Lábios carnudos, avermelhados de forma natural, com um formato perfeito, que várias vezes ao dia formavam um sorriso, causando dois pequenos buracos em suas bochechas rosadas. Sentia uma vontade quase incontrolável de beijá-los toda vez que ela fazia um bico a contragosto, emburrada por qualquer motivo.

Desde quando sentia isso?

Ah, lembrava-se bem desse “quando”. Desde o dia 31 de dezembro, quando deu 23:59 e ela o beijou de forma desajeitada, tímida, como se nunca tivesse feito isso. Após o beijo, os dois pularam as típicas sete ondas e não se falaram nunca mais; Não se encararam; Não se beijaram outra vez.

E agora, Uchiha Sasuke sentia-se uma pessoa basoréxica.

Piscou diversas vezes quando a viu morder o lábio inferior, tentando conter uma risada; Como ela ficava sexy ao fazer isso. A boca carnuda movimentou-se, pronunciando algo de maneira lenta, e apenas após a dona daqueles lábios bater com a mão em sua mesa, que ele despertou de seus pensamentos nada comuns para com a ex-namorada do seu melhor amigo.

― Perdeu alguma coisa na minha cara, bastardo?

― Não, mas adoraria me perder com você.

― Pois vai perder seus dentes se continuar me encarando, bastardo.

Ah, mais uma vez os lábios se moveram de forma lenta, e ela passou a ponta da língua neles, a fim de umedece-los. Podia ser sua língua ali.

Sacudiu a cabeça quando a morena saiu de perto dele, bufando de raiva e com os punhos fechados.

“Bastardo”, uma ofensa que ele nunca perdoaria se não viesse de Hinata. A morena dos lábios mais doces que ele já havia provado.

Levantou devagar, calculando seus passos até chegar onde a Hyuuga de cabeça-quente estava, e sorriu de canto. O sorriso que ela realmente odiava de todas as maneiras possíveis.

― Trinta e um de dezembro.

― Daqui 345 dias. Recomendo que entre em coma, para que o tempo passe mais rápido. ― Respondeu, oferecendo um sorriso sarcástico. ― Caso queira, te deixo em coma gratuitamente.

O moreno colocou a mão no peito, como se ela o tivesse atingido.

― Hyuuga, você é extremamente cruel.

― Não, não sou. ― Murmurou, crispando os lábios. ― Você-

― Antes de pularmos as sete ondas, na viagem que fizemos no final do ano. ― Interrompeu-a, observando sua reação. Ela não expressou nada. ― Você fez algo...

― Deve ter sido entediante, porque não me lembro.

― Aham. ― Murmurou com descrença, voltando a sorrir. ― Quero repetir o que fizemos.

― Espera, o quê?! ― Descruzou os braços, olhando-o assustada. ― Por quê?

― Porque estou com uma vontade incontrolável de beijar essa sua boca.

Segurou a cintura dela, sem esperar por uma resposta atravessada, e beijou-lhe os lábios carmim, finalmente podendo ter outra dose do sabor doce que existia neles. Não levou um socou, ou um tapa, como esperava, apenas um apertão na bunda, que para ele significa um “Eu também sinto o mesmo, bastardo.”

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