Luz ou Escuridão?

1 4 de julho de 2018


Notas iniciais
Espero que gostem. Os dois próximos capítulos estão prontos e achei melhores do que esse. Espero que vocês me acompanhem e leiam os próximos também ♥

O sol brilhava no céu azul de verão. Faziam 25°C naquela quarta-feira em Southampton. Por ser uma tarde de um dia de semana, eu estava com minha sobrinha Melanie, já que minha irmã Ana precisava trabalhar.

Passeávamos pelo centro de Southampton, perto da zona portuária, quando vimos um helicóptero. Melanie adorava helicópteros e aviões, os achava mágicos. Sorriu.

__Heli... Helicuptiro... Helicotero... — tentava dizer enquanto balançava seu paninho como uma princesa.

Sorri.

__Helicóptero, Mel.

De tanto balançar seu paninho, ela acabou deixando-o cair. Mel notou e se balançou para descer. Resolvi colocá-la no chão.

__Paninho! Eu pego, tia!

Foi então que tudo aconteceu. O helicóptero que havíamos visto antes jogou uma espécie de jato acizentado que caiu muito próximo a mim. Caiu em cima da Melanie e de muitas outras pessoas. Não consegui contar quantas.

De repente tudo aconteceu em câmera lenta. Pessoas corriam. Mais jatos caiam. Eu continuei ali, parada, sem conseguir deixar de olhar para onde Melanie tinha ido. Todas as pessoas que entraram em contato com aquele jato estavam caídas.

Mais jatos.

Eu não conseguia ver a pequena Melanie. Onde ela estava? Droga.

Mais jatos.

__MELANIE? _ eu gritei, mas sem conseguir uma resposta. Todos estavam gritando, ninguém conseguiria me ouvir.

Tentei gritar novamente, mas meus lábios se recusavam a abrir. Foi então que eu a vi. A pequena Mel estava no chão, com sangue sobre si, sem movimento algum.

As lágrimas quentes e salgadas rolavam pelo meu rosto.

Mais jatos.

Alguém passou correndo por mim. Caí.

Meus joelhos sangravam. Eu precisava sair dali. Me levantei, sem forças, e corri. Corri em direção a parte mais vazia da cidade, longe do porto. Não corri muito; não tinha forças para isso.

Entrei em um beco e me escondi dentro de uma lixeira grande que parecia ter sido "limpa" recentemente. Não havia nenhum lixo dentro, mas o cheiro era insuportável. Mesmo assim foi ali que eu desabei: chorei em silêncio por horas até cair no sono.

(...)

Acordei sem saber se era seguro sair dali. Eu tinha medo. Eu estava sozinha. Quantas horas haviam se passado? Eu não conseguia ouvir barulho algum.

Meu rosto parecia inchado de tanto chorar. As pessoas costumavam dizer que eu era forte... Não sei o que diriam se me encontrassem nesse estado. Sai da lixeira com cuidado. O cheiro fora dela era tão ruim quanto dentro. Sangue. Corpos. O medo que eu sentia aumentava com cada passo dado para longe dali.

Eu estava morando em Southampton há 6 meses. Minha irmã mora aqui há anos, Melanie nasceu na cidade. Moro com ela. Estou Estava? Não sei bem que verbo usar para falar dessas coisas. Hoje mais cedo seria presente, mas... Por que agora isso tudo parece passado? Bem, eu estava fazendo intercâmbio na Universidade de Southampton. Curso de cinema. Irônico. O dia de hoje parece um filme independente com verba mínima para efeitos especiais.

Atravesso a rua.

Eu iria começar o quinto período essa semana, mas agora eu já não sei bem o que acontecerá. Pouco importa, para falar a verdade. Eu não sei nem mesmo se Ana está viva. Eu terminaria a faculdade no primeiro semestre de 2020. Meu nome é Julieta, mas eu já nem sei mais para que precisarei desse nome. Eu tenho 19 anos.

Eu andei tanto que já me encontrava perdida pelas pequenas ruas que servem de atalho para o porto. Olhei ao fundo e consegui vê-lo. Normalmente, olhando de onde estou, seria possível ver navios grandes saindo ou chegando à cidade. Ao invés disso um navio grande pega fogo. Nenhum navio chega. Nenhum barco sai.

Ando para mais longe, para a zona de hotéis. Parece irônico, mas eu preciso de um lugar para dormir. Por um segundo pensei em voltar de onde vim, em direção à casa de Ana. Preciso saber se ela está viva. No entanto, a sanidade logo chegou até mim: está escurecendo, tentar voltar todo o caminho que fiz é suicídio. Voltar para onde os jatos começaram? Não é nada inteligente. Tudo o que eu preciso saber é se Ana está viva e isso não será possível se eu estiver morta.

Após andar muito, cheguei até a zona hoteleira da cidade. Com bem pouco esforço achei um hotel confortável: Hotel Paradiso. O hotel parecia ainda ter energia elétrica. Para falar a verdade eu não sabia se isso era bom ou ruim.

Seu letreiro em neon brilhava fraco com algumas letras ainda mais fracas que outras. Olhando de longe, qualquer um diria que seu nome era "Otel Paris"

Tentei entrar sem fazer muito barulho, mas a porta estava trancada.


__Ótimo! _murmurei.

Andei um pouco para trás, tentando ver o que eu poderia fazer para abrir aquela porta. Foi só então que vi que a janela ao lado da porta estava quebrada. Meu coração acelerou. O que seria aquilo? Alguém já havia entrado ali após tudo isso? Alguém tentou sair?

A janela era baixa e, pelo tamanho do buraco, uma pessoa poderia facilmente entrar ou sair dali. Meu coração ainda batia rápido. Estava escurecendo, eu precisava arrumar um lugar para se esconder. Não daria pra confiar em qualquer pessoa que eu encontrasse. Eu poderia ser facilmente uma vítima de estupro; não dá mais pra saber quem é bom ou quem é mal.

Depois de pensar muito, resolvi entrar no hotel. Eu não queria ficar ali fora para saber o que aconteceria ao anoitecer. Com muito cuidado, apoiei minha mão na parede ao lado da alta janela e entrei, pisando em alguns cacos do local onde ela havia sido quebrada. O hotel por dentro parecia estar sem luz, o que só me deixava com mais medo.

Parei um pouco para checar o local. A janela dava para o saguão, que era bem grande. Do lado direito haviam alguns sofás de couro distribuídos ao redor de uma lareira alta. Do lado esquerdo havia um bar e uma lanchonete. O bar parecia ter sido saqueado: algumas bebidas se encontravam no chão e outras estavam abertas em cima do balcão. A lanchonete tinha uma geladeira abarrotada de coisas e uma máquina de doces. A máquina que mantinha os salgados quentes se encontrava vazia.

Foi só então que notei que eu estava com fome. Quanto tempo havia se passado desde que eu entrei naquela caçamba de lixo e adormeci? Resolvi continuar a checar o hotel antes de tentar encontrar comida. Olhei um pouco mais e notei que no centro do saguão, ao fundo, se encontrava a recepção. Parecia vazia, mas a placa onde ficavam as chaves dos quartos estava cheia.

Ainda tomando cuidado para não fazer barulho, fui até a recepção e escolhi aleatoriamente uma chave. Quarto número 18. Enquanto eu pensava se eu deveria comer ou checar os quartos agora, ouvi um barulho. Olhei para os lados e não vi nada. Lentamente, andei até a janela e peguei um dos cacos que estavam caídos no chão. Barulho novamente. Era uma espécie de ruído mas definitivamente vinha de um ser vivo. Barulho de novo. Vinha de fora do hotel.

Notas finais
Eu sou extremamente insegura com minhas histórias então, juro, cada comentário me traz uma felicidade imensa. Se acharem que eu devo melhorar em algo, me contem. Se gostarem de algo, me contem também. É muito importante pra mim ♥ Obrigada!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.