Lágrimas de Maroto - 1ª temporada

17 Capitulo 17 - O Lago Negro


Notas iniciais
Olá pessoas!! Mais um capitulo pra vocês, recheado de lembranças desta vez. Espero que gostem!!! Obrigada as lindas da Ellryn e da Princesa Mestiça pelos comentários, vocês são demais!! Boa leitura a todos!

— E então, conseguiu? – perguntou Sirius, mal podendo conter a ansiedade em sua voz. Bichento não respondeu de imediato, encarando o cão com uma expressão indignada, como se aquela pergunta fosse um insulto a sua capacidade e a sua inteligência.

— Mas é claro que sim! O que você esperava, que interceptassem um gato? Não zombe de mim, sou bem mais esperto que aqueles enormes pombos que vocês usam para entregar correspondências! – falou o felino por fim, não tendo sucesso em manter um tom de voz aspéro ao ver a felicidade nos olhos do outro.

— Ótimo! Tenho certeza de que Harry vai adorar o presente! Pelo que você me contou, ele ficou bem triste com o que aconteceu a sua antiga vassoura...vai se alegrar ao ganhar uma nova em folha, principalmente deste modelo. Soube que a Firebolt é a melhor do mercado, recém-lançada. O garoto merece!

Diante da empolgação de Almofadinhas, Bichento apenas revirou os olhos. Tinha certeza de que ele adoraria ganhar uma vassoura nova de presente tanto quanto o afilhado. – Pode deixar que vou ficar de olho na reação dele para te contar. Mas pelo que minha dona costuma dizer, o garoto é fissurado por vassouras e quadribol, vai ser o presente perfeito. – disse o gato, por fim se contagiando com a alegria que emanava do maroto.

— Realmente espero que ele goste. Estou devendo treze anos de presentes para o meu afilhado! Ao menos a Firebolt vai diminuir meu débito nesta questão! – continuou o maroto, alegre por ter finalmente pudera dar algum presente para Harry. Não tinha duvidas de que o garoto merecia, e estava feliz de poder usar um pouquinho da fortuna depositada n cofre da mui antiga e nobre casa dos Blacks no Gringotes, o banco dos bruxos.

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Algum tempo depois, cansado de ficar preso dentro da casa dos gritos, Sirius resolveu sair para dar uma volta. Quem sabe, se desse sorte, teria a chance de ver Harry de longe, ou então Aluado. Sentia tanta falta do amigo quanto do afilhado.

Sua vontade era de encontra-lo, dizer-lhe toda a verdade. Mas ao mesmo tinha medo; afinal o que tinha para provar sua história? Apenas a sua palavra, que apesar do afeto e da amizade que o ligavam a Aluado, muito provavelmente não seria suficiente para convencê-lo. Seu amigo sempre fora o mais racional do grupo, que se firmava em fatos e não em palavras.

Perdido em seus pensamentos, acabou por chegar as margens do Lago Negro, sentando-se a sombra de um grande carvalho que havia por perto. Conhecia muito bem aquele lugar. Era um dos seus favoritos em Hogwarts, e talvez até no mundo todo. Quantas vezes não se sentara ali com os marotos, planejando marotices ou apenas para jogar conversa fora. Tinha muitas lembranças daquele lugar, algumas ótimas, outras não tão boas assim.

Fora ali, embaixo daquele mesmo carvalho que decidira que não voltaria para o Largo Grimmauld para as férias, que não voltaria nunca mais se pudesse escolher.

Flashback on

— Você não presta mesmo não é Sirius? Não vê que machuca nossa mão e nosso pai com essas ideias erradas? – a voz de Regulus Black ecoou pelo gramado com um tom de nítido desprezo em quanto este fitava o irmão mais velho, que apesar da explosão de raiva do caçula da família Black, conservava uma expressão neutra (embora seus olhos faiscassem de raiva).

— Eu machuco a matriarca Black com minhas atitudes impensadas querido irmão? – perguntou Sirius, mantendo um tom de voz baixo, porém perigoso. – Não seja ridículo Regulus! Nós dois sabemos que nossa querida mamãe não se importa com o que eu faço, só se preocupa com o precioso nome da família.

— Quem está sendo ridículo e teimoso é você! Não percebe que só piora as coisas com esse seu comportamento rebelde? Porque tem que ser tão diferente? Por que faz tanta questão de ir contra tudo que mais prezamos? – perguntou Regulus, que parecia não ter notado o perigo na voz do irmão.

— Não se trata disso. Não sou diferente, apenas penso com a minha própria cabeça! Sem me deixar levar pelos valores preconceituosos e perturbados de nossa preciosa família! E sugiro que você faça o mesmo, querido irmão, antes que seus miolos acabem virando geléia e você se transforme por completo em um fantoche, uma marionete controlada por Voldemort! – falou Sirius, não conseguindo mais manter o tom de voz calmo.

—Como ousa? Como pode usar o nome do Lord das Trevas em vão dessa maneira, seu traidor de sangue imundo! – Sem parar para pensar no que estava fazendo, o mais moço dos Blacks puxou a varinha de suas vestes, apontando-a para o coração de Sirius. – Vai pagar por suas palavras insolentes!

— Acha que pode me enfrentar? – disse Sirius, que também aprumou sua varinha em posição de combate, quase se divertindo diante daquela situação. Regulus podia estar inflamado e cego pela raiva, mas amboas sabiam que o maroto era de longe o melhor em duelos.

— Não duvide de minha capacidade Sirius, você pode acabar se surpreendendo, e garanto que não vai ser uma surpresa agradável. – rugiu Régulus, encarando seu oponente com raiva.

— Vou pagar para ver, irmãozinho. – foi a resposta de Sirius, que estampou um sorriso de escarnio enquanto devolvia o olhar do irmão.

Antes que qualquer um deles conseguisse sequer pensar em um feitiço, uma juba de cabelos longos e muito ruivos e olhos verdes brilhantes se interpôs entre os dois, exclamando esbaforida para Sirius: — Almofadinhas, o que está acontecendo? — Ao ver a amiga, Sirius baixou a varinha instantaneamente, falando em seguida, e um tom de voz mais calmo mas que ainda exprimia a raiva que ele sentia: — Esse idiota ai acha que pode me enfrentar Lily. Acha que é melhor do que eu porque é capacho de Voldemort. Vou ensinar a ele como se usa o cérebro!

— Você não vai fazer nada disso. – respondeu Lily, firme. – Ele é seu irmão Sirius, nós dois sabemos que você não tem coragem de machuca-lo, e que se o fizesse, jamais se perdoaria. – continuou a garota, pousando a mão no ombro do amigo, em um gesto de consolo.

Sirius nada respondeu. Não estava seguro do que poderia falar, afinal, sabia que como quase sempre acontecia, Lily estava certa.

— Isso mesmo Sirius. Escute a sangue-ruim. Você não teria coragem de me machucar, é um covarde traidor de sangue! – ronronou Régulus, parecendo se divertir com as ofensas que proferia. Aquele comentário foi a gota da água para o maroto. Seu irmão podia falar o que quisesse sobre ele, mas não ia insultar sua amiga daquela maneira tão suja.

Desde o quinto ano, por conta da aproximação e agora do recente namoro de Lily e James, Sirius havia se aproximado muito da ruiva, em pouco tempo ela se tornara sua melhor amiga, e ele não permitiria que Régulus a trata-se daquela maneira tão baixa.

Antes que o maroto pudesse fazer qualquer coisa, Lily se virou para Régulus, seu olhar não demonstrando nenhum milímetro de raiva, apenas um sentimento de pena por aquele garoto tolo, que acabaria pagando caro por suas escolhas erradas. – Você é quem deveria me escutar Régulus, e deixar seu irmão em paz. Não se esqueça que sou monitora, e se eu quiser, posso arranjar uma infinidade de motivos para te deixar de detenção o mês inteiro! Você pode achar que Sirius virou as costas para sua família, mas tudo que ele fez foi dar as costas para esses valores arcaicos e maldosos nos quais sua família se sustenta!

— Cala essa... – começou o Black mais novo, mas não teve de terminar a frase, pois a garota recomeçou a falar, abafando a voz do garoto: — e tem mais uma coisa: Sirius pode não contar com o apoio de vocês, que estão longe de ser uma família decente, mas ele tem seus amigos, que estão aqui para acolhe-lo, e se você arrumar confusão com ele, vai arranjar também com o restante dos marotos, e comigo também! Tenho certeza que você não vai querer enfrentar todos nós, não é mesmo? Então suma da minha frente!

As palavras de Lily surtiram o efeito que a garota desejara, e o Black mais novo virou as costas para os dois, seguindo a passos rápidos para o interior do castelo, não sem antes se virar e lançar um olhar rancoroso a seu irmão mais velho.

Quando a ruiva se virou para falar com o maroto, encontrou um Almofadinhas que tremia de raiva, os olhos enevoados pelas lágrimas que desciam por suas faces. Nem mesmo Sirius sabia porque chorava, mas parecia se tratar de uma coleção de motivos: a raiva que sentia de seu irmão, que parecia inebriado pelos valores de “sangue-puro de sua família; de tristeza, pois apesar de tudo amava o irmão e não queria que a relação deles tivesse chegado aquele ponto critico; mas também de felicidade, por Lily ter saído em sua defesa, por saber que podia contar com seus amigos, saber que tinha um lugar no mundo que o queria bem.

Sem dizer nada, Lily o abraçou, e com o conforto daquele abraço sincero, o maroto deixou desabar tudo que estava preso em seu coração, tudo que estava sentindo. – Calma Almofadinhas...vai ficar tudo bem, eu prometo! – disse a ruiva, condoída com o estado do amigo.

Um pouco melhor, mas ainda muito emotivo, Sirius agradeceu a amiga pelo apoio: — Obrigada L, por estar aqui. Acho que se você não tivesse aparecido eu poderia ter feito algo que me arrependeria. Obrigado por me ajudar, e por me aguentar nesse momento melodramático.

— Ei, você não tem que agradecer nada! Amigo é pra isso mesmo! Vou sempre estar aqui, você sabe disso.

— Eu sei, obrigada por isso. – respondeu o maroto, feliz com o apoio e o carinho que recebia da amiga. Ficaram um tempo sentados apoiados no grande carvalho, até que Lily disse que estava na hora de subirem para almoçar. – Vamos Sirius, anime-se! Está na hora do almoço, não está com fome?

— Vai você, acho que vou ficar um pouco mais aqui, estou sem fome. – respondeu o garoto, em um fio de voz, que demonstrava que ainda estava triste com o que tinha acontecido.

— Tem certeza?

— Sim. Guarda um pudim pra mim se tiver ta bem?

A ruiva assentiu e se levantou, seguindo para o castelo. Pouco tempo depois que ela havia saído, James surgiu no campo de visão de Sirius, correndo esbaforido. Quando chegou onde o amigo estava, precisou de alguns instantes para que conseguisse recuperar o folego. – Como você está? Lily me contou da discussão que teve com Régulus. O que aquele babaca fez desta vez? – a voz de Pontas saiu descompassada, enquanto ele ainda se recuperava da corrida até ali.

— Estou exatamente do mesmo jeito que fico toda vez que discuto com algum deles, péssimo. – desabafou Sirius. – eu não suporto mais isso Pontas! Não aguento mais ser a ovelha negra da família, ser julgado e condenado por tudo que falo ou faço! Queria não ter que voltar para aquela casa. Queria não pertencer aquela família de malucos metidos! Se tivesse para onde ir, juro que nunca mais voltava naquela casa.

— E quem disse que você não tem para onde ir? – respondeu James, ao sentar-se ao lado do amigo. – é claro que você tem para onde ir Almofadinhas, não seja burro! Você pode ficar na minha casa!

Sirius estacou diante das palavras do amigo. – Você está falando serio Pontas? Eu poderia mesmo ir morar na sua casa? – o maroto estava incrédulo. James era seu melhor amigo, seu irmão, mas nunca imaginara que o garoto tivesse essa atitude.

— Mas é claro que estou falando sério! Eu não sei porque não tive essa ideia antes! É perfeito! Meus pais te adoram e seria muito bom ter mais alguém para dividir as reclamações por conta da bagunça!- continuou o maroto, rindo diante da expressão incrédula do amigo. – Além do mais, que tipo de melhor amigo eu seria se te deixasse na rua da amargura? Ou pior, na casa dos Blacks?

Flashback off

As lembranças fizeram os olhos de Sirius marejarem. Era muito bom recordar daqueles tempos, onde tudo parecia mais fácil de ser resolvido, quando ainda tinha os amigos por perto e não tinha que enfrentar todo um mundo contando apenas consigo mesmo...

Notas finais
O que acharam?? Por favor, comentem a opinião de vocês!! Não sabem o quanto fico feliz com um simples "oi" de vocês! Beijokas e até a proxima!