Harry POV’s

Acordei mais cedo que de costume hoje. Não é fácil continuar deitado, dormindo tranquilamente como se nada estivesse acontecendo no quarto ao lado. É, meus pais estão brigando... de novo. O motivo? Não faço a mínima ideia. Isso já se tornou comum por aqui. Pode ser por um atraso, um copo quebrado, uma camisa mal passada ou até mesmo uma pitada de sal a mais nas batatas. Tudo se tornou motivo de briga nessa casa.

Ouço um barulho alto de vidro se estraçalhando no chão, é... a coisa tá feia.

-Olha pra mim! ... EU DISSE PRA OLHAR PRA MIM SUA VADIA! – berrava meu pai — Eu nunca, NUNCA MAIS QUERO TE OUVIR FALAR NESSE TOM COMIGO TÁ ENTENDENDO?

-ME SOLTAAA!

-Eu já disse pra você não gritar!

Ouço um barulho estralado seguido do grito de quem eu tanto amava... ele estava machucando minha mãe, outra vez.

–EU SOU SEM MARIDO SABIA? VOCÊ ME DEVE RESPEITO.

— Eu me casei com um homem... Não com um monstro – diz baixinho entre lágrimas

Eu não aguentava mais. Não podia ficar ali ouvindo minha mãe chorar e ser maltratada dessa maneira. Mas o que eu posso fazer?

Pulo da cama, coloco uma camiseta qualquer e saio de casa. Estava amanhecendo e o sol começava a se mostrar por detrás dos morros. Me sento na calçada de cabeça baixa, fitando as mãos enquanto me perco nos próprios pensamentos.

Minha mãe sempre foi um exemplo de mulher, tanto no meio profissional e social, como no familiar. Tudo o que sempre desejou foi encontrar um cara que a fizesse feliz. Ela e meu pai se casaram e sempre se deram bem... Até ele começar a beber. De lá pra cá tudo desandou. O homem responsável e amável por quem se apaixonara desapareceu, sendo substituído por um ser cruel, arrogante, traidor e violento. Não o reconhecíamos mais. Por que isso teve que acontecer logo conosco? Por quê? Talvez a culpa fosse minha, talvez eu... ahh não sei o que pensar.

Balanço a cabeça tentando afastar esse pensamento e respiro fundo. Ouço um barulho e levanto a cabeça procurando de onde vinha. Alí, encostada da janela estava Anne, minha vizinha. Como sei o nome dela? Ahhh... nada que uma boa pesquisa pela vizinhança não resolva. Sou louco por ela. Desde o ano passado, quando me mudei aqui pro bairro fico observando-a, sonhando com o dia em que ela vai me notar.

Nossos olhares se cruzam e percebo seus olhos molhados e vermelhos... Ela chorava. Sorri tentando parecer amigável, queria confortá-la. Eu sabia como era sofrer. Ela se afasta e antes de sair de meu campo de visão, se vira novamente me encarando.

Pelo menos agora ela sabe que eu existo...

Levanto-me e sigo pela estrada deserta. Eu não queria voltar pra casa, na verdade, não podia.

~ No outro dia ~

Anne POV’s

Eu estava trêmula, suava de nervosismo enquanto taylor lautner ficava cada vez mais perto, muito perto.

-Vem cá minha pequena, agora você é minha, só minha.

-Só sua... – disse sorrindo marota enquanto sua boca se aproximava da minha. Eu, EU estava prestes a beijar um dos caras mais desejados do mundo!

Senti seus lábios roçarem nos meus...

-Anne, filha acorda... — senti meu corpo sendo chacoalhado – FILHAAA!

-haaa... mãeee você acaba de interromper meu beijo com Taylor Lautner sabia?

- Você não vai chegar nem perto desse tal de Taylor enquanto não for alguém na vida. Vamos, levanta daí agora.

-uhumm... já to indo – disse deitada abraçando o travesseiro. Abro os olhos devagar e alcanço meu celular.

-O QUEEEEE?!?? MÃEEE QUAL O SEU PROBLEMA? São 4:00 horas da manhã, 4 DA MANHÃ!!! FALTAM MAIS DE TRÊS HORAS PRA MINHA AULA COMEÇAR, VOCÊ TÁ FICANDO LOUCA??

-Levanta logo e para de reclamar.

- Nem pensar...

-Anneeee... – chama minha mãe novamente arrancando meus cobertores- não vou sair daqui até você levantar- disse em tom autoritário

-Ah mãe... OK. Estou de pé agora. Feliz?

-Muito. Seu uniforme ainda está meio molhado. Não esquece de colocar na secadora.

-tá bom mãe.

-Ahhh... e nada de voltar a dormir hein? Vou ficar bem atenta pra ouvir se você está se arrumando mesmo.

-Ahh mãe... você acha mesmo que eu faria uma coisa dessas?

-De você eu não duvido nada. Conheço muito bem a filha que tenho. – disse saindo e encostando a porta.

-Hahaha ela acha mesmo que vou ficar acordada aqui sem fazer nada por três horas? – falo a mim mesmo com um sorriso malandro nos lábios.

Peguei meu uniforme e coloquei na secadora. Abri as portas do meu guarda-roupa e as bati com força, chutei algumas sacolas no chão e atirei meus livros na escrivaninha fazendo muito barulho.

-prontinho... Hora de dormir.

Deito na cama me cobrindo até a cabeça. Depois do belo disfarce estava pronta pra continuar meu sono... Ou melhor, sonho.

~ algum tempo depois ~

-AHHHHHHHHH MEU DEUSSS! 7:20! – berro pulando da cama e correndo, praticamente voando em direção aos livros.

Enfio tudo na bolsa sem nem olhar direito, abro o guarda-roupa pra pegar meu uniforme e... cadê ele?

-Ai não... A SECADORA, A MALDITA SECADORA FICOU LIGADA!

Corro pelas escadas tropeçando nas próprias meias. Alí estava o dito cujo. Aquela coisa que um dia já pude chamar de uniforme estava agora toda encolhida, preta e...

-Anneeeeee que cheiro horrível é esse?

...e fedida.

-Ahh... oi Liam – sorri amarelo escondendo o pequeno carvãozinho atrás das costas

-O que você fez?

-ahh.. então.. sabe meu uniforme... eu..

-Não me diga que..

-É, isso mesmo – o interrompi

-Espera só até mamãe saber disso

-NÃOOO! Ela não vai saber de nada porque ninguém vai contar á ela. Né Liam?

-Humm... acho que alguém aqui vai ter que me fazer uns favores.

-Não importa, mas não fale nada a mamãe.

-E você pretende usar o que agora?

-hum...boa pergunta – Baixo a cabeça pensativa – hahaha... tive uma ideia.

Corro escada acima empurrando Liam e entrando em seu quarto. Abro sem closet e reviro as peças de roupa até achar o que precisava. Me visto rapidamente, pego minha mochila e volto às escadas.

Ao ver o que estou usando Liam gargalha alto. Bufo ao ver a reação e corro pra escola.

Faltam dois minutos.

-Ahhh que ótimo , chuva. – digo indignada cobrindo minha cabeça com a pasta de artes.

Da esquina ouço o sinal bater e arranjo velocidade sobrenatural para alcançar o portão que já estava fechando-se. Consegui entrar. Agora só tem um probleminha...

-Onde fica minha sala?

Saio correndo em direção ao corredor principal quando escorrego no chão molhado, sendo esmagada por alguém que derrubei na queda.

Levo minha mão direita até minha cabeça, que doía a beça. Subo os olhos e encontro uma bela surpresa.

-Ai... essa doeu hein – ele sorri tímido ainda em cima de mim.