Luz e Escuridão
1 Prolongo
Notas iniciais
Era uma noite chuvosa. Já passava das dez da noite. Quando a porta se abriu, um homem com capa de chuva amarela parou na porta. Estava com dois sacos de papel na mão. Por sorte seria algo de comer. Sua filha, com mais o menos seis anos de idade, saiu do quarto. Pegou as sacolas que ele tinha na mão e foi leva-las ate a mesinha de madeira acabada.
Eram pobres e o pai tinha que trabalhar a tarde toda para pagar pelo menos a comida para os dois. Ela usava uma camisola longa e larga de mais para ela. Era de um antigo vestido da mãe que agora lhe servia como roupa.
Enquanto ela levava as sacolas feitas de papel molhadas para mesa, o pai escondia atrás de um sorriso doce para a filha, como o dia foi cansativo. Tirava as botas de borracha encharcadas e a capa amarela. Ele imaginava como ela havia crescido como parecia com a mãe. Seus longos cabelos loiros e ondulados roçavam ate o fim das costas, seus olhos era arregalados com medo de tudo que a cercava, com tons de azuis claros como o da mãe. E estava sempre sorrindo, um sorriso doce que o fazia lembrar o porquê ele havia se esforçado tanto na obra que trabalhava no momento.
“Papai, papai. O que trouxe hoje?”
“Trouxe alguns pães e um presente para você, do seu Joaquim”.
“O que é?”, disse a garota mexendo nas sacolas e ficando na ponta dos pés descalços para ver o que havia perto da sacola, quando um gatinho preto de olhos fortes e verdes, todo molhado por causa da chuva, colocou as patas sobre a sacola, “Que lindo papai, não vai ter que devolver né?”.
“Não, querida. Seu Joaquim mandou e disse que como gosta de bichinhos ele ia me dar um litro de leite a mais, para cuidar do gato. O que acha?”, disse ele sorrindo.
“Uma ótima ideia”, disse ela pegando um pano e se sentando no chão da sala deles que havia apenas uma cadeira. Ele observava a filha que enxugava o gato, com o pano, que parecia ter gostado dela.
“Talvez possa chamar seus amiguinhos para verem seu gato...”.
“Não tenho amigos papai, não gostam de mim, porque mamãe morreu, não é mesmo fofinho. Pai que nome vamos colocar nele? Pode ser Fofi?”
“Ah, filha”. Não sei. Mas parece que ele já tem nome, olha ai, ele tem uma corrente com o nome, eu acho... ’
Ela examinou o gato e achou uma corrente de prata com uma parte lisa, que estava gravado o nome do gato.
“Rick?”
“Acho que é isso. Joaquim disse que ele tinha uma corrente mesmo...”.
“Papai, isso significa que ele tem dono?”, disse a garota com os olhos cheios de água.
“Pode ter, mas podemos ficar com ele ate não encontrarem os donos. Ei, não chore Sofia”.
Ela começou a chorar, ate que o gato colocou as patas dianteiras no seu ombro e lambeu as lagrimas que caiam de seu rosto o que a fez sorrir.
“Ele gosta de você. Amanha vou conversar com Joaquim para saber mais sobre essa questão, mas ele não te daria um gato que pode ter dono, fique sossegada. Agora vai dormir esta chovendo muito e amanha tem escola. Boa noite, meu anjo”.
“Boa noite, papai”, disse ela dando um beijo na bochecha do pai.
Ela dormiu com o gato, no outro dia se arrumou e foi para a escola, o pai já havia saído. Como sempre. Chegando à escola as outras crianças esbarravam nela e fingiam que não existia mais ninguém ali. Era assim todo dia. Ela não possuía uma mochila levava o caderno e o lápis com a borracha, na mão. Estava pensando no gatinho que havia deixado em casa, preocupada se teria que devolver o gato para alguém.
“Ai, desculpe te derrubar, não estava prestando atenção, mil desculpas e...”.
“Já estou acostumado a cair, não foi à primeira vez” disse o garoto sorrindo o que a fez corar. Ela o ajudou a pegar um ou dois livros grossos sobre anjos e ela ficou lendo os títulos curiosos.
“Gosta de livros assim?”
“Mamãe tinha parecido, nunca li um desses e é bem grande também”.
“Sim, mas é bem legal, qualquer dia eu te empresto o meu”.
“Ok”
Quando acabou de entregar o material do menino para ele e foi pegar o seu caderno, uma garota loira, de cabelo escorrido e roupas curtas passou, junto com um menino gordinho de topete. E chutou seu caderno para debaixo do armário e começaram a rir.
“Não acredito que fizeram isso...”.
“Tudo bem, acontece sempre... Eu não ligo e...”.
“Ei, olha aqui para mim vocês dois”, eles pararam e olharam, “Agora peguem o caderno dela, de baixo do armário”.
“Vai sonhando”
“Só se for um pesadelo com essa sua cara horrível”, disse o garoto rindo, a garota loira cerrou os punhos e saiu marchando, puxando o gordinho pelo braço, “Tão nova e tão víbora. Não pegaram, mas acho que eu consigo”, ele abaixou e apalpou o chão ate achar o caderno e puxou para fora, e entregou para Sofia, “Aqui esta, ate a próxima”.
“Obrigada”
“Não precisa agradecer”
“Ah, por que fez isso?”
“Porque somos amigos”
“Ah, mas você...”, disse ela ficando vermelha, “Você gosta de gatos?”.
“Prefiro gatas”, disse ele rindo, “Gosto sim, por quê?”.
“Ganhei um... Se quisesse ver qualquer dia”.
“Claro que quero, ate mais”.
Quando ela chegou em casa estava toda feliz, e foi contar para Rick, sua novidade. Quando o pai chegou ela foi contar a mesma novidade, mas ele anuncio que ela iria mudar de escola, pois a escola que ela estava atualmente iria começar a cobra uma taxa. Ela começou a ficar triste mas ele disse, para tentar anima-la, que o seu Joaquim disse que o gato não havia dono, e se havia, o dono desfez dele, pois foi colocado na frente da casa dele dentro de uma sacola, mas ele achou que seria mais bem cuidado por uma garotinha do que por um velho. Ela pegou o gato e foi para o quarto chorando
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