Luz e Escuridão
3 Escola
Notas iniciais
Ela havia acabado de chegar à escola. Ela era retirada da cidade, e Sofia estava cansada da viagem. Estavam atrasados e seu pai assinava as papeladas. Ela havia pegado todas as suas roupas e só havia conseguido encher uma bolsa que ela usava para ir para a escola. Observava o local onde estava. Uma sala pequena com uma porta estreita que dava para um corredor. O vento estava gelado e o céu escuro, coberto por nuvens negras.
O seu pai preencheu um formulário, em frente a um balcão. Onde uma mulher estava separada por um vidro em uma pequena sala. Enquanto a mulher lembrava as regras da escola. Como por exemplo: o uso de roupas chamativas era proibido, animais, sair da escola, ficar acordado ate tarde e entre outros. Sofia se pegou observando um ventilador que parecia pifando enquanto rodava no teto. Ela ouviu uma risada e olhou em direção que ouviu.
Um garoto que parecia ter sua idade, de roupas escuras, estava rindo de uma mulher com uma espécie de cesta de plástico que mandava ele entregar todos os objetos ‘perigosos’. Ela era alta e magra. E usava com conjunto de blusa e saia, rosa chá. Cabelos em um tom loiro grisalho e estava maquiada.
Ela observava a cena sem entender muito, quando o garoto parou de olhar para a mulher e começou a observa-la. Seus cabelos eram negros e repicados, e caiam sobre seus olhos fortes, de um verde esmeralda penetrante. Sua pele era pálida, como se ele nunca houvesse saído de casa. Ele continuou a observa-la o que a deixou corada, e fez ele parar de sorrir. Foi então que a mulher percebeu que ele não estava prestando atenção no que ela dizia e olhou para trás.
“Ola querida, deixei aqui seus objetos perigosos também”, disse ela esticando a cesta de plástico e tirando os óculos de leitura, o deixando pendurada pelo cordão, de pedras, que estava segurando os óculos rosa.
“Objetos perigosos?”
“Ora, não se faça de boba”, disse ela apontando para a placa escrita a mão que havia pregada na parede.
Sofia leu com atenção os itens da lista e percebeu que não tinha nenhum, celular, ou notebook, ou qualquer mp4, ou mp3, nem fones de ouvido, ou canivetes.
“Não tenho nada disso...”.
“Qualquer adolescente tem isso, ou vai se fazer de boba como o rapazinho aqui?”, disse ela apontando para o garoto do cabelo preto que olhava para o teto, como se não estivessem falando dele. Ela batia o scarpin vermelho no chão, impacientemente.
“Ela realmente não tem, nunca consegui comprar essas coisas para ela.”, disse o pai de Sofia entrando no meio.
“Ok, ok”, disse ela olhando no seu relógio de pulso, “Já esta na hora de vocês irem, vão logo. Dessa vez passa”, disse ela puxando Sofia pelo braço.
“Mas nem falei tchau para o meu pai...”.
“Vocês vão se ver de novo, pare de drama”, disse a mulher andando rápido pelo corredor e puxando mais o braço de Sofia. Que viu que não poderia nem dar um ultimo abraço em seu pai. Então sorriu de longe e acenou com a mão para ele.
A mulher soltou o braço de Sofia enquanto andava rapidamente na frente. O garoto de cabelos negros estava do lado de Sofia com as mãos no bolso. Parecendo não se importar com o que a mulher dizia.
“A sala de vocês é aquela”, quando Sofia já ia indo para o prédio. Depois de atravessar todo o gramado. A mulher a segurou pelo punho e sussurrou em seu ouvido, “Se eu fosse você não faria amizade com esse garoto. Boa aula querida”, disse essa parte um pouco mais alto. Ela ficou assustada e correu para o prédio que ia ter as aulas.
Quando entrou na sala cinza, onde ela iria ter aulas. Todos estavam em pés na frente de sua carteira conversando com os colegas, ela não se sentiu muito longe do que estava acostumada, e sentou no único lugar que estava vazio da sala.
Quando o professor entrou os alunos sentaram em suas carteiras e começou a distribuir alguns livros de historia. Era velho e usava uma roupa que cheirava guardado, uma blusa de camisa longa amarela e calça de tecido. Junto com os sapatos sociais recém-engraxados.
Ficou parado na frente à sala e escreveu na lousa o numero da pagina. Então começou a ler, com um tom baixo de voz, onde os alunos aproveitavam para conversar. Enquanto ele escondia o rosto no livro grosso de historia. Falando sobre a 2 guerra mundial.
Quando Sofia viu um papel branco caindo em sua mesa. Dobrado. Já estava acostumada com esse tipo de papel. Geralmente viam acompanhados com chingamentos ou ofensas. Mas quando ela abriu esse estava escrito:
Ola. O que esta achando de nossa primeira aula chata, de muitas que há por vir?
Ela olhou para o lado e viu o garoto de cabelo preto do seu lado, que lhe mostrou um sorriso. Ela ficou vermelha e escreveu atrás do papel:
Todas as aulas são assim?
Ela jogou o papel em sua mesa e voltou a olhar no livro disfarçadamente. Mas ainda olhava para ter certeza se foi realmente ele que havia mandado. Ele abriu o papel e leu e começou a segurar a risada. Guardou o papel no bolso e pegou outra tira de seu caderno e começou a escrever.
Infelizmente sim. Mas às vezes acontece algo interesante e nem sempre os professores me deixam ficar presente, para a sua felicidade é claro.
Ela começou a segurar a risada. Quando o professor olhou para onde eles estavam, ela voltou a olhar para o livro.
Quais tipos de aula você não costuma estar presente?
Ele pegou o papel e escreveu sem emoção.
Religião. Mas isso não me impede de ser mandado para fora nessa aula... Realmente, eu sou tão chato que você já esta perguntando quando vai ficar sem eu aqui, para te encher o saco?
Ela olhou a folha e começou a rir, esquecendo que estava na sala de aula. O professor parou a leitura e abaixou os olhos do livro e perguntou:
“Quem esta rindo? Tem algo engraçado?”
O menino ergueu o braço e começou:
“Talvez o jeito que você esta explicando a segunda guerra mundial. Você sabe que não foi bem assim que aconteceu, e mesmo assim escolheu o livro mais longe do tema possível, e ainda com essas comparações estranhas...”.
“Você não esta interresado, mas tem gente que esta. E o senhor esta atrapalhando...”.
“Quer que eu saia?”
“Exatamente”
“Só estou falando que estou achando, e bem, acho que ninguém esta realmente interresado e alem do mais ninguém consegue prestar atenção com essa sua leitura zumbi. Mas eu saio...”.
Fale com o autor