Niall POV’s

Acordo tonto, com a cabeça latejando e uma forte dor na região do nariz. Toco meu rosto e adivinha? Pensei que fosse morrer de tanta dor. Ele sangrava. Eu estava cercado de pessoas e o barulho dos murmúrios doía em meus ouvidos. Tudo parecia girar.

-Niall! Você está bem, querido? – Anne corre em minha direção, ajoelhando-se ao meu lado.

-Ahhhh, eu vou quebrar esse cara! Ah se vou... – Louis andava de um lado para o outro furioso, puxando os próprios cabelos.

-Para gente, eu... – Meu nariz lateja forte fazendo com que eu berre sem querer – to bem. – sorrio tímido de ladinho

-Anne, vai lá e chama a enfermeira – a diretora pede percebendo minha situação.

Olho ao redor procurando por Zayn, ele sumiu. E Louis também.

Após a enfermeira chegar e prestar o atendimento básico sou levado à enfermaria. Sento-me na maca e ela trás dois pequenos “palitos de picolé”

-Então Niall, você teve um machucado e tanto hein... O dorso do seu nariz, essa partezinha entre olhos, está quebrada e vou ter que fazer um curativo. Agora você vai ter que ficar bem quietinho tá bom? Vai doer um pouquinho, mas o processo é rápido, só preciso colocar as talas. Ok?

-Tudo bem... – aceno com a cabeça. Ela começa a mexer em meu nariz e sinto cada toque como se estivesse levando um novo murro.

-Ahh..ah.. AHHH! Moçaaa, tá doendo!! – berro afastando meu rosto daquela insensível

-fica quieeeto! assim não consego acabar o curativo! – diz ela puxando-me novamente.

Logo ela termina o doloroso serviço e me libera. Vou até o espelho e me assusto com o que vejo... eu estava horrível, com a cara inchada e super roxa. Saio da enfermaria e vou até a diretoria, onde a diretora me esperava.

Harry POV’s

Eu olhava para as águas tranquilas do magnífico lago... Podia passar o resto de minha vida ali, contemplando-o. Levanto-me respirando fundo, era hora de voltar para mundo real.

Após esfriar a cabeça, pego a estrada, esperando que as coisas já tenham se acalmado. A passos lentos vou me distanciando daquele lugar tão sereno e confortante, meu refúgio. Meu eterno paraíso.

Sigo pensativo pelas ruas, que a esta altura já estavam bem movimentadas. Estava ali, tranquilo quando um carro passa rápido por mim jogando água para todos os lados.

Ótimo... agora estou todo encharcado

Se não fosse por isso eu provavelmente nem me daria ao trabalho de lembrar que havia chovido mais cedo.

Chego em casa imundo e grudento, com as calças e camisa coladas no corpo. Sem demora me dirijo ao meu quarto, pronto para tirar aquela coisa de sobre mim. Pego roupas limpas e tomo um banho rápido. Após os poucos minutos que passei em baixo do chuveiro, saio mexendo nos meus cabelos ainda molhados e vou até a cozinha preparar algum lanche.

Estranho... a casa está tomada de um silêncio sepulcral. Desde que cheguei não ouvi barulho algum. Nenhum mesmo. Nem minha mãe cozinhando, nem a televisão ligada e nem mesmo um som de briga. Por mais estranho que pareça, aquilo me assustava.

Abro a geladeira e retiro da mesma um tomate, uma folha de alface, queijo, uma fatia de presunto e um suco de laranja bem, bem gelado. Com o sanduiche pronto, sento-me no sofá e ligo a televisão.

Não demorou muito até que ouvisse o barulho do portão sendo arrastado. Logo já podia avistar meu pai entrando pela porta da cozinha.

- Bom dia Harry – espera aí... ele disse bom dia??? Não, esse não pode ser meu pai

- ...Bom dia... tá tudo bem?

- Ahn.. bem.. tá sim, tá tudo ótimo filho, melhor impossível — dizia sério. Para alguém que acabara de dizer que o dia está perfeito, essa não era a expressão que eu esperava ver em seu rosto.

-Tem certeza? Tá tudo bem mesmo? – pergunto apertando os olhos, desconfiado.

Ele larga suas coisas em cima da mesa da cozinha e sai dalí sem dizer uma palavra sequer.

-Pai... – levando-me bruscamente e o sigo até o quarto – Cadê a mãe?

Ele olha friamente em meus olhos, sem dar muita importância ao que digo. Respiro fundo tentando conter o nervosismo e pergunto pausadamente:

-Pai, onde...está ...a minha mãe?

-Ela foi embora Harry, foi embora... feliz?

Meu coração para.

-COMO ASSIM ELA FOI EMBORA?! O QUE VOCÊ FEZ COM ELA HEIN? O QUE VOCÊ FEZ COM ELA!? — Berro confuso, bravo, nervoso, triste... tudo ao mesmo tempo. Como assim minha mãe foi embora? Ela NUNCA me deixaria... Ela me amava, eu sei disso. Com certeza ele fez alguma coisa... e o que foi aquela briga de manhã? Não sei nem o motivo de tudo aquilo... eu preciso de respostas.

-NÃO FIZ NADA. NADA OK? Agora por favor, cala essa boca e para de incomodar. Ela foi embora por que quis. – diz abrindo uma lata de cerveja.

Senti meu corpo sendo impulsionado, tive uma vontade quase insuportável de acabar de vez com aquele pesadelo. Me seguro no lugar e aperto minhas mãos com força. Eu não podia tocá-lo, não podia nem sequer discutir com aquele monstro. Não depois do que aconteceu da última vez. Eu ainda guardava as profundas marcas em meu corpo, marcas que talvez nunca deixem de me atormentar.

Viro-me bruscamente dirigindo-me ao meu quarto. Me jogo na cama de bruços e as lágrimas brotam molhando meu rosto vermelho. Eu soluçava, trancava a respiração involuntariamente. Parece que meu próprio corpo está em luta nesse momento. Sinto como se cada órgão e membro dentro de mim estivessem brigando por meu controle.

Se ao menos eu soubesse o motivo...

Zayn POV’s

Ahh... que raiva. Aqui estou eu, sujo de molho madeira, maionese e gelatina. Lindo isso...

Penso enquanto caminho pelo corredor indo em direção ao banheiro. Ninguém notou quando sai do refeitório. Estavam ocupados demais socorrendo aquele idiota. Mas eu já sabia... logo logo aquela velha chata estaria atrás de mim, pronta para me atormentar, como todas as outras vezes;

-Hey Malik- Ouço uma voz aguda, um tanto irritante – Estou falando com você! – Sou puxado pelos ombros e me viro, encontrando o babaca amiguinho da bixa loira.

-Aff... Mereço neh? Sai daqui Tomlinson- falei entre dentes –- Olha, eu to sem paciência hoje, então faz o favor de sair seu merda — falei o empurrando, logo recebendo outro empurrão em troca.

-Quem você pensa que é pra falar desse jeito comigo?- ele falou se aproximando

-Quem você pensa que é pra entrar na minha frente? Tá querendo fazer companhia a sua “amiguinha” é?

-Ahh seu... – Ele nem termina de falar e fecha o punho, acertando um soco bem no meu nariz. Dou um passo pra trás cambaleando, a pancada foi mais forte do que eu esperava. Coloco a mão no nariz e percebo o sangramento. Ahhh... Isso não vai ficar assim

-Vai se arrepender do que fez Tomlinson... Considere-se um homem morto!! – olho para ele transbordando raiva.

Caminho em direção ao futuro cadáver e o prenso na parede, acertando sua barriga. Ele grita, geme de dor enquanto lhe acerto mais um soco no estomago. Quando estava prestes a socá-lo pela terceira vez ele chuta meu membro com o joelho e quase caio para trás de tanta dor. Já ia me recuperando quando senti um forte impacto atingir minhas costas, derrubando-me no frio chão. Levou alguns instantes para que eu percebesse o que acontecia. Aquele viado já ia virando-se pra sair quando,tentando ignorar a dor que sentia, girei a perna e atingi meu oponente, que caiu de boca no piso. O ataque foi tão rápido que, mesmo estando alerta, ele não conseguiu impedir que seu lábio inferior atingisse o chão. Ele levanta a cabeça com a mão nos lábios, o gosto de sangue veio logo a seguir e foi neste momento que decidiu acabar logo com aquilo. Cospe o grosso líquido vermelho e me olha furioso.

-Você foi longe demais Malik... – range os dentes levantando-se.

Tomlinson puxa minha gola e eu torço seu braço tentando derrubá-lo. Faz uma careta de dor e, num ato de defesa, chuta minha barriga com força. Não suportei, estava fraco e aquilo já era demais para mim. Deixo-me cair de lado no chão, com o corpo encolhido e expressão de extremo sofrimento.

-Olha aqui Malik... – Limpa o sangue do rosto – Nunca... NUNCA mais toque no meu amigo. – diz sério, com a respiração ofegante enquanto se retira, passando por cima de mim.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.