Luzes de New York - HIATO
1 Prólogo
Notas iniciais
Observei através da janela do quarto, sentada sobre o colchão que ali ficava, as diversas luzes de New York. Eu havia visitado diversas cidades diferentes, visto Paris, os shows de lanternas na Tailândia. Mas nada me encantava mais do que as luzes de New York, mesmo de dia.
Talvez por eu amar essa cidade, por eu ter crescido aqui. Por ter tantas memórias nesse lugar. É, com certeza era isso. Todas essas coisas juntas.
A beleza, o amor e as memórias. Tudo isso me ligava a New York, me transmitia calma. Mas não dessa vez.
Nem mesmo a beleza da cidade conseguia me distrair ou me acalmar.
Eu só conseguia pensar no relógio que caminhava devagar, em cada segundo que se arrastava até o próximo. Eram apenas cinco minutos de espera, mas cada segundo passava como uma eternidade para mim.
A angústia, o medo, a dúvida e a ansiedade me consumiam.
Cinco testes haviam sido feitos antes desse e a cada falha, a dor da próxima tentativa era pior. Por isso Edward não estava ao meu lado dessa vez. Eu sabia o quanto ele se sentia impotente, decepcionado a cada novo resultado e mesmo assim ele me pegava nos braços e tentava me consolar. Aquela coisa de colocar a dor no bolso para cuidar do outro.
Mas eu sabia que o machucava, então eu apenas aproveitei sua saída com Jasper e Emmett e comprei um teste. Eu não queria que ele sofresse mais.
Assim que o despertador que eu havia programado apitou, quis que o relógio voltasse a girar devagar. Me arrependi de estar sozinha. Eu não estava pronta para o resultado, eu precisava de alguém ali comigo.
Caminhei lentamente até o banheiro respirando fundo, querendo que o resultado mudasse com a minha demora. O meu coração martelava a cada passo, como se previsse o resultado que estava ali em cima da pia.
Negativo. O sexto negativo. O maldito sexto negativo.
Eu não consegui evitar o soluço que veio rápido, muito menos as lágrimas que vieram a seguir. Tão doloroso.
Eu caminhei com a visão embaçada de volta para a janela, o pequeno espaço poderia servir como um abraço.
Com uma manta ao redor do meu corpo, me encolhi naquele espaço e tentei me acalmar.
Eu queria um filho. Eu queria ser uma mãe.
Não consegui evitar que meus pensamentos fossem até Renée.
A pessoa sorridente, cheia de vida. A mãe amorosa, divertida e confidente. A esposa dedicada. A estilista bem-sucedida.
Ela estava sempre em minha mente, com seus conselhos e sorrisos.
Eu queria ser como ela, eu queria ser uma mãe como ela. Mas o universo parecia não querer o mesmo para mim.
Olhei mais uma vez para as luzes através da janela, o coração partido, a saudades da minha mãe, a falta de Edward ali, a vontade de ter um filho. Tudo junto.
Tentei procurar calma naquela vista, ser agradecida pelo que eu tinha. Mas nem a minha favorita cidade conseguia amenizar o incontrolável desejo de ser mãe.
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