Lágrimas Eternas
1 Posso compreender
Notas iniciais
Minha luta terminou. Kurosaki Ichigo tirou poder hollow de algo que desconheço. Entretanto, para mim não importa mais.
- Tsc – Olhei para minha asa que estava se desintegrando – Acabou o tempo para mim. – Olhei para o humano – Me mate. Rápido. Não tenho forças o suficiente nem para andar. – Ele arregalou os olhos – Se você não me matar agora, essa luta nunca terminará. – Ele rangeu os dentes.
- Não vou fazer isso. – Foi a vez de eu arregalar os olhos.
- Quê?
- Eu disse que não! Isso... – Ele pausou – Não é assim que eu queria ganhar!
Tsc, humano idiota.
- Humpf. Mesmo no fim você nunca faz o que quero.
Olhei para ela.
- Logo agora que comecei a me interessar por vocês humanos...
Olhei para a mulher; eu precisava saber.
- Você tem medo de mim? Mulher – Deve ter. Fiz muito mal a ela, a fiz passar por maus bocados. Falei mal de seus amigos, a sequestrei e a levei para Hueco Mundo. É óbvio que deve ter.
- Não tenho medo. – Respondeu sem pensar. E então pude me impressionar cada vez mais com ela.
- Entendo. – Murmurei.
Meu braço estava estendido para ela, numa tentativa insignificante de alcançá-la. Meu corpo aos poucos, reduzido ao pó. Reduzido e levado pelo vento gélido junto com os grãos de areia que, há muito tempo, são conduzidos ao ar, sendo arrastados suavemente na imensidão do vasto deserto, em leve sincronia com a brisa infinita.
Suas grossas lágrimas, caindo e molhando seu rosto singelo e contorcido, num misto de dor e perda; seus olhos cinzentos, brilhantes e expressivos eram direcionados a mim. Juntos, realizavam reflexos de meu corpo entrando em estado de decomposição; os cabelos longos e alaranjados voavam dançando conforme a música do vento, que ficara forte, talvez preparado para o meu leito de morte. Tantas vezes tive vontade de acariciá-los.
Apesar disso tudo não estava doendo.
Só fiquei desgostoso de vê-la chorar por alguém não merece.
Eu.
Seu braço direito se estendeu para o meu, enquanto o meu estava se distanciando, e num ato desesperado, alcançou, e fora reduzido a grãos. O rosto belo dela contorceu-se ainda mais. Sua boca se entreabriu, em uma frustração sofrida.
De repente me decompus rapidamente. Sem dor, nem muitos arrependimentos. Numa sensação de que deveria descansar para sempre.
Silenciosamente...
Porém...
O que é isso?
“Eu o encontraria se abrisse seu peito?”
Ah, sim...
“Eu encontraria isso... Se abrisse seu crânio?”
Sim, aquela vez...
“Vocês humanos dizem essa palavra tão facilmente.”
É como se...
Ah, entendi agora.
Então é isso... O que a mão estendida dela significa...
... O que ela deixou comigo...
O coração?
“O coração...
Ela o deixou comigo
Será que com o dela
O meu poderá ser
Reconstituído?
Através das lágrimas dela
Pude ver o reflexo das minhas
Que são eternas.”
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