rapidamente estava adquirindo uma grande afeição por ele, mesmo que o conhecesse há tão pouco tempo, e mesmo que até poucas horas atrás acreditasse que ele era alguém perigoso que queria sua cabeça em uma bandeja de prata.
Surpreso e sensibilizado com o gesto do garoto, Sirius se levantou com novas lágrimas rolando por sua face e abriu os braços para receber o afilhado. Não foi capaz de disser uma só palavra, estava emocionado demais.
Harry se jogou nos braços abertos do padrinho e o abraçou com força. Estava feliz por finalmente poder dizer que tinha uma família, mesmo que ela consistisse apenas na figura magérrima de seu padrinho. Almofadinhas, por outro lado, sentiu que seu coração ia explodir. Sentira muita falta de ter o afilhado por perto, sentira muita falta daquele abraço. Para o maroto, o tempo poderia congelar naquele momento, ele não iria se importar nem um pouco.
Não foi apenas Harry que encontrou uma família para chamar de sua. O mesmo acontecera com Almofadinhas, que reencontrou naquele abraço o seu lugar no mundo, a sua família. Eram só eles dois, sozinhos, mas naquele momento, era mais do que o suficiente.
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