Notas iniciais
E não é que romantismo também pode se aplicar?

Arilla Altha estava se preparando para dormir. O banho com água fumegante havia bem feito seu trabalho relaxante, e agora a mulher queria apenas a cama macia depois de um dia um tanto quanto cansativo. O mais difícil em ser o braço direito do chefe dos Garou era o fato de ter que tomar conta a administração enquanto o mesmo estava fora, e se tornava ainda mais estressante quando Nehemiah não se dava nem mesmo o trabalho de avisar que iria sair.

Conseguia entender o afeto que tinha por Kristopher, uma vez que eram parecidos em quase todos os aspectos. Mas queria desesperadamente manter tais pensamentos longe da cabeça. Finalmente a noite chegara, e com ela a esperança de um bom sono relaxante. Saiu despida do banheiro adjacente ao quarto, e colocou um camisola leve e transparente. Se acomodou no centro de sua cama de casal entre as cobertas fofas e usou o controle para ligar a televisão em um volume baixo, quase hipnótico. Sentia finalmente a tensão indo embora juntamente com os suspiros que deixava escapar pelos lábios grossos e vermelhos, quando a maldita campainha resolveu destruir seu conforto com o barulho estridente. Bateu os braços contra o colchão e se levantou, pegando um robe de seda no cabide a medida que, furiosa, saía do quarto em direção à sala de estar, onde ficava a porta. Sua casa tinha o mesmo modelo que a de Kristopher, mais útil que bonita.

- Você faz idéia de que horas... — Tentou falar ao abrir a porta de má vontade, com o sangue fervendo. Não conseguiu terminar a frase, porém, ao notar que Kristopher estava ofegante na sua porta, manchado de sangue da cabeça aos pés, com uma das mãos escorada na parede ao lado enquanto a outra protegia o peito aberto.

- O garoto...

Falar foi um esforço muito grande, e o homem caiu sobre ela, manchando seu robe. A mulher o levou para dentro sem muito esforço, esbaforida e assustada, deitando-o no sofá próximo. Ele acordou gritando ao ser pousado.

- Kris! Kris! Está me ouvindo? O que foi que aconteceu?! — Ela gritava olhando fundo nos olhos do homem.

- Aquele... Aquele... Maldito daquele... Garoto...! — Ele falou com dificuldade.

- Tomas?! Ele escapou??

- Sim... Ele foi pra cidade...! Eu não sei como... Eu abri um dos... Cadeados... E ele se libertou...! — Ele falou ao tentar se sentar, detido pela mulher.

- Espere um pouco, deixe-me ver estes cortes. — Ela falou, ao que ele respondeu ficando imóvel. Com cuidado ela retirou os pedaços rasgados de tecido que cobriam o local.

Um humano normal teria morrido. Não fosse o excesso de músculos que um Garou sustenta compactos dentro do corpo, vários órgãos teriam sido destruídos, mas felizmente não houveram danos nesta amplitude.

- Não se preocupe, eu lhe darei algo pra dor. — Ela saiu correndo até os armários na cozinha e voltou com uma caixa de madeira clara contendo alguns medicamentos, em sua maioria cicatrizantes.

Pulverizou um pó branco em cima dos cortes, acompanhados de urros de Kristopher.

- Você disse... Que ia parar a dor!! Argh! — Ele lutou para se manter esticado e deitado.

Ignorando-o, ela pega um spray e borrifa algumas vezes, aliviando o homem, que lentamente começa a respirar mais perto da normalidade.

- Você vai ficar bem por enquanto. Durma, eu vou mandar alguém procurar por Tomas. Quanto tempo faz?

- Uns quinze minutos, imagino... Eu não desacordei, e ativei a metamorfose pra chegar aqui o mais rápido possível. — Falou, tentando controlar a voz. — Eu... Vou ajudar a procurá-lo.

- Nem ferrando! Você vai ficar aí mesmo. Se for, só vai atrapalhar. Não se preocupe, eu vou mandar os melhores que tivermos no momento.

Kristopher suspirou e resolveu que ela tinha razão, deixando a cabeça cair pesadamente nas almofadas do sofá. Quando Arilla saiu com um estrondo pela porta, ele já havia adormecido.

Com passos duros, ela atravessa a vila, passando por casas quase correndo. Por que diabos isso tinha que acontecer logo hoje?! Nehemiah, cade você?! Ela chega na frente de uma porta, que bate apressadamente, tocando a campainha ao mesmo tempo. Um garoto que parecia não mais velho que Tomas, um pouco mais baixo e de cabelos no mesmo comprimento, porém lisos, a abre alguns minutos depois, com a cara amassada pelo sono interrompido bruscamente. Tem a pele igualmente bronzeada e os olhos grandes numa tonalidade de amarelo mais escura, quase castanho. Seu corpo é mais magro que o dos outros, e suas feições debochadas são quase infantis.

- Arilla...? O que é que...

- Não há tempo para perguntas, vista-se e chame Thimoty. Eu vou esperar aqui. — Ela disse, enquanto quase passava por cima do adolescente entrando com tudo dentro da casa.

O garoto ficou estático, sem entender nada.

- Jeremy! Tá dormindo ainda?! Vai logo!! — O garoto saiu correndo no mesmo instante, com um susto.

Jeremy Taylor saiu correndo. Se ela não fosse tão terrivelmente gostosa... Correu por alguns minutos até terminar na frente de mais um casa, não muito longe da sua. Uma pequena placa identificava o dono: Thimoty Bryant. Tocou a campainha algumas vezes e esperou. Logo a porta foi aberta, de má vontade.

- Imaginei que seria você. — O dono diz. É estranhamente parecido com o outro, com as mesmas feições infantis e debochadas. Os cabelos loiros são lisos e curtos.

- Ainda bem... Arilla está chamando. Ela tá lá em casa.

Desapareceu por algum minutos, voltando com os trajes pretos predominantes do lugar. Vestia uma camisa fechada rasgada nas mangas.

- Incrível, você deseja aquela mulher com todas as suas forças, e na primeira vez que ela vai na sua casa a noite, é por causa de outro cara. Azar, hein?

- Como assim outro cara?! — Jeremy falou enquanto corriam de volta para casa.

- Imaginei que tivesse acontecido algo quando o garoto novato parou de urrar.

- Sei lá, eu tava dormindo até cinco minutos atrás.

Chegaram, entrando pela porta aberta. Arilla usava o telefone apressadamente. Com sinais, mandou que os dois sentassem, Jeremy ignorou-a e foi ao quarto trocar de roupa. Quando voltou, vestia apenas a calça preta. Sabia que qualquer roupa não iria durar muito.

- Tomas, o garoto novo, fugiu. Vocês dois vão pegá-lo. — Ela disse, quando terminou a ligação urgente. Estivera procurando por Nehemiah, sem sucesso. — Ele se libertou do treinamento hoje e derrubou Kristopher. Foi na direção da cidade.

- Ele derrubou Kristopher?! — Perguntou Thimoty sem ar.

- Sim, por isso estou mandando vocês dois.

Thimoty se levantou.

- Não podemos matar, certo?

- Se não tiverem outra escolha... Aquele lá é realmente descontrolado.

Correndo, ambos pulavam pelas árvores. No horizonte viam a cidade com as luzes amontoadas. O silêncio da noite não revelava nada além do fato de que estavam sem pista alguma.

- Você chegou a falar com o novato? — Pergunta Jeremy gritando para que sua voz vença a velocidade.

- Não. — Respondeu o outro, conciso

Péssima hora pra ele ficar de mal humor. Tobby sabia ser um porre quando ficava de mau humor, um porre e um tanto quanto mórbido. Talvez demais pra situação.

Continuaram, até passar pela parede de pedra que dividia a cidade da floresta fechada. Ainda sem saber para onde iriam, decidiram parar e conversar de uma vez.

- Acho que devemos começar por onde ele morava. Lembra onde é? — Pergunta Jeremy, tentando desesperadamente fazer com que aquilo tudo fosse menos mórbido do que já parecia.

- Não viu o noticiário? Rua Joan Ciann Borgieu, não é longe daqui.

Recomeçaram a andar, e logo estavam próximos da casa que, cercada pelas faixas listradas forenses, estava sombria abaixo dos postes que iluminavam a leve névoa noturna. Parados no meio da rua, passaram pelas faixas, entrando na construção. Com facilidade quebraram a trinca da porta de trás. Não ousaram acender nenhuma luz ou mover qualquer móvel ou objeto, mas prestavam atenção em cada detalhe. Nada. Era um casa pequena de pessoas que não podiam pagar muito para o luxo de dormirem embaixo de um teto. Resolveram sair para o quintal lajotado. Seu estômago esfriou ao notarem o grande monstro farejando o chão ali. Não ousaram falar ou se mexer demais, apenas, silenciosamente, saíram na atmosfera noturna. Thimoty tirou a camisa.

Com os olhos dourados passivos, o Garou cheirava o chão calmamente. Subiu a cabeça e seus olhos encontraram os intrusos silenciosos. Se encararam por algum tempo e depois Tomas arreganhou os dentes, rosnando e partindo para cima de Thimoty.

O atacado desviou, com a palma da mão, a mandíbula do monstro de seu rosto, e com os pés tomou mais distância das garras. Ao seu lado, Jeremy iniciou a metamorfose, e depois de alguns segundos outra fera com pêlos escuros avançou enfurecida. Desprevenido, Tomas é atingido no ombro por uma mordida profunda de Jeremy, que aproveita o ataque surpresa para também arranhar impiedosamente as costas do inimigo.Sem muito esforço, Tomas vira seu corpo e joga Jeremy contra Thimoty, que havia acabado de terminar sua transformação.

Os dois atingidos se recuperam e os três se encaram, rosnando e andando em círculos. Quando Tomas tenta pular na direção do telhado para fugir, Thimoty agarra seu tornozelo, devolvendo-o ao chão sem piedade. No instante seguinte Jeremy já subiu nas costas do perseguido, segurando seus braços com o peso dos joelhos e a cabeça com ambas as mãos. Ele começa a rugir alto, amaldiçoando-os em sua lingua canina, enquanto usava todas as suas forças para levantar-se do chão.

Vendo que haviam conseguido subjugá-lo temporariamente, Thimoty desfaz sua transformação. Sangue escorre pelo canto de sua boca, e vários arranhões e escoriações são vistos no corpo do jovem.

- Não deixe que ele escape Jeremy! Eu vou ter que achar um telefone para chamar Arilla, ela vai trazer um tranquilizante! — Tentou gritar acima dos rugidos de ambos. Pulou o muro e desceu no quintal dos fundos da casa vizinha. A casa estava estranhamente vazia, e com a porta aberta. Entrou e rapidamente achou um telefone, que usou para discar rapidamente o número da casa da mulher.

- Arilla?! Conseguimos controlá-lo... Ou quase isso. Traga o tranquilizante rapidamente.

- Ótimo, onde vocês estão?! — Ela perguntou, a estática não conseguiu esconder a tensão em sua voz.

- Nós demos sorte, o achamos no quintal de sua casa num momento de nostalgia. — O garoto falou triunfante.

- No quintal de casa?! Você quer dizer em uma área residencial?! — Ela perguntou descrente.

- Putz...

A fera havia se acalmado, era o que parecia. Não estava mais se movendo, apenas soltando alguns grunhidos, provavelmente de cansaço e dor, do ferimento em seu ombro. Jeremy porém sentiu seu estômago pulsando na hora em que ouviu as sirenes da polícia ao longe. Se ele e Thimoty haviam demorado para chegar, nem ferrando que Arilla chegaria a tempo com o tranquilizante, e ninguém ficaria normal ou calado depois de ver duas criaturas lendárias lupinas lutando no quintal de uma casa onde os pais de uma delas morreram três dias atrás. Em outras palavras: Fodeu.

Se despreveniu pensando nisso, e foi jogado longe pela força do outro, que notou a pequena mas suficiente brecha.

Jogado na direção da churrasqueira próxima, Jeremy viu Tomas subindo pelo telhado e fugindo para a noite mais um vez. Se recompôs e tentou segui-lo, mas a fera havia sido inteligente o suficiente para não usar os telhados para se locomover, fugindo da procura dos dois no nível da rua. Desativou sua metamorfose e pulou o muro atrás de Thimoty. Encontrou-o no quintal, se preparando para pular o muro de volta.

- A gente não foi muito inteligente, né? — Sussurrou, enquanto ambos ouviam os carros de polícia encostando no espaço na frente da casa, provavelmente alertados pelos vizinhos.

- Não. Realmente, não. — Concordou o outro, antes de pular o muro para a escuridão de um terreno baldio.

Felizmente as calças de ambos haviam permanecido inteiras dentro do possível. Por mais que agora lembrassem bermudas terrivelmente largas e destruídas, ainda podiam transitar pelas ruas sem atrair tantos olhares de estranhos como quanto se estivessem pelados.

Corriam em silêncio, em busca de qualquer barulho que parecesse suspeito, algo muito mais difícil em uma vizinhança do que no meio da floresta onde estavam acostumados. Porém, haviam tido sorte, pois a criatura não estava sendo inteligente o suficiente para estancar o sangue, que pingava no asfalto e vez por outra era denunciado por um poste que iluminava o lugar certo.

De repente, porém, escutaram o grito estridente de uma voz feminina, e ativando a metamorfose, pularam e correram o mais rápido que puderam na direção do barulho. Depois de algum tempo acharam uma família inteira na parte de fora da casa, gritando desesperadamente no telefone celular atrás da polícia. Não notaram as duas figuras de dois metros passando por cima do telhado, e logo os dois conseguiram avistar os vultos de Tomas ao longe, pulando de quintal em quintal. Desta vez eles sabiam que não deveriam lutar ou fazer muito barulho, então agiram indo mais lentamente. Notaram que haviam dado muitas voltas na mesma área do bairro, como se o fugitivo quizesse apenas despistá-los. Realmente, este não é o comportamento comum de um Garou qualquer.

Estavam olhando-o de longe quando ele parou, em baixo de um poste de luz, em frente a uma casa, para qual olhava vidrado.

Evelyn Farrel estava no meio de uma insônia. Seus cabelos compridos e encaracolados castanho-claros estavam espalhados no travesseiro grande de sua cama macia. Estava com uma camisola provocante preta, que contrastava com sua pele extremamente clara. Suas bochechas normalmente rosadas estavam pálidas e seus olhos cor de mel inchados e vermelhos, sintomas que seguem uma crise de choro.

Fazia três dias que não ouvia falar de Tomas. O velório de seus pais fora terrívelmente triste, fazendo-a apenas lembrar cada vez mais que o garoto sumira, e que ninguém fazia idéia se estava vivo ou morto. A mídia começava a veicular as suspeitas da polícia que os irmãos foram ou os autores do crime ou eram os alvos dos criminosos, colocando ênfase desnecessária na hipótese de que haviam assassinado os própios pais. Tomas sempre havia sido seu amigo. Os pais de ambos eram amigos, e lembravam de se conhecerem desde sempre. Tomas sempre fora pobre, e agora sua família estava conseguindo adquirir alguma estabilidade financeira.

Ele e o rimão Henrique brigavam toda hora por qualquer coisa, devido aos gênios terrivelmente diferentes. E a diferença não se limitava aos gênios, até na forma física eram diferentes. Enquanto Tomas era grande, com a pele bronzeada, olhos castanhos e cabelos encaracolados, Henrique era de constituição magra, ficaria mais alto que o irmão em alguns anos, tinha os olhos verdes e os cabelos loiros lisos. Tomas era paciente e ponderado, enquanto o mais novo brigava por qualquer coisa, o que tornava ambos incrivelmente engraçados quando juntos. Apesar de o caçula não fazer parte do grupo do irmão, eles eram bem conhecidos como \"Ying e Yang\".

Cada vez que as lembranças dos dois vinha a sua mente, mais uma lágrima manchava o travesseiro. Por que tinha que acabar deste modo?!

Ouviu um barulho estranho vindo do lado de fora de sua sacada. Algo cortou o ar, e atraiu a atenção do cachorro preso à casinha, que gania terrivelmente assustado. Nada incomum, Lolie era medroso para qualquer coisa. Abriu a porta de correr que dava para a sacada, e tomou o vento gelado no corpo de frente, tendo calafrios. Mas não duraram muito.

No térreo, ela notou aquilo, que a olhava nos olhos. No escuro era apenas uma mancha, que não fazia barulho, apenas a olhava. Talvez o melhor termo fosse desejava. Começou a tremer, enquanto a coisa saía da sombra garantida pelo muro alto. Um lobo grande, gigante, com mais de dois metros.

O Garou abriu a boca, exibindo os dentes brancos grandes e ameaçadores, e os olhos se turvaram de desejo. Deu mais um passo, ao que a garota respondeu soluçando. Sem notar, começara a chorar copiosamente. Um barulho animal, gutural, saiu da boca do monstro, quase um rosnado, enquanto suas feições se tornavam ainda mais descontrolada pela raiva.

Eles notaram quando o infeliz entrou pelo muro e não saiu. Viram a garota abrindo a porta sacada e saindo, e notaram o olhar de terror dela fixo no ponto abaixo. Correram, a ponto de chegar perto o suficiente para ouvir o rosnado do Garou, que aumentou e terminou em um uivado terrível. Ambos pularam em cima do muro, ao mesmo tempo que Tomas avançou para a sacada e a garota caiu para trás, fugindo.

Mesmo destransformado, Jeremy pulou para a sacada, agarrando os pés do monstro e jogando-o para trás. Thimoty completou o movimento, pegando no ar a cabeça do Lobisomem surpreso e jogando-o com ainda mais força contra o asfalto, fazendo uma rachadura. Em instantes a fera estava a postos novamente, e Jeremy ao lado de Thimoty.

- Aqui vamos nós de novo... — Disse o último com um ar entediado.

- Nem fale, e agora ele não vai desistir. Parece que quer essa garota. — Concordou Jeremy prevendo problemas.

Porém, o Garou se levantou sobre as duas pernas traseiras e ficou imóvel, olhando para cima. Sua mandíbula tremia, mas ele não movia um músculo sequer voluntariamente. Alguns momentos se passaram, nos quais Evelyn voltou a sacada, surpresa com o aparecimento dos outros dois jovens.

Assustando a todos, a fera começou a urrar descontroladamente, atacando o própio ar, com os olhos injetados. As luzes das casas em volta começaram a se acender, e várias pessoas começaram a abrir as janelas. Prudentemente, Jeremy pulou e destruiu a lâmpada do poste, mas não pôde deixar de ficar boquiaberto com a cena que presenciava. Entre urros e rosnados contra o nada, ele parou de repente, socando o chão com todas as forças. Sangue começou a sair dos punhos feridos, pequenas crateras e muitas rachaduras se formaram no asfalto ante ao súbito acesso de loucura do Garou. Ficou imóvel, com os punhos pregados no chão. Depois caiu para o lado, desmaiado. Lentamente a metamorfose se desfez, e o garoto apareceu no meio da rua destruida. Evelyn tapou a boca, horrorizada.

- Acho que... Não é algo que se vê sempre. — Disse Thimoty, arregalado. Jeremy não respondeu, apenas pulou no chão, conferindo a saúde de Tomas.

Ambos desceram. Jeremy, o mais forte, pegou Tomas nos ombros, e se preparavam para sair, a medida que sirenes novamente eram ouvidas ao longe. Iam começar a correr, quando o barulho do portão da casa da garota rangeu e ela saiu correndo na direção dos dois. Sem entender muita coisa, eles deixaram que ela se aproximasse em silêncio.

Evelyn acariciou o rosto de Tomas, ainda chorando, sem acreditar no que presenciara.

- Como...? O que...? — Ela tentava perguntar entre lágrimas.

- Não há tempo. — Disse Thimoty, afastando a mão delicada e branca. — Nós temos que levá-lo.

- Mas... Para onde...? — Ela perguntou, soluçando.

- Para um lugar seguro. Não se preocupe, ele ficará bem conosco.

E dizendo isso saíram, primeiro lentamente, e depois correndo enquanto se transformavam e pulavam de casa em casa de volta na direção da floresta.

Notas finais
╚ Aí está... Com uma revisão razoável, depois eu peço pra alguém dar mais uma olhada. ╚ Acho que forcei um pouco a ambientação... Que acharam? :D ╚ Comentem... Fica bem mais fácil de me motivar se desconhecidos imparciais disserem o que acham! xP