Luzes da Ribalta
1 livro: Cancioneiro
LUZES DA RIBALTA
Desbravo a tarde longa em coisas tão pequenas
Jardim da criação com origami e tinta
Estrelas no quintal são cacos de poemas
E a cor da escuridão é o tom que não se pinta
Cansado de saber que a vida é sem por que
A terra deu-me um nó nas ruas que pisei
Abrir-me os braços é teu jeito de prender
São peças que se encaixam sem lugar, sem lei
Depois da calma vem talvez a tempestade
Fazer o bem sem ver a quem é uma maldade
Mas se estes males vêm pra bem, o choro aflora
Promete nunca mais beber daquelas águas
Eu deixo pr'a depois o meu dever de agora
E a gente cola os cacos, luzes da ribalta.
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