Luz e Escuridão

15 O Mar nunca fica calmo por muito tempo...


Notas iniciais
Desculpem, por não estar postando com tanta frequência, semanas de provas e trabalho, e vai se estender por mais semana que vem.
mas logo apos isso, voltarei com tudo
boa leitura, meus anjos

Sofia ainda desejava que a noite não houvesse fim. Desceu a mão, que estava no rosto do rapaz, ate seu pescoço, quando de repente foi surpreendida por uma dor em seu dedo. Ela parou de beijá-lo e olhou a ponta do dedo indicador, quando deu de cara com o liquido vermelho e viscoso que saia de um furo em seu dedo. Ele ficou a observando ate perceber que ela olhava o dedo e ficou curioso, e perguntou:

“O que esta acontecendo?”.

Ela parou de olhar para o sangue que não parava de descer, já estava sujando as mangas de seu vestido, e o olhou nos olhos. Ela nunca tinha visto os olhos do rapaz daquele jeito, pareciam mais fortes que o normal e eram nostálgicos. Ela mirou em seu pescoço com a esperança de achar o que havia lhe machucado, e viu uma corrente de prata envelhecida, cheia de espinhos, como uma cólera de cachorro grande.

“O que é isso?”, perguntou ela olhando para a corrente. Ele seguiu onde ela havia apontado e pareceu assustado.

“Eu posso explicar...”.

“Explicar o que? Não me lembrava de você estar usando essa corrente hoje”, ela estava zonza, depois que machucou a mão, mordeu os lábios inferiores esperando o que Enrique iria falar, suas vistas melhoraram e ela pode enxergar claramente o vulto que estava atrás do rapaz. Ele a observava como se aquilo fosse o fim do mundo.

Ela nunca havia visto aquilo em sua vida, não imaginava que eram tão grandiosas. Das costas do rapaz saia um longo par de asas. Negras com as curvaturas brancas. Parecia laminas afiadas, e reluzentes. Quando Sofia pensava em anjos, imaginava asas brancas e puras. Mas algo nas de Enrique pareciam ser diferentes. Não só a grandiosidade, e a cor... Elas eram intimidadoras e violentas, em vez de paz e felicidade. As asas dele deixavam Sofia com medo, e certo nojo. Ela colocou as duas mãos tampando a boca, estava com tanto medo que levantou quase caindo do banco.

“Sofia, espere, eu posso explicar tudo isso...”, disse Enrique se levantando, ele tentou pegar no braço de Sofia, mas ela tirou seu braço do dele, “Sofia, espera eu...”.

“Não me toque”.

“Tem nojo de mim?! De Mim?! Ora, estava beijando me ate agora, não me venha falar agora que esta com nojo de mim...”.

“Não beijava você, beijava Enrique. Que tipo de coisa que você é afinal?? Não acredito em nada que fale seu mentiroso. Ate quando pretendia mentir para mim? A vida inteira? Achou que algo como isso nunca iria acontecer? Ou que eu era tonta demais para perceber?”

Ele abaixou a cabeça e seus cabelos pretos caíram sobre os olhos, ele ergueu os olhos para olhara. Seus cabelos negros davam um ar sombrio ao garoto, mas mesmo com medo, ela preferia assim. Não queria voltar a olhar para aqueles olhos que a deixavam encantada.

“O que quer que eu faça?”, disse ele em meio de um sorriso que parecia forçado, ele parecia se esforçar para as lagrimas não descerem do seu rosto, “Me apaixonei por você, mas você nunca falaria comigo, não tinha jeito. Desculpe-me por mentir, eu me sentia péssimo fazendo isso, mas era o único jeito”, ele parou por alguns momentos e ficou analisando o chão, “Sofia, eu te entendo por ter raiva de mim, quero que seja feliz com Castiel. Eu não sou o cara certo para você, nunca fui. Mas se eu pudesse voltar ao tempo. Eu te amaria de novo e de novo. Só que cada vez mais”.

Ela o olhava assustada, as lagrimas saiam do seus olhos, sem que ela ao menos percebesse, ela não conseguia o encaram mais. Então se agachou e saiu dali, depois saiu correndo o imenso campo de tulipas. Enrique queria segui-la, ele tentou segurar seu braço, mas lembrou de que ela não queria mais ser tocada por ele e recuou. Ele queria sair correndo atrás dela. Mas ela não queria vê-lo mais, ela havia saído dali para não ver a cara do rapaz.

Sofia tentava limpar as lagrimas que não paravam de cair, enquanto corria. Os galhos que Enrique tinha tomado o maior cuidado para não lhe machucar, a cortavam sem parar. Ela conseguiu sair da floresta e chegar de frente ao local onde eles estavam fazendo o pique Nick, estava apenas à toalha vermelha e a cesta de comida. Ariel também não estava mais lá. Sofia olhou para a roupa toda rasgada e por onde estavam os rasgos, estava evidente cortes. De todos os tamanho e profundidades.

Ela correu para o dormitório, na esperança de que Enrique não a alcançasse, mas ele não havia saído do lugar, estava perplexo olhando para onde ela havia saído, mudo, de cabeça baixa. As lagrimas caiam no solo, molhando as folhas secas.

Sofia chegou ao dormitório e abriu a porta do quarto de supetão, quando deu de cara, com Castiel e Ariel conversando. Castiel parecia preocupado, e Ariel parecia chateado com algo, ele estava com a cara de um pai que expulsa o filho de casa, pois seria o ‘certo a se fazer’. Assim que ela entrou os dois pararam de conversar e a olharam.

“O que aconteceu com você? Esta toda cortada, meu De...”, Castiel foi interrompido pela garota que se jogou em seus braços. Ela não sabia o que estava fazendo, e ele não sabia como responder tal ação, ele passou a mão no topo de sua cabeça e ela esqueceu que estava nos braços de Castiel por alguns momentos, para ela parecia Enrique. Ele era o único que a acalmava, mas logo sentiu o cheiro doce do perfume do rapaz e logo reconheceu que era Castiel, ela se afastou e ele ficou a fitando.

“Fique sossegada garota, ele é o arcanjo da paz afinal...” disse Ariel.

Seus olhos estavam amendrotados e aregados como sempre foram, e com o passar dos anos eles haviam mudado.

“Eu vou cuidar desses seus machucados. Agora vamos, pare de chorar, nos conte o que esta acontecendo, alguém machucou você?”, disse o rapaz pegando uma maleta de quite de primeiros socorros, da bolsa preta, que estava pendurada apenas em um dos ombros.

Ela acenou a cabeça negativamente e o velho completou:

“Ele esta querendo saber o que Enrique fez com você.”

“Ariel, não seja tão direto. Sofia não esta bem, não deve querer nem o ver muito menos explicar detalhadamente o que esta acontecendo. Vamos dar tempo ao tempo”.

“Garoto de açúcar, pare de ser frescurento. Tudo bem que é o arcanjo da paz e bondade e sabedoria, e que vai compreendê-la e trazer um tipo de paz. Mas mesmo com a junção dos nomes, não esqueça que você nunca será Cassiel...”.

“Se me foi dada esta tarefa, é porque eu sou capaz. Você não entende... Não é hora de falar sobre isso”.

Sofia os olhava confusa, ela ainda não tinha parado de chorar, quando o professor passou a mão sobre seu ombro e disse sorrindo:

“Vai se desidratar desse jeito. Vamos lá, não ligue para o que o frescurento falou. Diga-nos, Enrique a machucou?”

“Não”.

“Então o que ele fez, querida?”

“Ele me beijou...”.

O professor e o arcanjo se entreolharam assustados, como se aquilo fosse a pior coisa que poderia acontecer.

“Onde aquele bicho esta?”, perguntou Castiel cerrando os dentes e olhando para trás, sua expressão calma de sempre estava mudada. Seus olhos brilhavam em forte expectativa de crueldade, como os de soldados em meio de uma guerra.

Pela primeira vez, Sofia, o viu como um arcanjo.