Lá E De Volta Outra Vez

10 Antes do primeiro fim


Notas iniciais
Aeee, quase no meu personagem amado hhehehehe Aproveitem < 3

As estrelas pareciam brilhar e esperar que eu brilhasse em resposta. E claro que eu não conseguia. Nunca fui dessas pessoas que brilham sozinha. Sempre dependi de alguém. Se algumas pessoas eram feito estrelas, eu era feito a lua. Eu só refletia a luz alheia. Será que, se tivesse sentimentos, a bola branca no céu sentiria essa sensação de inutilidade, de vazio?

– Querida? – Minha mãe bateu na porta e abriu uma fresta, me trazendo de volta para a Terra. – Está ocupada? Seu pai acabou de fazer o jantar.

– Já vou descer, só preciso acabar esse dever. Rapidinho. – Ela deu um sorriso e encostou a porta, descendo as escadas. Suspirei. Eu não tinha nem começado o dever direito, tinha me perdido em metafísica antes. Fechei o livro e fechei minha janela, saindo do quarto com um suspiro.

Jantei com uma certa pressa, pensando no meu material espalhado no quarto. O semestre se aproximava do fim e eu estava tentando aprender a estudar, a me concentrar. Como eu tinha notado, não era tão simples.

– Como vai na escola, Anna? – Meu pai perguntou, sério. Normalmente ele não cobrava muito de notas, porque eu sempre era uma das melhores da turma. – Tudo tranquilo?

– É, tudo certo. Estou só fazendo dever. Ajuda a gravar a matéria. – Ele concordou, oferecendo ajuda se precisasse. Dispensei com a maior educação e pedi licença para deixar a mesa. De volta ao quarto, abri o livro e fui fazer o dever.

Quando terminei, já estava tarde. Guardei tudo e me joguei na cama, apagando quase de imediato. E dormi tanto que quase me atrasei para a aula no dia seguinte.

E naquela segunda feira, era dia de prova. De matemática. Tomei um banho correndo e deixei o apartamento, sem nem ver que roupa tinha vestido. Cheguei no segundo sinal, entrei correndo para a sala.

A prova seria no horário antes do almoço, então eu ainda tinha um tempo para despertar direito. Sorte minha. A parte estranha foi só todo mundo na sala me encarando, aparentemente surpreso.

Usei a tela do celular para ver o que tinha de estranho na minha cara, mas fora uma marca de travesseiro que logo sumiria, nada. Dei de ombros e voltei a assistir a aula.

Fiquei incomodada de verdade quando fui no grêmio e Nathaniel quase engasgou de me ver. Gente, o que tinha acontecido? Esperei ele explicar, sentindo com um certo medo.

– É só...Não é muito seu estilo. – Ele parecia até envergonhado de olhar na minha direção. Olhei o figurino, entendendo quase de imediato. Com uma calça jeans qualquer e o all star vermelho, eu usava uma blusa que tia Ágatha me dera e que nunca tive coragem de usar.

Era um tomara que caia preto extremamente justo e com uma faixa colorida laranja que descia até a cintura da calça, com um pano fino fechando os buracos que deixariam minha barriga ainda mais exposta.

– Misericórdia. Nathaniel, que roupa horrível que eu peguei. Caramba, e agora?

– Você está com ela já tem dois horários. E temos prova agora. – Ele comentou, sem graça. A consciência de estar com o top fez eu sentir o aperto na parte dos seios.

– A jaqueta. – Ele me olhou, fechando a mochila. – Anda, me empresta sua jaqueta.

Ele correu e me entregou o paletó cinza, ajeitando a gravata azul. O único rapaz de dezesseis que usava gravata para ir à escola. Fechei os botões e esperei ele falar se tinha melhorado.

– Esconde quase tudo. Quase. O botão é um pouco baixo. – É, eu tinha reparado. Infelizmente, peitos não era algo que eu conseguia fingir que não tinha e já tinha aprendido a conviver com eles. – Vamos, anda.

Ele deixou eu sair antes e foi me acompanhando até a sala. Todo mundo reparou que eu tinha dado um jeito no meu problema de falta de moda. Respirei e fui fazer minha prova.

Eu adorava matemática. Mesmo quando tudo parecia muito para minha cabeça, quando eu entendia, parecia o planeta se formando na minha frente. E eu adorava entender.

Peguei a lapiseira e esperei o sinal para começar. Era matéria de trigonometria, aqueles assuntos de seno e cosseno. Respirei fundo mais uma vez e fui ler a questão.

Não era muito grande, nem difícil. Fiz tudo em menos de quarenta minutos e entreguei, recebendo permissão para sair da sala mais cedo. Peguei minha mochila e fui para o refeitório.

Nathaniel não demorou muito depois de mim. Sentou do meu lado na mesa, perguntando o que eu tinha achado. Dei de ombros, mostrando a facilidade que eu tivera. Ele riu.

– É, você sempre tira de letra. – Ele comentou, pegando o dinheiro para o almoço. – Quer comer de uma vez?

– Pode ser. Vamos. – Aproveitamos o ambiente ainda vazio e pegamos a comida acabando de sair da panela, novinha. Até o gosto era melhor daquele jeito. Fora o conforto de não ter que ficar numa fila gigantesca.

Algum tempo depois, as meninas se juntaram a nós. Notei o esforço que Melody fez para ficar perto de Nathaniel e achei graça. Ela não conseguia disfarçar de jeito nenhum.

Notei que Peggy não tinha aparecido, mas não perguntei nada. Na verdade, eu imaginava que ela devia estar com raiva por ter sido excluída. Não que eu pudesse fazer muito para ajudar, não era decisão minha.

Voltei a tentar me defender sobre aquele tomara que caia horroroso que eu usava, escondido pela jaqueta do meu adorável amigo, super prestativo. Rosalya deu uma gargalhada quando falei que foi presente.

– Não é exatamente feio, só não é seu estilo. – Ela argumentou, dando seu palpite de moda. – E você também podia ousar um pouco mais, além de usar só o conjunto calça e camisa.

– Sei. Continuo com meu jeito super prático e confortável, obrigada. – Murmurei, dando de ombros. Ela revirou os olhos, indignada. Nathaniel riu. Sorri também, satisfeita em estar no meio daquela discussão toda. Era bom ter tantas amigas.

E ter Nathaniel também. E na verdade, só de ter aquelas pessoas todas ao redor. Ainda sorrindo, peguei o celular na bolsa, só para checar se tinha alguma novidade.

Lysandre. Ele tinha meu número? Estranhei, mas abri e li.

“Ei, Anna. Castiel e eu estamos livres hoje, vocês podem ensaiar?”

Mostrei para Nathaniel, esperando ele falar o que a diretora tinha dito. Ele concordou, disse que o porão nas noites era nosso. Sorri e enviei a resposta para Lysandre.

“Claro, sempre que der. Estaremos lá :)”

O sinal tocou e eu fui para a aula, pegando minha mochila e indo direto para a sala. Os minutos iam passando e eu ia ficando ansiosa. Não entendi bem o motivo. Talvez por ainda não ter função definida no nosso grupo de música.

Ou por não saber como Lysandre conseguira meu celular.

Quando as aulas terminaram, eu fui com Nathaniel para a a academia. Toda a ansiedade que eu tentava descarregar parecia só me deixar mais pilhada. E Nathaniel falava super tranquilo.

– Sabe o que pode fazer.

– Não quero. A gente já tem um.

– É diferente. Se fosse assim, não existia mais de um tipo.

– Eu sei, mas na frente de todo mundo...

– Para de frescura, vão adorar.

– Não sei não.

Ele nem respondeu mais. E eu tinha que reconhcer que ele tinha certa razão em me sugerir aquilo. Eu ia ter uma função, mas não ia estar confortável. Podia ser só falta de hábito com a ideia.

– Vou pensar em algo. – Comentei. Ele concordou, guardando as luvas na mochila. Vesti minha roupa de novo e voltamos para a escola. Liguei para minha mãe no caminho, avisando que precisaria ficar até mais tarde. Ela concordou, pedindo para eu tomar cuidado.

Lysandre e Castiel já estavam lá, conversando. Pedi licença antes de entrar, puxando um Nathaniel relutante junto. Castiel bufou com a nova presença, irritado de imediato.

– Ok, podemos começar. Então, já pensou no que pode fazer, Anna? – Lysandre comentou, arrumando a altura do microfone, baixo para ele. Neguei com a cabeça.

– Ótimo, temos um peso morto nas costas. – Castiel pegou a guitarra, tocando uma corda. Aquela frase fez o sangue correr mais rápido e eu soltei sem nem pensar duas vezes.

– Faço backing vocal, se quiser. – Lysandre pareceu um pouco surpreso, mas Castiel olhou para mim e continuou sendo um idiota.

– Precisa saber cantar, garota. Não é assim, eu canto mal, mas ninguém vai notar.

– Ok, Castiel, toca ai. Uma bem famosa. – Ele tirou os tênis antes de pegar a palheta e começar a tocar as malditas cordas de sua guitarra com habilidade. Pearl Jam. Do the evolution. Ele deu um sorriso de quem acabava de me derrotar. Sorri de volta.

Pedi licença para Lysandre e desci um pouco o microfone. E olhando nos olhos cinzas de Castiel, posso dizer que deixei ele bem chocado. Eu não queria ter que cantar, mas fui obrigada a provar meu peso nas costas daquele filho da...

E ele tinha dado o azar de escolher uma música que eu conhecia bem. Ele tentou virar o jogo na hora do solo, mas acabou errando uma corda. Calei a boca, subindo o microfone de volta.

– Peso morto é sua bunda. – Respondi, pegando um outro microfone. Depois do silêncio incômodo eu acabei pedindo desculpa pela falta de educação e esperei para começarmos.

– Bom, vamos ouvir a música para gravar e ai começamos.

Apesar da faísca constante entre Nathaniel e Castiel, eu notei que Lysandre e eu até era uma combinação harmoniosa. E o ensaio até fluiu bem. No dia seguinte já teríamos aprendido a música toda.

Foi o que fizemos. No dia seguinte, ensaiamos de novo. Ele parecia bem concentrado naquilo, como se fosse um trabalho sério. Bom, acho que ele aceitava daquele jeito. Levava mesmo a sério.

Sorte nossa. Ele deixaria aquele grupo unido e trabalhando juntos, com toda a paciência e seriedade. Assim como já estávamos fazendo naquela primeira semana.

Depois de dias estudando, fazendo provas, treinando e ainda ensaiando, o dia da apresentação chegou nosso grupo foi o terceiro. E todo mundo pareceu gostar. Fiquei feliz de ter feito parte daqueles poucos minutos.

Rosalya foi me dar parabéns depois que o grupo dela apresentou, sem ela. Ganhei um abraço só por ter feito um trabalho escolar. Ela sorriu para mim, indo abraçar Lysandre. Lys-fofo, como ela gostava de falar.

– Oh, Rosa, tudo bem?

– Ótimo. Garoto, você brilha. E você também. – Ela deu um sorriso imenso, segurando cada um por um braço. Ri também.

– Valeu. – Falei, tentando me soltar. – Agora eu quero acabar o dia, ir para minha casa, ficar largada na minha cama até amanhã. Último dia.

– É verdade. Você vai me relatar suas férias, ok? – Ela murmurou. Concordei. Já tinha comentado que eu ia para a praia nas férias, então não tinha muita escapatória além de narrar tardes sentada na areia ou brincando na água, sozinha.

Sozinha não. Com meus pais. Bom, seriam tardes divertidas, uma semana na casa de praia da minha avó. Só que isso tudo seria apenas daqui dois dias. Agora eu ia para casa dormir e no outro dia viria fazer a última prova, a de física.

– Bom, eu já vou indo. Beijos, Rosa. Até mais, Lys...andre. – Não sei por que acabei de falar o nome. E nem dei tempo de Rosalya me olhar de jeito nenhum. Acho que fiquei com medo de não ter tanta intimidade a ponto de chamá-lo pelo apelido.

Simplesmente corri para fora da escola e fui embora, ainda com aquilo na cabeça. Eu já estava na entrada do parque quando ele me alcançou.

– Anna. – Virei, vendo Castiel atravessando a rua quase correndo. Franzi o cenho. Ele não tinha muitos assuntos comigo. Estranhei. – Vim pedir desculpa.

– Por...?

– Duvidar de você. Foi babaca da minha parte.

– Olhe só, meus encantos fazendo efeito sobre você. – Sorri, satisfeita. Ele tinha vindo se desculpar. – Tudo bem, eu não precisava ficar tão agressiva.

– Bom, desculpa. Até mais. – Acenei, vendo-o fazer o caminho inverso de volta para a escola. Ainda com aquele sorriso vitorioso, fui para casa, pronta para descansar e esperar minhas férias.