Luz e Escuridão
12 Dando um Jeito em Tudo
Notas iniciais
Sofia estava na sala de aula, morrendo de tédio. Sua mão segurava a cabeça que parecia que ia cair, de tão pesada e cansada que se sentia. Já era quarta-feira, logo seria sexta. E ela ainda não fazia a menor ideia de quem era sua mãe, se ela era mesmo um anjo, ou de como entrar em contato com ela.
Talvez a mãe fosse um cupido como a mãe de Vitoria, mas ela não se encaixava nas caracterizas que Castiel havia falado, ela chegava a confundir a amiga com as questões amorosas e não era nem um pouco boa em juntar pessoas ou em quaisquer atividade que teria haver em pontaria. O que seria obrigatório a um cupido.
Talvez ela fosse um anjo da guarda. Mas ela não era seria, nem tão pouco protetora, sim ela gostava de proteger seus amigos e não era a pessoa mais engraçada do mundo. Mas não se via ajudando, ou protegendo alguém.
A verdade é que ela não conseguia se ver como um anjo, não se via como uma pessoa meio anjo. Talvez ela era apenas uma norme, sim, foi esse termo usado por Marlene no dia que ela estava com Rick no refeitório. Então era uma perdida, no meio de anjos. Mas por que Rick tinha tanta importância? De acordo com Castiel ele era um anjo, mas não seria tão importante para algo. Talvez ele soubesse que tipo de anjo era, e também poderia descobrir sobre Sofia, não sabia por que, mas sentia que o amigo saberia lhe responder as questões que tanto lhe atormentavam.
Ele não ia a escola desde o dia que ele deu a tal ‘recompensa’ para Sofia, ela se sentia culpada, pois foi por sua culpa que ele teria levado um ‘tratamento de choque’ da senhora Miles. Ele ainda estava internando? Não, ela havia ido ao hospital e ele já havia saído há dias. Talvez ele havia ido embora, foi isso que ele disse. Ela queria vê-lo, mas ao mesmo tempo não, da ultima vez se viram ele havia beijado, não foi exatamente um beijo, mas sim ele havia a beijado. Não sabia como iria encarar o amigo depois daquilo e depois do que ele disse. Enrique era um cara misterioso e estranho, intimidador e impulsivo. Misericórdia não fazia parte do seu dicionário. Ele se segurava na frente de Sofia, mas dava para ver em seu olhar que ele não queria sair distribuindo sorrisos falsos e levando tudo na brincadeira.
Ele estava escondendo algo de Sofia, todos estavam. E isso a incomodava muito, a faziam de besta. Como uma criança que não entende o que os pais estão falando. A garota queria participar de seja lá o que eles estavam fazendo, ou qual era o pensamento deles. Por que eram amigos, não eram? Ou pelo menos ela achava que era. Percebeu que o gato estava fazendo mais falta que o normal, ele a escutava, ele a entendia. Não ignorava e a tratava feito idiota. Talvez se não tivesse passando por tudo isso. Talvez se tivesse os amigos que o pai havia falado que ela teria, as coisas não estariam assim. Ate o pai havia lhe escondido as coisas, pelo menos essa parte da escola ser para meio anjos ele deveria fazer, ou talvez o fato dela ser metade anjo. Ele sempre falava que ela parecia a mãe, por isso havia deixado o cabelo crescer, porque ele havia dito que o cabelo as deixava idênticas, talvez fosse bom ela cortar o cabelo, não queria mais ser apenas a copia de sua mãe que mal conhecia e tinha 90% de chance de ser algum tipo de anjo.
O que ela era afinal? Algum tipo de copia da mãe, meio humana? Ela não tinha importância nenhuma, ninguém precisava falar algo para ela, nada sobre nada. Ela era boba de mais para entender, boba de mais para saber de qualquer coisa. Será que alguém realmente se importava com algo que estava acontecendo, ou acontecesse com ela? Muito provável que não. Sofia se via quase chorando no meio da aula de religião. Estava triste por não saber de nada, mas ao mesmo tempo saber de tudo só não aceitar. Quando sentiu a lagrima quente caindo sobre o caderno. E o caderno foi começando a ficar manchado de bolas de água que caiam sobre ele.
“Professora, a Sofia esta passando mal, eu tenho que leva-la na enfermaria”.
“Esta mesmo Sofia?”.
Não, não, ela não estava mal, não queria ir a enfermaria. Só queria sair dali, queria fugir dali naquele momento. Quem era o enxerido que estava a vendo chorar e pensou que estava doente?
“Eu vou te tirar daqui”, sussurrou em seu ouvido, pegando em seus ombros. Sofia afirmou com a cabeça que não estava bem e a professora falou que eles podiam ir.
Quando estavam no corredor ele continuou a levando para fora da escola, para uma parte do pátio cheia de grama e com o sol fraco da manha nublada. Ela não tinha forças para olhar para cima, e nem queria que ele visse que ela estava chorando. Apesar de já achar que ela estava chorando. Ele a sentou em baixo de uma arvore que ficava totalmente distante do olhar da sala de aula.
“Esta bem Sofia?”, disse ele se agachando e seus olhos se encontraram. Ela não conhecia o rapaz, mas seus olhos a faziam lembrar alguém, sua voz era suave e doce e ele mostrou um sorriso doce para ela. Que a observava, mas não o conhecia. “Não seja mal educada, me responda”, sussurrou em seu ouvido, depois de ouvir novamente a voz do rapaz percebeu que havia um tom rouco em sua voz e o olhou nos olhos de novo. “Esta com amnésia??Vou te lembrar”, disse ele colando docemente os lábios rosados nos de Sofia.
Sofia empurrou o garoto que se desequilibrou e caiou sentado na frente dela rindo.
“Lembrou quem é agora?”
“Nunca mais me toque!”, disse ela vermelha.
“Não venha com essa, não foi tão ruim assim. Gostei do cabelo, ficou muito mais linda. Digo, você já era perfeita, mas estava parecendo sua mãe...”.
“Conhece minha mãe???”.
“Claro que conheço sua mãe, o mulherzinha chata...”.
“Então ela é um anjo?”.
“O que? Do que esta falando?”.
“Minha mãe, você disse que conhece....”.
“Não conheço sua mãe, como ela é?”.
“Que tipo de jogo é esse?”.
“Que jogo Sofia? Esta bem, meu anjo?”.
“Esse é o problema, eu sou ou não um anjo?”.
“Para mim você é...”.
“E você é um anjo também? Castiel disse que é um arcanjo...”.
“Serio? Que legal...”.
“Enrique não se faça de bobo ele disse que você é um anjo de baixo escalão...”.
“Não sou não, pode ficar sossegada eu apenas gosto deste tipo de livros de anjo e etc. Lembra quando nos vimos na escola, quando nos éramos pequenos?”.
“Era você???Eu sempre quis encontrar você novamente, eu não acredito, desculpe por não te reconhecer...”.
“Tudo bem, eu mudei bastante eu sei, não sou mais uma criancinha fofa e adorável. Como era na época, mas sim um bad boy que todos querem manter distancia, desculpe não ter falado antes, achei que tinha me reconhecido, seria bom demais para ser verdade. Você continua inocente e delicada como sempre foi, e esta mais linda agora de cabelo curto...”, o garoto falava tudo numa calma olhando em seus olhos, seus olhos eram calmos e misteriosos e ele passava uma paz sem igual para a garota. Ela começou a observar como ele estava mais bonito, e como estava irreconhecível com o cabelo preto penteado de forma que ficava para trás e deixava seus olhos fortes e suas sobrancelhas compridas e escuras a mostra, seus lábios pareciam mais rosados que o normal e sua pele pálida parecia de porcelana.
“Esta tão lindo assim...”, falou para si mesma Sofia
“O que disse?”
“Nada!!!!”
“Pensei ter ouvido você dizendo que eu estava bonito...Como sou bobo, estou inventando coisas...”
“Se eu fosse um anjo, continuaria falando comigo?”
“Claro que sim, isso não faz diferença alguma em nada, se gosto de você não significa que eu estava irreconhecível em algo seu, eu conheci você assim, se ser anjo significa que você ira mudar, isso me incomoda um pouco...mas se não mudar seu jeito de ser, pouco me importa”. Ela se pegou sorrindo, coisa que não estava fazendo há dias com todas essas preocupações a cabeça.
“Sexta, visita dos pais anjos... não sei como falar com a minha, se é que ela é um anjo mesmo... o que faço?”
“Também não tenho visita nenhuma, vou ficar com Ariel, quer ficar conosco? Nunca tem nada de especial, só rimos e ficamos conversando...”
“Sim, eu queria ficar com vocês... se o professor não ligar, claro...”
“Ele não se importa...”, disse ele por fim sorrindo.
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