Luz e Trevas
9 Capítulo 8
Notas iniciais
Dianna caminhava tranquilamente em direção a sua casa, mas teve de parar de repente, pois Dylan entrara em seu caminho.
–O que é que você quer agora Dylan?
O rapaz não parecia estar nada feliz, mas a garota também não se encontrava nos melhores dias e definitivamente aquele dia não estava sendo muito bom.
–O que você estava fazendo novamente naquele lugar!
–Não é da sua conta! — Dianna se afastou e continuou por seu caminho, mas o garoto novamente se pôs em seu caminho. — Dylan, se você não quiser visitar o inferno mais cedo, acho melhor sair do meu caminho e me deixar em paz!
–Não, pelo menos, não até você me contar o que estava fazendo la!
Dianna respirou fundo e massageou o ponto entre os olhos.
–Dylan, eu te imploro, me deixe voltar para casa, eu estou exausta!
–Não!
–Dylan eu estou falando serio, estou perdendo minha paciência, então ou você sai da minha frente de livre e espontânea vontade ou eu te faço sair sentindo mais dor do que você gostaria de sentir em toda a sua curta vida!
Dylan olhava dentro dos olhos da garota e pode constar que a ameaça era verdadeira e que se ele continuasse ali ele iria sofrer, com um suspiro ele se virou e voltou para sua própria casa. Finalmente Dianna pode voltar para sua casa, mas ao por os pés ali dentro ela percebeu que a casa estava em um completo silencio, o que não era natural, afinal sempre havia som ali dentro. Era estranho para ela não ver seu pai, sua mãe e sua irma, fazendo barulho pela casa e isso a incomodava.
Dianna caminha pela casa inteira e realmente estava totalmente sozinha, novamente na sala ela se jogou no sofá e viu que na mesinha de centro havia um pequeno bilhete, escrito com uma letra bem desenhada e muito conhecida, um sorriso brotou em seus lábios.
“Filha, eu, sua mãe e sua irmã resolvemos de ultima hora ir visitar sua avó materna, iremos passar o final de semana por aqui e no domingo a tarde iremos voltar para casa, qualquer coisa e caso você queira vir, me ligue que irei te buscar ou você pode até vir de ônibus, afinal é perto, beijos querida, cuide bem da casa!”
–Obrigado por me esperar papai, o senhor é um amor! — Dianna respirou fundo, passou a mão pelos cabelos e por fim pegou o telefone e evitou o impulso de joga-lo contra a parede, rapidamente digitou o numero do celular do pai e assim que ele atendeu ela já começou quase que gritando. — Pai pode tratar de vir me buscar, agora!
–Dianna, querida, sua mãe acabou de sair e você sabe como ela fica quando eu saiu e não aviso onde fui!
–Larga a mão de ser frouxo pai, levanta essa sua bunda do sofá, pegue a chave do carro e venha me buscar imediatamente!
Sem esperar por uma resposta a garota desliga o telefone na cara do pai, algo naquele papo de a sua mae não gostar dele sair sem avisar não lhe cheirava bem, pisando duro ela subiu as escadas, fazia tempo que não visitava sua avó e como não passaria muito tempo por lá acabou pegando poucas roupas, com a mochila pronta ela desceu as escadas e esperou o pai perto da porta, ele por sua vez não demorara muito para chegar, provavelmente pegara algumas multas em seu caminho. Ainda brava a garota jogou a mochila no banco de trás e sentou-se ao lado do pai.
–Princesa, não fique assim!
–Assim como?
–Chateada comigo, você sabe que a sua mãe sabe ser assustadora quando quer!
–Sei, mas afinal o que deu em vocês irem ver a vovó?
–Sua mãe disse que estava com saudades da sua avó!
–Entendi!
O resto do caminho fora feito em silencio e algum tempo depois eles estranham em uma estrada de terra que lhes levava a um portão de ferro fundido, a propriedade era completamente cercada de arvores, assim como a estrada depois do portão, que levava a mansão principal, as arvores formavam um lindo túnel que se abria a uma enorme fonte bem em frente a uma mansão em estilo vitoriano.
Assim como a fachada, por dentro a casa também parecia ser antiga, suas paredes eram todas pintadas de amarelo claro, as enormes e infinitas janelas eram cobertas por cortinas beje, quadros com molduras douradas adornavam as paredes, candelabros de cristal eram espalhados pelo teto, móveis que provavelmente provinham do século quinze eram espalhados por toda a extensa da casa opinião e o chão era forrado de tapetes persa. Ao passarem por uma enorme porta dupla de madeira antiga eles se viram em uma enorme sala com lareira e em uma poltrona com estofado de um vermelho fosco onde uma senhora estava sentada lendo que assim que ouviu as enormes portas sendo abertas dirigiu seu olhar para a entrada.
–Samuel quem é esta linda garota que você trouxe?
–Esta é a minha filha mais velha, Karen, a Dianna!
–Ela é realmente muito linda Samuel, me lembra tanto a Yara!
–Pai, quem é Yara?
–Era a irmã mais nova da sua mãe!
–E cade ela? Porque eu nunca a conheci?
Dianna encarava seu pai igual a uma criança quando quer saber de algo e não percebe que sua pergunta acabara por desencadear um leve choro em sua avó e que seu pai fechou o punho com raiva.
–Minha filha foi brutalmente assassinada!
Dianna perdeu toda a cor do rosto, ela não tinha noção da gravidade do assunto e agora, só depois do ocorrido, que percebeu que tanto seu pai como sua avó estavam alterados por causa daquilo. A garota olhou para os próprios pés e só conseguiu murmurar.
–Desculpe, eu não sabia de nada disso!
–Não se preocupe querida, não precisa se desculpar!
Dianna olhou para a mulher a sua frente e sem pensar duas vezes se jogou nos braços dela e chorou pelo sofrimento da mais velha. Samuel encarou a filha, pasmo, nunca vira sua filha chorar, ela evitava fazer isso na frente dele e de sua mulher, e na frente de uma mulher que ela acabara de conhecer chorava tristemente.
–Já esta tudo bem querida, aconteceu já faz muito tempo, então não se preocupe, mas agora vamos comer, que você deve estar faminta, sem contar que deve estar exausta também!
Dianna soltou-se da mulher e limpando as lagrimas com a manga da blusa acenou positivamente com a cabeça, enquanto a senhora os guiava para a cozinha ela se perguntava como um ser tao doce conseguia ter tido uma filha como sua mãe, para ela isso seria um eterno mistério. Ao sentar-se na mesa e ver aquela senhora lhe servindo, ela se sentiu finalmente com uma mãe.
–Obrigado, a senhora realmente esta certa, estou faminta e quase que implorando por uma cama quente e aconchegante!
–Coma tudo então querida e quando terminar o Samuel ira lhe levar pro antigo quarto da minha filha mais nova, era o melhor quarto da casa e sei que você ira ama-lo como a Yara o amava!
Samuel abriu a boca para reclamar, mas teve que fecha-la rapidamente, pois Karen lhe olhava furiosa e seu olhar dizia claramente que se ele reclamasse ela poderia fazer algo bem pior do que faze-lo de guia turístico para a filha. Assim que Dianna terminou de comer o homem lhe levou ao andar de cima, lhe encaminhou para o ultimo quarto do corredor principal e lhe deixou em frente a uma porta dupla totalmente branca.
Dianna entrou e viu que o quarto era totalmente pintado de um rosa claro com desenhos de flores com os caules entrelaçados, no centro havia uma cama com dossel, a cama era branca e dourada, o dossel era de um rosa quase branco e pequenas correntes com pedras transparentes adornavam o tecido, a colcha era branca com pequenas e delicadas rosas, os travesseiros era de seda branca sem nenhum detalhe adicional e pequenas almofadas com rosas enfeitavam a cama com graça. Ignorando todo o resto do quarto a garota simplesmente se jogou na cama e deixou que o sono lhe dominasse.
Horas mais tarde Dianna acordou de supetão, estava com o corpo coberto de suor, sua cabeça girava e seu corpo tremia, estava assustada, podia não se lembrar de seu sonho, mas sabia que havia sonhado com algo aterrorizante. Se sentindo nojenta a garota marchou para o banheiro onde ela reparou melhor na decoração, havia um enorme armário todo branco estava cheio de produtos de beleza, uma pia branca estava em seu centro, acima dele um enorme espelho de prata, uma banheira de louça com detalhes em prata estava praticamente no centro estava em volta da banheira com um leve tecido branco. Após o banho, enquanto penteava os cabelos e se encarava no espelho, mas ao invés de se ver ali, a única coisa que enxergava era os olhos que pertenciam ao Luka, ela já não aguentava mais aquela perseguição, tinha se acostumado, mas depois de conhece-lo e do que passou não queria passar mais por aquilo, aquela perseguição já estava enchendo a pouca paciência da garota, aparecer enquanto estava acordada era aceitável, mas invadir seu sono era o fim. Em um rompante de raiva, sem medir as consequências, Dianna socou o espelho, este por sua vez se partiu em vários pedaços e com seus cacos feriram a mão da garota, que ao perceber o que fizera começou a choramingar e juntas os pedaços que cairão no chão.
Ao ouvir o estouro do vidro Samuel saiu correndo até o quarto da filha e a encontrou no banheiro, com a mão ensanguentada, choramingando sobre algo e recolhendo os cacos do vido. Karen também fora capaz de ouvir o som, só que subiu mais calma que Samuel, que pareceu se tornar um corredor de maratona, para ela aquela cena era quase como um deja vu.
–Filha o que aconteceu?
–Um pequeno acidente, um maldito de um pequeno acidente!
Karen entrou no banheiro e ao ver a ruiva ali sorriu de forma nostálgica, ver aquela garota tao parecida com sua filha mais nova lhe trazia lembranças.
–O que as garotas que ficam com este quarto tem contra o espelho do banheiro?
Dianna levantou o olhar e encarou a avó.
–Como assim?
–Quando minha filha, Yara, vivia neste quarto ela também odiava esse espelho, pelo menos era o que parecia, pois de vez em quando ela fazia o mesmo que você fez, o socava, eu pedi as contas de quantas vezes tive que enfaixar a mão dela!
Dianna encarou a senhora com uma sobrancelha erguida, mas não se pronunciou e nem a mulher disse mais nada, apenas deu as costas e foi para seus aposentos para poder dormir.
Por fim Dianna largou os cacos em um canto amontoados e sentou-se em uma cadeira, seu pai pegara em sua mão e com uma pequena pinça, tirada do armário, ele começou a retirar alguns cacos que entraram em sua pele, mas a garota não percebia o que o pai estava fazendo, estava mergulhada em seus pensamentos, que giravam em torno do que sua avó havia lhe dito. Conforme o homem limpava os ferimentos eles iam se fechando lentamente, sem que ele percebesse, quando se virou para pegar as bandagens os ferimentos terminaram de se curar.
–Mas o que... Filha o que aconteceu com seus machucados?
Dianna suspirou e por fim focou seu olhar em sua mão, mas seu entusiasmo havia simplesmente sumido.
–Eles se cicatrizaram!
–Como?
–Auto regeneração!
Samuel encarava a filha confuso e a garota o olhava com tédio, em outro momento até poderia achar a reação do pai no minimo divertido, mas não agora, ela simplesmente não ligava para a confusão do pai.
–Você pode realmente fazer isso?
–Se o ferimento estiver limpo, sim!
–Então esse é o seu dom?
–Mais ou menos!
–Como assim?
–Este é um dos meus dons!
Novamente Samuel não compreendia o que a filha dizia, o que já estava lhe deixando frustrado.
–Um dos seus dons?
–Exatamente, como a Katrina alegou uma vez minha mente é fechada demais para qualquer um que tente invadi-la de qualquer forma, ou seja posso me proteger de ataques mentais, mas não dos físicos, possuo grande velocidade, tenho muita força bruta, tenho visão noturna e quase que microscopia, e pelo me consta é só, mas eu não me conheço muito bem, posso ter outros ou não ter mais nenhum!
Samuel não sabia o que fazer, não poderia gritar com a filha, pois se não acordaria a velha e ele lhe esfolaria vivo por brigar com a menina e por nunca ter-lhe apresentar a neta. Para não causar nenhum estrago o homem saiu do quarto e se dirigiu ao seu quarto. Ao se ver finalmente sozinha Dianna foi para o quarto e sentou-se na beirada da janela, e apesar de estar brava não conseguia parar de pensar nele.
“O que você estará fazendo agora?”
Dianna estava tao perdida em seus pensamentos que não notara a presença na porta de seu quarto.
–No que tanto pensa querida?
Dianna dera um pequeno pulo no lugar e se virou bruscamente em direção a porta, mas se aliviou ao ver que era sua avó ali, a mulher vestia uma longa camisola de cetim branco, com um penhoar da mesma cor da camisola, a garota sentiu seu rosto esquentar e sabia que estava vermelha de vergonha, afinal havia sido pega no flagra enquanto pensava em alguém, seu olhar se voltara novamente para a janela.
–Infelizmente vó, estava pensando em um garoto!
–Se não for muita intromissão, mas posso saber que garoto?
–Não posso lhe contar quem é vó!
–Você gosta dele, não é?
–Não sei, ele me perturba e eu já não sei mais o que esta acontecendo!
–Entendo, eu entendo mais do que você imagina querida!
–Como assim?
–A Yara, passou pelo mesmo que você esta passando, e da mesma maneira que você esta agindo ela também agiu!
–Entendo!
–E foi por causa dele que você socou o espelho?
Dianna sentiu novamente aquela queimação e envergonha olhou para a avó que a encarava com uma sobrancelha arqueada.
–Eu acho que foi!
–Enquanto você não se decide vamos descer e tomar o nosso café!
Silenciosamente as duas desceram a escada e foram para a cozinha tomar o café da manha.
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